domingo, 1 de maio de 2016

Mães...

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sábado, 6 de fevereiro de 2016

VISITA RECENTE AO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE RAVENSBRÜCK, NO NORTE DA ALEMANHA (Conclusão da postagem anterior, de 2 de Fevereiro de 2016)

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Mozart - Requiem - Lacrimosa - Vídeo de Rosa Nera
(Clique no play)

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CHEGADA DAS MULHERES A RAVENSBRÜCK
 
"(...) Antes de todos os autocarros pararem ouviram-se gritos, berros, estalar de chicotes e os latidos de cães. Recebeu-nos um chorrilho de ordens e de insultos quando começámos a sair dos autocarros. Apareceram hostes de mulheres por entre as árvores - guardas de saia, blusa e boné, com chicotes nas mãos, algumas com cães a ganirem e a precipitarem-se para os autocarros.
 
Ao descerem dos autocarros, várias mulheres desmaiaram e as que se debruçavam para as ajudarem eram derrubadas por terra pelos cães ou chicoteadas. Não o sabiam ainda, mas uma das regras do campo de concentração era que ajudar outra prisioneira constituía uma infração. Cadela, cabra suja, põe-te de pé. Cadela preguiçosa.
Uma outra regra era que as prisioneiras tinham sempre de formar filas de cinco. Achtung, Achtung. Filas de cinco. Mãos ao lado do corpo.
 
As ordens ecoavam por entre as árvores enquanto as prisioneiras que ficavam para trás eram pontapeadas por botas militares. Petrificadas com o terror, de olhos pregados no solo arenoso, as mulheres faziam os possíveis por não darem nas vistas. Evitavam o olhar umas das outras. Algumas gemiam. Mais um estalar de chicotes e fez-se silêncio total.
A rotina bem ensaiada da SS cumprira o seu objetivo - causar o máximo de terror no momento da chegada. Quem tivesse pensado em oferecer resistência, a partir daquele momento ficaria submissa (...)" (Nota 1)
 
 
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AS SOBREVIVENTES
 
"Muitas mulheres desatavam a chorar durante a nossa conversa. Havia muitas vezes risos. Ninguém mostrou azedume. Mas - parece-me - muitas também não perdoaram; sem dúvida, ninguém esqueceu.
Num fim de semana em memória das vítimas, encontrei-me de novo com Wanda Wojtasik. Entrevistara pela primeira vez Wanda, uma das Kaninchen polacas mais jovens, no seu apartamento em Cracóvia.
Agora, ela estava a atirar rosas para o lago em Ravensbrück. Disse-me que um dos médicos da SS, Fritz Fischer, a contactara recentemente a pedir-lhe o seu perdão. Eu disse-lhe que não havia nada que eu pudesse perdoar-lhe. Ele teria de pedir perdão a Deus." (Nota 2)
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(NOTA 1) Sarah Helm, Se Isto É Uma Mulher, Editorial Presença, Lisboa, Portugal, pág. 43.
(NOTA 2) Idem, pág. 676.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

"SE ISTO É UMA MULHER"

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Sarah Helm - Jornalista - Investigadora - Historiadora
(Mulher admirável - de talento, sensibilidade e muita coragem)
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Considerai se isto é uma mulher
Sem cabelo e sem nome
Sem mais força para recordar,
Vazios os olhos e frio o regaço
Como uma rã no inverno.
Meditai que isto aconteceu:
Recomendo-vos estas palavras.
 
(Primo Levi)
 
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Num livro terrível e dolorosamente belo, Sarah Helm conta-nos sobre Ravensbrück, na Alemanha, o único campo de concentração especificamente construído para mulheres.
Como ela explica, Ravensbrück situa-se a cerca de oitenta quilómetros a norte de Berlim, e tomou o nome da pequena vila adjacente à cidade de Fürstenberg, na costa báltica da Alemanha.
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Ravensbrück entrou em funcionamento numa manhã soalheira de Maio de 1939, quando um grupo de cerca de oitocentas mulheres ali chegou, conduzido em marcha forçada pelos bosques. O grupo incluía donas de casa, médicas, cantoras de ópera, prisioneiras políticas e prostitutas.
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No primeiro ano, o campo contava com menos de 2000 prisioneiras, quase todas alemãs. Muitas tinham sido detidas por se oporem a Hitler - comunistas, por exemplo, e testemunhas de Jeová, que chamavam Anticristo ao ditador. Outras foram detidas simplesmente porque os nazis as consideravam seres inferiores e queriam removê-las da sociedade: prostitutas, criminosas, mulheres sem-abrigo e ciganas.
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Mais tarde, Ravensbrück receberia milhares de mulheres capturadas em países ocupados pelos nazis. Para lá, também eram levadas crianças.  Uma pequena percentagem das prisioneiras - cerca de dez por cento - era judia, mas o campo não foi formalmente designado como um campo de concentração para judias.
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No seu auge, o campo de concentração contava com uma população de 45 000 mulheres. Ao longo dos seis anos da sua existência, cerca de 130 000 passaram pelos seus portões, para serem espancadas, obrigadas a passar fome e a trabalhar até à morte, envenenadas, sujeitas a cruéis experiências médicas, executadas e assassinadas com gás.
Segundo as estimativas, o número total de mortes pode chegar às 90 000. Mas a quantidade de documentos que chegou até aos nossos dias é tão reduzida que nunca será possível saber ao certo.
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Durante décadas, a história de Ravensbrück permaneceu oculta atrás da Cortina de Ferro. Sarah Helm, num enorme e persistente esforço de investigação, logrou obter informação até agora considerada perdida ou de muito difícil acesso - e abriu-nos, num livro extraordinário, as portas desse lugar de trevas.
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A partir de documentos inéditos e de testemunhos de sobreviventes que nunca antes haviam partilhado a sua experiência, a autora traz até nós, para além  dos horrores mais impensáveis do regime nazi, vários exemplos notáveis da incrível tenacidade do espírito humano.
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A Editorial Presença, de Lisboa, presta-nos, com o lançamento deste livro perfeitamente à altura das suas tradições, um inestimável serviço.
Porque é importante não esquecer - para que nunca mais possa repetir-se.
Sobretudo num tempo em que os artífices do mal absoluto se afirmam de novo - indiferentes à ética, à solidariedade e ao respeito humano - nesta Europa que foi mãe das maiores realizações e tragédias.
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É por vezes cómodo esquecer. Ou fazer por não lembrar. Mas fica sempre, havendo um resto de consciência e alguma sensibilidade, um quisto de desconforto na alma. Os espinhos de uma rosa vermelha na imaculada brancura do gelo.
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Como diz Sarah Helm, no prólogo da obra, a propósito de uma visita ao que resta do campo:
 
"O sol trespassou as nuvens por breves momentos quando me aproximei da galeria de tiro. Uns pombos piavam no topo das tílias, competindo com os sons do trânsito que passava na estrada. Um autocarro com estudantes franceses estava estacionado e os jovens andavam por ali a fumar.
Olhei para o outro lado do lago gelado, para o pináculo da igreja de Fürstenberg. À distância, via uns trabalhadores a movimentarem-se de um lado para o outro num cais com barcos; no verão, os turistas andam de barco no lago sem saberem que lá no fundo há cinzas do campo de concentração.
A brisa fazia voar uma rosa vermelha sobre o gelo."
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A Torre da História Ibérica recomenda vivamente a leitura deste magnífico trabalho de Sarah Helm.
 
Editorial Presença (2015)
Título original: If This Is a Woman. Inside Ravensbrück: Hitler's Concentration Camp for Women.
Tradução: Ana Saldanha.
Preço: € 27,90.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

África!

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Peça musical - African Sunset
Autoria - African Tribal Orchestra
Realização técnica - Juan F
Apresentação - Albina de Castro
 

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Santo Deus!

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Primárias das eleições presidenciais nos Estados Unidos da América:

Sarah Palin apoia Donald Trump!


 
 
 
 "O Grito" - Edvard Munch, Noruega (1863-1944)
 
 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Contos Eternos de Perrault

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O Gato das Botas
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Cinderela
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O Barba Azul
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A Bela Adormecida
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O Capuchinho Vermelho
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O Pequeno Polegar
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Charles Perrault
 
Nasceu em Paris a 12 de Janeiro de 1628 (faz hoje, precisamente, 388 anos) e faleceu na mesma cidade a 16 de Maio de 1703.
Escritor e poeta, lançou as bases de um novo género literário, o conto de fadas, pelo que ficou conhecido como o "pai da literatura infantil".
Encantou, e continuará a encantar por muitos anos, milhões de crianças em todo o mundo.
Para sua eterna - e merecidíssima - glória.
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Celebração do Novo Ano


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Peça musical: Fandango, da zarzuela Doña Francisquita (1923).
Compositor: Amadeo Vives, Espanha, 1871-1932.
Execução: Orquestra Filarmónica de Berlim.
Maestro: Placido Domingo.
Pesquisa e a presentação: Albina de Castro.
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Finalmente, um Primeiro-Ministro competente em Portugal. E honesto.

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António Costa, nascido em Lisboa no ano de 1961.
Líder do Partido Socialista e, desde ontem, Primeiro-Ministro de Portugal.
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Um dos mais persistentes, experimentados e brilhantes políticos na história da democracia portuguesa.
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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Sem perdão! Epitáfio de um governo-pesadelo.

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O embaixador Francisco Seixas da Costa publicou hoje no seu blogue (duas ou três coisas) um texto notável sobre a devastadora governação a que o povo português pôs finalmente termo nas eleições de 4 de Outubro findo.
Todos os colaboradores da Torre da História Ibérica subscrevem o que abaixo - com a devida vénia - se transcreve.
 
(Ilustrações, destaques e arrumação de texto da responsabilidade da Torre).
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"Não lhes perdoo! 
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Acaba hoje aquela que constitui a mais penosa experiência política a que me foi dado assistir na minha vida adulta em democracia. Salvaguardadas as exceções que sempre existem, quero dizer que nunca me senti tão distante de uma governação como daquela que este país sofreu desde 2011.
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Não duvido que alguns dos governantes que hoje transitam para o passado tentaram fazer o seu melhor ao longo destes cerca de quatro anos e meio.
Em alguns deles detetei mesmo competência técnica e profissional, fidelidade a uma linha de orientação que consideraram ser a melhor para o país que lhes calhou governarem.
Mas há coisas que, na globalidade do governo a que pertenceram, nunca lhes perdoarei.
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Desde logo, a mentira, a descarada mentira com que conquistaram os votos crédulos dos portugueses em 2011, para, poucas semanas depois, virem a pôr em prática uma governação em que viriam a fazer precisamente o contrário daquilo que haviam prometido. As palavras fortes existem para serem usadas e a isso chama-se desonestidade política.
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Depois, a insensibilidade social. Assistimos no governo que agora se vai, sempre com cobertura ao nível mais elevado, a uma obscena política de agravamento das clivagens sociais, destruidora do tecido de solidariedade que faz parte da nossa matriz como país, como que insultando e tratando com desprezo as pessoas idosas e mais frágeis, desenvolvendo uma doutrina que teve o seu expoente na frase de um anormal que jocosamente falou, sem reação de ninguém com responsabilidade, de "peste grisalha".
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Vimos surgir, escudado na cumplicidade objetiva do primeiro-ministro, um discurso "jeuniste" que chegou mesmo a procurar filosofar sobre a legitimidade da quebra da solidariedade inter-geracional.
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Um dia, ouvi da boca de um dos "golden boys" desta governação, a enormidade de assumir que considerava "legítimo que os reformados e pensionistas fossem os mais sacrificados nos cortes, pela fatia que isso representava nas despesas do Estado mas, igualmente, pela circunstância de a sua capacidade reivindicativa e de reação ser muito menor do que os trabalhadores no ativo", o que suscitava menos problemas políticos na execução das medidas.
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Essa personagem foi ao ponto de sugerir a necessidade de medidas que estimulassem, presumo que de forma não constrangente, o regresso dos velhos reformados e pensionistas, residentes nas grandes cidades, "à província de onde tinham saído", onde uma vida mais barata poderia ser mais compatível com a redução dos seus meios de subsistência.
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Fui testemunha de atos de desprezo por interesses económicos geoestratégicos do país, pela assunção, por mera opção ideológica, por sectarismo político nunca antes visto, de um desmantelar do papel do Estado na economia, que chegou a limites quase criminosos.
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Assisti a um governante, que hoje sai do poder feito ministro, dizer um dia, com ar orgulhosamente convicto, perante investidores estrangeiros, que "depois deste processo de privatizações, o Estado não ficará na sua posse com nada que dê lucro".
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Ouvi da boca de outro alto responsável, a propósito do processo de privatizações, que "o encaixe de capital está longe de ser a nossa principal preocupação. O que queremos mostrar com a aceleração desse processo, bem como com o fim das "golden shares" e pela anulação de todos os mecanismos de intervenção e controlo do Estado na economia, é que Portugal passa a ser a sociedade mais liberal da Europa, onde o investimento encontra um terreno sem o menor obstáculo, com a menor regulação possível, ao nível dos países mais "business-friendly" do mundo".

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Assisti a isto e a muito mais.
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Fui testemunha do desprezo profundo com que a nossa Administração Pública foi tratada, pela fabricação artificial da clivagem público-privado, fruto da acaparação da máquina do Estado por um grupo organizado que verdadeiramente o odiava, que o tentou destruir, que arruinou serviços públicos, procurando que o cidadão-utente, ao corporizar o seu mal-estar na entidade Estado, acabasse por se sentir solidário com as próprias políticas que aviltavam a máquina pública.
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No Ministério dos Negócios Estrangeiros, fui testemunha de uma operação de desmantelamento criterioso das estruturas que serviam os cidadãos expatriados e garantiam a capacidade mínima para dar a Portugal meios para sustentar a sua projeção e a possibilidade da máquina diplomática e consular defender os interesses nacionais na ordem externa.
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Assisti ao encerramento cego de estruturas consulares e diplomáticas (e à alegre reversão de algumas destas medidas, quando conveio), à retirada de meios financeiros e humanos um pouco por todo o lado, à delapidação de património adquirido com esforço pelo país durante décadas, cuja alienação se fez com uma irresponsável leveza de decisão.
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Nunca lhes perdoarei o que fizeram a este país ao longo dos últimos anos.
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E, muito em especial, não esquecerei que a atuação dessas pessoas, à frente de um Estado que tinham por jurado inimigo e no seio do qual foram uma assumida "quinta coluna", conseguiu criar em mim, pela primeira vez em mais de quatro décadas de dedicação ao serviço público - em que cultivei um orgulho de ser servidor do Estado, que aprendi com os exemplos do meu avô e do meu pai -, um sentimento de desgostosa dessolidarização com o Estado que lhes coube titular durante este triste quadriénio.
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Por essa razão, neste dia em que, com imensa alegria, os vejo partir, não podia calar este meu sentimento profundo.
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Há dúvidas quanto ao futuro que aí vem?
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Pode haver, mas todas as dúvidas serão sempre mais promissoras que este passado recente que nos fizeram atravessar.
Fosse eu católico e dir-lhes-ia: vão com deus.
Como não sou, deixo-lhes apenas o meu silêncio."
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UM FILME DE ANTONIONI KOSTADIS

 
"Em Busca
da
Sobretaxa Perdida" 
 
História trágica de um troca-tintas,
verdadeiro salmistrão,
expulso da sua zona de conforto
por ter intrujado um país inteiro
 

Em breve num cinema perto de si
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