domingo, 16 de dezembro de 2007

(Fernando Pessoa) - Nevoeiro

NEVOEIRO


Nem rei nem lei,
nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer-
- Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.


Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal,
hoje és nevoeiro...

É a Hora!

(Fernando Pessoa - "Mensagem")

sábado, 15 de dezembro de 2007

Reis dos Mares (1) - Navios do Tempo Colonial Português

" Moçambique"

(Tinha dezassete anos quando viajei nele. Duas semanas inesquecíveis, escorridas num repente entre o Sul de Angola e Lisboa, a capital do império de então. Numa noite de vagas inquietas, a desfazerem-se estrondosas contra o casco deste valente navio, li da primeira à última página o "D. Sebastião", do quase esquecido Mário Domingues...)





"Uíge"
(Neste viajei com doze anos. Primeiras emoções marítimas...)





"Vera Cruz"

(... que muito navegou pelos portos da América do Sul, em cruzeiros de luxo)


"Quanza"




"Índia"




"Santa Maria"
(O mítico paquete capturado em 1961 por Henrique Galvão e seus companheiros de aventura. Morreu um oficial de bordo quando procurava opor-se à tomada do navio. Após perseguições navais e peripécias várias - que incluíram uma passagem rocambolesca pelo Brasil de Jânio Quadros -, o barco reentrou em Lisboa perante uma multidão expectante. Salazar deslocou-se a bordo. Mas foi lacónico: "Temos o 'Santa Maria' connosco. Obrigado, Portugueses.")




"Angola"





"Niassa"
(...que seria um dos principais transportes de tropas mobilizadas para combaterem nas então províncias ultramarinas portuguesas. A guerra tinha começado em Março de 1961, com os sangrentos acontecimentos no Norte de Angola).




"Príncipe Perfeito"





"Infante Dom Henrique"





"Império"




"Funchal"

sábado, 8 de dezembro de 2007

Afonso Romano de Sant'Anna - Dois Poemas

Silêncio Amoroso

Preciso do teu silêncio cúmplice
sobre minhas falhas.
Não fales.
Um sopro,
a menor vogal,
pode me desamparar.
E se eu abrir a boca
minha alma vai quebrar.
O silêncio, aprendo,
pode construir.
É um modo denso/tenso
-de coexistir.
Calar, às vezes,
é fina forma de amar.

Reflexivo

O que não escrevi,
calou-me.
O que não fiz,
partiu-me.
O que não senti,
doeu-se.
O que não vivi,
morreu-se.
O que adiei,
adeus-se.

(Afonso Romano de Sant'Anna)

(Foto de Rita Teixeira)

Os Bons Velhos Tempos dos Comboios a Vapor (1)












































sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Pintores da Península Ibérica - (Espanha) - Amparo Cruz Herrera

As Mouras do Jarrão








Berbere








Olhos







A Travessa de Peixe







O Véu Azul








Casablanca







As Três Amigas







A Rosa








Flores







O Sábio







Moura de Verde







Pequena Lagoa







Virtudes








Vendedor de Água em Casablanca








Reunião na Praia








A Mantilha Negra







Judeu







Melknes








Perfil de Inês







Reflexos em Fez







Velho Árabe








Amigas Árabes







A Colheita







Avô e Neta







Beleza Entre Frutas e Flores






Amigas







Maré Verde







Japonesita








O Rabino







Marrakesh







O Turbante Branco







O Turbante Vermelho








O Chá








Perfil







Ao Baile








A Ceifa








A Moura e a Filha







Pescadores







Amor e Música







O Sorriso







Sinfonia em Amarelos







O Colar








O Colar e a Rosa







Belezas Árabes

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Amparo Cruz Mayor nació en Madrid el 4 de Octubre de 1926.
Hija del insigne pintor linense José Cruz Herrera, Académico de Bellas Artes de San Fernando, firma sus óleos como Amparo Cruz Herrera.
Los constantes viajes de sus padres le hicieron conocer los principales focos de la pintura europea, norteafricana y americana.
Sus estancias en París, Bruselas, Stach (Suiza), Casablanca y otras ciudades enriquecieron su sensibilidad y la visión europeizada de sus obras.
Autodidacta, tan sólo de la mano de su padre conoció y aprendió la técnica de los pintores impresionistas. Perfeccionó su propia pintura hasta conseguir este estilo tan temperamental y de gran sutileza.
Premiada en numerosas ocasiones, destacan el primero, segundo y tercer puesto obtenidos en el Salón de Otoño de Madrid, primer premio de "Pintores de África", primer premio de la Diputación de Madrid, y otros muchos como los conseguidos en París, Casablanca, y el Salón Dardo y Salón Eureka de Madrid.
Persona muy viajera, ha visitado India, Perú, México, Indonesia, Francia, Uruguay, China, EEUU, Holanda, Bélgica, Turquía, Cuba... y ha demostrado a través de su obra la luz, la belleza y el espíritu humano que sólo ella puede trasmitir con su mirada llena de sensibilidad y buena maestría.