sábado, 6 de fevereiro de 2016

VISITA RECENTE AO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE RAVENSBRÜCK, NO NORTE DA ALEMANHA (Conclusão da postagem anterior, de 2 de Fevereiro de 2016)

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Mozart - Requiem - Lacrimosa - Vídeo de Rosa Nera
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CHEGADA DAS MULHERES A RAVENSBRÜCK
 
"(...) Antes de todos os autocarros pararem ouviram-se gritos, berros, estalar de chicotes e os latidos de cães. Recebeu-nos um chorrilho de ordens e de insultos quando começámos a sair dos autocarros. Apareceram hostes de mulheres por entre as árvores - guardas de saia, blusa e boné, com chicotes nas mãos, algumas com cães a ganirem e a precipitarem-se para os autocarros.
 
Ao descerem dos autocarros, várias mulheres desmaiaram e as que se debruçavam para as ajudarem eram derrubadas por terra pelos cães ou chicoteadas. Não o sabiam ainda, mas uma das regras do campo de concentração era que ajudar outra prisioneira constituía uma infração. Cadela, cabra suja, põe-te de pé. Cadela preguiçosa.
Uma outra regra era que as prisioneiras tinham sempre de formar filas de cinco. Achtung, Achtung. Filas de cinco. Mãos ao lado do corpo.
 
As ordens ecoavam por entre as árvores enquanto as prisioneiras que ficavam para trás eram pontapeadas por botas militares. Petrificadas com o terror, de olhos pregados no solo arenoso, as mulheres faziam os possíveis por não darem nas vistas. Evitavam o olhar umas das outras. Algumas gemiam. Mais um estalar de chicotes e fez-se silêncio total.
A rotina bem ensaiada da SS cumprira o seu objetivo - causar o máximo de terror no momento da chegada. Quem tivesse pensado em oferecer resistência, a partir daquele momento ficaria submissa (...)" (Nota 1)
 
 
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AS SOBREVIVENTES
 
"Muitas mulheres desatavam a chorar durante a nossa conversa. Havia muitas vezes risos. Ninguém mostrou azedume. Mas - parece-me - muitas também não perdoaram; sem dúvida, ninguém esqueceu.
Num fim de semana em memória das vítimas, encontrei-me de novo com Wanda Wojtasik. Entrevistara pela primeira vez Wanda, uma das Kaninchen polacas mais jovens, no seu apartamento em Cracóvia.
Agora, ela estava a atirar rosas para o lago em Ravensbrück. Disse-me que um dos médicos da SS, Fritz Fischer, a contactara recentemente a pedir-lhe o seu perdão. Eu disse-lhe que não havia nada que eu pudesse perdoar-lhe. Ele teria de pedir perdão a Deus." (Nota 2)
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(NOTA 1) Sarah Helm, Se Isto É Uma Mulher, Editorial Presença, Lisboa, Portugal, pág. 43.
(NOTA 2) Idem, pág. 676.
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2 comentários:

Anónimo disse...

Como foi possível que o ser humano tenha descido a tais abismos de horror?

M. L. S. disse...

O que é espantoso é que um povo capaz de atrocidades deste tipo (que aliás praticou em vários períodos da sua história sinistra), se atreva ainda hoje a portar-se com arrogância e tiques de superioridade para com as nações que considera inferiores... A Alemanha foi, é e continuará a ser, enquanto não for definitivamente travada, o verdadeiro cancro da Europa!