Pequenas e grandes histórias da História e mensagens mais ou menos amenas sobre vidas, causas, culturas, quotidianos, pensamentos, experiências, mundo...
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Grandes Quadros - A Rendição de Granada (1492)
A 2 de Janeiro de 1492, Boabdil, emir de Granada, derradeiro senhor muçulmano do Al-Andalus, na Península Ibérica, rende-se aos reis de Castela e Aragão (Fernando e Isabel, que ficaram conhecidos na História como os Reis Católicos).
(Óleo de Francisco Pradilla y Ortiz - 1882)
sábado, 24 de janeiro de 2009
O Cavalo do Rei D. João IV de Portugal
A obra inclui-se no património do Museu José Malhoa, Caldas da Rainha, Portugal, e a sua reprodução está disponível para venda ao público.
O estudo de Francisco Franco destinou-se à estátua equestre do Rei D. João IV de Portugal, situada na praça fronteira ao Paço Ducal de Vila Viçosa (Alentejo, Portugal). A inauguração ocorreu em Dezembro de 1943.
D. João IV (n. 19 de Março de 16o4 - f. 6 de Novembro de 1656), era filho do 7.º duque de Bragança, D. Teodósio, e da duquesa D. Ana Velasco. Herdou o senhorio da casa ducal por morte do pai (1630).
Foi ele, a partir de 1640, o primeiro monarca da 4.ª dinastia portuguesa, quando, na sequência do movimento revolucionário de 1 de Dezembro desse ano, Portugal se libertou de um longo domínio espanhol de sessenta anos.
"tenho por conveniente declarar [...] que me resolvi a restituir-me a esta Coroa, sem nenhum respeito particular da minha pessoa, senão por livrar os Reinos que me pertencem das misérias que lhes via padecer em estranha sujeição, e por entender era obrigado a isso por minha consciência, sujeitando-me por esta causa a vida e trabalhos...".
(1.ª foto - Museu José Malhoa; 2.ª foto - Arquivos da Torre; 3.ª foto - asviagensdotiago; 4.ª e 5.ª fotos - Dias dos Reis).
África Antiga - O Rei Gezo, do Daomé
(Fonte: Frederick E. Forbes - Daomé e os Daomeanos - Relato de duas missões ao Daomé em 1849 e 1850 - Londres, 1851, Vol. 1).
Segundo Forbes, o Rei Gezo, do Daomé (actual Benim), que governou entre 1818 e 1858, andaria pelos 48 anos, era bem parecido e cuidadoso no vestir, cultivava o orgulho e, dono de severa expressão, possuía evidentes qualidades de comando.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
(Carlos Drummond de Andrade) (Brasil) - Receita de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris,
ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação
com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até
no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo,
espontâneo,
que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come,
se passeia,
se ama,
se compreende,
se trabalha,
você não precisa beber champanha
ou qualquer outra birita,
não precisa expedir
nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade,
recompensa,
justiça entre os homens
e as nações,
liberdade com cheiro e gosto
de pão matinal,
direitos respeitados,
começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro,
tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo,
eu sei que não é fácil,
mas tente,
experimente,
consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
(Carlos Drummond de Andrade - Brasil)
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
Aberturas de Grandes Livros - "O Coronel e o Lobisomem" (José Cândido de Carvalho - Brasil)
“A bem dizer, sou Ponciano de Azeredo Furtado, coronel de patente, do que tenho honra e faço alarde.
Herdei do meu avô Simeão terras de muitas medidas, gado do mais gordo, pasto do mais fino. Leio no corrente da vista e até uns latins arranhei em tempos verdes da infância, com uns padres-mestres a dez tostões por mês.
Digo, modéstia de lado, que já discuti e joguei no assoalho do Foro mais de um doutor formado. Mas disso não faço glória, pois sou sujeito lavado de vaidade, mimoso no trato, de palavra educada.
Já morreu o antigamente em que Ponciano mandava saber nos ermos se havia um caso de lobisomem a sanar ou pronta justiça a ministrar. Só de uma regalia não abri mão nesses anos todos de pasto e vento: a de falar alto, sem freio nos dentes, sem medir consideração, seja em compartimento do governo, seja em sala de desembargador.
Trato as partes no macio, em jeito de moça. Se não recebo cortesia de igual porte, abro o peito:
- Seu filho de égua, quem pensa que é?
- Seu filho de égua, quem pensa que é?
Nos currais do Sobradinho, no debaixo do capotão de meu avô, passei os anos de pequenice, que pai e mãe perdi no gosto do primeiro leite. Como fosse dado a fazer garatujações e desabusado de boca, lá num Inverno dos antigos, Simeão coçou a cabeça e estipulou que o neto devia ser doutor de lei:
- Esse menino tem todo o sintoma do povo da política. É invencioneiro e linguarudo.
Então, para aprimorar tais inclinações de nascença, caí nas garras da prima Sinhá Azeredo, parenta encalhada na prateleira, uma vez que casamento não achou por ser magricela e devota. Morava em nação de chuva – um oco de coruja chamado Sossego, onde só dava presença bicho penado. De noite, era aquela algazarra de lobisomem, pio de coruja, asa de caburé, fora outros atrasos dos ermos.
Então, para aprimorar tais inclinações de nascença, caí nas garras da prima Sinhá Azeredo, parenta encalhada na prateleira, uma vez que casamento não achou por ser magricela e devota. Morava em nação de chuva – um oco de coruja chamado Sossego, onde só dava presença bicho penado. De noite, era aquela algazarra de lobisomem, pio de coruja, asa de caburé, fora outros atrasos dos ermos.
Metida nos livros de devoção, Sinhá Azeredo não tinha outra aptidão do que ensinar ao parente sabedoria ligada aos anjos do céu. Saía da prima um cheiro de vela, um bafo de coisa de oratório. De tardinha, sumia no quarto das devoções, enquanto eu ficava na soletração da cartilha.
Sinhá conhecia toda a raça de ventos e para cortar as maldades e miasmas deles possuía reza da maior força.
Por mal dos meus pecados, o que a prima mais apreciava era conversa de assombração, de meninos desbaptizados que morriam sem o benefício da água benta ou de herege esquentado em fogueira de frade. Lambia os beiços de cera e ameaçava:
- Criança sem religião acaba no fogo dos hereges. (...)"
O Coronel e o Lobisomem – José Cândido de Carvalho (1914-1989) (Publicado por “Livros do Brasil”, Lisboa.
Nota para os interessados: a obra consta ainda do catálogo da Editora "Livros do Brasil" (€ 7,50).
Também disponível na Biblioteca Nacional de Lisboa uma reedição de 2007 (em processamento).
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sábado, 17 de janeiro de 2009
Arte Africana (7)
(Artistas: os três primeiros quadros são de Peter Birch; os dois últimos, de Ray Holin)
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Aberturas de Grandes Livros - "O Músico Cego" (Vladimiro Korolenko - Rússia)
“Tarde da noite nasceu a criança numa rica família do Sudoeste.
A mãe estava deitada e em sonolência; mas quando o primeiro grito do recém-nascido ressoou no quarto – um vagido doce e lamentoso – ela, com os olhos fechados, começou a agitar-se no leito. Os lábios murmuraram qualquer coisa e no seu rosto pálido, de traços quase infantis, esboçou-se um esgar de sofrimento impaciente, como um bebé mimado quando experimenta um desgosto inesperado. A parteira inclinou o ouvido para os lábios balbuciantes da jovem mãe.
A mãe estava deitada e em sonolência; mas quando o primeiro grito do recém-nascido ressoou no quarto – um vagido doce e lamentoso – ela, com os olhos fechados, começou a agitar-se no leito. Os lábios murmuraram qualquer coisa e no seu rosto pálido, de traços quase infantis, esboçou-se um esgar de sofrimento impaciente, como um bebé mimado quando experimenta um desgosto inesperado. A parteira inclinou o ouvido para os lábios balbuciantes da jovem mãe.
- Porquê?... Porque está ele assim? – perguntou a doente com voz mal perceptível.
A parteira não compreendeu a pergunta. A criança gritou de novo. O reflexo duma viva dor percorreu a face da parturiente e uma grossa lágrima deslizou dos seus olhos fechados.
- Porquê? Porquê? – murmuravam-lhe os lábios muito docemente.
Desta vez a parteira percebeu a pergunta e respondeu serenamente:
- Quer saber porque chora o menino? É sempre assim, tranquilize-se. (…)
(…) O coração da mãe pressentia, sem dúvida, que, juntamente com a criança, acabava de nascer um destino votado a uma infelicidade obscura e inexorável – suspenso por sobre o berço – para escoltar aquela nova vida até à sepultura.
Talvez fosse pura imaginação. De qualquer maneira, porém, a criança nasceu cega. (…)”
O Músico Cego – Vladimiro Korolenko (1853-1921) (Conforme edição de 1971 - Publicações Europa-América, Lisboa)
Nota para os interessados: a obra consta ainda do catálogo de Publicações Europa-América (€ 6,49).
Edição também disponível na Biblioteca Nacional de Lisboa ---- [Cota - L. 64758 P.]
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Grandes Quadros - (Rubens)
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Álbuns Especiais do "Cavaleiro Andante" (3)
68 páginas.
Preço: 6 escudos (cerca de 3 cêntimos do euro actual).
Neste número, a história principal era o Miguel Strogoff, de Jules Verne.
Capa da autoria de Eduardo Teixeira Coelho.
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domingo, 4 de janeiro de 2009
sábado, 3 de janeiro de 2009
Os Direitos Espezinhados (Baptista-Bastos)

Almeida Garrett escreveu, um dia, que "as Constituições são feitas para não ser respeitadas."
A afirmação do grande escritor e soldado da Liberdade era a verificação de um facto, não o eco desencantado de quem se deixara vencer pelo desânimo.
Embora o desencanto e o desânimo também dele se hajam apossado.
Lembrei-me da frase e cotejei-a com exemplos: o da nossa magna carta em especial.
A verdade é que nada do que é humano se proclama por decreto.
Lembro-me de que caminhávamos para o socialismo e para uma sociedade sem classes, objectivos abundantemente aplaudidos, à Direita e à Esquerda.
Foi o que se viu.
É o que se vê.
Saint-Just, na Convenção de Paris, afirmou: "A República Francesa proclama que a liberdade é uma ideia nova na Europa. E também que a felicidade é possível entre os homens."
O documento está repleto de boas intenções. E a verdade é que nem tudo se quedou nas intenções. A Revolução arrastou consigo o sopro de que as coisas do mundo poderiam ser alteradas pelas acções dos homens.
Se foram as palavras que incitaram os homens a agir, nem sempre as palavras possuem o poder de remover os imensos obstáculos que se opõem à natureza do que propõem.
Completam-se sessenta anos sobre a Declaração dos Direitos Humanos.
Logo no primeiro artigo, a nobreza da causa está consignada:
"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade."
A própria nascença de uns e de outros está condicionada pelos privilégios.
Quem nasce na Somália possui os mesmos direitos e as mesmas liberdades de quem nasce, por exemplo, na Alemanha?
E quem nasce pobre, na Alemanha, dispõe das mesmas prerrogativas de quem nasce rico?
E o "espírito de fraternidade" passou a ser comum entre os seres humanos, logo a seguir à publicação da Carta?
Evidentemente, estamos no território das intenções.
E, evidentemente também, nenhuma dessas intenções encontrou concretização. O mundo está melhor, diz-se.
Está melhor para quem?
A banalização do desrespeito pelos direitos do homem atingiu níveis insuspeitados, desde que a Declaração foi tornada pública.
O século XX foi o século das maiores atrocidades, com um desfile de horrores sem paralelo na História.
A II Grande Guerra nunca terminou: prolongou-se por outras, regionais, tribais e religiosas, até hoje ininterruptas.
O latrocínio, o etnocídio, o genocídio prosseguem a parada de infâmias.
A África, mas não só a África, é não apenas o continente do desespero como aquele onde a sangueira corre, perante a total indiferença das potências ocidentais, mais propensas a dar continuidade a políticas de devastação do que a preservar os direitos de uma condição humana cada vez mais desumanizada.
São milhões e milhões de povos africanos submetidos a ditaduras sustentadas pela Europa, com a negligência afrontosa de quem nessa mesma Europa tem a hipocrisia de falar em direitos e liberdades.
Quem se interessa pelas dores alheias?
Pouca gente.
A relação com o outro, já de si pouco sólida, transformou-se numa inqualificável impassibilidade.
Os direitos humanos são os direitos daqueles que se julgam acima de todos os direitos e de todos os deveres.
Com a miséria fazem-se negócios: até o negócio da compaixão e da caridade.
Amontoam-se fortunas com a infelicidade de milhões de seres humanos.
Pol Pot e o horrendo caudal de crimes cometido em nome do comunismo;
as chacinas no Vietname;
os crimes praticados pelas diversas juntas militares em diversos países da América Latina;
o estalinismo e a pretensa justificação do goulag, em nome do combate à contra-revolução e à defesa do socialismo - tudo isto aconteceu depois da edição da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
E a abominação não acabou.
Um pouco, ou largamente, por todo o lado o homem é espoliado da sua própria razão de ser.
Forças poderosíssimas opõem-se a quem luta pelos direitos humanos.
Em certos países, os propugnadores desses direitos eram considerados subversivos e, por vezes, eram encarcerados.
Aconteceu, por exemplo, em Portugal, na época de Salazar.
No artigo 7.º da Carta, lê-se: "Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual protecção da lei."
Sabe-se que não é assim.
Não só em Portugal: em todos os países "civilizados."
Advogados importantes do nosso país, o próprio bastonário da Ordem, Marinho Pinto (que de aqui saúdo), admitem, como axioma, que há justiça para quem tem dinheiro; quem o não tem, que se arranje.
Todos os dias somos confrontados com atropelos às consignas do documento, cujos sessenta anos comemoramos.
Comemoramos, realmente?
E quem comemora?
Aqueles que o praticam?
Mas aqueles que, modesta e discretamente o vão tentando, não recebem o aplauso, rejeitam a glória, o soldo ou a prebenda.
(Baptista-Bastos, jornalista e escritor - Jornal de Negócios, Lisboa, 12 de Dezembro de 2008)
(As marcações do texto, em itálico, são da responsabilidade da Torre)
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
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