Pequenas e grandes histórias da História e mensagens mais ou menos amenas sobre vidas, causas, culturas, quotidianos, pensamentos, experiências, mundo...
O professor disserta sobre ponto difícil do programa.
Um aluno dorme,
Cansado das canseiras desta vida.
O professor vai sacudi-lo?
Vai repreendê-lo?
Não.
O professor baixa a voz,
Com medo de acordá-lo.
O jardineiro conversava com as flores, e elas se habituaram ao diálogo.
Passava
manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um
gerânio.
O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito,
ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza.
Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a
voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação
bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o
jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na devida
ocasião.
O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos
canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mandou-o embora, depois de
assinar a carteira de trabalho.
Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque
não tinham induzido o girassol a mudar de atitude.
A mais triste de todas era o
girassol, que não se conformava com a ausência do homem.
"Você o tratava
mal, agora está arrependido?"
"Não, respondeu, estou triste porque
agora não posso tratá-lo mal. É minha maneira de amar, ele sabia disso, e
gostava". (*)
Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
.
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
.
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.
Ponho-me a escrever teu nome com letras de macarrão. No prato, a sopa esfria, cheia de escamas e debruçados na mesa todos contemplam esse romântico trabalho. Desgraçadamente falta uma letra, uma letra somente para acabar teu nome!
- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!
Eu estava sonhando... E há em todas as consciências um cartaz amarelo: "Neste país é proibido sonhar." . Carlos Drummond de Andrade - Brasil (1902-1987) .
De 31 de Maio a 21 de Junho de 1970, uma selecção brasileira compareceu no México para disputar a fase final da Copa do Mundo de Futebol.
O Brasil possuía (como sempre) jogadores superdotados. Basta lembrar Tostão, Gérson, Carlos Alberto, Rivelino, Jairzinho, Leão.
Possuía, acima de todos, o (sobrenatural) Pelé.
Mas o desfecho de um Campeonato do Mundo é sempre imprevisível, mesmo para o melhor futebol do Mundo, que é o do Brasil (recordem 1950, contra o Uruguai; ou 1966, contra Portugal).
... Porém, a par de Pelé e de seus companheiros, o Brasil tinha ainda Carlos Drummond de Andrade, o grande poeta.
Em Maio, às vésperas do início da competição, angustiado pelos males do seu país, ele elevou aos céus esta
Prece do brasileiro
Meu Deus, só me lembro de vós para pedir,
mas de qualquer modo sempre é uma lembrança.
Desculpai vosso filho,
que se veste de humildade e esperança
e vos suplica:
Olhai para o Nordeste onde há fome, Senhor,
e desespero dando nas estradas entre esqueletos de animais.
Em Iguatu, Parambu, Baturité,Tauá
(vogais tão fortes não chegam até vós?)
vede as espectrais procissões de braços estendidos,
assaltos, sobressaltos, armazéns arrombados
e – o que é pior – não tinham nada.
Fazei, Senhor, chover a chuva boa,
aquela que, florindo e reflorindo,
soa qual cantata de Bach em vossa glória
e dá vida ao boi, ao bode, à erva seca,
ao pobre sertanejo destruído
no que tem de mais doce e mais cruel:
a terra estorricada sempre amada. Fazei chover, Senhor, e já!
numa certeira ordem às nuvens.
Ou desobedecem a vosso mando, as revoltosas?
Fosse eu Vieira (o padre)
e vos diria, malcriado, muitas e boas...
mas sou vosso fã omisso, pecador, bem brasileiro.
Comigo é na macia, no veludo/lã
e matreiro, rogo,
não ao Senhor Deus dos Exércitos (Deus me livre)
mas ao Deus que Bandeira, com carinho, botou em verso:
“meu Jesus Cristinho”.
E mudo até o tratamento:
por quê “vós”, tão gravata-e-colarinho,
tão“vossa excelência?”
O "você" comunica muito mais
e se agora o trato de “você",
ficamos perto,
vamos papeando
como dois camaradas bem legais,
um, puro;
o outro, aquela coisa, quase que maldito
mas amizade é isso mesmo:
salta o vale, o muro, o abismo do infinito.
Meu querido Jesus, que é que há?
Faz sentido deixar o Ceará sofrer em ciclo
a mesma eterna pena?
E você me responde suavemente:
Escute, meu cronista e meu cristão:
essa cantiga é antiga
e de tão velha não entoa não.
Você tem a Sudene
abrindo frentes de trabalho de emergência,
antes fechadas.
Tem a ONU,
que manda toneladas de pacotes
à espera de haver fome.
Tudo está preparado para a cena
dolorosamente repetida no mesmo palco.
O mesmo drama, toda vida.
No entanto, você sabe,
você lê os jornais, vai ao cinema,
até um livro de vez em quando lê
se o Buzaid não criar problema:
Em Israel, minha primeira pátria
(a segunda é a Bahia)
desertos se transformam em jardins
em pomares, em fontes, em riquezas.
E não é por milagre:
obra do homem e da tecnologia.
Você, meu brasileiro, não acha
que já é tempo de aprender
e de atender àquela brava gente
fugindo à caridade de ocasião
e ao vício de esperar tudo da oração?
Jesus disse e sorriu.
Fiquei calado.
Fiquei, confesso,
muito encabulado,
mas pedir, pedir sempre ao bom amigo
é balda que carrego aqui comigo.
Disfarcei e sorri.
Pois é, meu caro.Vamos mudar de assunto.
Eu ia lhe falar noutro caso,
mais sério, mais urgente.
Escute aqui, ó irmãozinho.
Meu coração, agora, tá no México
batendo pelos músculos de Gérson,
a unha de Tostão,
a ronha de Pelé,
a cuca de Zagalo,
a calma de Leão
e tudo mais que liga o meu país
e uma bola no campo
e uma taça de ouro.
Dê um jeito, meu velho,
e faça que essa taça
sem milagres ou com eles
nos pertença
para sempre, assim seja...
Do contrário
ficará a Nação tão malincônica,
tão roubada em seu sonho e seu ardor
que nem sei como feche a minha crônica.
(Carlos Drummond de Andrade - 30-Maio-1970)
Nota da Torre - ... e o Brasil, pela terceira vez, foi Campeão do Mundo de Futebol...
Pode rever abaixo os golos dessa inesquecível conquista, que os Portugueses também celebraram como sua: