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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

José Afonso - Faria hoje 90 anos...


Nasceu em Aveiro, Portugal, em 2 de Agosto de 1929. Faleceu em Setúbal no dia 23 de Fevereiro de 1987.
Relembre passos importantes da sua vida aqui.
A voz e as palavras podem ser recordadas abaixo - Traz Outro Amigo Também:



sábado, 13 de julho de 2019

Uma carta de D. Pedro, futuro imperador do Brasil, para seu pai, D. João VI de Portugal (1822)

D. Pedro, príncipe regente e, mais tarde, primeiro imperador do Brasil.
Nasceu e faleceu no palácio de Queluz, Portugal (1798-1834)

A 19 de Junho de 1822, D. Pedro, príncipe regente do Brasil, dirigiu uma carta a seu pai, D. João VI, rei de Portugal, então já fixado em Lisboa.
Oitenta dias depois de ter escrito estas linhas, D. Pedro soltava o grito de Independência ou Morte!, às margens do riacho Ipiranga (São Paulo), e o Brasil viu-se finalmente livre do domínio colonial português.
É dessa carta que apresentamos alguns extractos (com ortografia actualizada).

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"Meu pai e meu senhor:

Tive a honra e o prazer de receber de Vossa Majestade duas cartas, nas quais me comunicava o seu estado de saúde física, a qual eu estimo mais do que ninguém, e em que me dizia: Guia-te pelas circunstâncias, com prudência e cautela. Esta recomendação é digna de todo o homem, e muito mais de um pai a um filho, e de um rei a um súbdito que o ama e respeita sobremaneira.
Eu ainda me lembro e me lembrarei sempre do que Vossa Majestade me disse, dois dias antes de partir, no seu quarto: Pedro, se o Brasil se separar, antes que seja para ti, que me hás-de respeitar, do que para algum desses aventureiros.
Foi chegado o momento da quase separação, e, estribado nas eloquentes e singelas palavras expressadas por Vossa Majestade, eu tenho marchado adiante do Brasil, que tanto me tem honrado.

Pernambuco proclamou-me Príncipe Regente, sem restrição alguma no poder executivo. Aqui consta-me que querem aclamar Vossa Majestade Imperador do Reino Unido [de Portugal e Brasil] e, a mim, rei do Brasil. Eu, senhor, se isto acontecer, receberei as aclamações, porque me não hei-de opor à vontade do povo. Mas sempre, se me deixarem, hei-de pedir licença a Vossa Majestade para aceitar, porque sou bom filho e fiel súbdito. Ainda que isto aconteça, o que espero que não, conte Vossa Majestade que eu serei rei do Brasil, mas também gozarei da honra de ser súbdito de Vossa Majestade.

D. João VI, rei de Portugal. Nasceu e faleceu em Lisboa (1767-1826)
Vossa Majestade, que é rei há tantos anos, conhece muito bem as diferentes situações e circunstâncias de cada país. Por isso, igualmente Vossa Majestade conhecerá que os estados independentes (digo, os que de nada carecem, como o Brasil) nunca são os que se unem aos necessitados e dependentes.
Portugal é hoje em dia um estado de quarta ordem e necessitado, por consequência dependente. O Brasil é de primeira ordem e independente. A união é sempre procurada pelos necessitados e dependentes: portanto, a união dos dois hemisférios deve ser (para poder durar) de Portugal com o Brasil, e não deste com aquele, que é necessitado e dependente.
Uma vez que o Brasil todo está persuadido desta verdade eterna, a separação do Brasil é inevitável, se Portugal não buscar todos os meios de se conciliar com ele por todas as formas.

Peço a Vossa Majestade que deixe vir o mano Miguel para cá, seja como for, porque ele é aqui muito estimado, e os brasileiros querem-no ao pé de mim para me ajudar a servir o Brasil e, a seu tempo, casar com a minha linda filha Maria.
Espero que Vossa Majestade lhe dê licença e lhe não queira cortar a sua fortuna futura, quando Vossa Majestade, como pai, deve por obrigação cristã contribuir com todas as suas forças para a felicidade de seus filhos.
Vossa Majestade conhece a razão; há-de conceder-lhe a licença, que eu e o Brasil tão encarecidamente pedimos pelo que há de mais sagrado.

7 de Setembro de 1822 - Grito do Ipiranga: "Independência ou Morte!"
O Brasil declarava-se independente de Portugal.

Como filho respeitoso e súbdito constitucional, cumpre-me dizer sempre a meu rei e meu pai aquela verdade que de mim é inseparável. Se abusei, peço perdão, mas creio que falar verdade nunca é abuso, antes obrigação e virtude.

Dou parte a Vossa Majestade que as minhas filhas estão boas. Da Maria remeto um retrato, tal qual ela, e a Princesa [Dona Leopoldina, esposa de D. Pedro] está também boa.
Remeto no meio dos papéis um figurino a cavalo da guarda de honra, formada voluntariamente pelos paulistas mais distintos da província, mas em que têm também entrado desta província. Os de São Paulo têm na correia da canana [cartucheira] S. P.; e os do Rio de Janeiro R. J.

Tenho a honra de protestar novamente a Vossa Majestade os meus sentimentos de amor, respeito e submissão de filho para um pai carinhoso, e de súbdito para um rei justo.
Deus guarde a preciosa vida e saúde de Vossa Majestade, como todos os bons portugueses, e mormente nós brasileiros, havemos mister.
Sou de Vossa Majestade súbdito fiel e filho obedientíssimo, que lhe beija a sua real mão,
Pedro"

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Fonte: ANTÓNIO VIANNA - A Emancipação do Brazil (1808-1825). Editado em Lisboa, Portugal, no ano de 1922 (Págs. 503-507)

Como é hoje o riacho Ipiranga, em São Paulo.
A palavra vem do idioma tupi (Ypirang). Pode ser traduzida como "rio vermelho", "água vermelha" ou "água barrenta" (composta de Y = rio e de pirang = vermelho).

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Oiça, abaixo, o que o Professor José Hermano Saraiva disse sobre o Grito do Ipiranga numa visita que fez ao Brasil:


quinta-feira, 25 de abril de 2019

Parábola das Tristes Décadas

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(Escrito no ano de 2010 pelo jornalista Baptista-Bastos, 1933-2017)


Há trinta e cinco anos que vocês nos manipulam,
nos dominam, nos mentem, nos omitem, nos desprezam.

Há trinta e cinco anos que nos roubam,
não só os bens imediatos de que carecemos,
como a esperança que alimenta as almas
e favorece os sonhos.

Há trinta e cinco anos que cometem o pior dos pecados,
aquele que consiste na imolação da nossa vida
em favor da vossa gordura.

Há trinta e cinco anos que traem a Deus e aos homens,
sem que a vossa boca se encha da lama da mentira.

Há trinta e cinco anos que criam
legiões e legiões de desempregados,
de desesperados,
de açoitados pelo azorrague da vossa indignidade.

Há trinta e cinco anos que tripudiam
sobre o que de mais sagrado existe em nós.

Há trinta e cinco anos que embalam as dores
de duas gerações de jovens,
e atiram-nos para as drogas, para o álcool,
para uma existência sem rumo, sem direcção e sem sentido.

Há trinta e cinco anos que caminham,
altaneiros e desprezíveis,
pelo lado oposto ao das coisas justas.
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Há trinta e cinco anos que são desonrados,
torpes, vergonhosos e impróprios.

Há trinta e cinco anos que, nas vossas luras e covis,
se acoitam os mais indecentes dos canalhas.

Há trinta e cinco anos que se alternam no mando,
e o mando é a distribuição de benesses,
prebendas, privilégios
entre vocês.

Há trinta e cinco anos que fazem subir as escarpas
da miséria e da fome
milhões de pessoas que em vocês melancolicamente
continuam a acreditar.

Há trinta e cinco anos que se protegem uns aos outros,
que se não incriminam, que se resguardam,
que se enriquecem,
que não permitem que uns e outros sejam presos
por crimes inomináveis.

Há trinta e cinco anos que vocês são sempre os mesmos,
embora com rostos diferentes.

Há trinta e cinco anos que os mesmos jornais,
sendo outros,
e os mesmos jornalistas de outra configuração,
sendo a mesma,
disfarçam as vossas infâmias,
ocultam as vossas ignomínias,
dissimulam a dimensão imensa dos vossos crimes.

Há trinta e cinco anos
sem vergonha,
sem pudor,
sem escrúpulo
e sem remorso.


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Há trinta e cinco anos que não estão dispostos
a defender coisa alguma
que concilie o respeito mútuo com a dimensão colectiva.

Há trinta e cinco anos que praticam o desacato moral
contra a grandeza da justiça e a elevação do humano.

Há trinta e cinco anos que, com minúcia e zelo,
construíram um país só para vocês.

Há trinta e cinco anos que moldaram a exclusão social,
que esculpiram as várias faces da miséria e, agora,
sem recato e sem pejo,
um de vocês faz o discurso da indignação.

Há trinta e cinco anos começaram a edificar o medo,
e o medo está em todo o lado:
nas oficinas, nos escritórios,
nos entreolhares, nas frases murmuradas,
na cidade, na rua.
O medo está vigilante.
E está aqui mesmo, ao nosso lado.

Há trinta e cinco anos encenaram e negociaram,
conforme a situação,
o modo de criar novas submissões
e impor o registo das variantes que vos interessavam.

Há trinta e cinco anos engendraram,
sobre as nossas esperanças confusas,
uma outra história natural da pulhice.

Há trinta e cinco anos que traíram os testamentos legados,
que traíram os vossos mortos,
que traíram os vossos mártires.

Há trinta e cinco anos que asfixiam
o pensamento construtivo;
que liquidaram as referências norteadoras;
que escarneceram da nossa pessoal identidade;
que a vossa ascensão não corresponde ao vosso mérito;
que ignoram a conciliação entre semelhança e diferença;
que condenam a norma imperativa do equilíbrio social.

Riam-se, riam-se.
Vocês são uma gente que não presta para nada;
que não vale nada.

Malditos sejam!
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Baptista-Bastos

(Jornal de Negócios - Lisboa - Portugal - 23-Dez-2010)

quinta-feira, 28 de março de 2019

Cantares de Venezuela - "MONTILLA" (ou: A Morte do "Tigre de Guaitó")


General venezuelano José Rafael Montilla (1859-1907)

Ao estado a que chegou Montilla!
Ao estado a que ele chegou...
Um homem tão valoroso
y a Montilla lo han matado!

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"Montilla" é uma peça musical, de anónimo compositor, pertencente ao rico folclore venezuelano. Surgiu nos princípios do século XX. Muita gente a ouve, a canta e a dança sem fazer a mais pequena ideia de que nos seus versos se contempla a vida e o trágico fim do general venezuelano José Rafael Montilla, também conhecido, pela sua bravura, como "El Tigre de Guaitó".

José Rafael Montilla nasceu em San Miguel, estado de Trujillo (Venezuela) no dia 16 de Setembro de 1859, sendo filho de Custodio Montilla e de Juana Natividad Petaquero. Desde muito novo se distinguiu pela determinação e valentia com que defendia os camponeses oprimidos do seu país, cujas reivindicações apoiava.

Durante as duras batalhas em que participou, do lado dos Liberais, ascendeu a general perante o delírio dos soldados que o acompanhavam. Recolhido a certa altura na povoação de Guaitó (estado de Lara, no noroeste do país), determinou o que considerava uma justa repartição de terras por aqueles que as trabalhavam. Em breve se tornou uma dor de cabeça - e um alvo - para os Conservadores.



Vários presidentes venezuelanos tentaram a sua prisão, mas o "Tigre de Guaitó" mostrou-se indomável. Mudando de táctica, Cipriano Castro ofereceu-lhe importantes cargos públicos. O objectivo consistia em afastá-lo das regiões em conflito, mas Montilla cedo se apercebeu da armadilha e recusou.


Venezuela com os seus estados


A partir dessa altura, intensificou-se o assédio com que procuravam capturá-lo ou, mesmo, eliminá-lo fisicamente. Contra ele marcharam forças poderosas, sobretudo a partir do sul, dos estados de Barinas, Cojedes e Portuguesa. Mas Montilla resistiu e não foi aprisionado. Juan Vicente Gómez ofereceu-lhe garantias para que se entregasse, mas o general, naturalmente desconfiado, tornou a recusar.

Finalmente, no dia 21 de Novembro de 1907, chegou ao seu termo a vida aventurosa de José Rafael Montilla, então com 48 anos de idade. Foi apanhado à traição por um dos seus próprios soldados, quando, à beira de um curso de água, se preparava para matar a sede provocada por uma dura marcha. O soldado, um tal Jacinto Canelones, desferiu-lhe no pescoço, pelas costas, um terrível golpe de machete (espécie de catana) que o decapitou. Uma das versões do episódio refere que o "Tigre de Guaitó" teve ainda oportunidade de disparar sobre o seu assassino, matando-o. Mas é impossível confirmar tal facto.

Entrada do povoado de Guaitó (Venezuela)
Nas horas que se seguiram, milhares de pessoas, em esmagadora maioria camponeses, convergiram para o pequeno povoado de Guaitó a fim de homenagearem o falecido no seu velório. Vieram de Guárico, Trujillo, Portuguesa e outros estados da parte ocidental da Venezuela. Uma enorme procissão de gente humilde acompanhou o féretro do general até ao cemitério. Muitos entoavam canções que enalteciam as proezas do seu defensor, e diz-se que foi nessa altura que nasceu a peça musical "Montilla", canção que viria a conhecer diversas versões.

As três que se apresentam seguidamente são, talvez, as mais conhecidas, contribuindo para a lenda em que se transformou a turbulenta carreira do "Tigre de Guaitó".

A primeira é a de Lilia Vera, famosa cantora e activista venezuelana.
A segunda pertence a Illapu, conhecida banda chilena de folclore andino.
 
A terceira é cantada pela mezzo-soprano Luciana Mancini (descendente de chilenos, nascida na Suécia), magistralmente acompanhada pelo grupo L'Arpeggiata (dirigido pela austríaca Christina Pluhar).

No final, apresenta-se a letra mais divulgada nas várias versões de "Montilla" (a ordem das quadras é por vezes trocada em diferentes interpretações).




Letra:
Vengo a trovar este golpe
que un amigo me mandó
pa' que mañana o pasado
hagan lo mismo con yo.

Ahí viene Montilla a dar la pelea
y viene diciendo, morena: la bala chirrea
El armó su gente con la artillería
y prendió los fuegos, morena, al Ave María.

Al estado en que llegó Montilla,
al estado en que ha llegado.
Un hombre tan valeroso
y a Montilla lo han matado.

Dicen que Montilla viene,
dicen que Montilla va,
yo digo que eso es mentira
porque yo vengo de allá.

El que me dijera negro
yo no me enojo por eso
porque negro tengo el cuero
pero blanco tengo el hueso.

Un veintiuno de noviembre
de mil novecientos siete
muere el general Montilla
asesinado a machete.

terça-feira, 19 de março de 2019

Cantares de Venezuela (2) - Cecilia Todd ("Polo Margariteño")

Cecília Todd nasceu em Caracas, Venezuela, no dia 4 de Março de 1951.
Dona de uma voz belíssima, é também exímia executante do "cuatro" venezuelano (instrumento de cordas que parece ter tido como antepassado remoto o cavaquinho português).


(Vídeo de Paisssano)

segunda-feira, 18 de março de 2019

Cantares de Venezuela (1) - Soledad Bravo ("Polo Margariteño")



Soledad Bravo é uma cantora venezuelana (embora nascida em Espanha no ano de 1943).
É uma das mais importantes figuras da música latino-americana. Senhora de uma voz cristalina e poderosa, abordou os mais variados géneros musicais.
O começo da sua carreira ficou, porém, associado à canção folclórica e de protesto, onde alcançou enorme popularidade. Contribuiu para dar a conhecer os compositores mais representativos da chamada "Nova Trova Cubana" e da "Nova Canção Latino-Americana".



(Vídeo de RecordsFromShelf)

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

MALAK AL-SHEHRI NO REINO DA ESTUPIDEZ (FACINOROSA)...





Malak al-Shehri publicou uma fotografia em que surge com um vestido colorido, um casaco e óculos de sol. Ia beber café com um amigo. Tudo isto lhe valeu valentes críticas nas redes sociais. Devido ao seu comportamento, foram apresentadas queixas à polícia religiosa. Agora, foi detida.

Malak al-Shehri tem cerca de 20 anos e vive na capital da Arábia Saudita. Numa manhã saiu de casa para tomar o pequeno-almoço e tirou uma fotografia, que publicou no Twitter. “Decidi sair sem abaya [traje completo de cor escura], vesti uma saia com um casaco elegante”, lia-se na descrição da imagem. Depois, foi ter com um amigo para “beber café e fumar um cigarro”. Estes comportamentos foram motivo de queixas à polícia religiosa. Agora, Malak al-Shehri foi detida.
Publicou nas redes sociais algo que está contra as leis”, justificou o porta-voz da polícia de Riade, Fawaz al Miman, citado pelo jornal espanhol “El Mundo”. Segundo as autoridades, além da roupa em causa está ainda o facto de Malak al-Shehri “falar abertamente sobre relações proibidas com homens que não pertencem à sua família”, acrescenta o britânico “The Guardian”.

Foi a 28 de novembro que Malak al-Shehri publicou a imagem. Muitos revoltaram-se, outros saíram em sua defesa. A jovem, acabou mesmo por apagar o tweet e, consequentemente, a sua conta no Twitter.
Na Arábia Saudita, existem regras bastante restritas quanto à forma de uma mulher se apresentar nos locais públicos. A condução e o convívio com homens que não são seus familiares estão proibidos.
Segundo o “The Guardian”, milhares de sauditas assinaram uma petição que exige o fim da lei que prevê que uma mulher esteja sempre sob a guarda de um homem. Habitualmente, quando são mais novas estão à guarda do pai ou dos irmãos e quando casam passam a ser da responsabilidade do marido. (*)
 
(*) Jornal Expresso (Diário - online) - 12-Dezembro-2016.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Alemanha volta a ser o maior problema da Europa...

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O regresso da "questão alemã"
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Para quem tivesse pensado que as declarações do ministro Schäuble tinham resultado de um erro de tradução, as afirmações do responsável do Mecanismo Europeu de Estabilidade, outro veterano alemão, Klaus Regling, mostram que não houve erros, nem acasos.
Tudo parece indiciar uma manobra concertada do governo alemão contra Portugal.
Numa estratégia indireta, Berlim escolheu Portugal como o elo mais fraco para reafirmar a sua hegemonia, mostrando que, depois do brexit, o cilício do Tratado Orçamental ainda aperta mais fundo.
Como num crime friamente premeditado, sabendo o poder aterrorizador das suas palavras, Schäuble e Regling assobiam para que a matilha dos especuladores de mercado identifique Portugal como uma presa.
A subida dos juros da dívida reflete que o alvo foi claramente identificado.
O objetivo será sancionar Lisboa por défice excessivo.
Se isso acontecer, Berlim arranjará maneira de livrar Madrid, para que o castigo não provoque demasiadas contracorrentes.
Se precisássemos de um sinal da caminhada da União Europeia para o abismo, eu não apresentaria o brexit, mas esta prova de que a Alemanha, desta vez sem rebuço, voltou a ser o maior problema da estabilidade e paz europeias.
Importa não esquecer que a construção da unidade europeia, seja na visão de Churchill (1946) seja na versão Schuman (1950), pretendia, também, eliminar para sempre a pulsão hegemónica da Alemanha.
Infelizmente, com a mesma grosseira falta de respeito pela realidade, a mesma determinação desprovida de esclarecimento, há gente em Berlim preparada para, pela terceira vez num século, semear o caos na Europa. (*)
(*) Viriato Soromenho Marques - Diário de Notícias, Lisboa, Portugal - 3 de Julho de 2016
 
(Título, sublinhados e ilustrações da responsabilidade da Torre da História Ibérica)

domingo, 21 de junho de 2015

A Pilhagem de África

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ÁFRICA é o continente mais pobre do mundo — e também o mais rico.
Embora concentre apenas 2% do PIB mundial, alberga 15% das reservas de petróleo, 40% do ouro e 80% da platina. No seu subsolo jaz um terço das reservas minerais do planeta.
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 Mas o que poderia constituir a salvação do continente é, pelo contrário, uma maldição.
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Os recursos naturais africanos têm sido alvo de uma pilhagem sistemática.
A contrapartida do petróleo e dos diamantes é a corrupção, a violência e desigualdades sociais gritantes.
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Os beneficiários deste saque, assim como as suas vítimas, têm nome: o crescimento acelerado de África é induzido pela voracidade de recursos naturais por parte de economias emergentes como a chinesa, e alimentado por uma rede sombria de comerciantes, banqueiros e investidores dispostos a subornar as elites políticas locais.
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Em A Pilhagem de África, Tom Burgis, premiado jornalista do Financial Times, conduz o leitor numa viagem emocionante e frequentemente chocante aos bastidores de uma nova forma de colonialismo.
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Ao longo de seis anos, o autor abraçou uma missão através da qual se propôs denunciar a corrupção e dar voz aos milhões de cidadãos africanos que sofrem na pele esta maldição.
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Aliando um trabalho aprofundado de investigação a uma narrativa plena de ação, o livro traz uma nova luz sobre os meandros de uma economia globalizada e a forma como a exploração das matérias-primas africanas concentra a riqueza e o poder nas mãos de poucos.
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Críticas de imprensa
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Uma demonstração poderosa de como a exploração e o tráfico de matérias-primas serve o enriquecimento pessoal de alguns. The Times

Um retrato vigoroso de uma voraz máquina de pilhagem. Uma composição profícua em exemplos que mostram as ligações entre empresas corruptas e as elites africanas.
The Economist

Um excelente documento sobre a exploração. Tom Burgis prestou um grande serviço a algumas
das pessoas mais pobres do mundo. Financial Times
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Páginas: 400   -   Editor: Vogaishttp://www.wook.pt/media/ficha_prod/sep_price.gif     -    Preço:19,78€
 
FONTE: WOOK
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domingo, 5 de abril de 2015

Na Páscoa - "Francisco Entre os Lobos"

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" (...) Na última entrevista a Valentina Alazraki, Francisco admite uma certa alergia face à Cúria que o rodeia, a que insiste chamar "corte" (o que, mais uma vez, põe algumas orelhas a arder à sua volta).
Defende que o debate é necessário para que "as coisas saiam. Há sempre pontos de vista diferentes. São legítimos. Mas quero que se digam as coisas de frente, que se tenha a coragem de não calar e de saber dizer não", disse o Papa.
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O perfil dos seus colaboradores está traçado. E a vontade de tornar claras as diferenças de opinião é uma das regras do jogo de Francisco.
Só que "há um momento em que tem de ser ele a decidir", diz um especialista em religião. E, pelo que se viu, não há conciliação possível, um meio termo entre as posições conservadoras ou modernas assumidas no último sínodo.
Francisco terá de escolher um lado, tomar partido, e isso, inevitavelmente, acabará por afastar um dos lados (...).
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O terreno à volta de Francisco está minado.
Marco Politi, outro vaticanista italiano, não faz a coisa por menos e lançou o livro "Francisco Entre os Lobos", em que explica como "está em curso uma batalha muito séria entre o projeto reformista de Francisco e as oposições".
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Os "lobos" estão por todo o lado, são adversários "na Cúria e fora da Cúria", estão "tanto em Roma como fora de Roma".
"Não se manifestam abertamente", diz o jornalista, mas nem por isso têm menos força.
Podem ser conservadores da doutrina, paladinos da tradição.
Mas também forças económicas que não vêem, nem viram, com bons olhos um Papa que não tem problemas em dizer que o atual modelo económico é um pecado mortal, porque o capitalismo "mata mesmo".
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Marco Politi pode estar a exagerar quando assume que "a máfia financeira foi perturbada nos seus tráficos por um pontífice que rema contra o luxo, é coerente e credível".
Por isso, se pudessem, "os mafiosos não hesitariam em pregar-lhe uma rasteira (...). Não sei se a criminalidade organizada está em condições de fazer algo, mas está a pensar sobre o assunto. Pode ser muito perigoso", diz.
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Pode ser uma posição extremada. Ninguém consegue contar as espingardas dos que estão contra o Papa Francisco.
Já dos que o continuam a apoiar há quem garanta estar seguro de que são maioritários.
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Leonardo Boff, teólogo brasileiro, expoente da teoria da libertação, defende com unhas e dentes o atual Papa, porque compreendeu como é "imprescindível abrir a Igreja" sobretudo à realidade do Terceiro Mundo, "onde vivem 72,56% dos católicos.
O Povo estará com Francisco.
A Cúria, nem por isso".
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Rosa Pedroso Lima, in E - A Revista do Expresso, Edição 2214, 3-Abril-2015, pág. 33, Lisboa, Portugal.
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(Destaques da responsabilidade da Torre).
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