sexta-feira, 1 de maio de 2026

O projectado império colonial de Hitler na Europa (Rússia - 1941) (Ou: como a História parece repetir-se...)

 

Tropas alemãs invadem a União Soviética


O objectivo de construir um império da Alemanha no Leste da Europa, sobretudo à custa da Rússia comunista, era há muitos anos defendido por Adolf Hitler, que se baseava na necessidade de expandir o “espaço vital” do povo germânico.

Ele não fazia segredo da sua admiração pelo império colonial britânico, especialmente pela sua “jóia da Coroa”, a Índia, onde centenas de milhões de seres humanos eram subjugados e “mantidos na ordem” por uns poucos milhares de soldados. A ideia de Hitler consistia em reproduzir na Rússia aquilo que os britânicos tinham feito na Índia.

Ainda que a invasão da União Soviética tivesse sido apresentada ao povo alemão como uma acção preventiva ("fazemos isto antes que eles tomem a iniciativa de nos fazerem o mesmo"), o propósito final era o da construção desse império.

Foi por isso que, a 22 de Junho de 1941, Hitler lançou sobre a União Soviética mais de três milhões de homens, apoiados por milhares de tanques, aviões e veículos blindados.


Hitler examina os mapas das operações militares

As primeiras semanas dos combates pareceram mais do que auspiciosas aos invasores, que aprisionaram centenas de milhares de soldados soviéticos e destruíram no solo grande parte da aviação de guerra de Estaline.

Hitler, e os seus generais, exultavam, considerando que a guerra estava ganha. Chegou a prever-se, tal a velocidade e a mortífera eficácia do avanço, uma desmobilização parcial do exército invasor, já considerado excedentário.

Como relata Ian Kershaw na sua excelente biografia do ditador alemão, este revelou aos que o rodeavam, nessas semanas triunfais, as suas ideias delirantes – e criminosamente desumanas - acerca do sonhado império colonial na Rússia. 

Depois da guerra, cujo final se previa para breve, grandes extensões seriam ocupadas por soldados-camponeses alemães, capazes de cultivarem a terra e de a defenderem em caso de necessidade.

Tropas alemãs na Rússia: um rasto de destruição e morte


A fim de que os alemães tivessem espaço para se instalar, milhões de seres humanos seriam deportados para as terras inóspitas de além-Urais. A sobrevivência desses deslocados não constituía qualquer preocupação para Hitler, para o qual seria preferível que eles morressem à fome: na sua visão doentia, o povo russo era sub-humano e não servia para mais nada além do trabalho forçado imposto pela violência.

O comunismo seria impiedosamente erradicado através da execução sumária de qualquer indivíduo tido como influente ou “perigoso”. Moscovo e Leninegrado (São Petersburgo) seriam arrasadas “para exemplo”.

A Crimeia seria transformada numa espécie de colónia de férias de luxo, para onde os cidadãos alemães viajariam, ao longo de magníficas autoestradas (a construir), nos “carros do povo” que todos possuiriam (os famosos Volkswagen).

Soldados russos a caminho do cativeiro


Quanto à justificação que assistia à Alemanha para fazer tudo isto, Hitler era de uma franqueza brutalmente cruel: o seu direito era o da força. No entendimento dele, um povo culturalmente superior (como ele considerava os germânicos relativamente aos eslavos) não necessitava de outros argumentos para se apoderar das terras alheias…

Segundo Kershaw, ele resumia a questão da seguinte forma:

Se agora causo mal aos russos, a razão é que, caso contrário, seriam eles a causar-me mal. O querido Deus faz com que as coisas sejam assim. Ele, subitamente, atira as massas da humanidade para a Terra e cada um tem de olhar por si próprio e encontrar maneira de se safar. Uma pessoa tira uma coisa a outra. E, no fim, só se pode dizer que o mais forte ganha. Isto é, afinal de contas, a ordem mais judiciosa das coisas.


Última fotografia de Hitler, à entrada do seu "bunker", em Berlim (1945)


Dentro de poucas semanas, este sonho grandioso e maligno principiaria a esfumar-se, uma vez que se provou, em duros combates no terreno, que Hitler e os seus conselheiros tinham subestimado grosseiramente o poderio militar soviético e a capacidade de resistência dos russos.

Menos de quatro anos depois, em finais de Abril de 1945, o ansiado “império colonial alemão na Europa” acabaria reduzido ao espaço exíguo e insalubre de um “bunker” miserável de Berlim, transformado no primeiro túmulo de um ditador louco e suicida…

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Nos tempos de hoje, transcorridas oito décadas sobre estes acontecimentos, a tragédia parece repetir-se, ainda que com novos protagonistas e noutras geografias.

Os vilões de ontem apresentam-se agora com a capa de heróis. Os "bons" de então mudaram subitamente de papel, entregues a sonhos megalómanos e a criminosos abusos da força bruta...

Deviam estar mais atentos às lições da História, onde aprenderiam como, provavelmente, tudo vai acabar...

Irão, ainda, a tempo?



quarta-feira, 29 de abril de 2026

Publicidade dos velhos tempos....

 






The Andrews Sisters
(Rum and Coca-Cola)
(1944)










































































































































































































sábado, 25 de abril de 2026

I Love That Girl (1928)

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Era uma vez em 1928, quase há um século...

Tinham saído havia uma década da guerra mortífera (1914-1918) e encaminhavam-se para outra, ainda pior, dentro de onze anos. (Herr Adolfo já se fazia ouvir em fundo na Alemanha, e anunciava, a quem quisesse ver e ouvir, aquilo que não tardaria a praticar, com a sua legião de assassinos, durante doze anos de terror e desumanidade).

Estavam também à beirinha da catástrofe financeira que arruinaria milhões de pessoas e provocaria uma enorme lista de suicídios e outras desgraças (ah, este mercado omnisciente dos dinheiros abundantes e fáceis, esta cariciosa "mão invisível" que tudo sabe e tudo acerta, este capitalismo à solta, sem rédeas, insaciável, de que tanto gostam alguns figurões que por aí pululam...).

Entretanto, paradoxalmente, a alegria expandia-se livremente nos "dancings", ao ritmo trepidante das modas da época.
Uma alegria esfuziante, aparentemente genuína.

Em particular no que dizia respeito às meninas, nem sequer - aparentemente - se manifestavam grandes preocupações com dietas.
Nada de depressões ou de bulimias.
Felizmente para elas.
E para quem contemplava toda aquela despreocupada alegria...

sábado, 18 de abril de 2026

"Olympus" (do álbum "Mar Magalhães") - LUÍSA AMARO (Portugal)

 


Neste inspirado e feliz casamento de instrumentos musicais, Luísa Amaro toca guitarra portuguesa e Gonçalo Lopes acompanha-a no clarinete-baixo:




Viagens marítimas dos portugueses

(séculos XV e XVI):

Nota: Fernão de Magalhães era português. Achava-se ao serviço dos reis de Espanha quando efectuou a sua viagem de circum-navegação do Mundo, durante a qual morreu (Filipinas, 1521).

O comando passou então para Sebastião Elcano, que finalizou a viagem.


sábado, 11 de abril de 2026

Que destino teria sido o de Napoleão Bonaparte se a França não tivesse ocupado a sua Córsega natal?


“Quando, em 1768, Luís XV conseguiu reunir a Córsega à França, como não suspeitou ele de que o fundador de uma quarta dinastia nasceria lá um ano depois da sua nova aquisição?

Mas - e se a anexação não tivesse tido lugar?

Em França, eram numerosos os que a não desejavam, considerando-a inútil e embaraçosa.
Se tivesse prevalecido a sua opinião, a ilha ou cairia nas mãos dos ingleses ou seria independente sob o comando de Paoli.
Qual teria sido nesse caso a sorte de Napoleão?

Uma vida obscura, no meio das rivalidades dos clãs, e, quando muito, a propriedade de alguns olivais e de uns quantos pés de vinha. Provavelmente, funções medíocres e honoríficas, a exemplo de seu avô Ramolino, que foi inspector de pontes e calçadas por conta da República genovesa.

E os Ingleses? Esses, nem sequer há a certeza de que tivessem dado um uniforme ao jovem indígena.

Quanto à possibilidade de pôr a sua espada ao serviço de um país estrangeiro, ter-lhe-ia decerto faltado a educação militar. Ou tê-la-ia Napoleão recebido?

Sem a França, o seu génio não se teria revelado.



 
A anexação constituiu o seu primeiro golpe de sorte, pois uniu a Córsega a um país suficientemente liberal, confiante e generoso para abrir as suas melhores escolas aos franceses de última hora.

Além disso, o país atravessaria uma fase de perturbação precisamente na data em que o jovem ajacciano atingia os vinte anos. E esta vasta desordem viria a oferecer oportunidades de inauditos destinos aos indivíduos bem dotados.

Este homem extraordinário não só sabia o que o seu destino tinha tido de prodigioso, como também possuía consciência da conjugação de ocorrências que haviam sido necessárias para o elevar ao Império e torná-lo sobrinho do rei de quem, lugar-tenente obscuro, ele tinha visto a queda por ocasião da jornada do 10 de Agosto.

Que romance, no entanto, foi a minha vida!, exclamará, no momento do epílogo.

De uma outra vez, em Santa Helena (ver aqui), dizia que passariam mil anos antes que as circunstâncias que se tinham acumulado sobre a sua cabeça viessem a escolher um outro de entre a multidão para o elevar assim tão alto (…).” (*)



(*) Napoleão – Jacques Bainville (1879-1936)

(Publicado em Portugal por Editorial Aster, Lisboa, 1960)

1812 - Abertura
(Tchaikovsky):


"A Marselhesa":

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Que Viva México! ("El Cascabel")

 


Pela Orquestra Sinfónica de Xalapa e o Mariachi Universitário (Universidad Veracruzana)...


...e pelo Mariachi Chavez:


sábado, 4 de abril de 2026

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Booty Swing (Parov Stelar)

 



Para saber mais sobre Parov Stelar, clique aqui.

sábado, 28 de março de 2026