“As minhas ideias pessoais mantêm-se iguais ao que sempre foram.
A vida é muito dura, muito agreste, brutal, curta de mais, feia e má, e, no fim, não há esperança que nos salve.
A isto chamo eu realismo. E sei que estou a ser apenas realista.
Claro que, quando a imprensa vem falar comigo, a ideia que transpira é “oh, mas que tipo tão pessimista e cínico!”, mas a sério que não me acho.
Sinto mesmo que a nossa maior obrigação na vida é aceitar o facto de que a vida não quer dizer nada, é vazia, que somos o resultado de um acaso tendo por fundo um universo que também não tem significado nenhum.
Universo esse que, claro, também vai acabar como tudo o resto."

"No meio disto tudo, dizem-me, a minha obrigação continua a ser a de viver como se isto não fosse verdade, viver sem negar o que é evidente, como se fosse possível enxotar a coisa para debaixo do tapete.
Sou ainda suposto acreditar que, por cima de tudo, há um deus a proteger-nos, omnipotente.
Ou, pior, que o amor é capaz de salvar tudo, que a arte é eterna, que os artistas têm um lugar especial no céu; ou outro amortecedor qualquer que passamos de uns para outros para aliviar a crueldade dos factos.
É preciso olhar estas realidades nos olhos e, apesar delas, encontrar o nosso caminho."
É preciso olhar estas realidades nos olhos e, apesar delas, encontrar o nosso caminho."

"É por isto que não me vejo como pessimista ou cínico.
Quem me acha pessimista é que vive debaixo de uma enorme ilusão.
Essas pessoas, não as percebo. Venderam-se a si mesmas uma verdade sobre o significado final da existência, quando toda a gente sabe que, lá para o fim, não há boas novidades para ninguém.
Lá para o fim é tudo muito decepcionante.
Agora, imagine: tenho de levar uma vida de homem decente tendo como moldura estes parâmetros. (…)".
Agora, imagine: tenho de levar uma vida de homem decente tendo como moldura estes parâmetros. (…)".
E enfermo.
E a cair para o lado.
Quer dizer, ainda vou estar sujeito a todas as coisas horrendas que me estão reservadas.
Quer dizer, ainda vou estar sujeito a todas as coisas horrendas que me estão reservadas.
Naturalmente, terei de confirmar que até tive uma vida óptima, no tal contexto cinzento que é a vida humana.
Sei que houve muita gente que levou uma vida impensavelmente cruel.
Mas, no fim, é como naqueles comboios do “Stardust Memories”.
Vão todos dar ao mesmo terminal."
"No fim, é isso que acontece ao homem rico, à actriz bonita, ao artista, ao político, ao médico, ao filósofo e ao homem pobre que pedinchava na rua. Acaba tudo na lixeira.
Eu nunca disse que não tinha tido uma sorte incrível.
Eu nunca disse que não tinha tido uma sorte incrível.
Tive.
Nasci nos Estados Unidos, em Nova Iorque, e vivi toda a vida aqui. Nunca tive problemas graves de saúde, apaixonei-me por mulheres lindas, maravilhosas, que tanto trouxeram de bom para a minha vida. Tenho uns filhos bestiais.
Mas isso não quer dizer que, ao sair deste prédio, não vá ser imediatamente espalmado por um piano caído do último andar.” (*)
Mas isso não quer dizer que, ao sair deste prédio, não vá ser imediatamente espalmado por um piano caído do último andar.” (*)
(*) - Revista Única, jornal Expresso (Lisboa - Portugal), de 5 de Setembro de 2009.
Entrevista obtida por Rui Henriques Coimbra em Nova Iorque.
Aceda a uma das surpreendentes manifestações artísticas de Woody Allen.
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