Mostrar mensagens com a etiqueta Revoluções. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Revoluções. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de março de 2019

Cantares de Venezuela (2) - Cecilia Todd ("Polo Margariteño")

Cecília Todd nasceu em Caracas, Venezuela, no dia 4 de Março de 1951.
Dona de uma voz belíssima, é também exímia executante do "cuatro" venezuelano (instrumento de cordas que parece ter tido como antepassado remoto o cavaquinho português).


(Vídeo de Paisssano)

segunda-feira, 18 de março de 2019

Cantares de Venezuela (1) - Soledad Bravo ("Polo Margariteño")



Soledad Bravo é uma cantora venezuelana (embora nascida em Espanha no ano de 1943).
É uma das mais importantes figuras da música latino-americana. Senhora de uma voz cristalina e poderosa, abordou os mais variados géneros musicais.
O começo da sua carreira ficou, porém, associado à canção folclórica e de protesto, onde alcançou enorme popularidade. Contribuiu para dar a conhecer os compositores mais representativos da chamada "Nova Trova Cubana" e da "Nova Canção Latino-Americana".



(Vídeo de RecordsFromShelf)

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

MALAK AL-SHEHRI NO REINO DA ESTUPIDEZ (FACINOROSA)...





Malak al-Shehri publicou uma fotografia em que surge com um vestido colorido, um casaco e óculos de sol. Ia beber café com um amigo. Tudo isto lhe valeu valentes críticas nas redes sociais. Devido ao seu comportamento, foram apresentadas queixas à polícia religiosa. Agora, foi detida.

Malak al-Shehri tem cerca de 20 anos e vive na capital da Arábia Saudita. Numa manhã saiu de casa para tomar o pequeno-almoço e tirou uma fotografia, que publicou no Twitter. “Decidi sair sem abaya [traje completo de cor escura], vesti uma saia com um casaco elegante”, lia-se na descrição da imagem. Depois, foi ter com um amigo para “beber café e fumar um cigarro”. Estes comportamentos foram motivo de queixas à polícia religiosa. Agora, Malak al-Shehri foi detida.
Publicou nas redes sociais algo que está contra as leis”, justificou o porta-voz da polícia de Riade, Fawaz al Miman, citado pelo jornal espanhol “El Mundo”. Segundo as autoridades, além da roupa em causa está ainda o facto de Malak al-Shehri “falar abertamente sobre relações proibidas com homens que não pertencem à sua família”, acrescenta o britânico “The Guardian”.

Foi a 28 de novembro que Malak al-Shehri publicou a imagem. Muitos revoltaram-se, outros saíram em sua defesa. A jovem, acabou mesmo por apagar o tweet e, consequentemente, a sua conta no Twitter.
Na Arábia Saudita, existem regras bastante restritas quanto à forma de uma mulher se apresentar nos locais públicos. A condução e o convívio com homens que não são seus familiares estão proibidos.
Segundo o “The Guardian”, milhares de sauditas assinaram uma petição que exige o fim da lei que prevê que uma mulher esteja sempre sob a guarda de um homem. Habitualmente, quando são mais novas estão à guarda do pai ou dos irmãos e quando casam passam a ser da responsabilidade do marido. (*)
 
(*) Jornal Expresso (Diário - online) - 12-Dezembro-2016.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Alemanha volta a ser o maior problema da Europa...

.

.

O regresso da "questão alemã"
.
Para quem tivesse pensado que as declarações do ministro Schäuble tinham resultado de um erro de tradução, as afirmações do responsável do Mecanismo Europeu de Estabilidade, outro veterano alemão, Klaus Regling, mostram que não houve erros, nem acasos.
Tudo parece indiciar uma manobra concertada do governo alemão contra Portugal.
Numa estratégia indireta, Berlim escolheu Portugal como o elo mais fraco para reafirmar a sua hegemonia, mostrando que, depois do brexit, o cilício do Tratado Orçamental ainda aperta mais fundo.
Como num crime friamente premeditado, sabendo o poder aterrorizador das suas palavras, Schäuble e Regling assobiam para que a matilha dos especuladores de mercado identifique Portugal como uma presa.
A subida dos juros da dívida reflete que o alvo foi claramente identificado.
O objetivo será sancionar Lisboa por défice excessivo.
Se isso acontecer, Berlim arranjará maneira de livrar Madrid, para que o castigo não provoque demasiadas contracorrentes.
Se precisássemos de um sinal da caminhada da União Europeia para o abismo, eu não apresentaria o brexit, mas esta prova de que a Alemanha, desta vez sem rebuço, voltou a ser o maior problema da estabilidade e paz europeias.
Importa não esquecer que a construção da unidade europeia, seja na visão de Churchill (1946) seja na versão Schuman (1950), pretendia, também, eliminar para sempre a pulsão hegemónica da Alemanha.
Infelizmente, com a mesma grosseira falta de respeito pela realidade, a mesma determinação desprovida de esclarecimento, há gente em Berlim preparada para, pela terceira vez num século, semear o caos na Europa. (*)
(*) Viriato Soromenho Marques - Diário de Notícias, Lisboa, Portugal - 3 de Julho de 2016
 
(Título, sublinhados e ilustrações da responsabilidade da Torre da História Ibérica)

domingo, 21 de junho de 2015

A Pilhagem de África

.
.
.
.
ÁFRICA é o continente mais pobre do mundo — e também o mais rico.
Embora concentre apenas 2% do PIB mundial, alberga 15% das reservas de petróleo, 40% do ouro e 80% da platina. No seu subsolo jaz um terço das reservas minerais do planeta.
.
 Mas o que poderia constituir a salvação do continente é, pelo contrário, uma maldição.
.
Os recursos naturais africanos têm sido alvo de uma pilhagem sistemática.
A contrapartida do petróleo e dos diamantes é a corrupção, a violência e desigualdades sociais gritantes.
.
Os beneficiários deste saque, assim como as suas vítimas, têm nome: o crescimento acelerado de África é induzido pela voracidade de recursos naturais por parte de economias emergentes como a chinesa, e alimentado por uma rede sombria de comerciantes, banqueiros e investidores dispostos a subornar as elites políticas locais.
.
Em A Pilhagem de África, Tom Burgis, premiado jornalista do Financial Times, conduz o leitor numa viagem emocionante e frequentemente chocante aos bastidores de uma nova forma de colonialismo.
.
Ao longo de seis anos, o autor abraçou uma missão através da qual se propôs denunciar a corrupção e dar voz aos milhões de cidadãos africanos que sofrem na pele esta maldição.
.
Aliando um trabalho aprofundado de investigação a uma narrativa plena de ação, o livro traz uma nova luz sobre os meandros de uma economia globalizada e a forma como a exploração das matérias-primas africanas concentra a riqueza e o poder nas mãos de poucos.
.
Críticas de imprensa
.
Uma demonstração poderosa de como a exploração e o tráfico de matérias-primas serve o enriquecimento pessoal de alguns. The Times

Um retrato vigoroso de uma voraz máquina de pilhagem. Uma composição profícua em exemplos que mostram as ligações entre empresas corruptas e as elites africanas.
The Economist

Um excelente documento sobre a exploração. Tom Burgis prestou um grande serviço a algumas
das pessoas mais pobres do mundo. Financial Times
.
Páginas: 400   -   Editor: Vogaishttp://www.wook.pt/media/ficha_prod/sep_price.gif     -    Preço:19,78€
 
FONTE: WOOK
.
.

domingo, 5 de abril de 2015

Na Páscoa - "Francisco Entre os Lobos"

.
.

.
.
" (...) Na última entrevista a Valentina Alazraki, Francisco admite uma certa alergia face à Cúria que o rodeia, a que insiste chamar "corte" (o que, mais uma vez, põe algumas orelhas a arder à sua volta).
Defende que o debate é necessário para que "as coisas saiam. Há sempre pontos de vista diferentes. São legítimos. Mas quero que se digam as coisas de frente, que se tenha a coragem de não calar e de saber dizer não", disse o Papa.
.
O perfil dos seus colaboradores está traçado. E a vontade de tornar claras as diferenças de opinião é uma das regras do jogo de Francisco.
Só que "há um momento em que tem de ser ele a decidir", diz um especialista em religião. E, pelo que se viu, não há conciliação possível, um meio termo entre as posições conservadoras ou modernas assumidas no último sínodo.
Francisco terá de escolher um lado, tomar partido, e isso, inevitavelmente, acabará por afastar um dos lados (...).
.
O terreno à volta de Francisco está minado.
Marco Politi, outro vaticanista italiano, não faz a coisa por menos e lançou o livro "Francisco Entre os Lobos", em que explica como "está em curso uma batalha muito séria entre o projeto reformista de Francisco e as oposições".
.
Os "lobos" estão por todo o lado, são adversários "na Cúria e fora da Cúria", estão "tanto em Roma como fora de Roma".
"Não se manifestam abertamente", diz o jornalista, mas nem por isso têm menos força.
Podem ser conservadores da doutrina, paladinos da tradição.
Mas também forças económicas que não vêem, nem viram, com bons olhos um Papa que não tem problemas em dizer que o atual modelo económico é um pecado mortal, porque o capitalismo "mata mesmo".
.
Marco Politi pode estar a exagerar quando assume que "a máfia financeira foi perturbada nos seus tráficos por um pontífice que rema contra o luxo, é coerente e credível".
Por isso, se pudessem, "os mafiosos não hesitariam em pregar-lhe uma rasteira (...). Não sei se a criminalidade organizada está em condições de fazer algo, mas está a pensar sobre o assunto. Pode ser muito perigoso", diz.
.
Pode ser uma posição extremada. Ninguém consegue contar as espingardas dos que estão contra o Papa Francisco.
Já dos que o continuam a apoiar há quem garanta estar seguro de que são maioritários.
.
Leonardo Boff, teólogo brasileiro, expoente da teoria da libertação, defende com unhas e dentes o atual Papa, porque compreendeu como é "imprescindível abrir a Igreja" sobretudo à realidade do Terceiro Mundo, "onde vivem 72,56% dos católicos.
O Povo estará com Francisco.
A Cúria, nem por isso".
.
.
Rosa Pedroso Lima, in E - A Revista do Expresso, Edição 2214, 3-Abril-2015, pág. 33, Lisboa, Portugal.
.
(Destaques da responsabilidade da Torre).
.

terça-feira, 31 de março de 2015

A "rendição" de uma menina síria

.
.
.

Hudea, menina síria de quatro anos, confundiu a máquina fotográfica do jornalista com uma arma e, instintivamente, levantou os braços e “rendeu-se”.
.
A imagem, captada no campo de refugiados de Atmeh, deve-se ao turco Osman Sagirli.
.
Símbolo terrível do drama criminoso que se vive na Síria.
.
(Fonte: revista "Visão", Lisboa, Portugal, 30-Março-2015).
.

sexta-feira, 20 de março de 2015

O Bicho

..
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
.
O bicho, meu Deus,
era um homem. (*)
.
.

(*) Manuel Bandeira (Brasil)

domingo, 15 de março de 2015

Portugal à Direita - Últimas Notícias do Califado

.


“(...) Um dos cancros que hoje rói a humanidade é incompreendido por muitos que se digladiam à sua volta; por isso não cessa de aumentar.

O erro começa na identificação da questão. A degradação da família e a queda da natalidade são os elementos mais influentes, porque mais nucleares, da situação presente (…). As culturas são muitas e os contornos variados, mas a tendência é geral.

Outro erro é tomar a situação presente, com casamentos desfeitos, uniões de facto e ausência de natalidade, como a nova realidade. Isso é tão ingénuo como ter achado sólida a família tradicional. Por muito que se exaltem ou abominem os chamados "novos" tipos de família, eles são voláteis (…).

É verdade que a emancipação da mulher a masculiniza, desprezando as características femininas, no esforço obsessivo de as provar capazes em jogos de homens. É verdade que, em nome da liberdade sexual radical, se abandonam dignidade e equilíbrio, sacrificando essa liberdade no altar do deboche (…).”
.
Autor: João César das Neves (foto acima) – Destino Fora de Casa – Diário de Notícias – Lisboa –  Portugal -11-Março-2015

.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Recado às figurinhas venais que passeiam pelos dias que correm a sua insignificante, efémera - mas muitíssimo bem paga - importância...

..

.
Compreende-se que lá para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,

ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.

Compreende-se.

E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto
(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, o Artaxerxes, e o Xenofonte, e o Heráclito,
e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,
que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,

e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos Cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogénio.
 
Compreende-se.

Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.

Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.

E o nosso sofrimento para que serviu afinal?   (*)
.
.
(*) - Poema do Alegre Desespero, António Gedeão, Portugal.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Cixi, de Concubina a Imperatriz da China

.
.
A Quetzal lançou recentemente a obra A Imperatriz Viúva - Cixi, a Concubina Que Mudou a China, um texto fascinante de Jung Chang (celebrada autora de Cisnes Selvagens).

Cixi (1835-1908) é considerada por muitos a mulher mais importante da História da China. Proveniente de uma das mais antigas e ilustres famílias manchus, foi seleccionada, com apenas dezasseis anos, para fazer parte do numeroso harém do imperador chinês Xianfeng.

Na corte, o seu nome próprio nem sequer ficou registado na altura, pois era considerada demasiadamente insignificante para justificar tal assento. Figurou, apenas, como "mulher da família Nala". Contudo, em menos de dez anos, esta jovem decidida abriu caminho para se tornar governante da China. Após a morte do imperador, tomou o trono aos regentes nomeados por ele e, durante décadas, até à sua morte (1908) teve nas mãos o destino de um terço da população mundial.
Cixi, também pronunciado Tzu Hsi, foi o seu nome honorífico, significando "amável e alegre".

Cixi reinou em tempos historicamente conturbados, percorridos por grandes crises internas e externas. Mas conseguiu transformar profundamente o país, desenvolvendo todos os sectores e infraestruturas indispensáveis a um Estado moderno: indústria, caminhos-de-ferro, electricidade e comunicações.
Desempenhou também um papel importante em reformas sociais, abolindo, por exemplo, práticas de extrema crueldade, como a morte através dos mil golpes ou a tradição de ligar brutalmente os pés das mulheres.

Sobre esta obra, escreveu The Economist: "A história extraordinária de Cixi tem todos os elementos de um conto de fadas: é bizarra, sinistra, triunfante e terrível".

Por seu turno, o New York Magazine comentou: "Este livro de Jung Chang mergulha numa figura verdadeiramente fascinante: uma ferina consorte imperial que governou por detrás dos tronos de dois e sucessivos imperadores chineses e que conduziu a China até ao século XX. Uma história maquiavélica narrada pela autora da biografia definitiva de Mao".

Leitura altamente recomendada pela Torre.
.
JUNG CHANG, A Imperatriz Viúva - Cixi, a Concubina Que Mudou a China, Quetzal Editores, Lisboa, 2014 (520 pgs.).

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Quando Se Deve Demitir um Primeiro-Ministro

.
.
“(…) A demissão de um primeiro-ministro é algo de muito sério.
Não se exige por desfastio, ao não lhe irmos com a cara ou as ideias, mas só e apenas,

Quando se torna claro que é incapaz e indigno.

Quando fica evidente que chegou ao poder através de um colossal e calculado embuste, negando o que tencionava fazer (Catroga, um dos autores do programa do PSD, revelou agora que o aumento de impostos foi rasurado do documento).

Quando anuncia medidas incendiárias num dia para as retirar semana e meia depois.

Quando todas as suas previsões - todas, sem exceção - falham sem que sequer o admita ("tenho noção da realidade", escandaliza-se ele).

Quando aumenta brutalmente os impostos e, perante o que todos menos ele e o seu Gaspar previam - a queda da receita fiscal - fala de "surpresa orçamental", para a seguir voltar a fazer o mesmo, em pior.

Quando toma medidas inconstitucionais e a seguir se queixa do tribunal que lho diz e o culpa por ter de tomar mais - e mais inconstitucionais.

Quando se recusa a aproveitar a aberta da Grécia e a renegociar o acordo com a troika, mas não se incomoda em rasgar todos os compromissos assumidos com os eleitores e se prepara para, após anunciar a venda ao desbarato de todos os ativos nacionais, trucidar até o pacto social que funda o regime.

Demite-se um primeiro-ministro quando é mais danoso para o País mantê-lo no lugar que arriscar outra solução, por fraca e incerta que pareça.

Quando cada dia que permanece no lugar para o qual foi eleito cria perigo para a comunidade.

Demite-se um primeiro-ministro
quando é preciso.

É preciso."
.
Fernanda Câncio – Obviamente, in Diário de Notícias, Lisboa , Portugal, 30-Novembro-2012.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Notícias da Guerra na Europa (A Visita da Chanceler - Nada de Novo na Frente Ocidental)

.
Erich Maria Remarque, escritor alemão, hostilizado pelo III Reich





Ângela Merkel, chanceler alemã




.
Miguel Torga, poeta português

.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Acordai, Portugueses!

.
Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raiz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

(Acordai - Poema de José Gomes Ferreira - Portugal)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Líbia - As Amazonas de Kadhafi

.
 .
"São jovens, bonitas e treinadas para matar.
Muammar Kadhafi dispensa os tradicionais seguranças masculinos de fato e óculos escuros. Só aceita ser escoltado por mulheres seleccionadas a dedo para integrar a sua Guarda Amazónica.

Submetidas a um treino intensivo numa academia especial, as amazonas do ditador líbio aprendem artes marciais e tornam-se especialistas em armas de fogo.
Em viagens oficiais, o governante, que tem recusado abandonar o poder apesar dos fortes protestos na capital, costuma fazer-se acompanhar de 30 ou 40 elementos de segurança.
Onde quer que vão, as amazonas de Kadhafi são o centro das atenções: apresentam-se maquilhadas, usam salto alto, penteados de estilo ocidental e vestem uniforme militar.
Fortemente armado, este grupo de mulheres faz parte da longa lista de excentricidades do Chefe do Estado líbio.

Para integrarem a força de segurança, as jovens, também responsáveis por vigiar a tenda onde o líder beduíno fica alojado nas suas viagens, têm de ser virgens e fazer um voto de castidade.
Ainda assim, os supostos critérios de selecção anunciados pelo regime não impedem que corram rumores sobre o alegado envolvimento sexual entre Kadhafi e as suas amazonas.
Para entrar na Guarda Amazónica, as mulheres têm de jurar proteger o seu líder com a vida.

.
Durante uma visita a Itália em Agosto do ano passado para estreitar relações com o Governo de Silvio Berlusconi, Kadhafi discursou perante centenas de jovens e pediu-lhes que se convertessem ao Islão.
O líder afirmou ainda que as mulheres são mais bem tratadas no seu país do que no Ocidente, dando origem a uma acesa polémica em Itália.

Documentos revelados pela WikiLeaks em Novembro revelam, contudo, que tem havido "uma diminuição da importância" das agentes que protegem Kadhafi.
"Só uma guarda feminina foi incluída na delegação composta por 350 pessoas que acompanhou Kadhafi na sua viagem a Nova Iorque", pode ler-se na correspondência trocada entre diplomatas americanos e o Departamento de Estado dos Estados Unidos, em Setembro de 2009.
"Observadores em Tripoli especulam que a sua guarda feminina está a começar a ter um papel menos significativo em termos de segurança pessoal", acrescenta-se no documento.

Viajar com um dispositivo de segurança fortemente armado já trouxe alguns problemas a Kadhafi.
Quando em Novembro de 2006 o Presidente líbio aterrou em Abuja, na Nigéria, acompanhado de 200 seguranças, as autoridades do aeroporto recusaram-se a deixá-lo entrar na cidade. Em causa não estava o número de elementos da comitiva, mas antes a quantidade de armas e munições que eram transportadas. Após a intervenção do então presidente nigeriano, Olusegun Obasanjo, Kadhafi aceitou entregar grande parte do armamento, mas antes ainda ameaçou ir a pé até ao centro da cidade, que fica a 40 quilómetros do aeroporto.

Mas não é só a sua segurança que Kadhafi deixa nas mãos das mulheres.
Para onde quer que vá, o ditador faz-se acompanhar por uma equipa de quatro enfermeiras. Uma delas é descrita por diplomatas americanos como uma "loira voluptuosa", com quem o ditador manterá uma relação amorosa e que poderá ser uma das suas companhias no bunker onde agora se encontra refugiado."  (*)
.
(*) - Catarina Reis da Fonseca - Diário de Notícias - Lisboa - Portugal (26-Fev-2011)
.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Cartazes da Antiga U. R. S. S.

.
 .
.




.
 .




.
.






.
.
 .
.
.




 .
.





.
 .
.





.
 .
.




.
 .
.





.
 .
.




.
 .
.





.
 .
.





.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"Este capitalismo não tem remissão" (ou: por que razão estão cortando seu salário...)

.
.

"(…) Com excepção da China, não há uma única economia nacional relevante que não esteja neste momento dependente das consequências das aventuras criminosas do sector financeiro.
A Islândia é um bom ponto de partida: uma ilha no meio do Atlântico, com uma população igual à da cidade do Porto, uma economia próspera, um sistema social perfeito e solvente.
De repente, desregulado o sistema financeiro, rapidamente a banca islandesa tinha outorgado empréstimos numa quantia equivalente a dez vezes o PIB do país e, entre outras coisas, para financiar jovens tycoons que queriam comprar lojas de luxo em Oxford Street, em Londres.

Quando os empréstimos começaram a não ser pagos, a banca islandesa ficou à beira da falência e o Estado teve de acorrer, mobilizando tudo o que tinha.
A dívida pública disparou, as empresas fecharam por falta de crédito, o desemprego cresceu até aos 12%.
O mesmo cenário na Irlanda (que agora teve de mobilizar os fundos das pensões de reforma dos trabalhadores para tapar os buracos da banca), e o mesmo cenário nos Estados Unidos - e daí para o mundo inteiro.

Para quem não conhece bem a história, recomendo que veja o filme "Inside Job", cuja maior contribuição é mostrar a cara de alguns dos protagonistas da urdidura - e é sempre bom ver a cara dos criminosos: explica muito do que não se consegue explicar.

Resumindo, a história é esta: aproveitando a sua sublime ignorância, Ronald Reagan foi facilmente convencido a desregulamentar o mercado financeiro: se o Estado nada controlasse, explicaram-lhe, a banca funcionaria livremente, haveria crédito abundante e barato para todos e a economia prosperaria.

Clinton não conseguiu ou não quis rever a libertinagem e Bush-filho, esse idiota trágico, ainda aprofundou a ribaldaria e aliviou-a de impostos.
Livres de vigilância, pressionados pelos accionistas em busca de lucros rápidos e aliciados por milionários prémios de gestão, os gestores financeiros americanos entregaram-se alegremente a uma década de irresponsável bebedeira.
O mais à mão que tinham era o crédito imobiliário (tal como cá...), e desataram a financiar compras de casas, emprestando 99% do seu preço a quem não tinha hipótese alguma de as pagar.



.
Com isso, fizeram subir exponencialmente o preço das casas, criando a célebre 'bolha imobiliária', e produzindo os chamados 'activos tóxicos', sob a forma de hedge funds e 'produtos derivados' - que começaram a vender aos clientes como investimento garantido e de retorno excepcional.
Para tal, contaram com a conivência das agências de rating (as mesmas que agora especulam contra a nossa dívida soberana, impondo-nos juros de 7% ou mais - a Moody's, a Fitch, a Standard & Poor's).

 Sem nenhum escrúpulo, as agências, que recebiam tanto mais dos bancos quanto mais valorizassem os seus 'activos tóxicos', atribuíram-lhes as cotações máximas, levando os incautos ao engano.
Entretanto, os mesmos bancos que promoviam a venda dos activos tóxicos como produtos seguros perante os seus clientes, resguardavam-se inventando os CDS (credit default swaps), uma espécie de seguro contra a insolvência dos tóxicos.

Ou seja, ganhavam duas vezes, roubando os seus clientes: ganhavam vendendo-lhes lixo e ganhavam apostando na sua falência.
Quando, como era inevitável que acontecesse, os créditos imobiliários começaram a não ser pagos, todo o sistema desmoronou.

Milhões de americanos ficaram sem as casas que tinham começado a pagar. Milhões de aforradores, que tinham acreditado na credibilidade dos 'produtos derivados', ficaram sem as suas poupanças.
Bancos de investimento e de retalho abriram falência e arrastaram as empresas que deles dependiam e estas lançaram no desemprego outros milhões de americanos.
Mas, nessa altura, já os grandes accionistas e os seus gestores na banca estavam a salvo e tinham encaixado biliões de lucros roubados aos clientes e passados para as offshores.



Estranhamente, com excepção de Roubini, nenhum dos gurus da economia tinha imaginado que pudesse implodir um sistema onde os lucros crescentes não correspondiam a riqueza crescente mas apenas a especulação, e que, numa economia global, uma crise desencadeada num dos seus pilares pudesse alastrar ao resto do mundo.

Soube-se depois porquê: porque também a Universidade, a elite dos economistas, estava a soldo do sistema financeiro e pregava o que eles queriam.
A crise do sistema financeiro americano, desencadeada por práticas especulativas e criminosas, alastrou ao mundo e criou cinquenta milhões de desempregados, dezenas de milhares de falências de empresas viáveis, e obrigou os Governos a investirem uma parte inimaginável do dinheiro dos contribuintes e das poupanças dos reformados para salvar o sistema financeiro.

Mas nada de essencial mudou.
Nos Estados Unidos, onde George W. Bush, o campeão do liberalismo, teve de nacionalizar bancos para salvar os ricos com o dinheiro dos pobres, Obama não conseguiu que o Congresso, dominado pelos republicanos, lhe aprovasse legislação para recuperar esse dinheiro roubado aos contribuintes, não conseguiu que lhe permitisse voltar a tributar os grandes lucros financeiros isentados de impostos por Bush e não conseguiu sequer livrar-se de ter como reguladores do sistema financeiro alguns dos grandes criminosos que o fizeram implodir, como os 'sábios' da Goldman Sachs.

E as empresas de rating, as tais que aconselhavam a comprar créditos incobráveis, continuam a aconselhar os mercados a apostarem agora na falência de Portugal e de Espanha e na morte do euro.

Antes de mais nada, esta é uma crise de valores éticos, de valores de vida em sociedade.
E mal vai o mundo se não há uma geração de líderes políticos com capacidade e coragem de fazer frente a este bando de abutres que suga o trabalho, o esforço e os sonhos de tanta gente que é vítima da sua ganância sem limite.

Esse é o combate inadiável, sem o qual nenhum sacrifício do presente faz sentido."   (*)

(*) - Miguel Sousa Tavares - Expresso – Lisboa – Portugal (30-Dezembro-2010)
.
.