Pequenas e grandes histórias da História e mensagens mais ou menos amenas sobre vidas, causas, culturas, quotidianos, pensamentos, experiências, mundo...
terça-feira, 20 de junho de 2017
domingo, 7 de maio de 2017
domingo, 29 de janeiro de 2017
"I PUT A SPELL ON YOU"
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Canção: I Put a Spell on You (Lancei-te um Feitiço)
Intérprete: Nina Simone (1933-2003)
Vídeo de: Susana Pérez Prado
Pesquisa e apresentação: Albina de Castro
Marcadores:
Música e Músicos
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
POR CAUSA DE JANDIRA
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O mundo começava nos seios de Jandira.
Depois surgiram outras peças da criação:
Depois surgiram outras peças da criação:
surgiram os cabelos para cobrir o corpo,
(às vezes o braço esquerdo desaparecia no caos.)
E surgiram os olhos para vigiar o resto do corpo.
E surgiram sereias da garganta de Jandira:
(às vezes o braço esquerdo desaparecia no caos.)
E surgiram os olhos para vigiar o resto do corpo.
E surgiram sereias da garganta de Jandira:
o
ar inteirinho ficou rodeado de sons
mais palpáveis do que pássaros.
E as antenas das mãos de Jandira
E as antenas das mãos de Jandira
captavam objetos animados, inanimados.
Dominavam a rosa, o peixe, a máquina.
E os mortos acordavam nos caminhos visíveis do ar
Dominavam a rosa, o peixe, a máquina.
E os mortos acordavam nos caminhos visíveis do ar
quando Jandira penteava a cabeleira...
Depois o mundo desvendou-se completamente,
foi-se levantando, armado de anúncios luminosos.
E Jandira apareceu inteiriça,
da cabeça aos pés,
todas as partes do mecanismo tinham importância.
E a moça apareceu com o cortejo do seu pai,
de sua mãe, de seus irmãos.
Eles é que obedeciam aos sinais de Jandira,
crescendo na vida em graça, beleza, violência.
Os namorados passavam, cheiravam os seios de Jandira
e eram precipitados nas delícias do inferno.
Eles jogavam por causa de Jandira,
deixavam noivas, esposas, mães, irmãs
por causa de Jandira.
E Jandira não tinha pedido coisa alguma.
E vieram retratos no jornal,
e apareceram cadáveres boiando por causa de Jandira.
Certos namorados viviam e morriam
Por causa de um detalhe de Jandira.
Um deles suicidou-se por causa da boca de Jandira
Outro, por causa de uma pinta
Depois o mundo desvendou-se completamente,
foi-se levantando, armado de anúncios luminosos.
E Jandira apareceu inteiriça,
da cabeça aos pés,
todas as partes do mecanismo tinham importância.
E a moça apareceu com o cortejo do seu pai,
de sua mãe, de seus irmãos.
Eles é que obedeciam aos sinais de Jandira,
crescendo na vida em graça, beleza, violência.
Os namorados passavam, cheiravam os seios de Jandira
e eram precipitados nas delícias do inferno.
Eles jogavam por causa de Jandira,
deixavam noivas, esposas, mães, irmãs
por causa de Jandira.
E Jandira não tinha pedido coisa alguma.
E vieram retratos no jornal,
e apareceram cadáveres boiando por causa de Jandira.
Certos namorados viviam e morriam
Por causa de um detalhe de Jandira.
Um deles suicidou-se por causa da boca de Jandira
Outro, por causa de uma pinta
na face esquerda de Jandira.
E seus cabelos cresciam furiosamente
E seus cabelos cresciam furiosamente
com a força das máquinas;
não caía nem um fio,
nem ela os aparava.
E sua boca era um disco vermelho
tal qual um sol mirim.
Em roda do cheiro de Jandira
a família andava tonta.
As visitas tropeçavam nas conversações
por causa de Jandira.
E um padre na missa
esqueceu de fazer o sinal-da-cruz
nem ela os aparava.
E sua boca era um disco vermelho
tal qual um sol mirim.
Em roda do cheiro de Jandira
a família andava tonta.
As visitas tropeçavam nas conversações
por causa de Jandira.
E um padre na missa
esqueceu de fazer o sinal-da-cruz
por causa de Jandira.
E Jandira se casou
e seu corpo inaugurou uma vida nova.
Apareceram ritmos que estavam de reserva.
Combinações de movimento entre as ancas e os seios.
À sombra do seu corpo nasceram quatro meninas
E Jandira se casou
e seu corpo inaugurou uma vida nova.
Apareceram ritmos que estavam de reserva.
Combinações de movimento entre as ancas e os seios.
À sombra do seu corpo nasceram quatro meninas
que repetem as formas e os sestros de Jandira
desde o princípio do tempo.
E o marido de Jandira
morreu na epidemia de gripe espanhola.
E Jandira cobriu a sepultura com os cabelos dela.
Desde o terceiro dia
E o marido de Jandira
morreu na epidemia de gripe espanhola.
E Jandira cobriu a sepultura com os cabelos dela.
Desde o terceiro dia
o marido
fez um grande esforço para ressuscitar:
não se conforma, no quarto escuro onde está,
que Jandira viva sozinha,
que os seios, a cabeleira dela,
não se conforma, no quarto escuro onde está,
que Jandira viva sozinha,
que os seios, a cabeleira dela,
transtornem a cidade
e que ele fique ali à toa.
E as filhas de Jandira
inda parecem mais velhas do que ela.
E Jandira não morre,
espera que os clarins do juízo final
venham chamar seu corpo,
mas eles não vêm.
E mesmo que venham,
e que ele fique ali à toa.
E as filhas de Jandira
inda parecem mais velhas do que ela.
E Jandira não morre,
espera que os clarins do juízo final
venham chamar seu corpo,
mas eles não vêm.
E mesmo que venham,
o corpo de Jandira ressuscitará inda mais belo,
mais ágil e transparente
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(Poema de Murilo Mendes. Nasceu em Juiz de Fora, Brasil, em 1901.
Faleceu em Lisboa, Portugal, no ano de 1975).
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Brasil,
Mulheres,
Poesia,
Poesia Brasileira
domingo, 15 de janeiro de 2017
O RISO DE MÁRIO SOARES (1924-2017)
"Uma vez, era ele Presidente e eu jornalista, encontrámo-nos entre cabinas de um avião, num voo presidencial sobrevoando a Ásia. Como sabia que ele gostava de anedotas, perguntei-lhe se sabia a anedota sobre a sua própria morte.
Respondeu-me que não e eu contei-lha:
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Mário Soares morre e vai ter com São Pedro para pedir para entrar no Paraíso. Depois de consultar o seu computador, São Pedro responde-lhe que nem pensar: "Tu foste um pecador horrível, vais é para o Inferno!"
Mas Soares insiste, justifica os seus pecados, pede clemência. E São Pedro reconsidera: "OK, vou pôr-te à prova: durante dez anos, dia por dia, do acordar ao adormecer, tu vais estar sempre ligado à madre Teresa de Calcutá e sem nenhuma relação com mais quem quer que seja. E, daqui a dez anos, se te portares bem, logo se vê."
Sem nenhuma escapatória, Soares aceita. Mas, assim que arranca, de mão dada com a madre Teresa, vê Cavaco Silva de mão dada com Madonna. E, aí, Soares passa-se, volta atrás e diz a São Pedro: "Está bem que eu fui um grande pecador. Mas o Cavaco foi algum santinho para ter como penitência a Madonna?"
Ao que São Pedro lhe responde: "Calma, Mário, essa é a penitência da Madonna!"
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Nessa noite, nesse avião, algures no céu da Ásia, Mário Soares ia-se engasgando a rir com a anedota que eu lhe contei sobre a sua morte. Estávamos os dois vivos, a Ásia estava lá em baixo e a morte era apenas uma anedota.
Mas não tenho a certeza se agora, voando lá em cima sobre o mundo, ele não estará a desafiar as regras estabelecidas da eternidade."
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Narrado por Miguel Sousa Tavares na "E", Revista do jornal Expresso - Edição 2307, de 14 de Janeiro de 2017, pág. 16 - Número Especial inteiramente dedicado à figura de Mário Soares.
Título do artigo: "O Seu Nome, Liberdade".
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Política Portuguesa
sábado, 7 de janeiro de 2017
sábado, 31 de dezembro de 2016
SAUDANDO O ANO NOVO
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Peça musical - El Barberillo de Lavapiés (zarzuela em 3 actos) - Prelúdio e Dança dos Estudantes
Compositor - Francisco Asenjo Barbieri (1823-1894)
Libreto - Luís Mariano de Larra (1830-1901)
Lugar de estreia - Teatro de la Zarzuela de Madrid (19 de Dezembro de 1874)
Pesquisa e apresentação - Albina de Castro
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Música de Espanha,
Música e Músicos,
Música Ibérica
domingo, 25 de dezembro de 2016
sábado, 17 de dezembro de 2016
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
MALAK AL-SHEHRI NO REINO DA ESTUPIDEZ (FACINOROSA)...
Malak al-Shehri publicou uma fotografia em que surge
com um vestido colorido, um casaco e óculos de sol. Ia beber café com um amigo.
Tudo isto lhe valeu valentes críticas nas redes sociais. Devido ao seu
comportamento, foram apresentadas queixas à polícia religiosa. Agora, foi
detida.
Malak
al-Shehri tem cerca de 20 anos e vive na capital da Arábia Saudita. Numa manhã
saiu de casa para tomar o pequeno-almoço e tirou uma fotografia, que publicou
no Twitter. “Decidi sair sem abaya [traje completo de cor escura], vesti uma
saia com um casaco elegante”, lia-se na descrição da imagem. Depois, foi ter
com um amigo para “beber café e fumar um cigarro”. Estes comportamentos foram
motivo de queixas à polícia religiosa. Agora, Malak al-Shehri foi detida.
“Publicou
nas redes sociais algo que está contra as leis”, justificou o porta-voz da
polícia de Riade, Fawaz al Miman, citado pelo jornal espanhol “El Mundo”.
Segundo as autoridades, além da roupa em causa está ainda o facto de Malak
al-Shehri “falar abertamente sobre relações proibidas com homens que não
pertencem à sua família”, acrescenta o britânico “The Guardian”.
Foi a 28 de
novembro que Malak al-Shehri publicou a imagem. Muitos revoltaram-se, outros
saíram em sua defesa. A jovem, acabou mesmo por apagar o tweet e,
consequentemente, a sua conta no Twitter.
Na Arábia
Saudita, existem regras bastante restritas quanto à forma de uma mulher se
apresentar nos locais públicos. A condução e o convívio com homens que não são
seus familiares estão proibidos.
Segundo o
“The Guardian”, milhares de sauditas assinaram uma petição que exige o fim da
lei que prevê que uma mulher esteja sempre sob a guarda de um homem.
Habitualmente, quando são mais novas estão à guarda do pai ou dos irmãos e
quando casam passam a ser da responsabilidade do marido. (*)
(*) Jornal Expresso (Diário - online) - 12-Dezembro-2016.
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Abusos,
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Religião,
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
sábado, 22 de outubro de 2016
domingo, 25 de setembro de 2016
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