sábado, 29 de maio de 2010

Lusas Servidões...

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Fomos os "alunos exemplares" de Bruxelas:
aceitámos a destruição do nosso tecido produtivo com a submissão de quem não foi habituado a expor questões e a enumerar perguntas.

Pescas, agricultura, tecelagem, metalurgia, pequenas e médias empresas desapareceram na voragem, em nome da "incorporação" europeia.
A lista de cúmplices desta barbaridade é enorme.
Andam todos por aí.

(...) Os economistas que nos afundaram tratam da vidinha, com desenvolta disposição.
Nenhum é responsável do crime; e passam ao lado da insatisfação e da decepção permanentes, como cães por vinha vindimada.

Impuseram-nos modos de viver, crenças (a mais sinistra das quais: a da magnitude do "mercado"), um outro estilo de existência, e o conceito da irredutibilidade do "sistema."

Tratam-nos como dados estatísticos, porque o carácter relacional do poder estabelece-se entre quem domina e quem é dominado - ou quem não se importa de o ser.
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Baptista-Bastos - A Tendência da Servidão - Diário de Notícias - Lisboa - Portugal (26 de Maio de 2010)
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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Poema dos Olhos da Amada (Vinicius de Moraes - Brasil)

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Ó minha amada
que olhos os teus.

São cais noturnos
cheios de adeus
são docas mansas
trilhando luzes
que brilham longe
longe dos breus…

Ó minha amada
que olhos os teus.

Quanto mistério
nos olhos teus
quantos saveiros
quantos navios
quantos naufrágios
nos olhos teus…

Ó minha amada
que olhos os teus.

Se Deus houvera
fizera-os Deus
pois não os fizera
quem não soubera
que há muitas eras
nos olhos teus.

Ah, minha amada
de olhos ateus.

Cria a esperança
nos olhos meus
de verem um dia
o olhar mendigo
da poesia
nos olhos teus.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Cartazes Antigos - Férias e Destinos (1)

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1 - Guatemala (cerca de 1940)
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2 - Alemanha (meados da década de 1930)
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3 - França - Paris (1955)
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4 - Inglaterra - Londres (1951)
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5 - Suécia - Lapónia (cerca de 1930)
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6 - Peru (década de 1950)
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7 - Itália - Veneza (1966)
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8 - México (cerca de 1950)
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9 - Rússia - Moscovo (final da década de 1950)
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10 - Noruega - Oslo (1955)







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11 - Espanha (1960)
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12 - Portugal - Ribatejo (1959)
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domingo, 23 de maio de 2010

Clãs da Escócia (ao som de "Scotland the Brave")

Scotland the Brave:



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1 - MacCruimin
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2 - MacDonald of Keppach
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3 - MacArthur
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4 - Ulric
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5 - MacColl
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6 - Cumin
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7 - MacRae
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8 - MacNab
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9 - MacQuarrie
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10 - MacPherson
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11- MacLachlan
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12 - MacLaurin
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13 - Sutherland
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14 - MacIntire
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15 - MacMillan
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Gravuras editadas no ano de 1845

(Artista: Robert Ronald McIan)

sábado, 22 de maio de 2010

Crise e Aparências...

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"(...) Temos "benfeitores", sem obra social que se conheça, mas cujas Fundações o Estado ou o Governo cumulam de gentilezas e facilidades.
Temos respeitados "empresários", cuja fortuna começou no desvio de dinheiros europeus e acabou nas offshores do costume, que o poder distingue e apoia.
Temos "produtores" artísticos que só produzem quando subsidiados, que a crítica venera e o público despreza.
Temos "agricultores" que trocaram os tractores por Mercedes topo-de-gama e as culturas tradicionais por regadios de golfe.
Temos uma quantidade de "mestres" e até professores universitários formados em Universidades de vão de escada e agora até um rol de "doutores enfermeiros", reivindicando a equiparação salarial correspondente ao seu estatuto "académico".

E o que tem tudo isto a ver com a crise financeira que vivemos?
Nada ou tudo.
Depende da perspectiva com que olhamos as coisas: um país que se contenta com as aparências, que toma por genuíno o que não passa de oportunismo, que não escrutina o mérito nem questiona socialmente os pantomineiros, está condenado ao fracasso.
Na economia, como no resto.

Tal como na Grécia, o défice público e a dívida acumulada pelo Estado são o resultado directo de anos a fio de cedência a aparências, facilidades, reivindicações demagógicas e apoios não justificados.
Acham que alguém aprendeu a lição?
Não: leiam os blogues ou os comentários dos leitores de jornais - "eles", os sucessivos governos, é que nos desgovernaram; "nós", o bom povo, nada fizemos para merecer esta catástrofe.
É verdade, sim, que eles nos desgovernaram, mas em obediência à vontade do bom povo e porque ceder à demagogia e à facilidade vale muitos votos.

O enfermeiros querem ser doutores?
O Governo cede.
Os professores querem ser todos classificados com "muito bom"?
A oposição aplaude e o Governo rende-se.
O Ministério Público quer ter o sagrado direito de trabalhar sem prazos e os venerandos conselheiros do Supremo querem-no limpar de processos, dificultando a possibilidade de recurso?
O Governo concorda.
Os militares, os polícias, os bombeiros, querem o "legítimo" direito de receber um subsídio de risco por fazerem aquilo para que foram contratados e treinados?
O Governo acha justo.
O dr. Madail quer dez novos estádios para um Europeu de futebol que até o Presidente Sampaio afirmou ser "um desígnio nacional"?
O país festeja - e já se candidata a um Mundial e suspira por uns Jogos Olímpicos.

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(...) A casa está a arder mas há quem ainda não tenha percebido.
Na semana passada, li neste jornal um extraordinário texto em que alguém tentava explicar que essa história do défice é uma invenção dos economistas e que o combate ao défice é um combate contra a economia - a velha tese de que "há mais vida para além do défice", essa fabulosa verdade política que nos trouxe até onde estamos.

Chorem agora Granada caída para os sitiantes:
sem educar, sem seleccionar, sem premiar o mérito, sem denunciar os falsificadores, sem produzir, sem conseguir competir numa economia global, vivendo de subsídios à preguiça e de dívidas acumuladas, que mais vida tínhamos a esperar?" (*)
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(*) - Miguel Sousa Tavares – Uma Vida de Aparências - Expresso – Lisboa – 15 de Maio de 2010
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quinta-feira, 20 de maio de 2010