domingo, 15 de fevereiro de 2009

Rip Kirby (1946-1967) (Planeta De Agostini - Espanha)


Excelente presente da editora Planeta De Agostini: uma colecção de 12 volumes dedicados ao Rip Kirby criado pelo grande Alex Raymond.






A colecção, publicada na Biblioteca Grandes del Cómic da editora (ao preço unitário de € 9,95), abrange as tiras diárias publicadas em jornais norte-americanos entre 1946 e 1967.






Elegante, atlético e culto, Rip Kirby - um ex-marine, combatente na Segunda Guerra Mundial - converte-se em detective e soluciona todos os seus casos por recurso a uma poderosa inteligência.








Os seis primeiros volumes da colecção devem-se a Alex Raymond (falecido em 1956, num acidente de automóvel).







A partir dessa data (7.º volume da colecção) as tiras passaram para a responsabilidade de John Prentice (desenho) e Fred Dickenson (guião).








Rip Kirby foi profusamente publicado em Portugal, sobretudo nas décadas de 50, 60 e 70 do século passado - em especial pela lendária Agência Portuguesa de Revistas (nas suas colecções Mundo de Aventuras, Tigre e Condor Popular).







A colecção estende-se por cerca de 2.500 páginas (à volta de duzentas por volume).




































































 

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Aberturas de Grandes Livros - "Moby Dick" (Herman Melville - Estados Unidos)



“Tratem-me por Ismael.
Há alguns anos – não interessa quantos – achando-me com pouco ou nenhum dinheiro na carteira, e sem qualquer interesse particular que me prendesse à terra firme, apeteceu-me voltar a navegar e tornar a ver o mundo das águas.
É uma maneira que eu tenho de afugentar o tédio e de normalizar a circulação.

Sempre que sinto um sabor a fel na boca; sempre que a minha alma se transforma num Novembro brumoso e húmido; sempre que dou por mim a parar diante de agências funerárias e a marchar na esteira dos funerais que cruzam o meu caminho; e, principalmente, quando a neurastenia se apodera de mim de tal modo que preciso de todo o meu bom senso para não começar a arrancar os chapéus de todos os transeuntes que encontro na rua – percebo então que chegou a altura de voltar para o mar, tão cedo quanto possível.

É uma forma de fugir ao suicídio. Onde, com um gesto filosófico, Catão se lança sobre a espada, eu, tranquilamente, meto-me a bordo.
E não há nisto nada de extraordinário. Embora inconscientemente, quase todos os homens sentem, numa altura ou noutra da vida, a mesma atracção pelo Oceano.

Vejam agora o que sucede com a vossa Manhathan, rodeada de docas como uma ilha do Índico cercada pela restinga de coral – o comércio envolve-a com a sua alta ressaca. À direita e à esquerda as ruas conduzem ao litoral. No extremo limite da cidade baixa encontra-se a Bateria, cujos nobres contrafortes são lavados pelas vagas e refrescados por brisas que poucas horas antes ainda sopravam no alto-mar. Observem a multidão que ali se junta para contemplar as águas.

Dêem uma volta pela cidade numa sonolenta tarde de domingo. Vão de Corlears Hook para Coenties Slip, e daí, pelo Whitehall, dirijam-se para o Norte.
Que encontram?
Postados como sentinelas em toda a periferia da cidade, milhares e milhares de mortais contemplam, hipnotizados, o oceano.

Uns apoiam-se às estacas; outros sentam-se na beira dos molhes; outros namoram o arcaboiço dos navios que vêm da China; alguns sobem até ao topo dos mastros para desfrutar uma perspectiva marinha ainda mais ampla.
É todavia gente ligada à terra, gente que passa os dias da semana entre quatro paredes de cal e gesso – amarrada aos escritórios, colada aos bancos, debruçada sobre as escrivaninhas.
Então porque se encontra aqui?
Já não existem os belos prados verdes?
Que força os arrasta para este lugar? (…)”

Moby Dick - Herman Melville (1819-1891) - Publicado por Editorial Estúdios Cor, Lisboa, 1962.

Informação adicional: obra disponível, actualmente, em edição da Relógio D'Água, Lisboa (€ 24,00)

Também acessível na Biblioteca Nacional de Lisboa - (Cota --- L. 17157 V.)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O caso Dreyfus - ou a incómoda probabilidade da inocência: "J'accuse..."


"Há 111 anos, a 13 de Janeiro de 1898, foi publicada a mais grandiosa peça jornalística de todos os tempos. Escrita como carta aberta ao presidente de França, é um apelo indignado em nome de um inocente injustamente condenado, libelo contra um sistema judicial corrupto e uma opinião pública contaminada pela manipulação da verdade e pelos seus preconceitos (o condenado era judeu) através de uma campanha mediática "abominável".

Num estilo que cruza o jornalismo e o manifesto, descreve a forma como um homem foi desonrado, julgado e condenado a prisão perpétua com base em provas falsas que, sendo consideradas "secretas", nem sequer lhe foram reveladas, e demonstra como o verdadeiro culpado foi absolvido por juízes cientes da sua culpa.
Tem como título J'accuse...! (Eu acuso...!), e é uma defesa empolgada e empolgante da verdade e da justiça.


O seu autor, Émile Zola, sabia ao escrever o risco que corria - aliás, escreveu jogando nesse risco, o de ser acusado de desrespeito e difamação e de poder fazer no seu julgamento a demonstração do que afirmava.
Zola conseguiu o que queria: virar a França a favor do inocente condenado (Dreyfus) - mesmo se à custa de reacções violentas contra ele e contra Dreyfus, incluindo motins anti-judaicos - e reabrir o respectivo processo, mas também ser julgado, três escassas semanas após a publicação do artigo.
Foi condenado à pena máxima no caso, um ano de cadeia, a que escapou fugindo para o estrangeiro.



Zola voltaria a França para assistir à reabertura do processo Dreyfus, no qual este foi, incrivelmente, condenado de novo. Seria no entanto "perdoado" e acabaria ilibado em 1906, reintegrado e promovido no exército que o expulsara.
Zola, arruinado pela defesa de Dreyfus, tinha morrido há quatro anos, sem ver satisfeita a sua exigência de justiça.
Na verdade, a justiça nunca foi realmente feita: ninguém - nem os oficiais do exército que cozinharam a sua "culpa", nem os juízes e procuradores que o condenaram sonegando-lhe as provas, nem aqueles que a propagaram sem se esforçarem por conhecer a verdade - foi julgado pelo martírio de Dreyfus.



As forças contra as quais Zola se ergueu, "fraco e desarmado" (como disse Anatole France no seu elogio fúnebre), nunca foram derrotadas - apenas o necessário para, naquele caso, lavarem a face, revendo a decisão que condenara um inocente.
Fraco consolo.
O caso Dreyfus, como muitos outros antes e depois dele, mostra o lado negro do poder do sistema judicial.
Quando um sistema criado para certificar a procura e o triunfo da verdade despreza a verdade e funciona como se estivesse acima das leis por cujo cumprimento lhe cumpre zelar, instrumentalizando o extraordinário poder que lhe é conferido, não há Estado de Direito.

Sem Estado de Direito, não há grande chance para a democracia, até porque não há para aí Zolas aos pontapés.
O que há aos pontapés é gente que, quiçá imaginando-se da estirpe do autor de J'accuse, se compraz em funcionar como guarda avançada dessa instrumentalização da verdade.
"O meu dever é falar, não quero ser cúmplice", escreveu Zola.
É sempre boa altura para lhe honrar o repto." (*)

(*) Fernanda Câncio - Diário de Notícias, Lisboa, Portugal - 30-Janeiro-2009

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

domingo, 8 de fevereiro de 2009

África Antiga - As Mulheres-Guerreiras do Daomé


Constituíam, no século XIX, um corpo de élite do exército do reino do Daomé (actual Benim).
Entre outras missões militares, competia-lhes a protecção do rei.
A imagem acima representa Seh-Dong-Hong-Beh, uma das suas comandantes, por volta de 1850. Numa das acções, ela chefiou 6.000 mulheres contra os guerreiros Egba da fortaleza de Abeokuta.

Escolhidas na infância, não se casavam (com excepção das que fossem escolhidas para esposas do rei). Submetiam-se a treino duríssimo e viviam à parte. Combatentes ferozes, eram praticamente imunes ao medo e à dor.
.

Conta-se que a sua iniciação implicava obrigatoriamente a decapitação de um inimigo e a consequente ingestão do seu sangue.


Para além das tribos africanas inimigas, enfrentaram bravamente o poder colonial francês, em finais do século XIX. Isso não evitou, contudo, que o rei Gbehanzin (1889-1894) fosse feito prisioneiro e deportado para a Martinica, sendo o Daomé anexado pelos Franceses.

(Fonte, até meados do séc. XIX: Frederick E. Forbes: Daomé e os Daomeanos - Relato de duas missões ao Daomé em 1849 e 1850 - Londres - 1851). (Período posterior: arquivos da Torre).

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Aberturas de Grandes Livros - "A Guerra de África em 1895" (António Ennes - Portugal)

 

“Saímos de Lisboa, no Sud-Express, a 8 de Dezembro, no fim de um cintilante dia em que o sol emprestara galas e alegrias primaveris à festa da padroeira do reino, e a 12 à noite largámos de Marselha no Iraouaddy, das Méssageries Maritimes, navegando mansamente dentro duma imensa redoma de luar azulado.
Por cima da casaria da cidade, escura e ponteada de luzinhas, faiscava a branca Vénus; o ar estava macio e límpido, o mar chapinhava compassadamente no costado do navio. Mas o Iraouaddy contrastava com aquele cenário de bonança e paz, porque levava o enorme bojo cheio de guerra.

Connosco, que íamos abrir uma campanha em Moçambique, tinham embarcado oficiais e soldados franceses, incumbidos dos primeiros preparativos da expedição a Madagáscar; o alteroso navio era, pois, um repto mandado pela Europa à África, e muitos dos seus passageiros, arautos ou mantenedores desse repto, devem ter olhado ansiosos, ao distanciarem-se de terra, para o negro vulto sobranceiro de Notre-Dâme-de-la-Garde, pedindo nesse olhar de despedida à Mãe de misericórdia que os guardasse dos perigos ignotos que iam afrontar.

Quantos terão sido ouvidos? Quantos estarão hoje vivos, desses nossos joviais companheiros, que se desenfastiavam do mar improvisando cafés-concertos, em que um escotilhão servia de palco, sobre o qual os veteranos requeimados do Tonquim vozeavam hinos patrióticos, e os gaiatos de Paris promovidos a guerreiros sublinhavam cançonetas escabrosas?

Foram corteses connosco, essas predestinadas vítimas da biliosa e da disenteria. No dia de Ano Bom, já no mar das Índias, deram um espectáculo de gala no convés enfeitado a capricho, e o cortinado, corrido a meia nau, que fazia fundo à cena, era formado pelo estandarte tricolor tendo suspensas à direita a bandeira portuguesa e à esquerda a da Rússia.
Champagne em honra de Portugal, trocaram connosco votos efusivos pela fortuna das armas que todos íamos levar ao mundo negro, e dois dias depois, em Mayotte, quando passámos para bordo da Afonso de Albuquerque, apinharam-se nas amuradas para se despedir de nós agitando os kepis, acenando com os lenços, gritando saudações. Bon voyage! Bonne chance! (…)”.

A Guerra de África em 1895 - António Ennes (1848-1901) (Publicado por Edições Gama, Lisboa, 1945)

Aos interessados: foi recentemente reeditado pela Prefácio, Lisboa (€ 32,00).
Também disponível na Biblioteca Nacional de Lisboa (Cota --- H.G. 17660 V.)

sábado, 31 de janeiro de 2009

Aberturas de Grandes Livros - "Cem Anos de Solidão" (Gabriel García Márquez - Colômbia)


“Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo.

Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e, para mencioná-las, era preciso apontar com o dedo.

Todos os anos, pelo mês de Março, uma família de ciganos esfarrapados plantava a sua tenda perto da aldeia e, com um grande alvoroço de apitos e tambores, dava a conhecer os novos inventos. Primeiro trouxeram o íman. Um cigano corpulento, de barba rude e mãos de pardal, que se apresentou com o nome de Melquíades, fez uma truculenta demonstração pública daquilo que ele mesmo chamava a oitava maravilha dos sábios alquimistas da Macedónia.

Foi de casa em casa arrastando dois lingotes metálicos, e toda a gente se espantou ao ver que os caldeirões, os tachos, as tenazes e os fogareiros caíam do lugar, e as madeiras estalavam com o desespero dos pregos e dos parafusos que tentavam desencravar-se, e até os objectos perdidos há muito tempo apareciam onde mais tinham sido procurados e arrastavam-se em debandada turbulenta atrás dos ferros mágicos de Melquíades. “As coisas têm vida própria”, apregoava o cigano com áspero sotaque, “tudo é questão de despertar a sua alma.”

José Arcadio Buendía, cuja desatada imaginação ia sempre mais longe que o engenho da natureza, e até mesmo além do milagre e da magia, pensou que era possível servir-se daquela invenção inútil para desentranhar o ouro da terra.
Melquíades, que era um homem honrado, preveniu-o: “Para isso não serve.” Mas José Arcadio Buendía não acreditava, naquele tempo, na honradez dos ciganos, de modo que trocou o seu jumento e um rebanho de cabritos pelos dois lingotes imantados.
Úrsula Iguarán, sua mulher, que contava com aqueles animais para aumentar o raquítico património doméstico, não conseguiu dissuadi-lo. “Muito em breve vamos ter ouro de sobra para assoalhar a casa”, respondeu o marido. (…)”

Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez (n.1928) - (Cf. edição de Publicações Europa-América, Lisboa, 1971).

Consta actualmente do catálogo da Editora Dom Quixote, Lisboa (€ 17,50).

Também disponível na Biblioteca Nacional de Lisboa (Cota - L. 65030 P.)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Grandes Quadros - A Rendição de Granada (1492)

 
A 2 de Janeiro de 1492, Boabdil, emir de Granada, derradeiro senhor muçulmano do Al-Andalus, na Península Ibérica, rende-se aos reis de Castela e Aragão (Fernando e Isabel, que ficaram conhecidos na História como os Reis Católicos).

(Óleo de Francisco Pradilla y Ortiz - 1882)

sábado, 24 de janeiro de 2009

O Cavalo do Rei D. João IV de Portugal

Reprodução do estudo de um cavalo em bronze, da autoria de Francisco Franco (1885-1955).

O original do estudo (bronze) tem 70x70 cm e a sua reprodução, em resina sintética (foto acima), mede 33x32 cm.
A obra inclui-se no património do Museu José Malhoa, Caldas da Rainha, Portugal, e a sua reprodução está disponível para venda ao público.

O estudo de Francisco Franco destinou-se à estátua equestre do Rei D. João IV de Portugal, situada na praça fronteira ao Paço Ducal de Vila Viçosa (Alentejo, Portugal). A inauguração ocorreu em Dezembro de 1943.

 
D. João IV (n. 19 de Março de 16o4 - f. 6 de Novembro de 1656), era filho do 7.º duque de Bragança, D. Teodósio, e da duquesa D. Ana Velasco. Herdou o senhorio da casa ducal por morte do pai (1630).
Foi ele, a partir de 1640, o primeiro monarca da 4.ª dinastia portuguesa, quando, na sequência do movimento revolucionário de 1 de Dezembro desse ano, Portugal se libertou de um longo domínio espanhol de sessenta anos.

No seu testamento, datado de 2 de Novembro de 1656, deixou D. João IV as seguintes palavras:

"tenho por conveniente declarar [...] que me resolvi a restituir-me a esta Coroa, sem nenhum respeito particular da minha pessoa, senão por livrar os Reinos que me pertencem das misérias que lhes via padecer em estranha sujeição, e por entender era obrigado a isso por minha consciência, sujeitando-me por esta causa a vida e trabalhos...".

(1.ª foto - Museu José Malhoa; 2.ª foto - Arquivos da Torre; 3.ª foto - asviagensdotiago; 4.ª e 5.ª fotos - Dias dos Reis).

África Antiga - O Rei Gezo, do Daomé

 
(Fonte: Frederick E. Forbes - Daomé e os Daomeanos - Relato de duas missões ao Daomé em 1849 e 1850 - Londres, 1851, Vol. 1).
Segundo Forbes, o Rei Gezo, do Daomé (actual Benim), que governou entre 1818 e 1858, andaria pelos 48 anos, era bem parecido e cuidadoso no vestir, cultivava o orgulho e, dono de severa expressão, possuía evidentes qualidades de comando.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

(Carlos Drummond de Andrade) (Brasil) - Receita de Ano Novo


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris,
ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação
com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)


para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até
no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)


novo,
espontâneo,
que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come,
se passeia,
se ama,
se compreende,
se trabalha,


você não precisa beber champanha
ou qualquer outra birita,
não precisa expedir
nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem


e seja tudo claridade,
recompensa,
justiça entre os homens
e as nações,
liberdade com cheiro e gosto
de pão matinal,
direitos respeitados,
começando pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro,
tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo,
eu sei que não é fácil,
mas tente,
experimente,
consciente.


É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


(Carlos Drummond de Andrade - Brasil)