Edgar Pierre Jacobs nasceu a 30 de Março de 1904, em Bruxelas (Bélgica), ali falecendo em 20 de Fevereiro de 1987.
Desde muito novo manifestou grande fascínio pelo desenho e pelas representações cénicas.
Os seus cadernos escolares reproduzem cenas quotidianas, batalhas, pormenores arquitectónicos ou de indumentária, a par do esmero colocado na caligrafia, revelando o seu talento.
Em 1919, depois de concluir a Escola Comercial, começou por trabalhar em publicidade, então inteiramente ilustrada, realizando gravuras para puzzles, álbuns para colorir, jogos, catálogos para grandes armazéns e cartazes, actividade que desenvolveu nos anos 20.
Chegou a barítono da Ópera de Lille em 1929, ano em que ganhou um grande prémio de canto.
Durante os anos em que esteve profundamente envolvido neste meio, aproveitou também para utilizar o seu talento gráfico, concebendo projectos de indumentárias e maquetas de cenários. Trabalhou durante dez anos na Ópera de Lille, até ser mobilizado em 1939, com o eclodir da Segunda Guerra Mundial.
Com a Bélgica invadida, em 1940, recorre ao desenho como meio de sustento.
Contactou a revista Bravo, para a qual realizou o mais variado tipo de ilustrações.
Em 1942, quando a Bravo deixa de receber as provas da muito popular banda desenhada americana Flash Gordon, Edgar foi desafiado a continuar as suas aventuras, sob o título de "Gordon l'Intrepide".
No entanto, por imposição da censura alemã, teve de concluir precipitadamente o seu trabalho, que visava dar uma hipotética continuação à história criada originalmente por Alex Raymond.
Entre 1943 e 1944 continuou a trabalhar em BD, tendo sido convidado pela mesma revista a desenvolver uma história que substituísse Flash Gordon.
A sua primeira BD criada de raiz foi Le Rayon "U" (O Raio "U"), que surgiu na revista Bravo, em 1943.
Uma segunda versão apareceu em 1974 na revista Tintin e em álbum da Lombard.
Em simultâneo, começou a colaborar com Hergé, o pai de Tintim, em 1944, quando Hergé sentiu a necessidade de redesenhar e colorir várias aventuras inicialmente saídas a preto e branco.
Assim sendo, realizou os desenhos dos cenários e a coloração das seguintes histórias de Tintim:
O Lótus Azul, O Ceptro de Ottokar, As 7 Bolas de Cristal e O Templo do Sol.
Como nota do seu bom humor, Jacobs não se coibiu de se desenhar a si próprio, a Hergé e a outras pessoas conhecidas de ambos, entre os "figurantes" de algumas histórias.
A história inicial da série, Le Secret de l'Espadon (O Segredo do Espadão), impôs-se rapidamente com sucesso entre os leitores da revista, acabando por ser reunida em dois álbuns, editados em 1950 e 1953, começando assim uma das séries de culto da BD europeia.
Depois surgiram Le Mystère de la Grande Pyramide (O Mistério da Grande Pirâmide), história também em duas partes, publicada na Tintin entre 1950 e 1954, e La Marque Jaune (A Marca Amarela), publicada em 1953.
Seguiram-se L'Enigme de l'Atlantide (O Enigma da Atlântida), de 1955, SOS Météores (SOS Meteoros), de 1958, Le Piège Diabolique (A Armadilha Diabólica), de 1960, L'Affaire du Collier (O Caso do Colar), de 1965, e Les 3 Formules du Professeur Sato I (As 3 Fórmulas do Professor Sato I), de 1971 - histórias publicadas inicialmente na revista Tintin e editadas posteriormente em álbum pela Lombard.
Em 1986 criou a chancela Éditions Blake et Mortimer, que editou todos os álbuns num novo formato, com nova coloração e páginas suplementares, como sucedeu em O Segredo do Espadão, agora editado em três volumes.
Depois de vários problemas de saúde, que marcaram os seus últimos anos de vida, faleceu vítima da doença de Parkinson, em 1987, deixando uma obra pequena pelo número de títulos mas de inegável qualidade narrativa e plástica, que se tornou uma importante referência da BD franco-belga.
Em 1996, Jean Van Hamme e Ted Benoit prosseguiram a série com grande êxito, a que se juntou, mais tarde, outra dupla de autores, Yves Sente e André Juillard.
Em Portugal, antes da edição em álbuns, a série Blake & Mortimer foi publicada na década de 50 do século passado na revista Cavaleiro Andante, da Empresa Nacional de Publicidade (em sistema de continuação).
O mesmo ocorreria duas décadas mais tarde na revista Tintim (em português).








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