sábado, 1 de maio de 2021

Sobre o hediondo e maligno tumor do racismo... (Victoria Santa Cruz)

 


Chamaram-lhe Negra! (Negra! Negra! Negra!) - numa altura em que ela, menina de apenas cinco anos, não alcançava bem o que isso pudesse significar.  Quando entendeu e sentiu os efeitos, foi - para utilizar as suas próprias palavras - mais doloroso do que se tivesse recebido uma punhalada.

Nos tempos que se seguiram, por mero instinto de defesa, Victoria optou por contemporizar e recuar - recuar, recuar, recuar. Até que se deteve e resolveu ir em frente, trocando o constrangimento e as injustificadas cedências pela inadiável atitude de afirmar a sua dignidade assumindo ser, pura e simplesmente, quem era. Quem é. Como é.

Negra? Claro que sim, Negra... (Negra, notem bem, Negra - e não pessoa de cor, essa hipocrisia linguística dos confusos, dos habilidosos e dos fingidores).

Fica o impressionante testemunho da peruana Victoria Santa Cruz no seu belo - mas pungente - poema Me Gritaron Negra! (Chamaram-me Negra!)

(1) Victoria Santa Cruz
(Me Gritaron Negra!)


(2) Victoria Santa Cruz
(Entrevista)


(3) - O poema de Victoria Santa Cruz
dito por crianças brasileiras do
Colégio Liceu Nilo Peçanha (Niterói)


1 comentário:

Maria-Não-Vai-Com-As-Outras disse...


Testemunho impressionante e exemplo do cruel absurdo da discriminação pela cor da pele. Etnias há muitas, raças só uma: a humana!