sábado, 14 de fevereiro de 2026

"A Cidade Perdida de Z" - Glória e tragédia do coronel Percy Fawcett na Amazónia brasileira

 


Percy Harrison Fawcett, que nasceu em Torquay, Inglaterra, em 15 de Agosto de 1867, foi um militar, arqueólogo e explorador que desapareceu em 1925, na companhia de um filho e de um amigo deste, na região de Mato Grosso, Brasil.

Na altura, ele procurava aquilo que pensava ter sido uma antiga civilização, entretanto perdida na memória dos tempos. Acreditava que a mesma teria existido na região da Serra do Roncador, em Barra do Garças, naquele estado brasileiro.

A Serra do Roncador deve a designação ao facto de o vento soprar fortemente pelos seus paredões rochosos, produzindo um som grave que pode ser confundido com o de uma pessoa roncando, ou ressonando.

A elevação integra-se na imensa cordilheira de 800 km que se ergue como divisor de águas dos rios Araguaia e Xingu. Estende-se desde o Vale dos Sonhos, no Mato Grosso, até às imediações da Serra do Cachimbo, no estado brasileiro do Pará.


O jovem Percy Fawcett

Optando pela carreira militar, Fawcett deu entrada aos 19 anos na Royal Artillery britânica e, poucos anos depois, iniciava uma vida plena de aventuras e emoções em que alcançou a patente de coronel.

Prestou serviço no Ceilão (Sri Lanka), onde conheceu a esposa, e não tardou a trabalhar como agente secreto na África Meridional, aprendendo técnicas de sobrevivência na selva. Pertenceu aos quadros do MI5, o famoso serviço secreto inglês.

Percy Fawcett foi amigo do escritor Arthur Conan Doyle (o criador de Sherlock Holmes), que mais tarde se basearia nos relatos das suas explorações para escrever a obra Mundo Perdido (Lost World).

Diz-se que a sua vida serviu também de inspiração para as aventuras cinematográficas de Indiana Jones.


Percy Fawcett e seus companheiros na floresta da Amazónia

A primeira expedição de Fawcett, que o marcaria para sempre, aconteceu em 1906 por iniciativa da Royal Geographical Society, de Londres. A sua missão consistiu em mapear a região amazónica situada entre o Brasil e a Bolívia. Atravessando os matos brasileiros, o coronel chegaria a La Paz, capital boliviana, em Junho daquele ano.

Com base na descoberta de alguns fragmentos de cerâmica na região de Mato Grosso, que complementou com a leitura de documentação muito antiga, Percy Fawcett convenceu-se de que ali existira em tempos uma cidade importante, talvez uma grande civilização, a que logo deu o nome de "Z" (A cidade perdida de Z). Essa foi a ideia-fixa que o motivaria e nortearia até ao último dos seus dias.


Acima: dois retratos do explorador.
Em baixo: cena do filme "A Cidade Perdida de Z",
de James Gray (2016), que relata a sua vida aventurosa.




Já casado e com filhos, o explorador (fotos acima) jamais desistiu do sonho. Entre 1906 e 1924 realizou sete expedições, nalgumas das quais correu grandes riscos com os companheiros de aventura, inclusive o da perda de vidas.

Os índios revelavam-se amiúde hostis para com os expedicionários, chegando a atacá-los. Mas Fawcett desenvolveu técnicas de aproximação e de apaziguamento - com generosa oferta de presentes - que por norma permitiam um convívio minimamente pacífico.
Mas, apesar de todos os esforços e de vários indícios encorajadores, a Cidade Perdida de Z continuava fora a vista dos humanos.

A meio desse longo período de buscas, o coronel tivera que retornar à Europa para servir o exército britânico na 1.ª Guerra Mundal. Após o termo do conflito, regressou às suas pesquisas no Brasil.


Cartaz do filme "A Cidade Perdida de Z".
A figura de Percy Fawcett foi interpretada
pelo actor Charlie Hunnam.



Em 1925, andando pelos 58 anos de idade, Percy Fawcett tomou a decisão que viria a revelar-se fatal - a de partir de novo para a região de Mato Grosso, na Amazónia, em busca da mítica cidade de Z.

Ele sabia que a expedição poderia correr riscos, mas era tanta a confiança nas suas capacidades que, dessa vez, fez-se acompanhar de um dos filhos, Jack, e de um amigo deste, Raleigh Rimmell.

Progredindo na região do Alto Xingu (afluente do Amazonas), Fawcett dirigiu à esposa uma derradeira mensagem: informava que, apenas acompanhado do filho e do amigo deste, se preparava para entrar em território até então inexplorado. Depois disso, foi o silêncio absoluto. Percy Fawcett e os seus jovens companheiros tinham sido misteriosamente engolidos  pelo mato brasileiro.

Anos e anos de buscas poucos resultados produziram. No entanto, a maior parte das conjecturas apontava para que os expedicionários tivessem sido assassinados por habitantes da região. Uma história que vários anos depois corria entre os índios Kalapalo - os últimos que disseram ter contactado os expedicionários - parecia confirmar que ocorrera, de facto, um massacre.



Cenas do filme "A Cidade Perdida de Z", que procuraram reconstituir
o derradeiro e fatal encontro dos Fawcett com os índios de Mato Grosso.



Assim, Jack e o seu amigo Raleigh teriam sido abatidos com flechas e deitados ao rio, enquanto Percy Fawcett tombara assassinado com golpes de borduna (moca utilizada como arma pelos índios). Os Kalapalo teriam então sepultado o chefe da expedição numa cova rasa, perto de uma árvore.

Cerca de um quarto de século depois, em 1952, Cláudio e Orlando Villas Bôas seguiram a pista fornecida por essa história.  E a verdade é que, no local indicado pelos Kalapalo, descobriram ossos humanos e alguns objectos de origem europeia (faca, botões e pequenas peças metálicas).

O enigma parecia enfim resolvido. A ossada foi submetida a testes, no Brasil e na Inglaterra, que incluíram exames de DNA. Mas a comparação que provavelmente dissiparia todas as dúvidas não pôde ser efectuada: a família do explorador inglês recusou submeter-se a exames desse tipo. Continuaram por isso de pé, talvez para sempre, a lenda e o mistério de Percy Fawcett e da sua sonhada Cidade de Z...


Orlando Villas Bôas junto da ossada que se presume ser de Percy Fawcett.


1 - Trailer do filme
A Cidade Perdida de Z
(legendado)



2 - Tema principal da banda sonora do filme
A Cidade Perdida de Z 


3 - Extracto da banda sonora do filme
A Cidade Perdida de Z
 (baseado em Daphnis e Chloé, de Ravel)

Amazónia brasileira


sábado, 7 de fevereiro de 2026

DUAS GUITARRAS (Deux Guitares - Two Guitars - Zwei Gitarren - Dve Gitary - Due Chitarre)






(1) Duas Guitarras
(orquestra cigana de Balatonia)



(2) Duas Guitarras
(Charles Aznavour)



(3) Duas Guitarras
(Música cigana da Rússia)



(4) Duas Guitarras
(Ivan Rebroff)



(5) Duas Guitarras
(Tereza Kesovija)



(6) Duas Guitarras
(Quartet Cinderella)



(7) Duas Guitarras
(Restaurant "Aux Trois Violons" - Matouchka)
(Paris)


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A Grande Música Portuguesa - Madredeus (com Teresa Salgueiro)

 


Um dos melhores grupos musicais portugueses, com enorme projecção mundial.
Composições inspiradíssimas, opções instrumentais cheias de originalidade, executantes virtuosos, sonoridades inconfundíveis ...e uma voz de outras galáxias - a de Teresa Salgueiro.
Saiba mais sobre o Madredeus (aqui).

Amostra de canções:
1.ª O Pastor
2.ª A Vaca de Fogo (aos 3' 29'')
3.ª Os Senhores da Guerra (aos 7' 38'')

Trata-se do excerto de um concerto gravado ao vivo no Palais des Beaux-Arts, Bélgica, em Abril de 1995.

Além da voz de Teresa Salgueiro, temos:
Pedro Ayres Magalhães - guitarra clássica
José Peixoto - guitarra clássica
Francisco Ribeiro - violoncelo
Carlos Maria Trindade - sintetizadores
Gabriel Gomes - acordeão

(Para ampliar, clique no quadrado do canto inferior direito do vídeo)
(LEGENDADO)

(o vídeo é de Portuscale pt)