domingo, 13 de fevereiro de 2011

Enfermidades e morte do imperador D. Pedro I, do Brasil (rei D. Pedro IV de Portugal)

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D. Pedro I do Brasil - D. Pedro IV de Portugal
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Nasceu no palácio de Queluz, próximo de Lisboa, Portugal, em 12 de Outubro de 1798.

Faleceu no mesmo palácio, e no mesmo compartimento em que nascera, a 24 de Setembro de 1834.
Filho de D. João VI e de D. Carlota Joaquina, reis de Portugal.

D. Pedro foi o primeiro imperador e também o primeiro chefe de Estado do Brasil (de 1822 a 1831).
Foi também, por alguns dias, o 28.º rei de Portugal, tendo abdicado da coroa lusitana em favor de sua filha D. Maria da Glória, que por isso se tornaria na rainha D. Maria II de Portugal.

À frente das tropas liberais combateu o seu irmão D. Miguel, que se proclamara rei absolutista de Portugal (guerra civil de 1832-1834): chamam-lhe por isso, na terra portuguesa, o Rei-Soldado.
Ficou conhecido, nas duas pátrias irmãs, por Libertador: libertou o Brasil do domínio colonial português; e libertou Portugal do governo absolutista de D. Miguel.

Doou o seu coração à cidade do Porto, em Portugal (conservado num formoso relicário da Igreja da Lapa). Com essa excepção, os seus restos mortais ficaram repousando por largos anos no Panteão de S. Vicente de Fora (Lisboa).

Em 1972, na comemoração do 150.º aniversário da independência, o seu corpo foi transladado para o Brasil, a pedido do respectivo Governo, repousando no Monumento do Ipiranga, em São Paulo.
O coração de D. Pedro continua todavia na igreja da Lapa, na cidade do Porto: o túmulo em que ele se guarda ostenta de um dos lados a bandeira de Portugal; no outro, a bandeira do Brasil.
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Os dias da independência do Brasil
Embora não tenha sido desta doença que viria a falecer, D. Pedro começou a sofrer de ataques epilépticos desde rapaz. O primeiro ataque registado verificou-se em público, quando seu pai, D. João VI, refugiado com a corte portuguesa no Brasil, dava beija-mão no Rio de Janeiro por ocasião do seu aniversário natalício.

Referem-se pelo menos mais dois acessos do chamado “grande mal”: quando D. João VI expulsou do Rio a bailarina Noemi, amante do filho; e quando D. Pedro assistiu ao desembarque no Rio de sua segunda mulher, D. Amélia de Leuchtemberg.
Esta doença explica o feitio impulsivo e autoritário do imperador, bem como alguns condenáveis excessos de linguagem e de atitudes que muitas vezes o comprometeram, apesar do seu fundo de natural bondade.

Terminada a guerra civil em Portugal (1832-1834), em que D. Pedro, no comando dos liberais, recuperou o trono português ao irmão D. Miguel, concedeu-se amnistia aos absolutistas vencidos, protegeu-se o embarque para o exílio de D. Miguel e concedeu-se-lhe uma pensão anual de 60 contos.
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Estátua de D. Pedro na cidade do Porto (Portugal)
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D. Pedro já se achava com a saúde gravemente comprometida naquela hora de vitória, apesar de não ter chegado ainda aos 36 anos.
Enquanto Príncipe Real, e mesmo já depois de ser Imperador do Brasil, ele tivera uma vida dissoluta, sendo provável que tantos abusos e exageros, resultantes também de uma educação defeituosa, se encarregassem de lhe ir minando os pulmões.
Esclareça-se todavia que, no tempo em que foi Imperador do Brasil (até 1831), não há notícias respeitantes a séria falta de saúde (além dos ataques epilépticos). Isto não significa que não fosse já portador da doença, dada a forma insidiosa com que costuma instalar-se a tuberculose pulmonar.

Em plena guerra civil, durante o cerco do Porto, não transpirou qualquer informação acerca da doença de D. Pedro. No entanto, é natural que ele, já enfermo, se sentisse muito pior com todos aqueles trabalhos e canseiras, em correrias constantes, de dia e de noite, com frio e com calor, à chuva e ao vento, numa azáfama melindrosa e sem fim.
É também possível que a sua falta de saúde permanecesse escondida para não provocar o desânimo nas suas hostes e o fortalecimento moral do exército absolutista de seu irmão, D. Miguel.
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Proclamação da independência do Brasil
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Em Junho de 1834, depois da rendição de D. Miguel, poucas pessoas sabiam da gravidade do mal do Rei-Soldado. Mas o seu estado era já desesperado, pois os excessos cometidos durante o cerco do Porto transformaram a sua tuberculose, insidiosa e crónica, numa tuberculose galopante.

Num espectáculo ocorrido no Teatro de S. Carlos (Lisboa), aonde conseguiu deslocar-se, viu-se surpreendido por um coro de insultos de numerosos energúmenos, que exigiam vingança sobre os vencidos absolutistas.
Eram os “valentes” que não tinham exposto o peito às balas; eram os acomodatícios, que se tinham amoldado a todas as situações; eram aqueles que nunca antes se tinham atrevido a expor a sua maneira de pensar.
D. Pedro, sempre corajoso, apenas lhes disse: “Fora, canalha!”.
Mas o vexame sofrido repercutiu-se certamente no seu gravíssimo estado de saúde.
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D. Pedro compõe o Hino da Independência do Brasil
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O mal agravava-se dia a dia, a dispneia abafava o doente, os suores gelavam-lhe o corpo, as hemoptises eram frequentes, os ataques de tosse constantes e duradouros, a fraqueza cada vez maior. Mas D. Pedro, ainda que abatido e macilento, estava em pleno uso das suas faculdades mentais, pelo que não descurava a defesa da Carta Constitucional portuguesa, nem a defesa dos direitos de sua filha, D. Maria da Glória (futura rainha D. Maria II, de Portugal).

O enfermo instalou-se no palácio de Queluz, no mesmo quarto onde nascera, porque era ali que desejava despedir-se da vida.

Em 17 de Setembro pediu os confortos da religião e assinou o testamento, legando o seu coração à cidade do Porto e recomendando à generosidade da nação portuguesa a sorte de sua mulher, D. Amélia de Leuchtemberg, e a da filha de ambas (também Amélia e igualmente falecida de tuberculose aos 20 anos de idade).
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Praça de D. Pedro IV, em Lisboa (Portugal)
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No dia 19, sentindo D. Pedro a proximidade da morte, pediu que lhe trouxessem ao leito de moribundo um soldado do seu predilecto Batalhão de Caçadores 5, e, abraçando-o, disse-lhe: “Transmite aos teus camaradas este abraço, em sinal da justa saudade que me acompanha neste momento, e do apreço em que sempre tive os seus relevantes serviços”.

Depois, entregando-se à devoção religiosa, viveria ainda cinco dias, vindo a falecer no dia 24 de Setembro de 1834, nos braços de sua segunda mulher, D. Amélia, e da filha de ambas.

Erigiram-se, em sua homenagem, diversas estátuas no Brasil e em Portugal.


Fonte (com adaptações): Causas de Morte dos Reis Portugueses – J. T. Montalvão Machado – Lisboa – Portugal – 1974 (págs. 186-196).
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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Grandes Quadros

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A rainha Vitória e o Príncipe Alberto no baile de máscaras
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Edwin Henry Landseer (1802-1873)
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Inglaterra

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Pintura - Variações em Feminino (2)


1 - Angela Hardy
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2 - Debra Hurd
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3 - Jason Tako
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4 - Marianne Jacobsen
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5 - Delilah Smith
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6 - Elizabeth Blaylock
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7 - Jason Tako





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8 - P. Ledent




9 - Kay Crain
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 10 - Maria Pace-Winters
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11 - David Roberts

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12 - Vicki Shuck.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Vergonha em Feminino

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Capa do jornal Público - Lisboa - Portugal - 7-Fev-2011
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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Pintura - Variações em Feminino (1)

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1 - Kim Roberti
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2 - Kay Crain
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3 - Delilah Smith
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4 - Elizabeth Blaylock



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5 - P. Ledent
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6 - Kay Crain
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7 - Daniel Peci

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8 - Debra Hurd
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9 - Ria Hills
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10 - P. Ledent
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11 - Jacqui Faye

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12 - Jacqueline Gnott
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Cartazes da Antiga U. R. S. S.

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Magnífico e Eterno John Barry!

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John Barry (3-Nov-1933 * 30-Janeiro-2011)
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Deu ontem entrada, por seus indiscutíveis merecimentos, na galeria dos eternos.
A sua obra continuará a encantar para sempre as gerações - nos filmes e nas colectâneas de gravações felizmente disponíveis em abundância.
Quem não se lembra?

... Out of Africa     ... Danças com Lobos
... The Lion in Winter     ... Zulu
... James Bond (série)    ... Midnight Cowboy
... King Kong    ... Mary, Queen of Scots
... The Cotton Club    ... The Scarlet Letter...
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... e tantas, tantas outras composições inesquecíveis!
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Recordamo-lo com Born Free, um dos temas em que ele soube magistralmente captar, em notas magnificentes e empolgantes, o poderoso sortilégio da velha e amada África...
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domingo, 30 de janeiro de 2011

Sóror Mariana Alcoforado - Paixão verídica ou fictícia de uma freira portuguesa?

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Sóror Mariana Alcoforado (1640-1723) foi uma freira clarissa portuguesa, do Convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja.
É-lhe atribuída a autoria de cinco cartas de amor dirigidas a Noell Bouton de Chamilly, conde de Saint-Léger, marquês de Chamilly, oficial francês que lutou em solo português, contra os Espanhóis, na longa Guerra da Restauração (conflito que os Portugueses sustentaram contra os seus vizinhos ibéricos, após terem recuperado destes, em 1640, a independência perdida no ano de 1580).

Conta-se que Mariana Alcoforado terá visto Chamilly, pela primeira vez, a partir do terraço ou de uma janela do convento de Beja de onde assistia às manobras do exército.
O episódio, se autêntico, terá ocorrido entre 1667 e 1668 – e aí se terá iniciado uma controversa ligação amorosa.

Chamilly abandonou Portugal a pretexto da enfermidade de um irmão, prometendo à sua apaixonada freira que a mandaria buscar. Falsa promessa, pelos vistos. Na longa e baldada espera, Mariana escreveu ao oficial francês as cinco cartas, que reflectem a dramática evolução dos seus sentimentos: esperança, incerteza e, finalmente, a convicção do abandono.
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As Cartas Portuguesas, publicadas em francês no ano de 1669 (Les Lettres Portugaises, Paris, Claude Barbin), são cinco curtas missivas de amor. Transparece nelas o amor incondicional e exacerbado da jovem Mariana, que afirma sofrer horrores com a distância do amado.
As cartas vão aos poucos perdendo o tom da esperança e transformam-se em pedidos lancinantes de notícias. Patenteia-se a solidão de Mariana, a intensidade dos seus sentimentos, a vontade de reter Chamilly a seu lado.
Ao que parece, o destinatário não correspondeu em grau idêntico.

O êxito literário das Lettres Portugaises foi enorme, e a figura trágica de Mariana Alcoforado tornou-se num símbolo do amor-paixão e tema literário universal.
O nome da freira ficou conhecido desde que o erudito Boissonade aceitou como verdadeira uma nota manuscrita no seu exemplar da primeira edução. Traduzo do francês: “A religiosa que escreveu estas cartas chamava-se Mariana Alcoforado, religiosa em Beja, entre a Extremadura e a Andaluzia. O cavaleiro a quem as cartas foram escritas era o conde de Chamilly, dito então conde de Saint-Léger”.
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A autoria das cartas tem sido muito contestada. Rousseau, por exemplo, negava-lhes autenticidade. Em Portugal, Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco seguiram-lhe as pisadas. Há quem as atribua a Lavergne de Guilleragues, apresentado desde início como simples tradutor das mesmas (do português para o francês).
Há, porém, quem defenda convictamente a veracidade das mesmas, como, por exemplo, Luciano Cordeiro, num estudo muito interessante que dedicou ao assunto.

O célebre Júlio Dantas, que escreveu uma peça teatral inspirada no caso (Sóror Mariana) e que a isso ficou a dever, em grande parte, o ferocíssimo ataque que Almada Negreiros lhe dirigiu no conhecido Manifesto Anti-Dantas (ver, neste blogue, 17-Maio-2008), achava as duas hipóteses possíveis (a verdade ou a falsidade do caso amoroso).

Sobre esta polémica vale a pena transcrever umas palavras do próprio Júlio Dantas na introdução da 4.ª edição da sua obra (Editora Portugal-Brasil, Lisboa, 1915). Ele dirige-se a uma senhora que se terá manifestado indignada perante a versão dos amores fornecida na referida peça teatral e que sustentava a impossibilidade da sua ocorrência para lá dos muros de um convento.
É mentira! É mentira!”, terá ela bradado em altas vozes durante a primeira representação da peça.

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Resposta de Júlio Dantas:
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“ (...) Tenho pena de não poder mostrar-lhe os documentos inéditos cuja cópia aqui está, diante de mim.
Se soubesse, minha senhora, o que foram durante dois séculos os conventos de freiras de Portugal, v. ex.ª repetiria, decerto, a frase amarga do Duque de Saint-Simon a respeito duma casa de capuchas da Bretanha: «religiosa que de lá sai, é porque quer ser uma mulher honesta».
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Mentir — para quê?
Sossegue. Tranquilize o seu espírito, minha senhora.
Houve, evidentemente, um facto de amor, desconhecido e vago, de que as cinco Cartas foram a consequência literária. A minha peça é apenas a dramatização conjectural desse facto.
Nada se sabe ao certo.
Tudo pode ser verdade.
Tudo pode ser mentira.
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Em volta do fait divers de Sóror Mariana, precisamente porque se ignora tudo, são legítimas todas as tentativas lógicas de interpretação.
A minha é má?
Dê-me a sua.
Prometo-lhe remodelar a peça — e fazê-la representar outra vez.
Já agora, minha ilustre inimiga, confesso-lhe que me move uma ambição: quero que as suas pequenas mãos me aplaudam, para que eu possa ter, minha senhora, a honra de lhas beijar — menos literariamente.”

sábado, 29 de janeiro de 2011

Quando eu morrer (Ernesto Lara Filho - Angola)

 
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Quando eu morrer
eu quero que o N'Gola Ritmos
vá tocar no meu enterro.
Como Sidney Bechet
como Armstrong
eu gostarei de saber
que vocês tocaram no meu enterro.

Lá no céu
também há angelitos negros
e eu gostarei de saber
que vocês
me tocaram no enterro.

Se não puder ser
deixem lá
tocarão noutro lado qualquer
com lágrimas nos olhos,
como naquela noite
em casa do Araújo,
lembrarão o companheiro
das noites de Luanda,
das noites de boémia,
das tardes de moamba.

Ah! Quando eu morrer
já sabem
quero que o meu caixão
vá no maxibombo da linha do Cemitério
quero que toquem
a Cidralha
ou convidem a marcha dos Invejados.

É assim que eu quero ir
acompanhado da vossa alegria
bebedeiras seguindo o enterro
as velhas carpideiras de panos escuros
quero um kombaritókué dos antigos
que vai ser muito falado.

Não convidem mulatas
que sempre estragam tudo.
Se vierem
não lhes vou rejeitar.
Cantem apenas
alguns dos meus poemas
até enrouquecer.

Ah! quando eu morrer
eu quero o N´Gola Ritmos
tocando no meu enterro.

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Ernesto Lara Filho (1932 -1977)

(para o Aniceto Vieira Dias e o "Liceu" do "N'Gola Ritmos")