Nasceu em Curitiba, Brasil.
Pequenas e grandes histórias da História e mensagens mais ou menos amenas sobre vidas, causas, culturas, quotidianos, pensamentos, experiências, mundo...
sábado, 14 de julho de 2018
domingo, 1 de abril de 2018
Ribatejo, Ribatejanos e Campinos
| Quadro de Cássio Mello |
"(…) Bastará lembrarmo-nos
de que o Ribatejo é a região do gado bravo. Daqui o natural e necessário esforço
do homem, a que desde pequeno se habitua, para viver entre vacas e touros criados
em plena liberdade e bravura, e que é preciso subjugar pelo valor e pela astúcia
até submetê-los ao trabalho agrícola.
Julga-se falsamente, no norte
do país, que a criação do gado bravo no Ribatejo constitui apenas uma indústria
tauromáquica. Não, é um erro: ela representa um alto valor económico, que se obtém
à custa de um contínuo e arriscado trabalho.
A propriedade, nas províncias
setentrionais do país, está dividida e retalhada: é a quinta, o campo, a bouça
ou a horta. Aqui, como no Alentejo, percorrem-se léguas e léguas de terrenos pertencentes
a um mesmo proprietário. A propriedade é vasta, imensa, a perder de vista. Proporciona
as grandes colheitas e a criação das grandes manadas e rebanhos.
A vida do lavrador ribatejano
torna-se, portanto, muito mais trabalhosa e o campino — designando por esta expressão
todo o serviçal da lavoura ribatejana — é por via de regra um homem afoito e valente
que todos os dias põe em jogo a sua vida com uma indiferença estóica singularmente
admirável.
![]() |
| Quadro de Simão da Veiga |
Há, no homem do Ribatejo,
o que quer que seja de forte e de simples, de atlético e indiferente, que parece
conservar a expressão das idades primitivas, quando a força física e a serenidade
de ânimo eram precisas ao homem para lutar com os monstruosos animais pré-historicos.
A natureza deu-lhe a bravura calma e a astúcia ingénita necessárias para
subjugar as reses bravas, acudindo-lhe com a astúcia quando a valentia não basta.
Também o dotou com uma certa
tendência contemplativa, espécie de identificação, plácida e concentrada, com a
vasta paisagem que o rodeia, onde a solidão é profunda e profundo é o silêncio,
apenas de quando em quando entrecortado pelo mugido do touro, pelo uivo do lobo,
pelo chocalho das manadas e rebanhos.
O perigo que, por via de
regra, assusta o homem em qualquer parte, é no Ribatejo o pão nosso de cada dia,
um hábito, um costume, em vez de ser, como noutras regiões do país, uma surpresa
ou uma eventualidade. Aqui, a natureza, favorecendo, por condições especiais, a
criação do gado bravo, pôs harmoniosamente, ao lado dele, o homem forte e sadio,
robusto e tranquilo, que tem de viver e lutar quotidianamente com as reses
possantes e manhosas. (…)
(…) Esta irrequieta
colónia bovina não deixa um momento de paz e descanso aos homens a quem está
confiada, e cujo trabalho é incessante, desde a difícil operação da desmama dos
bezerros até à amansia do touro.
(…) A luta, no Ribatejo,
entre o homem e o touro, quando há necessidade de recorrer a esse extremo, efectua-se
frente a frente, toma o carácter de um combate singular, sempre arriscado, porque
nós, os Portugueses, picamos o touro por diante, ao contrário dos Espanhóis, que
o mandam pela anca.
E, contudo, apesar das
contingências desastrosas a que o campino está constantemente sujeito, todas as
operações, em que ele é chamado a intervir na vida e na liberdade das manadas, tomam
um ar de folia local que sobrepõe a alegria à consciência e temor do perigo." (*)
(*) Alberto Pimentel – A Extremadura
Portugueza – 1.ª Parte – O Ribatejo – Lisboa, 1908, pp. 35-36 (ortografia
actualizada).
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
Melodias Eternas
Canção - Dio, Come Ti Amo
Intérprete - Gigliola Cinquetti. Nasceu em Verona, Itália, a 20 de Dezembro de 1947. Com esta canção, venceu o Festival de Sanremo em 1966.
Compositor - Domenico Modugno
Pesquisa e apresentação - Albina de Castro
Marcadores:
Música e Músicos
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
Natal de 2017 - O Holy Night
Clique no "play" da imagem seguinte. Depois, para ampliar, clique duas vezes com o botão esquerdo do rato:
(Orquestra de André Rieu. Extraído do DVD Christmas in London)
..
Marcadores:
Música e Músicos,
Músicos,
Obras-Primas,
Religião
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
STABAT MATER (Giovanni Battista Pergolesi)
.
.
.
Stabat Mater Dolorosa é um
hino católico do século XIII atribuído ao frade franciscano Jacopone da Todi e
ao Papa Inocêncio III.
O hino foi musicado por diversos compositores. A versão abaixo é da autoria de Giovanni Battista Pergolesi, compositor, organista e violinista italiano. Nasceu em 1710 e faleceu em 1736.
Começa assim:
Stabat Mater dolorosa iuxta crucem lacrimosa dum pendebat Filius...
(Estava a mãe dolorosa junto da cruz, lacrimosa, enquanto o filho pendia...)
(Vídeo de Marina Pauly)
.
Marcadores:
Mães,
Música e Músicos,
Obras-Primas,
Orações,
Religião
terça-feira, 20 de junho de 2017
domingo, 7 de maio de 2017
domingo, 29 de janeiro de 2017
"I PUT A SPELL ON YOU"
.
Canção: I Put a Spell on You (Lancei-te um Feitiço)
Intérprete: Nina Simone (1933-2003)
Vídeo de: Susana Pérez Prado
Pesquisa e apresentação: Albina de Castro
Marcadores:
Música e Músicos
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
POR CAUSA DE JANDIRA
.
O mundo começava nos seios de Jandira.
Depois surgiram outras peças da criação:
Depois surgiram outras peças da criação:
surgiram os cabelos para cobrir o corpo,
(às vezes o braço esquerdo desaparecia no caos.)
E surgiram os olhos para vigiar o resto do corpo.
E surgiram sereias da garganta de Jandira:
(às vezes o braço esquerdo desaparecia no caos.)
E surgiram os olhos para vigiar o resto do corpo.
E surgiram sereias da garganta de Jandira:
o
ar inteirinho ficou rodeado de sons
mais palpáveis do que pássaros.
E as antenas das mãos de Jandira
E as antenas das mãos de Jandira
captavam objetos animados, inanimados.
Dominavam a rosa, o peixe, a máquina.
E os mortos acordavam nos caminhos visíveis do ar
Dominavam a rosa, o peixe, a máquina.
E os mortos acordavam nos caminhos visíveis do ar
quando Jandira penteava a cabeleira...
Depois o mundo desvendou-se completamente,
foi-se levantando, armado de anúncios luminosos.
E Jandira apareceu inteiriça,
da cabeça aos pés,
todas as partes do mecanismo tinham importância.
E a moça apareceu com o cortejo do seu pai,
de sua mãe, de seus irmãos.
Eles é que obedeciam aos sinais de Jandira,
crescendo na vida em graça, beleza, violência.
Os namorados passavam, cheiravam os seios de Jandira
e eram precipitados nas delícias do inferno.
Eles jogavam por causa de Jandira,
deixavam noivas, esposas, mães, irmãs
por causa de Jandira.
E Jandira não tinha pedido coisa alguma.
E vieram retratos no jornal,
e apareceram cadáveres boiando por causa de Jandira.
Certos namorados viviam e morriam
Por causa de um detalhe de Jandira.
Um deles suicidou-se por causa da boca de Jandira
Outro, por causa de uma pinta
Depois o mundo desvendou-se completamente,
foi-se levantando, armado de anúncios luminosos.
E Jandira apareceu inteiriça,
da cabeça aos pés,
todas as partes do mecanismo tinham importância.
E a moça apareceu com o cortejo do seu pai,
de sua mãe, de seus irmãos.
Eles é que obedeciam aos sinais de Jandira,
crescendo na vida em graça, beleza, violência.
Os namorados passavam, cheiravam os seios de Jandira
e eram precipitados nas delícias do inferno.
Eles jogavam por causa de Jandira,
deixavam noivas, esposas, mães, irmãs
por causa de Jandira.
E Jandira não tinha pedido coisa alguma.
E vieram retratos no jornal,
e apareceram cadáveres boiando por causa de Jandira.
Certos namorados viviam e morriam
Por causa de um detalhe de Jandira.
Um deles suicidou-se por causa da boca de Jandira
Outro, por causa de uma pinta
na face esquerda de Jandira.
E seus cabelos cresciam furiosamente
E seus cabelos cresciam furiosamente
com a força das máquinas;
não caía nem um fio,
nem ela os aparava.
E sua boca era um disco vermelho
tal qual um sol mirim.
Em roda do cheiro de Jandira
a família andava tonta.
As visitas tropeçavam nas conversações
por causa de Jandira.
E um padre na missa
esqueceu de fazer o sinal-da-cruz
nem ela os aparava.
E sua boca era um disco vermelho
tal qual um sol mirim.
Em roda do cheiro de Jandira
a família andava tonta.
As visitas tropeçavam nas conversações
por causa de Jandira.
E um padre na missa
esqueceu de fazer o sinal-da-cruz
por causa de Jandira.
E Jandira se casou
e seu corpo inaugurou uma vida nova.
Apareceram ritmos que estavam de reserva.
Combinações de movimento entre as ancas e os seios.
À sombra do seu corpo nasceram quatro meninas
E Jandira se casou
e seu corpo inaugurou uma vida nova.
Apareceram ritmos que estavam de reserva.
Combinações de movimento entre as ancas e os seios.
À sombra do seu corpo nasceram quatro meninas
que repetem as formas e os sestros de Jandira
desde o princípio do tempo.
E o marido de Jandira
morreu na epidemia de gripe espanhola.
E Jandira cobriu a sepultura com os cabelos dela.
Desde o terceiro dia
E o marido de Jandira
morreu na epidemia de gripe espanhola.
E Jandira cobriu a sepultura com os cabelos dela.
Desde o terceiro dia
o marido
fez um grande esforço para ressuscitar:
não se conforma, no quarto escuro onde está,
que Jandira viva sozinha,
que os seios, a cabeleira dela,
não se conforma, no quarto escuro onde está,
que Jandira viva sozinha,
que os seios, a cabeleira dela,
transtornem a cidade
e que ele fique ali à toa.
E as filhas de Jandira
inda parecem mais velhas do que ela.
E Jandira não morre,
espera que os clarins do juízo final
venham chamar seu corpo,
mas eles não vêm.
E mesmo que venham,
e que ele fique ali à toa.
E as filhas de Jandira
inda parecem mais velhas do que ela.
E Jandira não morre,
espera que os clarins do juízo final
venham chamar seu corpo,
mas eles não vêm.
E mesmo que venham,
o corpo de Jandira ressuscitará inda mais belo,
mais ágil e transparente
.
(Poema de Murilo Mendes. Nasceu em Juiz de Fora, Brasil, em 1901.
Faleceu em Lisboa, Portugal, no ano de 1975).
Marcadores:
Brasil,
Mulheres,
Poesia,
Poesia Brasileira
domingo, 15 de janeiro de 2017
O RISO DE MÁRIO SOARES (1924-2017)
"Uma vez, era ele Presidente e eu jornalista, encontrámo-nos entre cabinas de um avião, num voo presidencial sobrevoando a Ásia. Como sabia que ele gostava de anedotas, perguntei-lhe se sabia a anedota sobre a sua própria morte.
Respondeu-me que não e eu contei-lha:
.
Mário Soares morre e vai ter com São Pedro para pedir para entrar no Paraíso. Depois de consultar o seu computador, São Pedro responde-lhe que nem pensar: "Tu foste um pecador horrível, vais é para o Inferno!"
Mas Soares insiste, justifica os seus pecados, pede clemência. E São Pedro reconsidera: "OK, vou pôr-te à prova: durante dez anos, dia por dia, do acordar ao adormecer, tu vais estar sempre ligado à madre Teresa de Calcutá e sem nenhuma relação com mais quem quer que seja. E, daqui a dez anos, se te portares bem, logo se vê."
Sem nenhuma escapatória, Soares aceita. Mas, assim que arranca, de mão dada com a madre Teresa, vê Cavaco Silva de mão dada com Madonna. E, aí, Soares passa-se, volta atrás e diz a São Pedro: "Está bem que eu fui um grande pecador. Mas o Cavaco foi algum santinho para ter como penitência a Madonna?"
Ao que São Pedro lhe responde: "Calma, Mário, essa é a penitência da Madonna!"
.
Nessa noite, nesse avião, algures no céu da Ásia, Mário Soares ia-se engasgando a rir com a anedota que eu lhe contei sobre a sua morte. Estávamos os dois vivos, a Ásia estava lá em baixo e a morte era apenas uma anedota.
Mas não tenho a certeza se agora, voando lá em cima sobre o mundo, ele não estará a desafiar as regras estabelecidas da eternidade."
.
Narrado por Miguel Sousa Tavares na "E", Revista do jornal Expresso - Edição 2307, de 14 de Janeiro de 2017, pág. 16 - Número Especial inteiramente dedicado à figura de Mário Soares.
Título do artigo: "O Seu Nome, Liberdade".
.
Marcadores:
Crónicas,
Cronistas,
Figuras Históricas,
Humor,
Mário Soares,
Política,
Política Portuguesa
sábado, 7 de janeiro de 2017
sábado, 31 de dezembro de 2016
SAUDANDO O ANO NOVO
.
.
Peça musical - El Barberillo de Lavapiés (zarzuela em 3 actos) - Prelúdio e Dança dos Estudantes
Compositor - Francisco Asenjo Barbieri (1823-1894)
Libreto - Luís Mariano de Larra (1830-1901)
Lugar de estreia - Teatro de la Zarzuela de Madrid (19 de Dezembro de 1874)
Pesquisa e apresentação - Albina de Castro
.
Marcadores:
Música de Espanha,
Música e Músicos,
Música Ibérica
domingo, 25 de dezembro de 2016
sábado, 17 de dezembro de 2016
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
MALAK AL-SHEHRI NO REINO DA ESTUPIDEZ (FACINOROSA)...
Malak al-Shehri publicou uma fotografia em que surge
com um vestido colorido, um casaco e óculos de sol. Ia beber café com um amigo.
Tudo isto lhe valeu valentes críticas nas redes sociais. Devido ao seu
comportamento, foram apresentadas queixas à polícia religiosa. Agora, foi
detida.
Malak
al-Shehri tem cerca de 20 anos e vive na capital da Arábia Saudita. Numa manhã
saiu de casa para tomar o pequeno-almoço e tirou uma fotografia, que publicou
no Twitter. “Decidi sair sem abaya [traje completo de cor escura], vesti uma
saia com um casaco elegante”, lia-se na descrição da imagem. Depois, foi ter
com um amigo para “beber café e fumar um cigarro”. Estes comportamentos foram
motivo de queixas à polícia religiosa. Agora, Malak al-Shehri foi detida.
“Publicou
nas redes sociais algo que está contra as leis”, justificou o porta-voz da
polícia de Riade, Fawaz al Miman, citado pelo jornal espanhol “El Mundo”.
Segundo as autoridades, além da roupa em causa está ainda o facto de Malak
al-Shehri “falar abertamente sobre relações proibidas com homens que não
pertencem à sua família”, acrescenta o britânico “The Guardian”.
Foi a 28 de
novembro que Malak al-Shehri publicou a imagem. Muitos revoltaram-se, outros
saíram em sua defesa. A jovem, acabou mesmo por apagar o tweet e,
consequentemente, a sua conta no Twitter.
Na Arábia
Saudita, existem regras bastante restritas quanto à forma de uma mulher se
apresentar nos locais públicos. A condução e o convívio com homens que não são
seus familiares estão proibidos.
Segundo o
“The Guardian”, milhares de sauditas assinaram uma petição que exige o fim da
lei que prevê que uma mulher esteja sempre sob a guarda de um homem.
Habitualmente, quando são mais novas estão à guarda do pai ou dos irmãos e
quando casam passam a ser da responsabilidade do marido. (*)
(*) Jornal Expresso (Diário - online) - 12-Dezembro-2016.
Marcadores:
Abusos,
Crime,
Direitos Humanos,
Intolerância,
Muçulmanos,
Mulheres,
Religião,
Revoluções
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Subscrever:
Mensagens (Atom)





















































