domingo, 18 de julho de 2010

Memórias Egípcias - 1

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Abu-Simbel (a)
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Abu-Simbel (b)
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Abu-Simbel (c)
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À Beira do Nilo
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Templo da Ilha de Philae (a)
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Templo de Ísis (Philae) (b)
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Templo de Ísis (Philae) (c)
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Templo de Gyrshe
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Templo de Dendera (a)
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Templo de Dendera (b)
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Templo de Dendera (c)






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Templo de Dendera (d)
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Ventos do Deserto
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Artista --- David Roberts - Escócia (1796-1864)
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sábado, 17 de julho de 2010

Aberturas de Grandes Livros - "O Alienista" (Machado de Assis - Brasil)

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Notas:

1 - Alienista - Médico ou médica que se dedica ao estudo e tratamento de alienados; psiquiatra.
2 - Casa de orates - Manicómio

Respeita-se a grafia brasileira.
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Cap I - De como Itaguaí ganhou uma casa de orates

As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão Bacamarte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas. Estudara em Coimbra e Pádua. Aos trinta e quatro anos regressou ao Brasil, não podendo el-rei alcançar dele que ficasse em Coimbra, regendo a universidade, ou em Lisboa, expedindo os negócios da monarquia.
A ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu emprego único; Itaguaí é o meu universo.

Dito isso, meteu-se em Itaguaí e entregou-se de corpo e alma ao estudo da ciência, alternando as curas com as leituras, e demonstrando os teoremas com cataplasmas.
Aos quarenta anos casou com D. Evarista da Costa e Mascarenhas, senhora de vinte e cinco anos, viúva de um juiz de fora, e não bonita nem simpática.
Um dos tios dele, caçador de pacas perante o Eterno, e não menos franco, admirou-se de semelhante escolha e disse-lho.

Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes.
Se além dessas prendas — únicas dignas da preocupação de um sábio - D. Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá-lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o risco de preterir os interesses da ciência na contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte.

D. Evarista mentiu às esperanças do Dr. Bacamarte, não lhe deu filhos robustos nem mofinos.
A índole natural da ciência é a longanimidade; o nosso médico esperou três anos, depois quatro, depois cinco. Ao cabo desse tempo fez um estudo profundo da matéria, releu todos os escritores árabes e outros, que trouxera para Itaguaí, enviou consultas às universidades italianas e alemãs, e acabou por aconselhar à mulher um regímen alimentício especial.
A ilustre dama, nutrida exclusivamente com a bela carne de porco de Itaguaí, não atendeu às admoestações do esposo; e à sua resistência —explicável, mas inqualificável — devemos a total extinção da dinastia dos Bacamartes.


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Mas a ciência tem o inefável dom de curar todas as mágoas; o nosso médico mergulhou inteiramente no estudo e na prática da medicina.
Foi então que um dos recantos desta lhe chamou especialmente a atenção — o recanto psíquico, o exame de patologia cerebral. Não havia na colônia, e ainda no reino, uma só autoridade em semelhante matéria, mal explorada, ou quase inexplorada. Simão Bacamarte compreendeu que a ciência lusitana, e particularmente a brasileira, podia cobrir-se de "louros imarcescíveis" — expressão usada por ele mesmo, mas em um arroubo de intimidade doméstica; exteriormente era modesto, segundo convém aos sabedores.

A saúde da alma, bradou ele, é a ocupação mais digna do médico.
Do verdadeiro médico, emendou Crispim Soares, boticário da vila, e um dos seus amigos e comensais.

A vereança de Itaguaí, entre outros pecados de que é argüida pelos cronistas, tinha o de não fazer caso dos dementes.
Assim é que cada louco furioso era trancado em uma alcova, na própria casa, e, não curado, mas descurado, até que a morte o vinha defraudar do benefício da vida; os mansos andavam à solta pela rua.

Simão Bacamarte entendeu desde logo reformar tão ruim costume; pediu licença à Câmara para agasalhar e tratar no edifício que ia construir todos os loucos de Itaguaí, e das demais vilas e cidades, mediante um estipêndio, que a Câmara lhe daria quando a família do enfermo o não pudesse fazer.
A proposta excitou a curiosidade de toda a vila, e encontrou grande resistência, tão certo é que dificilmente se desarraigam hábitos absurdos, ou ainda maus.


.A idéia de meter os loucos na mesma casa, vivendo em comum, pareceu em si mesma sintoma de demência e não faltou quem o insinuasse à própria mulher do médico.
Olhe, D. Evarista, disse-lhe o Padre Lopes, vigário do lugar, veja se seu marido dá um passeio ao Rio de Janeiro. Isso de estudar sempre, sempre, não é bom, vira o juízo.

D. Evarista ficou aterrada.
Foi ter com o marido, disse-lhe "que estava com desejos", um principalmente, o de vir ao Rio de Janeiro e comer tudo o que a ele lhe parecesse adequado a certo fim.
Mas aquele grande homem, com a rara sagacidade que o distinguia, penetrou a intenção da esposa e redargüiu-lhe sorrindo que não tivesse medo.

Dali foi à Câmara, onde os vereadores debatiam a proposta, e defendeu-a com tanta eloqüência, que a maioria resolveu autorizá-lo ao que pedira, votando ao mesmo tempo um imposto destinado a subsidiar o tratamento, alojamento e mantimento dos doidos pobres. A matéria do imposto não foi fácil achá-la; tudo estava tributado em Itaguaí.

Depois de longos estudos, assentou-se em permitir o uso de dois penachos nos cavalos dos enterros. Quem quisesse emplumar os cavalos de um coche mortuário pagaria dois tostões à Câmara, repetindo-se tantas vezes esta quantia quantas fossem as horas decorridas entre a do falecimento e a da última bênção na sepultura. O escrivão perdeu-se nos cálculos aritméticos do rendimento possível da nova taxa; e um dos vereadores, que não acreditava na empresa do médico, pediu que se relevasse o escrivão de um trabalho inútil.
Os cálculos não são precisos, disse ele, porque o Dr. Bacamarte não arranja nada. Quem é que viu agora meter todos os doidos dentro da mesma casa?
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Enganava-se o digno magistrado; o médico arranjou tudo. Uma vez empossado da licença começou logo a construir a casa.
Era na Rua Nova, a mais bela rua de Itaguaí naquele tempo; tinha cinqüenta janelas por lado, um pátio no centro, e numerosos cubículos para os hóspedes.
Como fosse grande arabista, achou no Corão que Maomé declara veneráveis os doidos, pela consideração de que Alá lhes tira o juízo para que não pequem. A idéia pareceu-lhe bonita e profunda, e ele a fez gravar no frontispício da casa; mas, como tinha medo ao vigário, e por tabela ao bispo, atribuiu o pensamento a Benedito VIII, merecendo com essa fraude aliás pia, que o Padre Lopes lhe contasse, ao almoço, a vida daquele pontífice eminente.

A Casa Verde foi o nome dado ao asilo, por alusão à cor das janelas, que pela primeira vez apareciam verdes em Itaguaí.
Inaugurou-se com imensa pompa; de todas as vilas e povoações próximas, e até remotas, e da própria cidade do Rio de Janeiro, correu gente para assistir às cerimônias, que duraram sete dias.
Muitos dementes já estavam recolhidos; e os parentes tiveram ocasião de ver o carinho paternal e a caridade cristã com que eles iam ser tratados.

D. Evarista, contentíssima com a glória do marido, vestiu-se luxuosamente, cobriu-se de jóias, flores e sedas. Ela foi uma verdadeira rainha naqueles dias memoráveis; ninguém deixou de ir visitá-la duas e três vezes, apesar dos costumes caseiros e recatados do século, e não só a cortejavam como a louvavam; porquanto — e este fato é um documento altamente honroso para a sociedade do tempo — porquanto viam nela a feliz esposa de um alto espírito, de um varão ilustre, e, se lhe tinham inveja, era a santa e nobre inveja dos admiradores.

Ao cabo de sete dias expiraram as festas públicas; Itaguaí, tinha finalmente uma casa de orates.
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Machado de Assis - Brasil - Rio de Janeiro

(1839-1908)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Arte Africana - Chidi Okoye (Nigéria)

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Mãe África
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A Rainha Lolo
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A Pequena Princesa
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Rei dos Tambores
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Máscara da Vida
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Máscara da Reflexão
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Lágrimas
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Eva
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A Mãe
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Madonna







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Máscara da Beleza
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Contemplação
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Amigas
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Linguagem do Amor
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terça-feira, 13 de julho de 2010

Canon (Johann Pachelbel) (1653-1706)

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Johann Pachelbel nasceu em Nuremberga, Alemanha, em 1 de Setembro de 1653, tendo falecido nessa mesma cidade num dia incerto de 1706.

Foi músico, organista, professor e compositor de estilo barroco, deixando um vasto espólio de música sacra e secular.

O Canon conta-se entre as suas obras mais célebres. Pode ouvi-lo seguidamente na interpretação notável dos Voices of Music:

domingo, 11 de julho de 2010

Espanha, Campeã do Mundo de Futebol - Venceram os Melhores!

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Espanha -1-Holanda -0- (Iniesta faz justiça quase no final do prolongamento)
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A vitória da Espanha na final do Campeonato do Mundo de Futebol, há pouco terminado na África do Sul, premeia, de facto, a melhor equipa (que ostentava já o título de Campeã da Europa).

Impediu, para além disso, o crime de lesa-futebol que seria um eventual triunfo holandês.
A Holanda demonstrou, em diversas ocasiões, mas especialmente na partida de hoje e na que realizou antes contra o Brasil, que tem uma característica permanente, sua verdadeira marca-de-água: torna feios todos os jogos em que participa.

É uma equipa astuciosa, retraída, faltosa (a mais faltosa de todo o Campeonato), obsessivamente empenhada em não deixar jogar o adversário.
Com não mais do que 3 ou 4 jogadores de craveira acima da média, interrompe sistematicamente as progressões contrárias com derrubes e simulações, utilizando às vezes a violência perante uma estranha complacência dos árbitros (como é possível que De Jong tenha continuado em campo depois do que fez a Xabi Alonso, aos 27'?), e a sua estratégia resume-se à tentativa de aproveitamento de um erro ou de uma infelicidade do opositor.
Com esta Holanda, o futebol faz-se aos soluços...

A final "normal" e mais "justa" do Campeonato seria um Brasil-Espanha.
Mas, por vezes, não há justiça no futebol. Neste caso, não houve mesmo.
O Brasil, que possui um futebol incomparavelmente superior ao dos holandeses (e que poderia mesmo ter-lhes ganho por goleada, naquela excelente 1.ª parte), não parece ter percebido bem o tipo de rival que tinha pela frente - e entregou, de forma inglória, numa inenarrável 2.ª parte, uma partida "mais do que ganha"...

No jogo de hoje, com a Holanda, a Espanha foi (tal como antes o tinha sido o Brasil) a única equipa que jogou corajosamente para ganhar, do primeiro ao último minuto.

Por isso, não podendo o vencedor ser Portugal (só por milagre!) nem o Brasil (o milagre foi holandês!), que Viva España - um justíssimo Campeão do Mundo!
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sábado, 10 de julho de 2010

Pinturas Efémeras nos Muros Velhos da Cidade...

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terça-feira, 6 de julho de 2010

Monangambé (O Contratado) - (Ruy Mingas - Angola)

.O poema é de António Jacinto.
Quem o canta, mais abaixo, é Ruy Mingas - a melhor voz de Angola.

Monangambé (O Contratado)


Naquela roça grande
não tem chuva
é o suor do meu rosto
que rega as plantações;

Naquela roça grande
tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue
feitas seiva.

O café vai ser torrado
pisado,
torturado,
vai ficar negro,
negro da cor do contratado.

Negro da cor do contratado!

Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:

Quem se levanta cedo?
quem vai à tonga?
Quem traz pela estrada longa
a tipóia ou o cacho de dendém?
Quem capina
e em paga recebe desdém
fuba podre,
peixe podre,
panos ruins,
cinquenta angolares
"porrada se refilares"?



Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer?
Quem dá dinheiro para o patrão comprar
máquinas,
carros,
senhoras
e cabeças de pretos para os motores?

Quem faz o branco prosperar,
ter barriga grande
- ter dinheiro?
- Quem?

E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão:
- "Monangambééé..."

Ah! Deixem-me ao menos
subir às palmeiras
Deixem-me beber maruvo
e esquecer
diluído nas minhas bebedeiras

- "Monangambéé...'"

…………….

Oiçam, a seguir, Ruy Mingas:


Lágrima de Preta (António Gedeão)

 
Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

……………..

(António Gedeão - Portugal)