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sábado, 4 de abril de 2020

Napoleão Bonaparte, imperador dos Franceses, terá sido envenenado?

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Depois dos tempos de glória, os últimos anos de Napoleão Bonaparte foram vividos em exílio, na ilha de Santa Helena, em pleno Atlântico Sul, sob apertada vigilância inglesa (1815-1821).
Foi o segundo e último exílio do imperador francês.

O primeiro ocorrera na ilha de Elba (1814), de onde ele conseguira evadir-se para uma efémera retomada do poder, até à derrota definitiva de Waterloo, diante dos exércitos Britânico e Prussiano (1815).
Seguira-se a etapa final: a residência de Longwood House, na ilha de Santa Helena.
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Durante muito tempo, a morte de Napoleão Bonaparte foi atribuída à acção de um cancro no estômago. Até que, mais recentemente, o canadiano Ben Weider e o toxicólogo sueco Sten Forshufvud efectuaram uma descoberta sensacional.

Examinando cinco fios de cabelo do imperador, eles acharam uma concentração anormalmente elevada de arsénico.
As concentrações de veneno tinham variado consideravelmente de dia para dia (de 5 a 38 vezes do padrão normal).
A precisão desta análise seria corroborada em 1995 pelo Departamento de Venenos do FBI.

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As suspeitas foram convincentemente confirmadas pela análise dos depoimentos das pessoas que tinham acompanhado Napoleão no exílio, destacando-se o diário de Louis Marchand, o seu criado de confiança.

Confrontando-se este diário com outros registos, tornou-se possível detectar mais de 20 sintomas característicos do envenenamento por arsénico. Com um pormenor sinistro: comparados os registos escritos com as análises do cabelo, pôde concluir-se que os períodos de maiores queixas de Napoleão coincidiram com aqueles em que lhe terá sido ministrado o arsénico.
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Tudo indica que o arsénico foi dado a Napoleão durante um período de tempo muito longo (de 1816 a 1821). O intuito terá sido o de fazer parecer que a morte do imperador se devera a causas naturais.
Na fase final, a partir de Março de 1821, a acção do veneno foi complementada (por acaso ou não) pela administração de tártaro emético, uma substância receitada ao doente pelo seu médico, doutor Antommarchi, para o obrigar a vomitar.

Sabe-se que o emético, ingerido durante um período prolongado, destrói o revestimento do estômago até que desaparece o reflexo do vómito.
Deste modo, o veneno entra no organismo sem que o estômago tenha possibilidade de expeli-lo.
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Nos últimos dias, fizeram com que Napoleão bebesse orchata (uma mistura de água de flor de laranjeira e amêndoas amargas), para combater a terrível sede que o afligia (um sintoma da presença de arsénico).
E, a 3 de Maio, ministraram-lhe também calomelano, para lhe aliviar a prisão de ventre (outro sintoma).

Acontece que os dois preparados (orchata e calomelano) reagiram conjuntamente no estômago do paciente, transformando-se num veneno letal – o cianeto de mercúrio.

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Acabou por sobrevir a crise final.
Após uma agonia extremamente dolorosa, Napoleão Bonaparte, imperador dos Franceses, expirou um pouco antes das seis da tarde do dia 5 de Maio de 1821. Tinha 51 anos de idade.

Quando o doutor Antommarchi realizou a autópsia, verificou a corrosão do estômago do imperador e a existência de um tumor na sua base.
O veredicto foi “morte por cancro”.
Mas o doutor notou uma coisa surpreendente: Napoleão estava praticamente sem pêlos no corpo. Antommarchi não o sabia, mas a perda de pêlos do corpo é outro dos sintomas característicos do envenenamento por arsénico.
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Túmulo de Napoleão, nos Inválidos, Paris, França
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Hoje, é geralmente aceite que a morte de Napoleão não ficou a dever-se a causas naturais.
Mas, se ele foi assassinado, quem terá sido o culpado?
As análises a respeito são fortemente especulativas, sendo impossível chegar a uma certeza.
A lista de suspeitos aparece encabeçada por duas personagens.

A primeira é o conde de Montholon, um dos cortesãos que fizeram companhia a Napoleão na residência de Longwood House.
O conde parece ter acumulado razões de ressentimento contra o imperador.
Por outro lado, se o veneno foi ministrado nas garrafas de Vin de Constance (um vinho que só Napoleão bebia), salienta-se o facto de que Montholon era o responsável pela garrafeira do ilustre prisioneiro.

O outro suspeito é Sir Hudson Lowe, o governador britânico da ilha.
Admite-se que os Ingleses tivessem interesse em fazer desaparecer de vez o seu temível inimigo, entretanto transformado num incómodo símbolo vivo.

Conta-se que Napoleão Bonaparte dissera um dia ao governador inglês: Acredito que haveis recebido ordem para me matardes – sim, para me matardes!

Montholon?
Hudson Lowe?
Outro ainda?

Eis um mistério da História que ficará talvez irresolúvel para sempre…

segunda-feira, 30 de março de 2020

Tino Rossi

Tino Rossi, França (1901-1983)
 
 
1 - Santa Lucia
 
 
 
2 - Amapola
 
 
 
 
3 - J'attendrai
 

sábado, 7 de março de 2020

Os Exércitos de Napoleão em Portugal - O Desastre da Ponte das Barcas (Porto - Ano de 1809)

Ao fundo, do lado direito da imagem, a cidade do Porto; em primeiro plano, o casario de Vila Nova de Gaia. Atravessando o rio Douro e unindo as duas povoações, vê-se a famosa ponte, assente em vinte barcas unidas por cabos metálicos, onde ocorreria a tragédia.

Devido à aliança com a Inglaterra que Portugal se obstinava em respeitar (ainda que recorrendo a diversos subterfúgios), Napoleão decidiu ordenar aos seus exércitos que invadissem o território lusitano.
Fê-lo em três ocasiões, e foi sucessivamente repelido ao fim de períodos mais ou menos longos: a primeira invasão, comandada em 1807 pelo general Junot, levou à fuga da família real portuguesa para o Brasil (rever aqui), o que acabaria por precipitar as condições propícias à declaração de independência do grande país sul-americano. 
A segunda invasão, conduzida pelo marechal Soult, ocorreu em 1809; a derradeira aconteceria em 1810 e seria encabeçada pelo marechal Massena.

Foi exactamente durante a segunda invasão que se deu o trágico episódio que hoje evocamos. Soult, que se encontrava na Galiza com 24 000 homens, recebeu ordens de Napoleão para entrar em Portugal pela fronteira norte, atravessando o rio Minho. Daí deveria partir à conquista da cidade do Porto, capital do Norte português, e, logo a seguir, apontaria à conquista de Lisboa, seu principal objectivo.



Depois de passar por Braga e Guimarães, as vanguardas francesas atingiram os arredores do Porto no dia 27 de Março de 1809. A cidade contava com cerca de 20 000 homens para a defesa (entre tropas de linha, milicianos e ordenanças) e erguera um conjunto de redutos precários ao longo de um grande arco defensivo compreendido entre o Castelo do Queijo e a Quinta do Freixo.

O marechal Soult efectuou um reconhecimento às defesas da cidade e verificou imediatamente a sua debilidade. Ainda enviou uma carta ao comando português (confiado a um bispo, membro da Junta Governativa!) intimando-o a render-se, mas a conciliação não foi possível.
Então, no dia 29 de Março, o marechal francês ordenou o ataque à cidade, com várias investidas em pontos diferentes. A resistência durou pouco. O bispo-comandante (!) fugiu do Porto para Gaia, na margem oposta, e terá dado ordem para se levantarem os alçapões da ponte das barcas para impedir, ou pelo menos dificultar, a passagem das tropas napoleónicas.

Entretanto, uma parte considerável da população portuense, indefesa perante bandos de soldados franceses que cometiam toda a espécie de violências nas ruas da cidade, tentou fugir para a outra margem do Douro, ou seja, para Vila Nova de Gaia, atravessando a ponte das barcas. Foi então que aconteceu a tragédia, com a perda de milhares de vidas.

Várias razões terão contribuído para tal mortandade: em primeiro lugar, o levantamento súbito dos alçapões da ponte terá precipitado a queda de muitos no rio, empurrados pelos que, em pânico, corriam imediatamente atrás; depois, parece que certos lanços da ponte ruíram sob o peso da mole humana em fuga; em terceiro lugar, a acção das tropas invasoras, que perseguia e fazia fogo sobre os fugitivos, ocasionou um número indeterminado de vítimas; por fim, muitos terão sido atingidos pela própria artilharia portuguesa, que, postada na serra do Pilar (do lado de Vila Nova de Gaia), abriu fogo para tentar deter os Franceses.
Como resultado, uma carnificina horrorosa: terão perecido cerca de 4 000 pessoas naquele fatídico dia 29 de Março de 1809.



Cidade do Porto: placa comemorativa colocada junto ao local da tragédia, na margem do rio Douro.



terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Tchaikovsky e a invasão da Rússia por Napoleão Bonaparte ("1812" - Abertura Solene)


Napoleão e os seus soldados

Em Junho de 1812, Napoleão invadiu a Rússia com o seu Grande Exército (mais de meio milhão de soldados).
Seria uma campanha trágica para ele, e ficaria assinalando o início da curva descendente de uma invulgar carreira política e militar.

Napoleão na batalha de Borodino (Rússia)

Após sucessivas retiradas do exército russo, acompanhadas de uma prática de terra queimada diante do avanço dos franceses, os dois exércitos encontraram-se em Borodino, uma pequena aldeia a pouco mais de 100 quilómetros de Moscovo.
As tropas do czar da Rússia, Alexandre I, eram comandadas pelo astuto general Mikhail Kutuzov.

O general russo, Kutuzov, na batalha de Borodino

A batalha ocorreu no dia 7 de Setembro de 1812.
O número de baixas, ainda hoje muito discutido, foi, em qualquer hipótese, elevadíssimo.
Uma estimativa relativamente credível aponta para cerca de 30.000 mortos franceses (em 120.000 homens empenhados nos combates), contra 60.000 baixas russas (em 150.000 combatentes).

Batalha de Borodino 

O triunfo na batalha tem sido atribuído aos franceses. Mas tratou-se de uma vitória de Pirro, pois as forças de Kutuzov conseguiram retirar-se em boa ordem e o (relativo) êxito de pouco aproveitou aos invasores.
Napoleão entrava pouco depois em Moscovo, encontrando a cidade devorada por incêndios e deserta de população e de governantes.

Em vão esperou o imperador francês pela rendição do czar da Rússia.
Pelo contrário, o inverno russo forçá-lo-ia a uma retirada dramática, em que o gelo, o frio, a fome e as constantes flagelações do exército russo lhe dizimaram praticamente o que restava do Grande Exército.
Em Dezembro de 1812, a Rússia ficou livre do invasor.

Napoleão - Retirada da Rússia


Foi esse triunfo histórico que o compositor Tchaikovsky (1840-1893) quis celebrar com o seu "1812".
Esta famosa Abertura Solene pode ser encarada como uma representação musical da campanha napoleónica na Rússia.

O hino religioso inicial evoca as orações do povo russo nas igrejas, implorando a intervenção divina contra o invasor.
As notas seguintes expressam a iminência dos combates e a preparação para a batalha, numa combinação de desespero e de transbordante entusiasmo, sublinhada pelos acordes distantes da Marselhesa, que evocam o avanço francês (ouvir, abaixo, por exemplo, a partir de 4' 30''  e 12' 10'').

A Marselhesa impõe-se em Borodino, ao passo que, mais adiante, se torna preponderante a música tradicional russa.
No momento da tomada de Moscovo, quando tudo parece perdido, o hino religioso é outra vez escutado, significando a intervenção divina (que traz um Inverno rigoroso para o qual os franceses não se achavam preparados).

No final, apoteótico, disparam-se canhões em sinal de triunfo, enquanto repicam os sinos das igrejas de uma Rússia enfim libertada.
Chamo a vossa atenção para a força vibrante e telúrica desses derradeiros acordes (a partir de 13' 42'').

Para ouvir este genial "1812" escolhemos uma magnífica interpretação da Orquestra Sinfónica de Gothenburg (Suécia) dirigida pelo maestro Neeme Järvi:

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Visitas Breves - Museu de Orsay (Paris)

A campanha de França, 1814 - Napoleão (Ernest Meissonier)









Baile no Moulin de la Galette (Renoir)










O Nascimento de Vénus (William Bouguereau)










Caim (Fernand Cormon)










Reunião de Família (Frédéric Bazille)










Tepidarium (Theodore Chassériau)










As Papoilas em Argenteuil (Claude Monet)









A Família Bellelli (Edgar Degas)










A Senhora com Luva (Carolus-Duran)










O Baile na Cidade (Renoir)










O baile no Campo (Renoir)










A Pega (Claude Monet)










A Varanda (Édouard Manet)










A Fonte (Ingres)










Retrato de Émile Zola (Édouard Manet)










Retrato da Menina L. L. (James Tissot)










A Inundação de Port-Marly (Alfred Sisley)











Mulheres Taitianas (Paul Gauguin)









Os Romanos da Decadência (Thomas Couture)









Os Polidores de Soalhos (Gustave Caillebotte)










O Berço (Berthe Morisot)









Um Enterro em Ornans (Gustave Courbet)










O Tanque dos Nenúfares (Claude Monet)










Raparigas à Beira-Mar (Pierre Puvis de Chavannes)









Cavalos Árabes Lutando numa Estrebaria (Eugène Delacroix)











As Respigadoras (Jean-François Millet)