sábado, 14 de março de 2020

A Inquisição em Portugal (segundo Oliveira Martins) (2)



(Continuação da 1.ª Parte - 12-Março-2020) (ver aqui)

" (...) Cordões de tropa impediam que o povo invadisse, na praça, o recinto reservado ao Auto.
Havia ali, para um lado, afastadas, as pilhas de madeira, rectangulares, com o poste erguido ao centro e um banco; e no meio da praça um espaço reservado com o estrado e as tribunas.
Na da esquerda estava o rei, D. João III, piedosamente satisfeito na sua fé, com o espírito duro, mas sincero e forte; estavam a rainha e a corte; e, ao lado do monarca, o condestável com o estoque desembainhado.

Na outra, da direita, levantavam-se o trono e dossel do cardeal D. Henrique, depois rei, e agora infante inquisidor-mor, ladeado pelos membros do tribunal sagrado, nos seus bancos.
A meio do tablado ficava o altar, com frontal preto, banqueta de seda amarela, e um crucifixo ao centro. Em frente, num plinto, erguia-se o estandarte da Inquisição. (...)
E os padecentes, em linhas, ficavam de pé, voltados para o altar, para o púlpito, para o tribunal.

 
Disse-se missa. O inquisidor-mor, de capa e mitra, apresentou ao rei os Evangelhos, para sobre eles jurar e defender a fé. D. João III e todos, de pé e descobertos, juraram com solenidade sincera. Depois houve sermão; e finalmente a leitura das sentenças, começando pelos crimes menores.

A adoração das imagens, questão debatida nos concílios, dava lugar a muitas faltas.
Outros iam ali por terem recusado beijar os santos dos mealheiros, com que os irmãos andavam pelas ruas pedindo esmola.
Outros por irreverências, outros por falta de cumprimento dos preceitos canónicos; muitos por coisa nenhuma; a máxima parte, vítimas de delações pérfidas ou interessadas.

Os relatores iam lendo as sentenças, os condenados gemendo e chorando; outros, exultando por se verem soltos do cárcere, livres da tortura, prometendo de si para consigo serem de futuro meticulosamente hipócritas.


Chegou-se finalmente aos condenados à morte, no fogo: eram três mulheres por bruxas, e dois homens, cristãos-novos, por judaizarem, mais um por feiticeiro.
O relator, imperturbável, leu as sentenças, onde se narravam os crimes.

Os cristãos-novos comiam pães ázimos; e um deles, quando varria a casa, chamava nomes a um crucifixo, fazia-lhe caretas, e dava-lhe tantas unhadas quantos eram os golpes de vassoura no chão.

Estes crimes vinham envolvidos em frases horrorosas e generalidades tremendas; e a corte, o clero e o povo, ao ouvirem tão grandes sacrilégios, pasmavam de ódio contra os desgraçados.


 
A feitiçaria não os impressionava menos.
Cristãos-novos e bruxos, que lançavam malefícios e olhados, eram a causa das pestes, das fomes e dos naufrágios das naus da Índia.
Sobre as cabeças dos desgraçados caíam as maldições de uma população aflita. Ninguém duvidava da verdade dos crimes, que muitas testemunhas afiançavam.

O diabo aparecera a um, e ensinara-lhe as curas infernais, pelo livro de S. Cipriano. Sangrava os doentes na testa, com alfinetes. "Estou picado e enfeitiçado: Jesus! nome de Jesus! despicai-me e desenfeitiçai-me!" - dissera uma vítima a um padre da Beira.
Os diabos, para se vingarem, foram a casa do padre e quebraram-lhe toda a louça.
Um caso terrível era esse; e o povo olhava com horror para o médico de S. Cipriano, que tinha a loucura evidente na face.

 
Às bruxas o diabo aparecia de dia sob a forma de um gato preto, e, de noite, de forma humana de homem pequeno; assim o dizia gravemente a sentença, com o depoimento das testemunhas.

A bruxa saía com o demónio e iam juntos a um rio, onde as outras estavam com outros demónios; e depois de se banharem tinham coito com circunstâncias lascivas e abomináveis; a sentença enumerava-as e a devassidão da corte e do povo percebia-as, comentava-as.

De volta ao sabbath, de madrugada, as bruxas entravam invisivelmente nas casas, perseguindo as famílias honestas e piedosas.


Terminada a leitura, absolvidos os penitentes, os cristãos-novos e as bruxas foram relaxados ao braço secular para serem queimados.
O rei, a corte e o inquisidor retiraram-se; e os sinos continuavam a dobrar, pausada e funebremente.
Os carvoeiros de alabardas, os verdugos de capuzes, e os frades de escapulário e crucifixo na mão, ficaram junto dos condenados para os queimar.

O povo cercou em massa o lugar das pilhas quadrangulares de lenha, com os olhos ávidos e a cabeça cheia de cóleras contra esses réus das suas desgraças.
Todos, menos o bruxo, morreram piedosamente, garrotados, depois queimados.

O médico de S. Cipriano, porém, tinha culpas maiores e fora condenado a ser queimado vivo.
Junto da pilha, o frade, com as mãos postas, pedia-lhe que, por Deus, se arrependesse; mas ele, com o olhar esgazeado do louco, virava a cara e zombava.

Largando a correr pela escada, subia à pilha, e, do alto, sentado no banco, fazia esgares e visagens irreverentes.
O frade batia nos peitos, a plebe rugia colérica.
Os verdugos amarraram-no ao poste e os carvoeiros acenderam a fogueira, que principiou a crepitar.
Os rapazes e as mulheres da Ribeira, salteando-o com paus e garrunchos, arrancaram-lhe um olho. Atiravam-lhe pedras, pregos, e tudo; e faziam-lhe feridas por onde escorria sangue: tinha a cabeça aberta e um beiço rasgado.

Entretanto, a chama começava a romper por entre os toros; e ele com as mãos, estorcendo-se, dava no fogo, querendo apagá-lo; e quando via, com o olho que lhe restava, vir no ar uma pedra, fazia rodela ou escudo com a samarra, para se livrar. Do vão do outro olho escorria pela face um fio de sangue.

Isto já durava por mais de uma hora e divertia muito o povo - agora que tinha a certeza de ver morrer o seu inimigo.
Mas o vento, que soprava rijo do poente, da banda do rio, arrastava consigo as chamas; e por não ter fumos que o afogassem, o condenado ficou três horas vivo, a torrar, agonizando, contorcendo-se, em visagens, e gritando - ai!... ai!... ai!...".

Fim da 2.ª e última parte

(Oliveira Martins - História de Portugal - 1.ª ed. - 1879)

sexta-feira, 13 de março de 2020

Brandi Carlile homenageando o imortal Johnny Cash ("Folsom Prison Blues")


Brandi Carlile nasceu no ano de 1981,
em Ravensdale, Washington,
Estados Unidos da América.


Brandi Carlile canta
Folsom Prison Blues:


  ...tema aqui interpretado
pelo seu homenageado:


quinta-feira, 12 de março de 2020

A Inquisição em Portugal (segundo Oliveira Martins) (1)



A Inquisição Portuguesa, também conhecida por Tribunal do Santo Ofício, foi uma instituição da Igreja Católica que vigorou em Portugal de 1536 a 1821.
Grandemente responsável pela instauração de um clima de terror no país, contribuiu também, em muito, para o atraso cultural do mesmo.

A Inquisição perseguia, julgava e punia pessoas acusadas de cometer crimes considerados heréticos.
Tais "crimes", inúmeras vezes fantasiosos, decorriam de confissões arrancadas sob torturas crudelíssimas, conduzindo centenas de desgraçados inocentes aos infames braseiros das praças públicas.
Oliveira Martins, grande historiador português [1845-1894], viu-a assim:
………

"A Inquisição, ardentemente desejada e pedida por D. João III ao Papa, estava fundada; e se a criação do tribunal era o único meio de conter e moralizar os furores fanáticos da turba, e de evitar o sistema de matanças e pilhagens do reinado anterior, é fora de dúvida que os nervos da nação (Portugal), já flácidos e podres, não podiam usar, de um modo relativamente justo, a arma terrível que lhes era confiada . (...)


 
(...) Os seus processos infringiam todas as regras elementares da justiça e do bom-senso.

Os delatores serviam de testemunhas; os filhos depunham contra os pais, os pais contra os filhos; o réu não podia comunicar com os defensores nem conhecia quem o acusava; a delação era aplaudida e a espionagem considerada uma virtude.

Os "familiares" insinuavam-se nas famílias, como médicos, confessores, íntimos e conselheiros, para captarem os segredos e os delatarem.

Na sentença não havia revisão nem apelação.

Nas prisões não havia prazos preventivos, e o encarcerado jazia meses, anos, todo o resto da vida muitas vezes, ignorante do crime de que o acusavam.


Armavam-lhe laços e perfídias para o perder.

Metiam-lhe no cárcere pessoas subornadas, que se diziam também pacientes, para o afagarem e se condoerem da sua miséria.

Ganha assim a confiança, começavam as confidências: a Inquisição era um horror, uma peste! E se o miserável, perdido, aplaudia, estava condenado. Para lhe obter a confissão de faltas, imaginárias frequentemente, os inquisidores fingiam enternecer-se, prometiam perdões, ajudavam, seduziam, até que o miserável confessasse o que fizera, ou não fizera.

Esta espécie de tortura era muitas vezes mais dolorosa do que a outra; e os infelizes encarcerados chegavam a considerar um céu o calabouço negro, onde lhes não era dado nem ver, nem falar, nem gemer, nem chorar, sob pena da chibata do verdugo. No seio da treva e do silêncio absoluto, nem bem sabiam se viviam ou tinham morrido, e, como idiotas, deixavam-se ficar estendidos no chão, imóveis, no antro dos seus sepulcros.

Cada vez que a porta do cárcere se abria, estremeciam de medo, ou de uma esperança meio-apagada. Levavam-nos amarrados à casa dos tormentos; e enquanto iam descendo as escadas tortuosas, onde os gritos se perdiam abafados, o juízo ardia-lhes, confundiam-se-lhes as ideias, já não distinguiam do real o suposto.

Começavam a crer-se monstros, a acreditar em tudo aquilo de que eram acusados: tinham visto o diabo em pessoa, tinham-lhe vendido a alma, tinham partido com um machado um crucifixo, etc.

O inquisidor, frio e fúnebre, sentado ao fundo da casa de abóbada, mal alumiada por tochas presas em anéis de ferro às paredes, acreditaria no diabo e nos seus aparecimentos? Porque não? Um doido torturava um idiota; e, no fundo escuro de uma cripta, a loucura dos homens tinha os seus ágapes terríveis.

Demónios pareciam os verdugos, mudos e mascarados, com o capuz e samarra de holandilha preta, onde havia os buracos dos olhos e da boca, movendo-se como autómatos a preparar os instrumentos da tortura.



E de toda aquela gente, nem talvez o médico, a um lado, a observar que a vida dos pacientes se não apagasse de todo, tivesse o juízo são.

Desde que os homens se tinham considerado senhores da verdade absoluta, a palavra de Deus enlouquecia-os e fazia deles monstros.

Nessas tragédias lúgubres morria por vezes o miserável, na tortura ou no cárcere; e então era enterrado nas covas do palácio, sendo primeiro o esqueleto dscarnado, religiosamente, para que os ossos pudessem figurar no Auto-da-fé próximo, queimados na fogueira.

O primeiro desses dramas fúnebres e burlescos teve lugar em Lisboa no dia 20 de Setembro de 1540: ainda a Inquisição não estava definitivamente confirmada pelo Papa.

A procissão saía do palácio do Rossio, para a praça da Ribeira, onde tinha lugar a cerimónia.

Vinham à frente os carvoeiros, armados de piques e mosquetes para olhar pelas fogueiras; depois um crucifixo alçado, e os frades de S. Domingos, nos seus hábitos e escapulários brancos, com a cruz preta, levando o estandarte da Inquisição, onde numa bandeira de seda se via a figura do santo, tendo numa das mãos a espada vingadora, na outra um ramo de oliveira: Justitia et Misericordia.

Após os frades seguiam as pessoas de qualidade, a pé; familiares da Inquisição, vestidos de branco e preto, com as cruzes das duas cores, bordadas a fio de ouro.

Depois vinham os réus, um a um, em linha; primeiro os mortos, depois os vivos: fictos, confictos, falsos, simulados, confitentes, diminutos, impenitentes, negativos, pertinazes, relapsos - por ordem de categoria dos delitos, a começar nos mortos e nos contumazes.

Em varas erguidas como guiões, (...) penduravam-se as estátuas dos condenados ausentes; e se a estátua representava o morto, outro verdugo seguia após ela com uma caixa negra pintada de demónios e de chamas, contendo os ossos, para serem lançados aos pés da estátua na fogueira. Mais de uma vez se queimaram esqueletos desenterrados de pessoas que, imunes durante a vida, foram julgadas e condenadas depois de mortas.




Em seguida vinham os réus vivos, por ordem crescente de gravidade dos crimes, sem distinção de sexos, um a um, com o padrinho ao lado, ou com o confessor domínico se iam a queimar.
Os homens vestiam um fato raiado de branco e preto; as mulheres apareciam em longos hábitos da mesma fazenda. Traziam todos tochas de cera amarela na mão e o baraço ao pescoço. Insígnias diferentes distinguiam os que iam ao fogo, dos penitentes e dos confessores. Estes vestiam o sambenito, espécie de casula branca, com as cruzes de Santo André, vermelhas, no peito e nas costas; e levavam a cabeça descoberta.

Os que depois da sentença tinham obtido perdão da fogueira, levavam samarra, uma casula parda; e carocha, uma mitra de papelão; e numa e noutra, pintadas, línguas de chama invertidas, o fogo revolto, a indicar a sua sorte.

Os condenados à morte, quer para serem estrangulados, quer não, levavam na samarra e na carocha o retrato pintado, ardendo em chamas, com demónios pretos pelo meio, e o nome escrito, e o crime por que padeciam.

Depois da estirada procissão, vinham os alabardeiros da Inquisição, e, a cavalo, os oficiais do conselho supremo, inquisidores, qualificadores, relatores e mais sequazes da corte. Os sinos dobravam pausadamente nas torres das igrejas. A turba apinhava-se nas ruas, insultando os pacientes com palavras desonestas e atirando-lhes pedras e lama."

(Conclui no próximo sábado, 14-Março-2020 - ver aqui)

(Oliveira Martins - História de Portugal - 1.ª ed. - 1879)

quarta-feira, 11 de março de 2020

Ao Criador do Homem (Oração Antiga do Peru)



A aurora terrestre
veste-se de luz
para prestar homenagem
ao Criador do Homem.


Os altos céus
fazem correr as nuvens
e humilham-se
perante o Criador do Homem.

 

O Senhor das Estrelas,
nosso pai, o Sol,
espalha a sua cabeleira
aos seus pés.

O vento, por sua vez,
sacode o cimo das árvores,
agita os seus ramos
e verga-os até ao chão.

No coração das árvores
cantam os pássaros
e prestam homenagem
ao Senhor da Terra.

Todas as flores,
esplêndidas e belas,
se desdobram em cores
e em perfumes.

O fundo do lago,
um espelho de água,
é a morada feliz
dos peixes vivazes.

A forte torrente,
com a sua canção rouca,
canta os louvores
de Viracocha. (*)

E também o rochedo
se cobre de verdura
e, na ravina, a floresta
oferece as frescas flores.

E os habitantes da montanha,
o Povo das Serpentes,
a seus pés deslizam rápidos.
A vicunha no alto das montanhas,
a viscacha dos rochedos,
fazem os seus covis
à volta dele.

Também o meu coração,
em cada aurora,
te presta homenagem,
meu Pai, meu Criador.

……………..

(*) - Viracocha - O principal deus dos Incas.

(A Oração dos Homens - Uma Antologia das Tradições Espirituais
- Editora Assírio e Alvim - Lisboa - 2006)

terça-feira, 10 de março de 2020

Filmes e Temas Musicais (3)







1 - Out of Africa
(África Adeus)








1.A - Out of Africa
(Autor: John Barry)



................



2 - A 25.ª Hora

2.A - A 25.ª Hora
(Tema de Yohann)
(Autor: Georges Delerue)



..................


3 - Platoon

3.A - Tema de Platoon
(Autor: Samuel Barber)




………........
4 - The World of Suzie Wong
(O Mundo de Suzie Wong)

4.A - Tema de The World of Suzie Wong
(Autor: George Dunning)

segunda-feira, 9 de março de 2020

"Foi um dia de kremesse" (Olegário Mariano - Brasil)


Foi um dia de kremesse.
Depois de rezá três prece
Pra que os santo me ajudasse,
Deus quis que nós se encontrasse
Pra que nós dois se queresse,
Pra que nós dois se gostasse.

Inté os sinos dizia
Na matriz da freguezia
Que embora o tempo corresse,
Que embora o tempo passasse,
Que nós sempre se queresse,
Que nós sempre se gostasse.

Um dia, na feira, eu disse
Com a voz cheia de meiguice
Nos teus ouvido, bem doce:
Rosinha si eu te falasse...
Si eu te beijasse na face...
Tu me dás-se um beijo?
- Dou-se.

E toda a vez que nos vemo,
A um só tempo perguntemo
Tu a mim, eu a vancê:
Quando é que nós se casemo,
Nós que tanto se queremo,
Pro que esperamos pro quê?

Vancê não falou comigo
E eu com vancê, pro castigo,
Deixei de falá também,
Mas, no decorrê dos dia,
Vancê mais bem me queria
E eu mais te queria bem.

- Cabôco, vancê não presta,
Vancê tem ruga na testa,
Veneno no coração.
- Rosinha, vancê me xinga,
Morde a surucucutinga,
Mas fica o rasto no chão.

E de uma vez, (bem me lembro!)
Resto de safra... Dezembro...
Os carro afundando o chão.
Veio um home da cidade
E ao curuné Zé Trindade
Foi pedi a sua mão.

Peguei no meu cravinote
Dei quatro ou cinco pinote
Burricido como o quê,
Jurgando, antes não jurgasse,
Que tu de mim não gostasse,
Quando eu só amo a vancê.

Esperei outra kremesse
Que o seu vigário viesse
Pra que nós dois se casasse.
Mas Deus não quis que assim sesse
Pro mais que nós se queresse
Pro mais que nós se gostasse.

sábado, 7 de março de 2020

Os Exércitos de Napoleão em Portugal - O Desastre da Ponte das Barcas (Porto - Ano de 1809)

Ao fundo, do lado direito da imagem, a cidade do Porto; em primeiro plano, o casario de Vila Nova de Gaia. Atravessando o rio Douro e unindo as duas povoações, vê-se a famosa ponte, assente em vinte barcas unidas por cabos metálicos, onde ocorreria a tragédia.

Devido à aliança com a Inglaterra que Portugal se obstinava em respeitar (ainda que recorrendo a diversos subterfúgios), Napoleão decidiu ordenar aos seus exércitos que invadissem o território lusitano.
Fê-lo em três ocasiões, e foi sucessivamente repelido ao fim de períodos mais ou menos longos: a primeira invasão, comandada em 1807 pelo general Junot, levou à fuga da família real portuguesa para o Brasil (rever aqui), o que acabaria por precipitar as condições propícias à declaração de independência do grande país sul-americano. 
A segunda invasão, conduzida pelo marechal Soult, ocorreu em 1809; a derradeira aconteceria em 1810 e seria encabeçada pelo marechal Massena.

Foi exactamente durante a segunda invasão que se deu o trágico episódio que hoje evocamos. Soult, que se encontrava na Galiza com 24 000 homens, recebeu ordens de Napoleão para entrar em Portugal pela fronteira norte, atravessando o rio Minho. Daí deveria partir à conquista da cidade do Porto, capital do Norte português, e, logo a seguir, apontaria à conquista de Lisboa, seu principal objectivo.



Depois de passar por Braga e Guimarães, as vanguardas francesas atingiram os arredores do Porto no dia 27 de Março de 1809. A cidade contava com cerca de 20 000 homens para a defesa (entre tropas de linha, milicianos e ordenanças) e erguera um conjunto de redutos precários ao longo de um grande arco defensivo compreendido entre o Castelo do Queijo e a Quinta do Freixo.

O marechal Soult efectuou um reconhecimento às defesas da cidade e verificou imediatamente a sua debilidade. Ainda enviou uma carta ao comando português (confiado a um bispo, membro da Junta Governativa!) intimando-o a render-se, mas a conciliação não foi possível.
Então, no dia 29 de Março, o marechal francês ordenou o ataque à cidade, com várias investidas em pontos diferentes. A resistência durou pouco. O bispo-comandante (!) fugiu do Porto para Gaia, na margem oposta, e terá dado ordem para se levantarem os alçapões da ponte das barcas para impedir, ou pelo menos dificultar, a passagem das tropas napoleónicas.

Entretanto, uma parte considerável da população portuense, indefesa perante bandos de soldados franceses que cometiam toda a espécie de violências nas ruas da cidade, tentou fugir para a outra margem do Douro, ou seja, para Vila Nova de Gaia, atravessando a ponte das barcas. Foi então que aconteceu a tragédia, com a perda de milhares de vidas.

Várias razões terão contribuído para tal mortandade: em primeiro lugar, o levantamento súbito dos alçapões da ponte terá precipitado a queda de muitos no rio, empurrados pelos que, em pânico, corriam imediatamente atrás; depois, parece que certos lanços da ponte ruíram sob o peso da mole humana em fuga; em terceiro lugar, a acção das tropas invasoras, que perseguia e fazia fogo sobre os fugitivos, ocasionou um número indeterminado de vítimas; por fim, muitos terão sido atingidos pela própria artilharia portuguesa, que, postada na serra do Pilar (do lado de Vila Nova de Gaia), abriu fogo para tentar deter os Franceses.
Como resultado, uma carnificina horrorosa: terão perecido cerca de 4 000 pessoas naquele fatídico dia 29 de Março de 1809.



Cidade do Porto: placa comemorativa colocada junto ao local da tragédia, na margem do rio Douro.



sexta-feira, 6 de março de 2020

Oração de um Chefe Africano a Favor do Etnólogo Routlege



"Ó Deus, o homem branco veio a minha casa.
Aceita este sacrifício.
Quando o homem branco adoecer,
faz que nem ele nem a sua mulher
fiquem muito doentes.

O homem branco veio do seu país à nossa terra,
do outro lado da água;
é um homem bom
e trata bem aqueles que trabalham com ele.

Se o homem branco e a sua mulher adoecerem,
faz com que não fiquem muito doentes,
porque eu e o homem branco nos unimos
para te fazermos um sacrifício.

Não os deixes morrer,
pois nós sacrificámos um cordeiro bem gordo.
O homem branco veio de muito longe para nos visitar,
e decidimos fazer-te um sacrifício.

Onde quer que ele for não deixes que ele adoeça,
pois ele é bom e extraordinariamente rico,
e eu também sou bom e rico;
e eu e o homem branco damo-nos tão bem
como se fôssemos filhos da mesma mãe.


Ó Deus, este grande carneiro destinámo-lo a ti;
o homem branco, a sua mulher
e eu e o meu povo
vamos sacrificar por ti sobre o tronco de uma árvore
um carneiro,
um precioso carneiro.


Faz com que ele não fique gravemente doente,
porque eu ensinei-o a rezar-te
como se ele fosse um verdadeiro Mikikuyu. "



(Povo Kikuyu - Quénia)

(Extraído de A Oração dos Homens - Uma Antologia das Tradições Espirituais, pág. 74 - Editora Assírio & Alvim, 2006)


quarta-feira, 4 de março de 2020

Martin Luther King - Ele "tinha um sonho". E morreu por ele...




Discurso de Martin Luther King, Jr. em Washington, D.C., a capital dos Estados Unidos da América, em 28 de Agosto de 1963, após a Marcha para Washington.

O discurso de Martin Luther King ("I Have a Dream" - "Eu Tenho um Sonho") pronunciado na escadaria do Monumento a Lincoln, em Washington, foi escutado por mais de 250.000 pessoas de todas as etnias, reunidas na capital dos Estados Unidos da América, após a «Marcha para Washington por Emprego e Liberdade».

A manifestação foi planeada como uma maneira de divulgar de forma dramática as desesperadas condições de vida dos negros no Sul dos Estados Unidos, e exigir ao poder federal maior comprometimento quanto à segurança física dos negros e dos defensores dos direitos civis.

Devido a pressões políticas da Presidência dos Estados Unidos - exercida por John Kennedy -, as exigências a apresentar no comício tornaram-se mais moderadas, mas mesmo assim foram feitos pedidos claros: fim da segregação no ensino público, aprovação de legislação no que respeita aos direitos civis, assim como de legislação proibindo a discriminação racial no emprego; fim da brutalidade policial contra militantes dos direitos civis; criação de um salário mínimo para todos os trabalhadores, que beneficiaria sobretudo os negros.

Realizada num clima muito tenso, a manifestação revelou-se um estrondoso sucesso, e o discurso ficou conhecido sobretudo pela frase permanentemente repetida no meio do discurso «I have a Dream» ("Eu tenho um sonho"), mas também pela frase que é repetida no fim - «That Liberty Ring» ("Que a Liberdade ressoe"), que retoma o poema patriótico «América». Tornou-se, com o discurso de Lincoln em Gettysburg, um dos mais importantes da oratória americana.

Em 1964 a Lei dos Direitos Civis foi votada e promulgada por Lyndon B. Johnson.
Em 1965 foi por seu turno aprovada a Lei sobre o Direito de Voto.
Martin Luther King, Jr. foi escolhido como Prémio Nobel da Paz no ano seguinte, em 1964.
Foi assassinado em 4 de Abril de 1968.




O Discurso


"Há cem anos, um grande americano, sob cuja sombra simbólica nos encontramos, assinava a Proclamação da Emancipação. Esse decreto fundamental foi como um raio de luz de esperança para milhões de escravos negros que tinham sido marcados a ferro nas chamas de uma vergonhosa injustiça.
Veio como uma aurora feliz para terminar a longa noite do cativeiro.
Mas, cem anos mais tarde, devemos enfrentar a realidade trágica de que o Negro ainda não é livre.

Cem anos mais tarde, a vida do Negro é ainda lamentavelmente dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação.
Cem anos mais tarde, o Negro continua a viver numa ilha isolada de pobreza, no meio de um vasto oceano de prosperidade material.
Cem anos mais tarde, o Negro ainda definha nas margens da sociedade americana, exilado na sua própria terra.

Por isso, encontramo-nos aqui hoje para dramaticamente mostrarmos esta extraordinária condição.

Num certo sentido, viemos à capital do nosso país para descontar um cheque.
Quando os arquitectos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de Independência, estavam a assinar uma promissória de que cada cidadão americano se tornaria herdeiro.


Este documento era uma promessa de que todos os homens veriam garantidos os direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à procura da felicidade.
É óbvio que a América ainda hoje não pagou tal promissória no que concerne aos seus cidadãos de cor. Em vez de honrar este compromisso sagrado, a América deu ao Negro um cheque sem cobertura; um cheque que foi devolvido com a seguinte inscrição: "saldo insuficiente".
Porém, nós recusamo-nos a aceitar a ideia de que o banco da justiça esteja falido. Recusamo-nos a acreditar que não exista dinheiro suficiente nos grandes cofres de oportunidades deste país.

Por isso viemos aqui cobrar este cheque - um cheque que nos dará, quando o recebermos, as riquezas da liberdade e a segurança da justiça. Também viemos a este lugar sagrado para lembrar à América a clara urgência do agora. Não é o momento de se dedicar à luxúria do adiamento, nem para se tomar a pílula tranquilizante do gradualismo.

Agora é tempo de tornar reais as promessas da Democracia.
Agora é o tempo de sairmos do vale escuro e desolado da segregação para o iluminado caminho da justiça racial.
Agora é tempo de abrir as portas da oportunidade para todos os filhos de Deus.
Agora é tempo para retirar o nosso país das areias movediças da injustiça racial para a rocha sólida da fraternidade.



Seria fatal para a nação não levar a sério a urgência do momento e subestimar a determinação do Negro. Este sufocante Verão do legítimo descontentamento do Negro não passará até que chegue o revigorante Outono da liberdade e da igualdade.

1963 não é um fim, mas um começo. Aqueles que crêem que o Negro precisava só de desabafar, e que a partir de agora ficará sossegado, irão acordar sobressaltados se o País regressar à sua vida de sempre.
Não haverá tranquilidade nem descanso na América até que o Negro tenha garantido todos os seus direitos de cidadania.

Os turbilhões da revolta continuarão a sacudir as fundações do nosso País até que desponte o luminoso dia da justiça.
Existe algo, porém, que devo dizer ao meu povo que se encontra no caloroso limiar que conduz ao palácio da justiça. No percurso de ganharmos o nosso legítimo lugar não devemos ser culpados de actos errados.

Não tentemos satisfazer a sede de liberdade bebendo da taça da amargura e do ódio.
Temos de conduzir a nossa luta sempre no nível elevado da dignidade e disciplina.

Não devemos deixar que o nosso protesto, realizado de uma forma criativa, degenere na violência física. Teremos de nos erguer uma e outra vez às alturas majestosas para enfrentar a força física com a força da consciência.


Esta maravilhosa militância que engolfou a comunidade negra não nos deve levar a desconfiar de todas as pessoas brancas, pois muitos dos nossos irmãos brancos, como é claro pela sua presença aqui, hoje, estão conscientes de que os seus destinos estão ligados ao nosso destino, e que a sua liberdade está intrinsecamente ligada à nossa liberdade.

Não podemos caminhar sozinhos.
À medida que caminhamos, devemos assumir o compromisso de marcharmos em frente.
Não podemos retroceder.
Há quem pergunte aos defensores dos direitos civis: "Quando é que ficarão satisfeitos?"




Não estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos incontáveis horrores da brutalidade policial.
Não poderemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, cansados das fadigas da viagem, não conseguirem ter acesso a um lugar de descanso nos motéis das estradas e nos hotéis das cidades.

Não poderemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade fundamental do Negro for passar de um gueto pequeno para um maior.

Nunca poderemos estar satisfeitos enquanto um Negro no Mississipi não puder votar e um Negro em Nova Iorque achar que não há nada pelo qual valha a pena votar.

Não, não, não estamos satisfeitos, e só ficaremos satisfeitos quando a justiça correr como a água e a rectidão como uma poderosa corrente.




Sei muito bem que alguns de vocês chegaram aqui após muitas dificuldades e tribulações.
Alguns de vocês saíram recentemente de pequenas celas de prisão.
Alguns de vocês vieram de áreas onde a vossa procura da liberdade vos deixou marcas provocadas pelas tempestades da perseguição e sofrimentos provocados pelos ventos da brutalidade policial.
Vocês são veteranos do sofrimento criativo.
Continuem a trabalhar com a fé de que um sofrimento injusto é redentor.

Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para a Luisiana, voltem para os bairros de lata e para os guetos das nossas modernas cidades, sabendo que, de alguma forma, esta situação pode e será alterada.

Não nos embrenharemos no vale do desespero.




Digo-lhes hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e das frustrações do momento, ainda tenho um sonho.
É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado da sua crença: "Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais".

Tenho um sonho que um dia, nas montanhas rubras da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos poderão sentar-se à mesa da fraternidade.

Tenho um sonho que um dia o estado do Mississippi, um estado deserto, sufocado pelo calor da injustiça e da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça.

Tenho um sonho que os meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu carácter.




Tenho um sonho, hoje.

Tenho um sonho que um dia o estado de Alabama, cujos lábios do governador actualmente pronunciam palavras de ódio e de recusa, seja transformado numa condição onde pequenos rapazes negros, e raparigas negras, possam dar-se as mãos com outros pequenos rapazes brancos, e raparigas brancas, caminhando juntos, lado a lado, como irmãos e irmãs.

Tenho um sonho, hoje.

Tenho um sonho que um dia todo os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão niveladas, os lugares ásperos serão polidos, e os lugares tortuosos serão endireitados, e a glória do Senhor será revelada, e todos os seres a verão, conjuntamente.



Esta é nossa esperança. Esta é a fé com a qual regresso ao Sul.
Com esta fé seremos capazes de retirar da montanha do desespero uma pedra de esperança.
Com esta fé poderemos transformar as discórdias da nossa nação numa bonita e harmoniosa sinfonia de fraternidade.

Com esta fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, ficarmos juntos em posição de sentido pela liberdade, sabendo que um dia seremos livres.

Esse será o dia em que todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado:
"O meu país é teu, doce terra da liberdade, de ti eu canto. Terra onde morreram os meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada localidade ressoe a liberdade".


E se a América quiser ser uma grande nação, isto tem que se tornar realidade.

Que a liberdade ressoe então dos prodigiosos cabeços do Novo Hampshire.
Que a liberdade ressoe das poderosas montanhas de Nova Iorque.
Que a liberdade ressoe dos elevados Alleghenies da Pensilvânia!
Que a liberdade ressoe dos cumes cobertos de neve das montanhas Rochosas do Colorado!

Que a liberdade ressoe dos picos curvos da Califórnia!
Mas não só isso; que a liberdade ressoe da Montanha de Pedra da Geórgia!
Que a liberdade ressoe da Montanha Lookout do Tennessee!
Que a liberdade ressoe de cada Montanha e de cada pequena elevação do Mississipi.
Que, de cada localidade, a liberdade ressoe.


Quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e de cada aldeia, de cada estado e de cada cidade, seremos capazes de apressar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção negra:

"Liberdade finalmente!
Liberdade finalmente!
Louvado seja Deus, Todo Poderoso, estamos livres, finalmente!"





Vejam-no e ouçam-no aqui:






Tennessee, Memphis, 4 de abril de 1968: o disparo de um rifle interrompia bruscamente a biografia de um negro chamado Martin Luther King, o maior líder negro das Américas.
O nome com que foi batizado marcou a existência e a trajectória luminosas do Dr. Martin Luther King Jr.: religioso, destemido, líder pacifista, majestoso, estadista, eloquente, revolucionário.

Nascido no sul dos Estados Unidos, em 1929, em pleno auge do famigerado sistema "Jim Crown" (separados mas iguais), filho de um pastor baptista, Martin Luther King Jr. recebeu o Nobel da Paz aos 35 anos, sagrando-se o mais jovem laureado pelo Prémio Nobel.

Comprometendo as igrejas com as lutas sociais, organizando boicotes aos transportes públicos, apoiando greves de estudantes e de trabalhadores, liderando passeatas integradas por legiões de negros, brancos, judeus e muçulmanos, pregando a resistência pacífica, difundindo os ensinamentos de Gandhi, Martin Luther King Jr. sacrificou a própria vida em nome da igualdade, da justiça e da paz.

Em resposta aos linchamentos e às atrocidades cometidas pelos integrantes da Ku Klux Klan, Martin Luther King organizou a resistência pacífica, valorizou o diálogo, unificou as lutas do seu povo, pregou a não-violência, convocou negros e brancos para fundarem as bases de uma convivência harmoniosa, baseada no respeito, no espírito de compreensão e na tolerância recíproca.

A Marcha sobre Washington, que em 1963 colocou mais de 250.000 mil pessoas nas ruas da capital norte-americana - ocasião na qual ele proferiu o seu mais famoso discurso (I Have a Dream...) - mudou a face e a história política e económica dos Estados Unidos.

Depois daquele 28 de agosto de 1963, os Estados Unidos da América nunca mais foram os mesmos. O mundo nunca mais foi o mesmo - o sonho da igualdade despertou sonhadores em todas as partes: na África, na Índia, na Europa, nas Américas.

No Brasil, tinha início o regime ditatorial-militar que durante mais de duas décadas empurrou lideranças, partidos progressistas e movimentos sociais para a clandestinidade, incluindo o Movimento Negro.

Na concepção e prática da luta negra que retoma espaço após a ditadura, lá estavam as lições, o pensamento, o legado político do Reverendo Martin Luther King.

Nos nossos dias, em que se debatem intensamente propostas de políticas de promoção da igualdade racial, permanecem vivos e actuais os métodos e postulados do Dr. Martin Luther King.
Os sonhos não envelhecem.
Pode-se calar um homem, mas não se pode eliminar o vigor e a força de suas ideias, da verdade e da justiça.
Onde houver um ser humano lutando por dignidade, justiça e paz, lá estará sendo concretizado o sonho do Reverendo Martin Luther King.