quarta-feira, 26 de maio de 2010

Poema dos Olhos da Amada (Vinicius de Moraes - Brasil)

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Ó minha amada
que olhos os teus.

São cais noturnos
cheios de adeus
são docas mansas
trilhando luzes
que brilham longe
longe dos breus…

Ó minha amada
que olhos os teus.

Quanto mistério
nos olhos teus
quantos saveiros
quantos navios
quantos naufrágios
nos olhos teus…

Ó minha amada
que olhos os teus.

Se Deus houvera
fizera-os Deus
pois não os fizera
quem não soubera
que há muitas eras
nos olhos teus.

Ah, minha amada
de olhos ateus.

Cria a esperança
nos olhos meus
de verem um dia
o olhar mendigo
da poesia
nos olhos teus.

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