sábado, 15 de setembro de 2007

Os Khoisan (1.ª Parte) - Campeões da Sobrevivência no Sul da África


"(...) Quando principiaram a assenhorear-se da região do Cabo, os Calvinistas de­pararam com bandos errantes de pequenos homens de epiderme castanho-amare­lada, olhos oblíquos, faces ossudas e precocemente enrugadas e cabelos dispersos em tufos encarapinhados.


A cor e os traços fisionómicos dessa gente, que se ex­primia num dialecto pontuado de estalidos, não apresentavam semelhanças com os dos povos africanos encontrados a norte. Tratava-se dos Hotentotes, ou Khoi-Khoi, e dos Bosquímanos, ou San, modernamente agrupados sob a designação de Khoisan. Os Bosquímanos viviam em exclusivo da caça e da recolecção, ao passo que os Hotentotes acrescentavam a criação de gado a tais actividades.



Estes seres constituíram, desde tempos sem memória, os primitivos habitantes de grande parte dos espaços africanos. Surpreendidos em épocas remotas pelas invasões de negros bantos oriundos do Norte, viram-se batidos e empurra­dos para sul e sudoeste do Con­tinente, inexoravelmente esbulhados das pastagens e dos territórios de caça.



Para sobreviver, refugiaram-se nas periferias dos desertos ou procuraram as fran­jas costeiras de menor fertilidade. Gravaram para a posteridade, em cavernas e ro­chedos dispostos ao longo dos caminhos da fuga, dramáticas figurações dos seus recontros com aqueles negros enormes e robustos, de pele retinta e olhos salientes, que lhes iam subtraindo os domínios ancestrais. (…).



Certos viajantes e exploradores europeus deixariam dos Khoisan algumas re­pugnantes descrições. Não hesitaram em apresentá-los, de pena ligeira e cheios de suficiência, como estúpidos, feios e horrendos, talvez mais próximos do irracional do que do ser humano.



Estas desapiedadas impressões, caso fossem levadas ao co­nhecimento daqueles entes minúsculos e engenhosos, maravilhosamente adaptados ao seu meio, dotados de apurada sensibilidade e cultores de um refinado sentido de humor, suscitariam decerto entre eles a hilaridade ou um pasmo escandalizado. 



Com efeito, desde as deambulações do português Bartolomeu Dias pela região, os Khoisan jamais tinham deixado de emocionar-se com a terrífica aparência desses mareantes de tez leitosa e descomunais narizes afilados, os lábios finos e os olhos arregalados, as barbas hirsutas e as cabeleiras esvoaçantes, os enormes corpanzis semeados de pêlos como os dos macacos. 



Os forasteiros exibiam-se por ve­zes co­bertos de estranhas carapaças metálicas ou de trajos espessos que os faziam suar abundantemente. Possuíam a inquietante faculdade de mudar de cor sempre que se encolerizavam ou quando se entregavam a esforços intensos. Nessas ocasi­ões, em que as faces se lhes tingiam de um vermelho carregado, tornavam-se ver­dadeira­mente pavorosos.



Como se não bastasse, dedicavam-se a manobras e ceri­mónias nebulosas, que incutiam o receio e a suspeita nas gentes do Cabo: arrasta­vam para bordo, em grandes recipientes, quantidades prodigiosas de água das nas­centes, dei­xavam nas praias, devorados pelas chamas, alguns dos navios em que se tinham feito transportar e, espanto dos espantos, enterravam no chão esquisitos ob­jectos de pedra ou madeira, em volta dos quais entoavam depois, de joelhos em terra, longas e graves lengalengas na sua fala incompreensível.

 
Não admira que, mal os navega­dores lhes davam as costas e se sumiam de novo no mar, os Hotentotes caíssem com ligei­reza sobre essas ameaçadoras construções e procurassem reduzi-las a pe­daços, es­conjurando qualquer efeito maléfico que delas pudesse desprender-se. (...) (*)

(*) José Bento Duarte - Senhores do Sol e do Vento - Histórias Verídicas de Portugueses, Angolanos e Outros Africanos - Editorial Estampa - Lisboa - 1999)

(Continua)

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

(Oswald de Andrade) - Erro de Português





Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
o português.


(Oswald de Andrade)

(Miguel Torga) - Guevara






















Não choro, que não quero
manchar de pranto
um sudário de força combativa.
Reteso a dor,
e canto a tua morte viva.


A tua morte morta
pelo próprio terror em que ficaram
à sua frente
aqueles que te mataram
sem poderem matar o combatente.


O combatente eterno que ficaste
ressuscitado na voluntária crucificação.
Herói a conquistar o inconquistado,
já sem armas na mão.


Quem te abateu
perdeu a guerra santa da liberdade.
Fez brilhar na manhã do mundo inteiro
um sol de redentora claridade:
o teu rosto de Cristo guerrilheiro.


(Miguel Torga - Coimbra, 11 de Outubro de 1967 - in Poesia Completa - Vol. II - Publicações Dom Quixote - Lisboa - 2007)

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Recadinhos do Padre António Vieira (2) - As "Cunhas" ou: Os Escolhidos e os Outros



“Vota o conselheiro no parente, porque é parente;
vota no amigo, porque é amigo;
vota no recomendado, porque é recomendado.
Os mais dignos e os mais beneméritos, porque não têm amizade, nem parentesco, ficam de fora.
Acontece isto muitas vezes? Queira Deus que alguma vez deixe de ser assim.

Agora quisera eu perguntar ao conselheiro que deu este voto e que o assinou, se lhe remordeu a consciência ou se soube o que fazia.
Homem cego, homem precipitado, sabes o que fazes? Sabes o que firmas?
Sabes que, ainda que o pecado que cometeste contra o teu cargo seja um só, as consequências que dele se seguem são infinitas e maiores que o mesmo pecado?
Sabes que com essa pena te escreves réu de todos os males que fizer, que consentir, e que não estorvar esse homem indigno por quem votaste, e de todos os males que deles se seguirem, até ao fim do Mundo?

Oh, grande miséria!
Miserável é a república onde há tais votos, miseráveis são os povos onde mandam ministros feitos por tais eleições; mas os conselheiros que neles votaram são os mais miseráveis de todos: os outros levam o proveito, eles ficam com o encargo.

Se o que elegestes furta, Deus há-de pedir-vos a conta a vós, porque o vosso voto foi causa de todos aqueles roubos.
Oprime o que elegestes os pobres, choram as viúvas, padecem os órfãos, clamam os inocentes; e Deus vos há-de condenar a vós, porque o vosso voto foi a causa de todas aquelas opressões, de todas aquelas tiranias (…)

E da parte dos beneméritos que deixastes de fora, quais serão as consequências?
Ficarem os mesmos beneméritos sem o prémio devido a seus serviços;
ficarem seus filhos e netos sem remédio e sem honra;
ficar a república mal servida;
os bons escandalizados;
os príncipes murmurados;
o governo odiado;
o mesmo conselho a que assistis, ou presidis, infamado;
o merecimento sem esperança;
o prémio sem justiça;
Deus ofendido;
o rei enganado;
a Pátria destruída (…)”

(Padre António Vieira)

domingo, 9 de setembro de 2007

(Atahualpa Yupanka) - Onde está Deus? Ele almoça à mesa do patrão?


Cantor e compositor, Atahualpa Yupanqui nasceu em El Campo de la Cruz, Argentina (1908), e faleceu em Nîmes, França (1992).

É considerado um dos maiores poetas populares de toda a América de língua espanhola. De ascendência índia quetchua por parte do pai, e basco pela parte materna, Hector Roberto Chavero Aramburu (seu verdadeiro nome) passou a infância em Fortín Roca, na Pampa, onde seu pai era chefe de gare. Aprendeu a tocar violão aos seis anos.

À morte do pai, em 1921, abandonou os estudos e decidiu tornar-se artista. Percorreu então os grandes espaços da Argentina, descobrindo a realidade miserável da vida do povo dos campos, índios ou mestiços. Ele tornou-se o seu porta-voz logo nas primeiras composições – Camino del Indio, Nostalgia de Tucumán.

En 1928, jornalista em Buenos Aires, encontra o etnólogo Alfred Métraux, com o qual explora a Bolívia. O seu conhecimento íntimo das pessoas, das paisagens, dos costumes ancestrais e da alma índia alimentou-lhe a inspiração. "Penso - dizia ele - que a missão do artista não consiste em resolver os problemas políticos, mas em estar junto do povo, testemunhando os seus problemas e as suas dificuldades".

En 1941, sob um pseudónimo escolhido na adolescência (formado de Atahualpa, o último chefe inca, e de Yupanqui, cacique supremo dos índios quetchuas), publicou uma recolha poética, Piedra Sola, seguida de Cerro Bayo (1943) e de Aires Indios (1946).

Oiça-o aqui:



Un dia yo pregunté
Abuelo, donde está Dios?
Mi abuelo se puso triste,
y nada me respondió.


Mi abuelo murio en los campos,
sin rezo ni confesión.
Y lo enterraron los indios
flauta de caña y tambor.


Al tiempo yo pregunté
Padre, que sabes de Dios?
Mi padre se puso serio
y nada me respondió.


Mi padre murio en la mina
sin doctor ni protección.
Color de sangre minera
tiene el oro del patrón


Mi hermano vive en los montes
y no conoce una flor.
Sudor, malaria, serpientes,
es la vida del leniador.


Y que nadie le pregunte
Si sabe donde está Dios.
Por su casa no ha pasado
tan importante señor.


Yo canto por los caminos,
y cuando estoy en prisión
oigo las voces del pueblo
que canta mejor que yo.


Hay un asunto en la tierra
mas importante que Dios.
Y es que nadie escupa sangre
para que otro viva mejor.


Que Dios vela por los pobres?
Tal vez si, y tal vez no.
Pero es seguro que almuerza
en la mesa del patrón.


(Atahualpa Yupanki)

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Lembranças de Agosto










































































































































































Centro-Norte de Portugal.
Sombras subtis,
correntezas escorregadias.
Florestas olorosas,
verdes profundos e densos
como pimentos de Padrón.
Repousos, êxtases.
Horas eternas.
Verão.
Férias...

terça-feira, 4 de setembro de 2007

(Sophia de Mello Breyner Andresen) - Porque...


Porque os outros se mascaram, mas tu não.
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.

Porque os outros têm medo, mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.

Porque os outros se calam, mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.

Porque os outros são hábeis, mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam, mas tu não.


(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Recadinhos do Padre António Vieira (1) - Os Impostos




“A costela de que se havia de formar Eva, tirou-a Deus a Adão dormindo e não acordado, para mostrar quão dificultosamente se tira aos homens, e com quanta suavidade se deve tirar, ainda o que é para seu proveito.

Da criação de Eva dependia não menos do que a conservação e propagação do género humano: mas repugna tanto aos homens deixar arrancar de si aquilo que se lhes tem convertido em carne e sangue, ainda que seja para bem da sua casa e de seus filhos, que por isso traçou Deus tirar a costela a Adão, não acordado, senão dormindo; adormeceu-lhe os sentidos, para lhe escusar o sentimento.
Com tanta suavidade como isto se há-de tirar aos homens o que é necessário para sua conservação.

Se é necessário para a conservação da Pátria, tire-se a carne, tire-se o sangue, tirem-se os ossos, que assim é razão que seja; mas tire-se com tal modo, com tal indústria, com tal suavidade, que os homens não o sintam, nem quase o vejam.

Deus tirou a costela a Adão, mas ele não o viu nem o sentiu. E, se o soube, foi por revelação.
Assim aconteceu aos bem governados vassalos do imperador Teodorico, dos quais por grande glória sua dizia ele: Eu sei que há tributos, porque vejo as minhas rendas acrescentadas; vós não sabeis se os há, porque não sentis as vossas diminuídas. Tão ásperos podem ser os remédios, que seja menos feia a morte que a saúde. Que me importa a mim sarar do remédio, se hei-de morrer do tormento? (…)

(…) O maior jugo de um reino, a mais pesada carga de uma república são os imoderados tributos. Se queremos que sejam leves, se queremos que sejam suaves, repartam-se por todos.
Não há tributo mais pesado do que a morte, e contudo todos o pagam, e ninguém se queixa, porque é tributo de todos.
Se uns homens morressem e outros não, quem levaria em paciência esta rigorosa pensão da imortalidade? Mas a mesma razão que a estende, a facilita; e porque não há privilegiados, não há queixosos."

António Vieira nasceu em Lisboa (1608) e morreu na Baía, Brasil, em 1697
Pertenceu à Companhia de Jesus e tornou-se conhecido e famoso como orador sagrado de extraordinário talento.
Foi missionário no Brasil, onde utilizou o seu génio oratório em defesa dos índios e em apoio aos exércitos portugueses que ali se batiam. 
Incomodado pela Inquisição, viu-se admirado e protegido por reis e pelo Papa.
Salientam-se no seu espólio literário os Sermões e as Cartas.

sábado, 4 de agosto de 2007

(Manuel Alegre) - Ser ou Não Ser



Qualquer coisa está podre no Reino da Dinamarca.
Se os novos partem e ficam só os velhos
e se do sangue as mãos trazem a marcas
e os fantasmas regressam e há homens de joelhos
qualquer coisa está podre no Reino da Dinamarca.

Apodreceu o sol dentro de nós
apodreceu o vento em nossos braços.
Porque há sombras na sombra dos teus passos
há silêncios de morte em cada voz.

Ofélia-Pátria jaz branca de amor.
Entre salgueiros passa flutuando.
E anda Hamlet em nós por ela perguntando
entre ser e não ser firmeza indecisão.

Até quando? Até quando?
Já de esperar se desespera.
E o tempo foge
e mais do que a esperança leva o puro ardor.

Porque um só tempo é o nosso.
E o tempo é hoje.
Ah se não ser é submissão
ser é revolta.

Se a Dinamarca é para nós uma prisão
e Elsenor se tornou a capital da dor
ser é roubar à dor as próprias armas
e com elas vencer estes fantasmas
que andam à solta em Elsenor.

(Manuel Alegre) - Abaixo el-rei Sebastião



É preciso enterrar el-rei Sebastião
é preciso dizer a toda a gente
que o Desejado já não pode vir.
É preciso quebrar na ideia e na canção
a guitarra fantástica e doente
que alguém trouxe de Alcácer Quibir.

Eu digo que está morto.
Deixai em paz el-rei Sebastião
deixai-o no desastre e na loucura.
Sem precisarmos de sair o porto
temos aqui à mão a terra da aventura.

Vós que trazeis por dentro de cada gesto
uma cansada humilhação
deixai falar na vossa voz a voz do vento
cantai em tom de grito e de protesto
matai dentro de vós el-rei Sebastião.

Quem vai tocar a rebate os sinos de Portugal?
Poeta: é tempo de um punhal
por dentro da canção.
Que é preciso bater em quem nos bate
é preciso enterrar el-rei Sebastião.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

(Sophia de Mello Breyner Andresen) - As Pessoas Sensíveis

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não: "Com o suor dos outros ganharás o pão".
Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito
Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Irene no Céu (Manuel Bandeira - Brasil)


Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
Imagino Irene entrando no céu:
- Licença, meu branco!
E São Pedro, bonachão:
- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

Carta-Poema a Um Prefeito (Manuel Bandeira)



Excelentíssimo Prefeito 
Senhor Hildebrando de Góis,
Permiti que, rendido o preito
A que fazeis jus por quem sois,
Um poeta já sexagenário,
Que não tem outra aspiração
Senão viver de seu salário
Na sua limpa solidão,
Peça vistoria e visita
A este pátio para onde dá
O apartamento que ele habita
No Castelo há dois anos já.

É um pátio, mas é via pública,
E estando ainda por calçar,
Faz a vergonha da República
Junto à Avenida Beira-Mar!
Indiferentes ao capricho
Das posturas municipais,
A ele jogam todo o seu lixo
Os moradores sem quintais.

Que imundície!
Tripas de peixe,
Cascas de fruta e ovo,
papéis...
Não é natural que me queixe?

Meu Prefeito, vinde e vereis!
Quando chove, o chão vira lama:
São atoleiros, lodaçais,
Que disputam a palma à fama
Das velhas maremas letais!
A um distinto amigo europeu
Disse eu: - Não é no Paraguai
Que fica o Grande Chaco,
este é o Grande Chaco!
Senão, olhai!

Excelentíssimo Prefeito
Hildebrando Araújo de Góis
A quem humilde rendo preito,
Por serdes vós, senhor, quem sois!
Mandai calçar a via pública
Que, sendo um vasto lagamar,
Faz a vergonha da República
Junto à Avenida Beira-Mar!

Manuel Bandeira (Recife, 19 de Abril de 1886 - Rio de Janeiro, 13 de Outubro de 1968) foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro.
Juntamente com escritores como João Cabral de Melo Neto, Paulo Freire, Gilberto Freyre e José Condé, representa o que há de melhor na produção literária do estado de Pernambuco. (Wikipédia).

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

(Imagens do Verão Português) - Pistas Campestres


Caminhos de sol e de sombra,
ao romper de Agosto,
com um fiozinho de água teimosa
a escapulir-se
sinuoso
por entre os segredos da floresta amiga...