sábado, 28 de fevereiro de 2026

JOSÉ MALHOA, grande pintor do Portugal antigo (1855-1933)

 

À Beira-Mar (Praia das Maçãs)







Suite Alentejana n.º 1
(Luís de Freitas Branco)









A Procissão (As Promessas)











O Fado











Clara











O Barbeiro da Aldeia












A Camponesa










Os Bêbedos (Festejando o S. Martinho)











Cócegas













O Aguadeiro













Embrançar Cebolas













A Carta












Espantando os Pardais da Seara














Milho ao Sol













As Padeiras (Mercado em Figueiró dos Vinhos)












Varanda Florida












O Latoeiro















A Corar a Roupa











O Emigrante












Varanda dos Rouxinóis
























Estátua de José Malhoa
junto ao museu com o seu nome
(Caldas da Rainha)





Casa de José Malhoa (o "Casulo")
em Figueiró dos Vinhos, no Centro de Portugal


Malhoa, de seu nome completo José Vital Branco Malhoa, nasceu em 1855, nas Caldas da Rainha, numa família de agricultores.
Faleceu em Figueiró dos Vinhos no ano de 1933. 

Considerado o mais português dos pintores, Malhoa retrata nos seus quadros o país rural e real, os costumes e as tradições das gentes simples do povo, tal qual as via e sentia.
Este apego à terra, que pinta em paisagens transbordantes de luz e cor, é também a celebração das suas origens humildes de filho de lavradores.

Cedo evidenciou qualidades artísticas; e assim, muito novo, foi até Lisboa para aprender o ofício de entalhador na Escola de Belas-Artes. Contudo, por indicação do artista Leandro de Sousa Braga, o irmão inscreveu-o na Real Academia de Belas-Artes em Outubro de 1867.
Aqui prosseguiu estudos durante 8 anos, obtendo as melhores classificações.

Na Academia, foi aluno, entre outros, de Miguel Ângelo Lupi, de José Simões de Almeida e do mestre romântico Tomás da Anunciação, que o iniciou na pintura de paisagem – a grande paixão da sua vida.

Ainda estudante, passava as tardes a desenhar os arredores de Lisboa, sobretudo a Tapada da Ajuda e Campolide. Assim que acabou o curso concorreu a pensionista do Estado no intuito de ir estudar no estrangeiro. Mas não foi admitido (só realizaria a primeira viagem a Paris em 1906).
Decidiu então empregar-se na loja de confecções do irmão, onde ficaria três anos.

É desta época a obra Seara Invadida (1881), que envia a uma exposição em Madrid, onde obtém o melhor acolhimento. Entusiasmado, Malhoa deixou a loja do irmão e consagrou-se inteiramente ao ofício de pintor.

Ainda antes de 1885 chegam as primeiras encomendas artísticas: um tecto para o Real Conservatório (A Fama Coroando Euterpe) e outro para o Supremo Tribunal de Justiça (A Lei) são alguns exemplos.

Nesse ano, o pintor Silva Porto regressa a Lisboa, vindo de França. À sua volta, na Cervejaria do Leão, em Lisboa, reúne-se um grupo de artistas dos quais Malhoa faz parte. Esta tertúlia, o Grupo do Leão, que discutia temas relativos à prática artística, influenciou decisivamente a opção de Malhoa pela pintura de ar livre. O Paul da Outra Banda, pintado ainda em 1885, é desta um bom exemplo.

Pouco tempo depois, adquire casa de Verão em Figueiró dos Vinhos, no centro de Portugal. Aqui descobriu os temas populares que sempre o encantarão ao longo da vida.

Procissões, cenas campestres, camponesas saudáveis e garridas, animais que pastam, pontuam uma pintura que se vai dedicar a transmitir uma imagem do Portugal sentimental e bucólico que outros tratarão na literatura.

Trata-se de pintura naturalista; mas de um naturalismo sem maniqueísmo nem luta de classes, mais próximo de A Cidade e as Serras que de O Germinal – mais próximo do Portugal atrasado desse tempo que da Inglaterra ou da França já industrializadas.

Diogo de Macedo, historiador que se debruçou sobre a sua obra, chama-lhe um «historiador da vida rústica de Portugal».

(Fonte: Luísa Soares de Oliveira, in ArtLink)


sábado, 21 de fevereiro de 2026

Música Portuguesa - ANA MOURA ("Desfado") (Com uma entrevista do grande JÔ SOARES)

 


Desfado:


Desfado (ao vivo):


Quer o destino que eu não creia no destino

E o meu fado é nem ter fado nenhum Cantá-lo bem sem sequer o ter sentido Senti-lo como ninguém, mas não ter sentido algum Ai que tristeza, esta minha alegria Ai que alegria, esta tão grande tristeza Esperar que um dia eu não espere mais um dia Por aquele que nunca vem e que aqui esteve presente Ai que saudade Que eu tenho de ter saudade Saudades de ter alguém Que aqui está e não existe Sentir-me triste Só por me sentir tão bem E alegre sentir-me bem Só por eu andar tão triste Ai se eu pudesse não cantar "ai se eu pudesse" E lamentasse não ter mais nenhum lamento Talvez ouvisse no silêncio que fizesse Uma voz que fosse minha cantar alguém cá dentro Ai que desgraça esta sorte que me assiste Ai mas que sorte eu viver tão desgraçada Na incerteza que nada mais certo existe Além da grande incerteza de não estar certa de nada

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Jô Soares entrevista Ana Moura

(No Brasil - Ano de 2011)

Saiba mais sobre Ana Moura aqui

sábado, 14 de fevereiro de 2026

"A Cidade Perdida de Z" - Glória e tragédia do coronel Percy Fawcett na Amazónia brasileira

 


Percy Harrison Fawcett, que nasceu em Torquay, Inglaterra, em 15 de Agosto de 1867, foi um militar, arqueólogo e explorador que desapareceu em 1925, na companhia de um filho e de um amigo deste, na região de Mato Grosso, Brasil.

Na altura, ele procurava aquilo que pensava ter sido uma antiga civilização, entretanto perdida na memória dos tempos. Acreditava que a mesma teria existido na região da Serra do Roncador, em Barra do Garças, naquele estado brasileiro.

A Serra do Roncador deve a designação ao facto de o vento soprar fortemente pelos seus paredões rochosos, produzindo um som grave que pode ser confundido com o de uma pessoa roncando, ou ressonando.

A elevação integra-se na imensa cordilheira de 800 km que se ergue como divisor de águas dos rios Araguaia e Xingu. Estende-se desde o Vale dos Sonhos, no Mato Grosso, até às imediações da Serra do Cachimbo, no estado brasileiro do Pará.


O jovem Percy Fawcett

Optando pela carreira militar, Fawcett deu entrada aos 19 anos na Royal Artillery britânica e, poucos anos depois, iniciava uma vida plena de aventuras e emoções em que alcançou a patente de coronel.

Prestou serviço no Ceilão (Sri Lanka), onde conheceu a esposa, e não tardou a trabalhar como agente secreto na África Meridional, aprendendo técnicas de sobrevivência na selva. Pertenceu aos quadros do MI5, o famoso serviço secreto inglês.

Percy Fawcett foi amigo do escritor Arthur Conan Doyle (o criador de Sherlock Holmes), que mais tarde se basearia nos relatos das suas explorações para escrever a obra Mundo Perdido (Lost World).

Diz-se que a sua vida serviu também de inspiração para as aventuras cinematográficas de Indiana Jones.


Percy Fawcett e seus companheiros na floresta da Amazónia

A primeira expedição de Fawcett, que o marcaria para sempre, aconteceu em 1906 por iniciativa da Royal Geographical Society, de Londres. A sua missão consistiu em mapear a região amazónica situada entre o Brasil e a Bolívia. Atravessando os matos brasileiros, o coronel chegaria a La Paz, capital boliviana, em Junho daquele ano.

Com base na descoberta de alguns fragmentos de cerâmica na região de Mato Grosso, que complementou com a leitura de documentação muito antiga, Percy Fawcett convenceu-se de que ali existira em tempos uma cidade importante, talvez uma grande civilização, a que logo deu o nome de "Z" (A cidade perdida de Z). Essa foi a ideia-fixa que o motivaria e nortearia até ao último dos seus dias.


Acima: dois retratos do explorador.
Em baixo: cena do filme "A Cidade Perdida de Z",
de James Gray (2016), que relata a sua vida aventurosa.




Já casado e com filhos, o explorador (fotos acima) jamais desistiu do sonho. Entre 1906 e 1924 realizou sete expedições, nalgumas das quais correu grandes riscos com os companheiros de aventura, inclusive o da perda de vidas.

Os índios revelavam-se amiúde hostis para com os expedicionários, chegando a atacá-los. Mas Fawcett desenvolveu técnicas de aproximação e de apaziguamento - com generosa oferta de presentes - que por norma permitiam um convívio minimamente pacífico.
Mas, apesar de todos os esforços e de vários indícios encorajadores, a Cidade Perdida de Z continuava fora a vista dos humanos.

A meio desse longo período de buscas, o coronel tivera que retornar à Europa para servir o exército britânico na 1.ª Guerra Mundal. Após o termo do conflito, regressou às suas pesquisas no Brasil.


Cartaz do filme "A Cidade Perdida de Z".
A figura de Percy Fawcett foi interpretada
pelo actor Charlie Hunnam.



Em 1925, andando pelos 58 anos de idade, Percy Fawcett tomou a decisão que viria a revelar-se fatal - a de partir de novo para a região de Mato Grosso, na Amazónia, em busca da mítica cidade de Z.

Ele sabia que a expedição poderia correr riscos, mas era tanta a confiança nas suas capacidades que, dessa vez, fez-se acompanhar de um dos filhos, Jack, e de um amigo deste, Raleigh Rimmell.

Progredindo na região do Alto Xingu (afluente do Amazonas), Fawcett dirigiu à esposa uma derradeira mensagem: informava que, apenas acompanhado do filho e do amigo deste, se preparava para entrar em território até então inexplorado. Depois disso, foi o silêncio absoluto. Percy Fawcett e os seus jovens companheiros tinham sido misteriosamente engolidos  pelo mato brasileiro.

Anos e anos de buscas poucos resultados produziram. No entanto, a maior parte das conjecturas apontava para que os expedicionários tivessem sido assassinados por habitantes da região. Uma história que vários anos depois corria entre os índios Kalapalo - os últimos que disseram ter contactado os expedicionários - parecia confirmar que ocorrera, de facto, um massacre.



Cenas do filme "A Cidade Perdida de Z", que procuraram reconstituir
o derradeiro e fatal encontro dos Fawcett com os índios de Mato Grosso.



Assim, Jack e o seu amigo Raleigh teriam sido abatidos com flechas e deitados ao rio, enquanto Percy Fawcett tombara assassinado com golpes de borduna (moca utilizada como arma pelos índios). Os Kalapalo teriam então sepultado o chefe da expedição numa cova rasa, perto de uma árvore.

Cerca de um quarto de século depois, em 1952, Cláudio e Orlando Villas Bôas seguiram a pista fornecida por essa história.  E a verdade é que, no local indicado pelos Kalapalo, descobriram ossos humanos e alguns objectos de origem europeia (faca, botões e pequenas peças metálicas).

O enigma parecia enfim resolvido. A ossada foi submetida a testes, no Brasil e na Inglaterra, que incluíram exames de DNA. Mas a comparação que provavelmente dissiparia todas as dúvidas não pôde ser efectuada: a família do explorador inglês recusou submeter-se a exames desse tipo. Continuaram por isso de pé, talvez para sempre, a lenda e o mistério de Percy Fawcett e da sua sonhada Cidade de Z...


Orlando Villas Bôas junto da ossada que se presume ser de Percy Fawcett.


1 - Trailer do filme
A Cidade Perdida de Z
(legendado)



2 - Tema principal da banda sonora do filme
A Cidade Perdida de Z 


3 - Extracto da banda sonora do filme
A Cidade Perdida de Z
 (baseado em Daphnis e Chloé, de Ravel)

Amazónia brasileira


sábado, 7 de fevereiro de 2026

DUAS GUITARRAS (Deux Guitares - Two Guitars - Zwei Gitarren - Dve Gitary - Due Chitarre)






(1) Duas Guitarras
(orquestra cigana de Balatonia)



(2) Duas Guitarras
(Charles Aznavour)



(3) Duas Guitarras
(Música cigana da Rússia)



(4) Duas Guitarras
(Ivan Rebroff)



(5) Duas Guitarras
(Tereza Kesovija)



(6) Duas Guitarras
(Quartet Cinderella)



(7) Duas Guitarras
(Restaurant "Aux Trois Violons" - Matouchka)
(Paris)


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A Grande Música Portuguesa - Madredeus (com Teresa Salgueiro)

 


Um dos melhores grupos musicais portugueses, com enorme projecção mundial.
Composições inspiradíssimas, opções instrumentais cheias de originalidade, executantes virtuosos, sonoridades inconfundíveis ...e uma voz de outras galáxias - a de Teresa Salgueiro.
Saiba mais sobre o Madredeus (aqui).

Amostra de canções:
1.ª O Pastor
2.ª A Vaca de Fogo (aos 3' 29'')
3.ª Os Senhores da Guerra (aos 7' 38'')

Trata-se do excerto de um concerto gravado ao vivo no Palais des Beaux-Arts, Bélgica, em Abril de 1995.

Além da voz de Teresa Salgueiro, temos:
Pedro Ayres Magalhães - guitarra clássica
José Peixoto - guitarra clássica
Francisco Ribeiro - violoncelo
Carlos Maria Trindade - sintetizadores
Gabriel Gomes - acordeão

(Para ampliar, clique no quadrado do canto inferior direito do vídeo)
(LEGENDADO)

(o vídeo é de Portuscale pt)