quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Elegiazinha (Nelson Ascher - Brasil)

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Gatos não morrem de verdade:
eles apenas se reintegram
no ronronar da eternidade.
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Gatos jamais morrem de fato:
suas almas saem de fininho
atrás de alguma alma de rato.

Gatos não morrem:
sua fictícia morte não passa
de uma forma mais refinada de preguiça.

Gatos não morrem:
rumo a um nível mais alto
é que eles, galho a galho,
sobem numa árvore invisível.
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Gatos não morrem:
- se somem -
mais preciso é dizer
que foram rasgar sofás no paraíso
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e dormirão lá,
depois do ônus de sete bem vividas vidas,
seus sete merecidos sonos.


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Nelson Ascher - São Paulo - Brasil

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