Pequenas e grandes histórias da História e mensagens mais ou menos amenas sobre vidas, causas, culturas, quotidianos, pensamentos, experiências, mundo...
[Dizem] "Que devia era estar na escola (…) Que vive do espectáculo. Que é instrumentalizada. Que destila ódio, como se eles próprios fizessem outra coisa. Que é doente. Que precisa de ser internada numa unidade de psiquiatria… Ouvimos e lemos tudo isto e perguntamo-nos: porquê?
Por acaso é falso o que ela denuncia?
Não é verdade que não há planeta B?
Não está em causa o futuro das gerações, e designadamente daquela a que pertence?
Não é mesmo imperioso repensar e reformular todo um modo de vida que se esgota no horizonte dos que o vivem? (…)" Vejao texto completo aqui.
O poeta maranhenseGonçalves Dias (1823-1864) expressa nesta obra todo o seu
amor pelos pequenos e intensos valores naturais brasileiros.
No ano em que a compôs (1843) achava-se muito longe do Brasil, embora vivesse entre gente que (embora com sotaque distinto...) falava a mesma língua que ele falava: era estudante em Coimbra, Portugal.
Os seus versos transformaram-se no mais forte poema nacionalista do Brasil.
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Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá; Em cismar — sozinho, à noite — Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Chefe sioux Big Foot, também conhecido por Spotted Elk
(Retrato póstumo, da autoria de Joseph H. Sharp)
O assassínio de Sitting Bull lançou o pânico entre as comunidades índias da Grande Reserva. Muitas delas puseram-se em movimento, errando de agência em agência para se esquivarem às tropas americanas. Estas movimentavam-se diligentemente pelo território, procurando outros líderes sioux acusados de "fomentar" a Dança dos Fantasmas. Um deles era Big Foot, também conhecido por Spotted Elk.
Quando Sitting Bull foi morto, Big Foot contava cerca de 64 anos de idade. Assim que soube do assassínio, colocou-se à frente do seu povo (120 homens e 230 mulheres e crianças) e marchou, através das terras cobertas de gelo, em direcção à agência de Pine Ridge. Pelo caminho contraiu pneumonia, pelo que teve de ser transportado num carroção. A 28 de Dezembro, nas cercanias de Porcupine Creek, avistaram-se soldados americanos. Big Foot ordenou logo que se içasse uma bandeira branca e, pouco depois, foi abordado pelo major Samuel Whitside, do 7.º Regimento de Cavalaria dos Estados Unidos. O major comunicou a Big Foot - que, alquebrado pela doença, sangrava abundantemente da boca e do nariz - ter recebido ordens para conduzi-lo, com a sua gente, a um acampamento de tropas americanas instalado perto do riacho de Wounded Knee. E assim se fez.
Em Wounded Knee, os índios foram contados e alojados em tendas do Exército, vigiadas por sentinelas prontas a impedir qualquer tentativa de evasão. Num morro próximo, com idêntica finalidade, postaram-se canhões Hotchkiss, capazes de atirar cargas explosivas a mais de 3 quilómetros de distância.
Deu nessa altura entrada no acampamento outra força, também pertencente ao 7.º de Cavalaria, que vinha comandada pelo coronel James W. Forsyth. Este assumiu o comando das operações e informou o major Whitside que tinha sido incumbido de levar Big Foot e o seu povo até ao caminho-de-ferro. Seguiriam então de comboio para uma prisão militar em Omaha.
Black Coyote
Na manhã do dia seguinte (29 de Dezembro de 1890), o coronel Forsyth determinou que os sioux fossem reunidos no campo gelado, cercados por soldados a cavalo e intimados a entregar as armas que possuíssem. Eles obedeceram, empilhando no gelo as suas poucas espingardas. Mas o coronel não ficou satisfeito com tão escassa colheita. As tendas foram então invadidas pelos militares, que arrastaram para fora as trouxas que continham os pertences dos índios. Rasgaram-nas para procurar armas, mas só acharam facas, machados, estacas de tendas e utensílios domésticos.
Sempre descontente, Forsyth mandou que os índios se desfizessem das mantas que os protegiam do frio para serem revistados. Apareceram então - e apenas - duas espingardas. Uma delas era a Winchester nova de Black Coyote. Segundo vários testemunhos, Black Coyote era um jovem surdo e perturbado, que, no entanto, quando se viu agarrado e empurrado pelos soldados, não apontou a Winchester a ninguém. Tudo o que fez foi gritar que a espingarda lhe custara muito dinheiro e que, portanto, lhe pertencia. Mas, quando parecia disposto a juntá-la à pilha já formada, alguns soldados tentaram apoderar-se da arma fazendo Black Coyote rodar sobre si próprio. Escutou-se então uma detonação, possivelmente acidental, mas foi o bastante para que a cavalaria desatasse a disparar indiscriminadamente sobre a multidão de prisioneiros.
Desarmados, os índios - homens, mulheres e crianças - tentaram fugir do local para escapar à matança. Todavia, às descargas da cavalaria somaram-se os disparos dos canhões Hotchkiss a partir do morro fronteiro. Alguns dos sioux, no seu desespero, envolveram-se em lutas com os soldados que os perseguiam. Uma das sobreviventes do massacre contaria mais tarde: Tentámos correr, mas eles alvejavam-nos como se fôssemos búfalos. Sei que há alguns brancos bons, mas os soldados deviam ser maus, para disparar contra mulheres e crianças. Índios não fariam isso a crianças brancas.
Outra mulher, uma jovem, testemunharia: Desatei a correr, seguindo os que fugiam. O meu avô e a minha avó, além do meu irmão, foram mortos quando cruzávamos a ravina. Fui atingida em cheio no quadril e no pulso direito. Não pude continuar, pois não conseguia andar. Então, os soldados agarraram-me.
Corpos de índios no gelo, após o massacre de Wounded Knee
Quando a loucura homicida terminou, o chefe Big Foot estava morto, e, com ele, quase todo o seu povo.
Havia, apenas, 51 sobreviventes (dos 120 homens, sobraram 4; das 230 mulheres e crianças, salvaram-se 47).
A tropa americana registou 25 mortos e 39 feridos. Segundo os relatórios militares, a maior parte destas vítimas fora atingida pelas próprias balas dos seus camaradas ou pelos estilhaços das descargas dos canhões - aquilo que seria posteriormente designado como "fogo amigo". De qualquer modo, no entender de um elevado número de americanos, a matança de Wounded Knee, perpetrada pelo 7.º Regimento de Cavalaria (a unidade a que pertencera o falecido George Custer), não foi mais do que uma vingança razoável pelo que tinha acontecido, 14 anos antes, em Little Bighorn.
… e aqui descansará uns dias da sua longa viagem por mar. Seguirá depois para Madrid, onde tem lugar a Conferência da ONU sobre o clima.
Greta Thunberg continua bravamente a sua campanha, sem ceder um milímetro. E tem valido a pena. Começou sozinha, triste e desamparada (vejam, abaixo, a penúltima foto), mas hoje encabeça milhões, enfim despertos para a luta. Porque é de uma luta de vida ou morte que se trata. Sobretudo para os jovens. O planeta será deles e dos descendentes que vierem a ter. São eles que estão a acercar-se, dia após dia, de uma herança maldita e letal. Eles - não os velhos, que já gastaram quase toda a sua história e não vão estar presentes para ver e sofrer a catástrofe...
A menina Greta não faz concessões. Durante a luta não se esforça - nem um bocadinho - para ser ou parecer simpática aos olhos dos responsáveis políticos e dos poderosos a quem se dirige. Mete o dedo na ferida, remexe e carrega fundo. Sem contemplações. É genuína. Às vezes comove-se - e comove decerto aqueles (que são já muitos) a quem resta ainda sensibilidade ou que não estão hipotecados à ignorância ou associados aos interesses da ganância universal. Mas é espantoso - e vergonhoso, para muita gente! - que tenha de ser uma criança - esta criança - a levantar do chão o estandarte da sobrevivência e a precipitar-se na batalha...
Há por aí quem se diga farto da menina. Não lhe perdoam o tom, a acutilância, o "desrespeito" para com os adultos que a escutam. (Como se atrevem a proceder como procedem?, perguntou ela, indignada, na ONU. Como se atrevem?). Logo a censuraram, em frases altivas e professorais (Aquilo não são maneiras de falar a adultos). Procedendo assim, fogem do conteúdo - terrível e verdadeiro - da sua mensagem, para se concentrarem somente na forma como a transmite e nos seus modos. Ela não lhes ligou, tem prosseguido e ainda bem que o fez. Porque não há nada de errado nas suas palavras: o seu discurso está do lado certo da História. E essa gente que a critica, ou que a ignora (como o insuportável e ignorante vilão de Washington), não é merecedora de contemplações, tem mesmo de ser tratada assim.
Afinal, cada um desses críticos não passa de um mero tijolo na parede, como diziam os Pink Floyd. Uma parede sinistra, malevolamente erguida entre o que está certo e o que está errado. Uma parede que tem de ser derrubada. Custe o que custar.
Vai em frente, Greta Thunberg. E não mudes em nada...
Pink Floyd (Another Brick in the Wall):
Discurso de Greta Thunberg no Parlamento Europeu.
Strasbourg, 16 de Abril de 2019.
(Legendado em português - Clique no retângulo adequado )
Greta, ao princípio: sozinha, triste e desamparada...
A menina Greta, afinal, também sabe sorrir e ser simpática. Ah, compreende-se: Francisco também é dos bons e está, tal como ela, do lado certo da História...
Joaquín Salvador Lavado Tejón (Quino) nasceu em Mendoza, Argentina, a 17 de Julho de 1932.
A sua criação mais famosa, conhecida em todo o lado, é a Mafalda, menina moderna e avançada que, odiando sopa e adorando os Beatles e o Pica-Pau, não deixa pedra sobre pedra na sua crítica às coisas do mundo.
Com ela convivem personagens, também inesquecíveis, que dão corpo e voz a tipos humanos com que se tropeça a cada dia: o ganancioso, o fútil, o ingénuo, o sonhador, etc.
Ficam abaixo, em homenagem ao autor, algumas recordações da sua obra memorável.
1 - Os Pobrezinhos
2 - As boas leituras
3 - A pior desgraça
4 - Mundo bonito, mundo feio
5 - Porquê neste?!?
6 - Gripe e democracia
7 - Mulher moderna
8 - "Que quererias ser se vivesses?"
9 - Os operários
10 - Desperdícios
11 - O bom aluno
12 - Mas quem é que morreu?...
13 - Vestidos e cultura
14 - O Novo Ano
15 - Cuidado com eles...
Para aceder à página oficial de Quino, cliqueaqui.
Já conhecemos (daqui) esta excelente brasileira de Curitiba. Agora, na interpretação do blues I'm Tired (e muito bem acompanhada por Ricardo Maranhão), faz outra demonstração do seu magnífico talento.