sábado, 1 de março de 2008

Nostalgia BD (1) - Não Vos Deixaremos Morrer, Johnny Hazard, Hopalong Cassidy, Rip Kirby, Flash Gordon, Cisco Kid...

Em 1955, a Agência Portuguesa de Revistas lançava em Portugal o primeiro número da mítica Colecção Tigre, uma série de livrinhos de banda desenhada, 64 páginas, 4 escudos por exemplar, periodicidade mensal.
A colecção convivia com outras, tornadas hoje raridades, como o semanário Mundo de Aventuras (também da A. P. R.), e o rival desta última, o célebre Cavaleiro Andante (da Empresa Nacional de Publicidade). Para os nostálgicos, que devem decerto a algumas destas preciosidades o contacto inicial com uns rudimentos de cultura, aqui ficam as capas dos primeiros dez números da Colecção Tigre, publicados entre 1 de Abril de 1955 e 1 de Janeiro de 1956.

Johnny Hazard - O Roubo do Ceptro
Hopalong Cassidy - Ladrões de Gado
Flash Gordon - O País do Esquecimento
Rip Kirby - O Mistério do Ídolo
Capitão Duran - A Virgem Negra
Bronco Bustin - O Falso Morto
Tarzan - O País Perdido
Cisco Kid - O Regresso do Cadastrado
Brick Bradford - A Misteriosa Atlântida
Red Cannyon - O Povo Ignorado



Santiago de Compostela (Galicia) - Caminhos de Alegria e Fé























































































































































































































sábado, 23 de fevereiro de 2008

Pintores da Península Ibérica - (Portugal) - Roque Gameiro (1)

Volta do Mercado Saloio







Lisboa Velha - Beco dos Costumes








Fortaleza das Berlengas








Lisboa Velha - Rua das Farinhas








Em Almoçageme









Casa Rústica em Minde








Retrato da Filha do Artista - Raquel








Lisboa Velha - Casa no Largo do Menino Deus







Lavadeira








Avô - Domingo à Tarde








Retrato da Mãe do Artista









Lisboa Velha - Rua de S. Pedro
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Alfredo Roque Gameiro (Minde, 4 de Abril de 1864 - Lisboa, 5 de Agosto de 1935) foi um pintor português, especializado na arte da aguarela.
Estudou na Academia Nacional das Belas Artes, onde foi aluno de Manuel de Macedo, J. Simões de Almeida e Henrique Casanova. Frequentou também a Escola de Artes e Ofícios de Leipzig, como bolsista do governo português, onde estudou litografia com Ludwig Nieper. De regresso a Portugal, em 1886, dirigiu a Companhia Nacional Editora e em 1894 foi nomeado como professor na Escola Industrial do Príncipe Real.

Prémios
· Medalha de Honra de Mérito Municipal (Lisboa)
· 3ª medalha na 1ª Exposição do Grémio Artístico
· 1ª medalha em aguarela e em desenho no Grémio Artístico (1897-1898)
· Medalha de Honra na Sociedade Nacional de Belas-Artes (1910)
· Medalha de Ouro do Salon de Paris (1900)
· Grand Prix, na Exposição Internacional do Rio de Janeiro (1908)
· Medalha de Honra de 1ª classe na Exposição Internacional Comemorativa da Independência do Brasil.
· Eleito membro da Real Academia de Belas-Artes de S. Fernando, de Madrid (1923)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Velha Poesia Árabe na Península Ibérica (VI) - (Ibn Hazm de Córdoba -2) - Ela


Quando a encontro
Agrada-me a conversa,
E sobe até mim
Um delicioso olor de âmbar.
Se ela fala,
Não atendo aos que estão ao meu lado
E escuto apenas as suas palavras
Agradáveis e graciosas.


Ainda que estivesse
Com o Príncipe dos Crentes,
não me afastaria da minha amada
em atenção a ele.
Se me vejo forçado
A partir do seu lado,
Não paro de olhar para trás
E caminho como uma criatura ferida.

Mesmo que o meu corpo se distancie,
Os meus olhos quedam presos a ela,
Como os do náufrago
perdido nas ondas,
contemplando a beira-mar.
Quando penso que estou longe dela,
Sinto que me afogo
como se respirasse
a poeira requeimada de sol.

Se me dizem que é possível
Subir ao céu,
Eu digo que sim
E que sei
onde está a escada.

(Ibn Hazm de Córdoba) (994-1064)
(El Collar de la Paloma)

sábado, 9 de fevereiro de 2008

"O Mundo de Suzie Wong" - Uma Nancy Kwan Inesquecível!

No início dos anos sessenta do século passado, uma jovem actriz oriental, filha de um chinês e de uma escocesa, dava-se a conhecer ao mundo pela mão do realizador Richard Quine.





O filme tinha por título The World of Suzie Wong.




Ela era Nancy Kwan.




Trata-se da história simples, mas atribulada, de uma paixão. Mas existirão paixões simples?






Robert Lomax (William Holden), um maduro pintor americano, chega a Hong Kong e conhece, por acaso, a bordo de um barco, a jovem Suzie Wong (Nancy Kwan).







Ela é uma jovem ingénua e sonhadora, com uma misteriosa vida dupla passada nos bairros orientais da cidade.







A partir daí, desafiando convenções e preconceitos, começa a história de uma paixão. E a lenda de Suzie Wong. E, com base num desempenho espantoso, a imortalidade da belíssima Nancy Kwan.



Nancy Ka Shen Kwan (Nancy Kwan) foi a primeira actriz asiática a ter um sucesso notável no cinema ocidental. Ela nasceu em 19 de Maio de 1939, em Hong Kong, então uma florescente colónia britânica. O pai era um bem sucedido arquitecto chinês, Kwan Wing Hong, educado em Cambridge. A mãe era a modelo escocesa Marquita Scott.

Oiça aqui o tema musical do filme (Autor: George Dunning):

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Portugal - Pátria Mestiça


"Cada vez há mais estrangeiros a pedir a nacionalidade portuguesa.
Brancos, pretos, amarelos, castanhos, entre o loiro e o germânico, entre o glabro e o felpudo, eis uma sublevação de cores e de fácies; um bulício de idiomas que noivam o nosso idioma para exprimir a dor e o riso, a infância e a paixão, a lembrança e o sonho.
Tocaram no batente da casa comum à procura, afinal, do que comum é ao homem: um pouco de felicidade.
E deitam-se no mesmo leito onde, outrora, suevos e visigodos, fenícios e romanos, árabes e celtas procriaram os miscigenados que todos nós somos.

A sintaxe da nossa ascendência possui qualquer coisa de genial.
Não foi, somente, a delimitação do território que construiu uma pátria e moldou uma língua.
Também não foi, apenas, o ferro do montante que marcou uma identidade.
O que definiu o nosso destino foi a argila de um particular nativismo, nascido na cama do amor, no suor dos corpos, na festa do sexo.
Nascemos do prazer.

Saímos portugueses desse almofariz de raças, no entreacto de guerras e de confrontos políticos.
A negação da nossa mestiçagem configurará o assassínio da nossa identidade, e atribui a quem a pratica o estofo de um canalha.
Assim como o ódio exposto, arrogantemente, em placard, demonstra algo de doentio.
Somos uma nação de heterónimos, cheios de coragens e de cobardias, de mares e de corpos, de credos e de superstições.
Um pisar de caminhos antigos puxa-nos as pernas para o imponderável.
Fluxos de muitos sangues fazem pulsar o modo de como aqui estamos.

Há um relatório, "Inter Lusitanos", endereçado a Nero por Políbio Garbus, poeta e procônsul romano, o qual nos retrata como gente estranha, imputando fraqueza de espírito a uma nossa particularidade: a indiferenciação fundamental dos indivíduos.
E adianta: o desdém pelas regras criou nos Lusitanos uma relativa igualdade de raças.
Para um patrício, educado numa sociedade extremamente hierarquizada, este modelo estava desprovido de lógica social, política e filosófica.
As coisas prosseguiram séculos atrás de séculos.

Quando D. Manuel I manda proceder à matança de judeus, num domingo de Pascoela, a 19 de Abril de 1506, liquida a cultura de afectos e de livre partilha dos saberes até então simplificada no reconhecimento da alteridade.
Mas a História não pára o tempo que dentro de si acalenta.
Foi-nos legado um bragal aberto ao mundo, entre intimidades, solidões, angústias e despedidas.
Eis porque precisamos de todos os que nos procuram, porque sempre procurámos todos aqueles de que precisamos."

(Baptista-Bastos - Diário de Notícias - Edição de 17 de Abril de 2007)