Pequenas e grandes histórias da História e mensagens mais ou menos amenas sobre vidas, causas, culturas, quotidianos, pensamentos, experiências, mundo...
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
FIALHO DE ALMEIDA - A vida boémia de Lisboa, as patuscadas e a descoberta das Índias na Avenida da LIberdade
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Fialho de Almeida quando jovem (por Columbano Bordalo Pinheiro)
|
Em Março de 1917, assinalando a passagem do 6.º aniversário da morte
do escritor português Fialho de Almeida (1857-1911), amigos e
admiradores seus produziram um conjunto de testemunhos sobre a sua vida e a sua obra e publicaram-nos em Fialho de Almeida, In Memoriam.
Homenageavam desse modo o talentoso autor de Os Gatos, Lisboa Galante, O
País das Uvas, Galiza, Aves Migradoras, etc.
Transcreve-se o contributo de Álvaro Cabral (com actualização ortográfica):
"O saudoso Fialho de Almeida, escritor de requintado estilo,
merecidamente respeitado pelos encantos das suas obras, não foi só o autor de
tanta coisa bela da literatura moderna. Não. O nosso querido amigo foi também -
sem desfazer em quem está presente — um pitoresco boémio, se não incorrigível,
pelo menos admirável.
Assim o juro pelo grau da minha vida alegre de outrora.
E, justamente por me ter cabido a subida honra de haver
confraternizado com o brilhante autor da Vida
Irónica em diversas estúrdias algo turbulentas e sacudidas de todo o recato
e de toda a pacatez, me apraz descrever in
memoriam um dos muitos episódios ratões passados com ele em altas noites,
que Deus tenha em sua santa glória.
Foi pelo Centenário da Índia, durante as festas em Lisboa.
Eram três da madrugada. Tínhamos acabado de cear no Conde de Almada, ele
– Fialho -, D. João da Câmara, Figueiredo «Pintorinhos», Óscar da Silva,
Augusto Pina, Henrique Alves, Chaby Pinheiro, Teixeira Marques, Luís Galhardo,
Manuel Penteado o este vosso muito criado e respeitador sincero.
A suculenta refeição, que constou de dobrada com vidrilhos — especialidade
da casa - pescadinhas de Sesimbra, queijinhos de Tomar, azeitonas de Elvas,
laranjas de Setúbal, bananas da Ilha, muito vinho do Cartaxo, pão de farinha de
trigo e seis quartos de marmelada de Odivelas para o Chabyzinho, que os mamou a
todos com a mesma alegria com que as criancinhas chucham os bombons de
chocolate, custou, recordo-me como se fosse ontem, a módica quantia de três mil
quatrocentos e quarenta réis da «monarquia», que foram repartidos pelos onze comensais, cabendo, ou a matemática é uma
batata, dezassete vinténs por cabeça, com sifão, gorjeta e tudo. (…)
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| Vasco da Gama perante o Samorim, na Índia (por Veloso Salgado) |
Mas vamos ao episódio.
Tínhamos acabado de cear, como lhes disse, e partimos, Portas de Santo
Antão acima, metemos à rua do Jardim do Regedor, tomámos a Avenida da Liberdade
e fomos até à frente do teatro. Aí parámos e sentámo-nos; uns no assento do
banco, outros nas costas e alguns no chão.
E o que imaginam os meus amigos que divertimento nos acudiu à
lembrança, para moer a dobrada com
vidrilhos, as pescadinhas marmotas,
os queijinhos de Tomar e o muito vinho do Cartaxo?
Não imaginam com certeza. Mas eu lhes digo. Preparámo-nos todos para
representar!
Mas para representar o quê – perguntarão –, naquele sítio e àquela
hora?
Nada mais nada menos do que A
chegada de Vasco da Gama à índia, reproduzindo quanto possível o célebre
quadro de Veloso Salgado exposto na sala da Sociedade de Geografia!
Arregaçámos as calças até aos joelhos a fingir calções, pusemos os
chapéus de pernas para o ar, isto é, de copa para baixo, e dispusemo-nos
heroicamente à exibição do drama histórico.
A D. João da Câmara distribuímos o papel de Samorim; aos actores, os
escravos; aos amadores, os marinheiros da nau; e a Fialho de Almeida o grande
protagonista, D. Vasco da Gama, por saber de cor as estrofes.
A mise-en-scène de Augusto
Pina, estava um primor. (…)
Já se tinha dado o terceiro sinal para subir o pano, quando subitamente
nos surge por detrás duma atarracada palmeira um vulto negro que não constava
da marcação da peça.
Demorou-se um pouco o começo do espectáculo esperando o vulto que
entrava pela cena dentro sem licença do contra-regra.
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| O velho Fialho de Almeida (por António Carneiro) |
Quem era o inoportuno?
Ora quem havia de ser? – o polícia de serviço!
Acercou-se do grupo, e vendo que aquela mascarada transitava sem
licença do Governo Civil, inquiriu:
— Que vem a ser isto, meus
senhores?
— Isto!, respondeu Fialho, isto! Dobre a língua…
— Isto, quer dizer, este
ajuntamento…
— Ah, agora sim! — E, com
voz de pregoeiro, declamou: A chegada de
Vasco da Gama à índia. Peça de Marcelino de Mesquita com música de Óscar da
Silva e desempenhada pelo Beijinho da Arte de Representar em Portugal.
—Ah!!!
Vai daí, perguntei eu: — O
senhor guarda não estava avisado deste ensaio geral?
— Eu não senhor!
— O quê? Não estava prevenido?
— Juro por alma de minha mãe que
não estava.
— Pois amanhã — acrescentou o
Chaby, de modo colérico — vamos ao sr.
major Dias... E você terá como castigo o enfileirar-se de novo no seu
regimento de infantaria.
— Mas, meus senhores — balbuciou
o guarda, deveras atarantado — eu não vou
contra as ordens do sr. Major. Se ele autorizou, manda quem pode. Podem começar.
O que lhes peço é licença para presidir ao espectáculo no meu lugar de
autoridade, e o favor de me apresentarem ao sr. Samorim. Pode ser?
— Ora essa, com todo o gosto
— disse-lhe o Chaby, muito satisfeito.
— Ou quer o senhor entrar na
peça? — perguntou-lhe o Teixeira Marques, arregalando risonho os seus
grandes olhos negros.
— Entrar na peça? Eu? Mas a
fazer de quê?
— De quê? De escravo — replicou
o Fialho.
— De escravo?!
— Pois que papel quer você fazer
sem ter ensaiado nada?
— Tem razão, tem razão. Pois
muito bem, vamos a isso.
— Aqui. Coloque-se aqui — ordenou
o Fialho ao guarda, metendo-lhe na mão um guarda-chuva. — Faça de conta que isto é uma umbela. Cubra-me.
O guarda abriu o chapéu.
— Pode começar? — perguntou
o Óscar.
— Pode - respondeu-se em coro.
Então o Fialho, armado em D. Vasco da Gama, desenhou-se em frente de D.
João da Câmara, que estava sentado a fazer de Samorim, mas que naquele momento
mais nos dava a impressão de um médico alienista do que dum Vice-rei, e
começou:
E se queres com pactos,
e lianças
De paz, e de amizade
sacra e nua (…)
Findas as estrofes do imortal cantor das nossas glórias, os aplausos
ecoaram por toda aquela imensidade.
O polícia atirou com a umbela ao meio do palco, caiu nos braços do
famoso intérprete e qual não foi o nosso espanto quando ele se declarou também
amador dramático e nos pediu que o ouvíssemos recitar O Escravo!
Abraçámos a ideia e Galhardo gritou:
- É para já! Rapazes, atenção.
O polícia, então, colocou o boné sobre o banco, tomou atitudes grotescas
e desatou a recitar com voz de estentor:
Tremes, escravo,
branqueias
Entre os muros da
prisão!
Mas o desventurado guarda e furioso dramático não logrou fazer-se
ouvir pela assistência, porque ainda bem não tinha acabado o segundo verso,
apareceu-lhe por detrás da mesma palmeira o cabo da ronda, que lhe disse:
— Amanhã, amanhã te darei as
grades da prisão, meu idiota. Tudo já daqui p'ra fora e . . . tableau! Pano
abaixo!
No dia seguinte fomos em comissão pedir o perdão do Escravo, e o nosso pedido foi deferido."
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terça-feira, 29 de janeiro de 2019
Melodias Eternas
Canção - Hymne à l'Amour (Hino ao Amor)
Intérprete - Edith Piaf. Nasceu em Paris, a 19 de Dezembro de 1915. Faleceu em Plascassier, em 10 de Outubro de 1963 (47 anos).
Autores - Música: Marguerite Monnot; Letra: Edith Piaf.
Vídeo de - ced
Pesquisa e apresentação - Albina de Castro.
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
PENSÃO FAMILIAR
Jardim da pensãozinha burguesa.
Gatos
espapaçados ao sol.
A
tiririca sitia os canteiros chatos.
O
sol acaba de crestar as boninas
que
murcharam.
Os
girassóis
amarelo!
resistem.
E
as dálias,
rechonchudas,
plebéias,
dominicais.
Um
gatinho faz pipi.
Com
gestos de garçom de restaurant-Palace
encobre
cuidadosamente a mijadinha.
Sai
vibrando com elegância a patinha direita: —
É
a única criatura fina
na
pensãozinha burguesa.
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
O SONO DO ALUNO
O professor disserta sobre ponto difícil do programa.
Um aluno dorme,
Cansado das canseiras desta vida.
O professor vai sacudi-lo?
Vai repreendê-lo?
Não.
O professor baixa a voz,
Com medo de acordá-lo.
Um aluno dorme,
Cansado das canseiras desta vida.
O professor vai sacudi-lo?
Vai repreendê-lo?
Não.
O professor baixa a voz,
Com medo de acordá-lo.
(Carlos Drummond de Andrade - Brasil)
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sábado, 12 de janeiro de 2019
sábado, 5 de janeiro de 2019
MADAME JUNOT E A SUA SAIA DE BALÃO NO PALÁCIO DE QUELUZ
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| Laure Permon, duquesa de Abrantes, esposa de Junot (1784-1838) |
Portugal, 1805.
A rainha D. Maria I, afectada por doença mental, fora substituída havia treze anos nas suas funções pelo filho mais velho, o regente D. João (futuro rei D. João VI). O regente era casado com a espanhola Carlota Joaquina.
A rainha D. Maria I, afectada por doença mental, fora substituída havia treze anos nas suas funções pelo filho mais velho, o regente D. João (futuro rei D. João VI). O regente era casado com a espanhola Carlota Joaquina.
Nesse ano, o representante diplomático da França em Portugal era o general Jean-Andoche Junot, que dois anos depois conduziria, a mando de Napoleão Bonaparte, a 1.ª invasão francesa do nosso país. Foi na sequência dessa invasão que a família real portuguesa, encabeçada pelo regente D. João, buscaria refúgio no Brasil (1807-1821).
O general Junot (que seria mais tarde duque de Abrantes) tinha por esposa a sua compatriota Laure Permon.
Bonita, espirituosa, cáustica e extravagante, Laure - a quem Napoleão chamava, com algum afecto, a "petite peste" - dedicou-se à escrita, tendo publicado extensas e interessantes memórias da sua vida e do seu tempo, incluindo do que passou em Portugal.
Um dia, o marido informou-a de que a esposa do regente D. João, Carlota Joaquina, a receberia no Palácio de Queluz.
Segue-se o relato que a terrível Laure deixou acerca dessa memorável visita.
………
"A princesa do Brasil [Carlota Joaquina, mulher do príncipe regente] recebe-me na quarta-feira. Mas tenho de levar saia de balão. Saia de balão no século XIX, Santo Deus!
Recorri a todos os meios para evitar essa exigência idiota. Tudo inútil. É mais fácil o príncipe regente renunciar à coroa de Portugal do que dispensar-me da saia de balão.
No dia marcado, enverguei um vestido de moiré branco bordado a ouro, enfiei a imensa saia armada sobre arcos de arame e aí vou eu, toda emplumada como um cavalo de cortesias, para me meter no coche dourado que me esperava.
Mas aí é que as coisas se complicaram. Confesso que nunca tinha visto ninguém, com saia de balão, entrar num coche. E havia também as plumas. Nem a saia cabia na porta, nem as plumas cabiam no coche.
Parei diante da carruagem, a fingir que estava só a ganhar tempo. Junto de mim estava o meu marido, que é um ignorante em saias de balão, e Monsieur de Rayneval, que não me parece muito entendido em vestuário feminino. Que fazer?
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| Carlota Joaquina, esposa do regente D. João (1775-1830) |
A multidão ia-se adensando, e eu sentia-me com vontade de chorar. Meu marido, decidido como sempre, disse-me: Que diabo! Todas as portas são iguais. Se as outras passam, tu também hás-de passar!
E empurrava-me, mas, por mais força que fizesse, o maldito balão não cabia na porta.
Foi nesse momento que chegou Monsieur de Cherval. É velho e sabe os truques todos. Quando viu a minha aflição, desatou a rir:
- Cada arco da saia tem uma dobradiça com mola. Carregue, que os arcos dobram em dois.
- E as plumas do chapéu?
- O chapéu tira-se. Quando lá chegar volta a pô-lo.
E assim foi.
Ao chegar a Queluz, recebeu-me a condessa de Moscoso, que me ofereceu os seus aposentos para descansar, enquanto esperava. Depois chegou um pajem que me disse, em português, que a princesa me esperava.
Atravessei então uma série de corredores escuros, esconsos e sujos. Eu ia com o coração apertado por ver os meus vestidos e penachos enxovalharem-se na poeira e nas teias de aranha.
Quando finalmente cheguei à sala onde estava a princesa, fiquei tão espantada que perdi toda a timidez. Fiz as três grandes vénias de estilo e recitei o palavreado do costume com todo o à-vontade. De mim para mim, pensava: É possível que esta Casa de Bragança tenha sido gloriosa há séculos. Mas hoje é apenas grotesca.
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Palácio de Queluz, nos arredores de Lisboa, Portugal. Aqui nasceu e morreu D. Pedro, o primeiro imperador do Brasil independente
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A sala era a que se destina a cerimónias solenes. Dimensões normais, ornamentação só nas caneluras das paredes. Móveis poucos e vulgares. Realmente, móveis para quê?
O soalho estava coberto por um belo tapete oriental e a princesa estava sentada nele. Quando anunciaram o meu nome, como se fosse um pregão, levantou-se.
Ela estava entre oito ou dez mulheres, cada uma das quais me pareceu mais feia do que as outras. Vestiam-se de modo indescritível. Pareciam-me uma visão de pesadelo.
A princesa envergava um vestido de cassa da Índia, com bordados de algodão e ouro, igual às peças que trouxemos de França para fazer cortinas.
O corte era de mau gosto - e o corpo que cobria, de gosto ainda pior.
Carlota Joaquina tinha os cabelos semifrisados e penteados à grega. Adornavam-nos os maiores conjuntos de pérolas e pedras preciosas que eu alguma vez tinha visto. Os braços estavam nus. Eram compridos, achatados, ossudos, cobertos de pelos. Nunca vi braços tão feios.
Dirigiu-se-me num mau francês, o que depois me disseram ser grande distinção, pois só fala em português. Falou da mãe, por quem me não pareceu ter grande ternura, e disse-me que eu era bonita e tinha tipo de portuguesa.
Já a rainha de Espanha me fizera um cumprimento assim, dizendo que tenho tipo de espanhola.
Falou-me também da cunhada, mas como sei que se detestam, não dei saída.
A sessão foi excepcionalmente demorada: passou de meia hora, quando o costume são dez minutos.
Por fim, fez um gesto de despedida amigável. Meia dúzia de mulheres, com saias de vermelho berrante, arrastando grandes caudas de cinzento-azulado bordado a ouro, acompanharam-me até à porta. Tinham estranhos toucados também azuis, com flores vermelhas. Faziam lembrar as catatuas dos bosques da América.
Eu saí, e elas foram de novo sentar-se no chão, à volta da princesa." (*)
(*) Fonte - Albert Savine - Le Portugal il y a cent ans - Souvenirs d'une ambassadrice - Annotés d'après les Documents d'Archives et les Mémoires.
Publicado no ano de 1912 por Société des Éditions Louis-Michaud - Boulevard Saint-Germain, 168, Paris, France.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
Saudando o Novo Ano
… com este sublime Flashmob mexicano na Plaza Mayor de Madrid.
A primeira peça executada é o célebre "Huapango", de José Pablo Moncayo (1912-1958), uma espécie de segundo hino nacional do México.
A outra peça é o conhecidíssimo "Guadalajara, Guadalajara".
(O vídeo é de Alejandro Fernández).
Neste evento participaram 11 integrantes do Mariachi Real de México e 23 músicos da Film Symphony Orchestra. O director musical foi Alejandro Fernández, que fez os arranjos e adaptações das duas peças referidas.
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
Justiça cega? Semi-cega? Ou estrábica? (2)
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| (Desenho de Ivan Cabral) |
Ruy Barbosa de Oliveira foi um notável jurista e advogado brasileiro.
Distinguiu-se ainda como político, diplomata, escritor, filólogo, jornalista e tradutor. Orador inspiradíssimo.
Nasceu em 1849 e faleceu em 1923.
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
Justiça cega? Semi-cega? Ou estrábica? (1)
"(…) O que vale a pena
ser explicado, e voltarei ao assunto em próxima crónica, é que o perigo maior
não é o de ter os eleitos a escrutinar com mais eficácia os operadores de
justiça, é ter os operadores de justiça a agirem sem rei nem roque.
Todos somos
a favor de mais meios para a investigação, mas os democratas não podem aceitar
que a separação de poderes se transforme na existência de um poder que se julga
no direito de não ser escrutinado.
Não temos de fazer uma opção entre a
politização da justiça e a judicialização da política. Temos de lutar sem
hesitações para que não exista nem uma, nem outra.
É mais simples do que parece
e não se coaduna com paninhos quentes em relação a magistrados que fazem
chantagem com os eleitos do povo." (*)
(*) Paulo Baldaia – Jornal de Notícias – 18 de Dezembro de
2018
sábado, 15 de dezembro de 2018
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
MANEIRA DE AMAR
O jardineiro conversava com as flores, e elas se habituaram ao diálogo.
Passava
manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um
gerânio.
O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito,
ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza.
Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a
voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação
bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o
jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na devida
ocasião.
O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos
canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mandou-o embora, depois de
assinar a carteira de trabalho.
Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque
não tinham induzido o girassol a mudar de atitude.
A mais triste de todas era o
girassol, que não se conformava com a ausência do homem.
"Você o tratava
mal, agora está arrependido?"
"Não, respondeu, estou triste porque
agora não posso tratá-lo mal. É minha maneira de amar, ele sabia disso, e
gostava". (*)
(*) Carlos Drummond de Andrade (Brasil)
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018
domingo, 2 de dezembro de 2018
"Manitas de Plata". Olé!
"Manitas de Plata" (Ricardo
Baliardo) foi um extraordinário guitarrista de flamenco.
Nasceu numa caravana cigana, em Sète,
sul de França, a 7 de Agosto de 1921.
Faleceu em Montpellier, com 93 anos (5
de Novembro de 2014).
Tocou com Paco de Lucia e para a dançarina Nina Corti.
Pablo Picasso, que foi um dos seus grandes
admiradores, comentou ao ouvi-lo pela primeira vez: "Este homem vale mais do que eu!"
Apreciem, abaixo, o seu virtuosismo.
(Vídeo de jezagrom)
Manitas de Plata em 1968
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