Pequenas e grandes histórias da História e mensagens mais ou menos amenas sobre vidas, causas, culturas, quotidianos, pensamentos, experiências, mundo...
E o meu fado é nem ter fado nenhumCantá-lo bem sem sequer o ter sentidoSenti-lo como ninguém, mas não ter sentido algumAi que tristeza, esta minha alegriaAi que alegria, esta tão grande tristezaEsperar que um dia eu não espere mais um diaPor aquele que nunca vem e que aqui esteve presenteAi que saudadeQue eu tenho de ter saudadeSaudades de ter alguémQue aqui está e não existeSentir-me tristeSó por me sentir tão bemE alegre sentir-me bemSó por eu andar tão tristeAi se eu pudesse não cantar "ai se eu pudesse"E lamentasse não ter mais nenhum lamentoTalvez ouvisse no silêncio que fizesseUma voz que fosse minha cantar alguém cá dentroAi que desgraça esta sorte que me assisteAi mas que sorte eu viver tão desgraçadaNa incerteza que nada mais certo existeAlém da grande incerteza de não estar certa de nada
Percy Harrison Fawcett, que nasceu em Torquay, Inglaterra, em 15 de Agosto de 1867, foi um militar, arqueólogo e explorador que desapareceu em 1925, na companhia de um filho e de um amigo deste, na região de Mato Grosso, Brasil.
Na altura, ele procurava aquilo que pensava ter sido uma antiga civilização, entretanto perdida na memória dos tempos. Acreditava que a mesma teria existido na região da Serra do Roncador, em Barra do Garças, naquele estado brasileiro.
A Serra do Roncador deve a designação ao facto de o vento soprar fortemente pelos seus paredões rochosos, produzindo um som grave que pode ser confundido com o de uma pessoa roncando, ou ressonando.
A elevação integra-se na imensa cordilheira de 800 km que se ergue como divisor de águas dos rios Araguaia e Xingu. Estende-se desde o Vale dos Sonhos, no Mato Grosso, até às imediações da Serra do Cachimbo, no estado brasileiro do Pará.
O jovem Percy Fawcett
Optando pela carreira militar, Fawcett deu entrada aos 19 anos na Royal Artillery britânica e, poucos anos depois, iniciava uma vida plena de aventuras e emoções em que alcançou a patente de coronel.
Prestou serviço no Ceilão (Sri Lanka), onde conheceu a esposa, e não tardou a trabalhar como agente secreto na África Meridional, aprendendo técnicas de sobrevivência na selva. Pertenceu aos quadros do MI5, o famoso serviço secreto inglês.
Percy Fawcett foi amigo do escritor Arthur Conan Doyle (o criador de Sherlock Holmes), que mais tarde se basearia nos relatos das suas explorações para escrever a obra Mundo Perdido (Lost World).
Diz-se que a sua vida serviu também de inspiração para as aventuras cinematográficas de Indiana Jones.
Percy Fawcett e seus companheiros na floresta da Amazónia
A primeira expedição de Fawcett, que o marcaria para sempre, aconteceu em 1906 por iniciativa da Royal Geographical Society, de Londres. A sua missão consistiu em mapear a região amazónica situada entre o Brasil e a Bolívia. Atravessando os matos brasileiros, o coronel chegaria a La Paz, capital boliviana, em Junho daquele ano.
Com base na descoberta de alguns fragmentos de cerâmica na região de Mato Grosso, que complementou com a leitura de documentação muito antiga, Percy Fawcett convenceu-se de que ali existira em tempos uma cidade importante, talvez uma grande civilização, a que logo deu o nome de "Z" (A cidade perdida de Z). Essa foi a ideia-fixa que o motivaria e nortearia até ao último dos seus dias.
Acima: dois retratos do explorador.
Em baixo: cena do filme "A Cidade Perdida de Z",
de James Gray (2016), que relata a sua vida aventurosa.
Já casado e com filhos, o explorador (fotos acima) jamais desistiu do sonho. Entre 1906 e 1924 realizou sete expedições, nalgumas das quais correu grandes riscos com os companheiros de aventura, inclusive o da perda de vidas.
Os índios revelavam-se amiúde hostis para com os expedicionários, chegando a atacá-los. Mas Fawcett desenvolveu técnicas de aproximação e de apaziguamento - com generosa oferta de presentes - que por norma permitiam um convívio minimamente pacífico.
Mas, apesar de todos os esforços e de vários indícios encorajadores, a Cidade Perdida de Z continuava fora a vista dos humanos.
A meio desse longo período de buscas, o coronel tivera que retornar à Europa para servir o exército britânico na 1.ª Guerra Mundal. Após o termo do conflito, regressou às suas pesquisas no Brasil.
Cartaz do filme "A Cidade Perdida de Z". A figura de Percy Fawcett foi interpretada pelo actor Charlie Hunnam.
Em 1925, andando pelos 58 anos de idade, Percy Fawcett tomou a decisão que viria a revelar-se fatal - a de partir de novo para a região de Mato Grosso, na Amazónia, em busca da mítica cidade de Z.
Ele sabia que a expedição poderia correr riscos, mas era tanta a confiança nas suas capacidades que, dessa vez, fez-se acompanhar de um dos filhos, Jack, e de um amigo deste, Raleigh Rimmell.
Progredindo na região do Alto Xingu (afluente do Amazonas), Fawcett dirigiu à esposa uma derradeira mensagem: informava que, apenas acompanhado do filho e do amigo deste, se preparava para entrar em território até então inexplorado. Depois disso, foi o silêncio absoluto. Percy Fawcett e os seus jovens companheiros tinham sido misteriosamente engolidos pelo mato brasileiro.
Anos e anos de buscas poucos resultados produziram. No entanto, a maior parte das conjecturas apontava para que os expedicionários tivessem sido assassinados por habitantes da região. Uma história que vários anos depois corria entre os índios Kalapalo - os últimos que disseram ter contactado os expedicionários - parecia confirmar que ocorrera, de facto, um massacre.
Cenas do filme "A Cidade Perdida de Z", que procuraram reconstituir o derradeiro e fatal encontro dos Fawcett com os índios de Mato Grosso.
Assim, Jack e o seu amigo Raleigh teriam sido abatidos com flechas e deitados ao rio, enquanto Percy Fawcett tombara assassinado com golpes de borduna (moca utilizada como arma pelos índios). Os Kalapalo teriam então sepultado o chefe da expedição numa cova rasa, perto de uma árvore.
Cerca de um quarto de século depois, em 1952, Cláudio e Orlando Villas Bôas seguiram a pista fornecida por essa história. E a verdade é que, no local indicado pelos Kalapalo, descobriram ossos humanos e alguns objectos de origem europeia (faca, botões e pequenas peças metálicas).
O enigma parecia enfim resolvido. A ossada foi submetida a testes, no Brasil e na Inglaterra, que incluíram exames de DNA. Mas a comparação que provavelmente dissiparia todas as dúvidas não pôde ser efectuada: a família do explorador inglês recusou submeter-se a exames desse tipo. Continuaram por isso de pé, talvez para sempre, a lenda e o mistério de Percy Fawcett e da sua sonhada Cidade de Z...
Orlando Villas Bôas junto da ossada que se presume ser de Percy Fawcett.
Um dos melhores grupos musicais portugueses, com enorme projecção mundial. Composições inspiradíssimas, opções instrumentais cheias de originalidade, executantes virtuosos, sonoridades inconfundíveis ...e uma voz de outras galáxias - a de Teresa Salgueiro.
Realizada por Cottinelli Telmo, foi a segunda longa-metragem sonora portuguesa (e a primeira totalmente produzida no país). Contou com grandes nomes da comédia cinematográfica do tempo, como Vasco Santana, António Silva e Beatriz Costa (saiba mais - aqui).
Na cena abaixo, o Vasquinho visita o Jardim Zoológico de Lisboa em companhia das tias Perpétua e Efigénia, recém-chegadas da província (as quais lhe sustentam uma desprendida e duvidosa vida de estudante na capital e de quem ele é único herdeiro).
Após a perda inesperada de um chapéu de palha (e das consequentes tentativas de substituição do mesmo), Vasco Santana deixaria consagrada em Portugal, até aos dias que correm e com aplicação garantida em diversas situações, a expressão Chapéus há muitos (seu palerma)!
De facto, na época, havia. Hoje, claro, há muito menos. Foram substituídos por uma inescrupulosa falange de demagogos, populistas e jagunços do oportunismo político...
(I)
No Jardim Zoológico
No extracto seguinte, Caetano (António Silva) e a sua filha Alice (Beatriz Costa) exibem-se noutra famosa e icónica cena:
(II)
Canção "A Agulha e o Dedal"
Depois de peripécias mirabolantes, o alfaiate Caetano acede enfim a conceder a mão da sua filha, Alice, ao (até então) detestado Vasquinho.
Na época, como hoje, a miragem de uma fortuna na província ajudava muito a ultrapassar barreiras tidas por intransponíveis:
A batalha de Gettysburg ocorreu na Pensilvânia, USA, de 1 a 3 de Julho de 1863.
Inseriu-se na mortífera Guerra Civil da Secessão (12 de Abril de 1861 a 28 de Junho de 1865) e travou-se entre os Estados Confederados da América (“Confederação”, a sul) e os Estados Unidos da América (“União”, a norte).
Nesta batalha, as forças da Confederação (exército da Virgínia do Norte) foram comandadas pelo General Robert E. Lee e as da União (exército do Potomac) pelo General George Meade.
Até esta altura, a Confederação somara vitórias retumbantes. Em caso de novo triunfo em Gettysburg, Robert E. Lee esperava avançar para Harrisburg ou, mesmo, para Filadélfia.
Com isso estaria em posição de forçar, em condições vantajosas, negociações de paz com o Norte, tornando definitiva a independência dos Estados sulistas.
Cerca de 88.000 homens do lado da União e 75.000 do lado da Confederação empenharam-se numa luta sem quartel durante três dias.
No final, a União saiu triunfante, embora a um preço muito elevado – cerca de 23.000 baixas, entre mortos, feridos e desaparecidos. Os sulistas sofreram cerca de 28.000 perdas.
À esquerda: General George Meade, da União; à direita: General Robert E. Lee, da Confederação
O desfecho da batalha de Gettysburg pôs termo ao mito da invencibilidade da Confederação, além de interromper a sua progressão para norte.
Juntamente com a posterior derrota de Vicksburg, contribuiria para a irreversível viragem da sorte da guerra.
Robert E. Lee render-se-ia ao General Grant nos princípios de Abril de 1865 (em Appomattox), embora o fim oficial da guerra se tivesse verificado um pouco mais tarde (28-Junho-1865).
No final, um país que ficou unido até hoje, mas à custa de uma tragédia humana:
360.000 baixas para o Norte (num total de 2.200.000 combatentes);
258.000 baixas para o Sul (1.064.000 combatentes).