domingo, 13 de janeiro de 2008

Caminhadas de Natal (3) - Tarde de 25 de Dezembro de 2007: O Frio e a Chuva

Arredores da Rapoula...







... a caminho das terras vermelhas que sobem a serra...








... uma velha casa rural de 1891 saudosa da grandeza antiga...








... carvalhais semidespidos, folhas mortas espalhadas pelas veredas geladas...








... olivais seculares como sentinelas resistentes a quase tudo...








... mais ruínas a espreitarem à beira do carreiro...







... couves e nabos escapados por um triz às fervuras da consoada...








... prados verdejantes de beira-serra...







... canaviais e salgueiros desfolhados transidos de frio...









... começam as terras vermelhas que levam ao cume...








... primeiros ameaços de chuva, primeiras poças...








... enfim, a mítica encruzilhada...








... a partir daqui é sempre a subir, debaixo de chuva agora intensa...








... entre verdes profundos...








... de eucaliptos e pinheiros odoríferos e encharcados...









... já se patina, sob a chuva, na lama viscosa...








... a subida é cada vez mais íngreme...








... os caminhos mais parecem veredas a escorrerem sangue...








... mas não é nada...







... a que um bom "Knirps" não consiga fazer frente...

domingo, 6 de janeiro de 2008

Caminhadas de Natal (2) - O Dia e a Noite na Montanha

 













































Na montanha, à beira da estrada,
entre o Fato e a Abrunheira,
repentinamente uma cruz...








... Marco de uma tragédia que aqui se deu há 54 anos.
Que tragédia
Quem foi "Manuel F. S."?
Um mistério à beira da estrada da montanha...
































































































domingo, 23 de dezembro de 2007

Poemas de Omar Kháyyám (Pérsia) - 1040 - 1125


I
Um pouco de pão,
um pouco de água fresca,
a sombra de uma árvore
e os teus olhos!
Nenhum sultão
é mais feliz do que eu...
Nenhum mendigo
é mais triste....

II
Deixemo-nos de palavras vãs.
Levanta-te e dá-me um pouco de vinho.
Esta noite a tua boca
é a mais bela rosa do mundo
e basta para todos os meus desejos.
Dá-me vinho.
Que ele seja corado como as tuas faces,
e o meu remorso
será leve como as tuas tranças.

III
A brisa da Primavera renova as rosas
e, na sombra azul do jardim,
acaricia o rosto da minha amada.
A despeito da ventura que já gozei,
sou tão feliz hoje
que não me lembro de ontem:
esqueço o passado...
É tão imperioso o prazer deste momento...

IV
Porquê tanta suavidade,
tanta ternura,
no começo do nosso amor?
Porquê tantos carinhos,
tantas delícias, depois?
E... porquê, hoje,
o teu único prazer
é dilacerar o meu coração?
Porquê?

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Omar Ibn Ibrahim El Kháyyám nasceu em Nichapour, Pérsia, no ano de 1040 da era cristã.
Kháyyám significa em persa "fabricante de tendas", e o poeta adoptou esse nome em memória do ofício que exercia seu pai.

Além de poeta, Omar Kháyyám foi grande matemático e astrónomo. Dos seus livros de ciência chegaram até nós o Tratado de algumas dificuldades das definições de Euclides e as Demonstrações dos problemas de álgebra.

Director do observatório de Merv, fez, em 1074, a reforma do calendário muçulmano.
Omar Kháyyám morreu na mesma cidade do seu berço aos 85 anos de idade.
(Foto de J. C.)