A Paixão Segundo São João é um oratório sacro de Johann Sebastian Bach.
A peça foi composta em 1724, na cidade de Leipzig, Alemanha, dias antes da Sexta-Feira Santa (que calhou nesse ano a 14 de Abril).
Consiste numa representação dramática do texto contido no Evangelho de São João.
[A interpretação que pode ouvir abaixo é do Collegium Vocale Gent, com a direcção de Philippe Herreweghe] |
Pequenas e grandes histórias da História e mensagens mais ou menos amenas sobre vidas, causas, culturas, quotidianos, pensamentos, experiências, mundo...
sexta-feira, 19 de abril de 2019
A Paixão Segundo São João - "Ruht Wohl" ("Repousai em Paz")
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quarta-feira, 17 de abril de 2019
Historinhas com Moral - "O Rei dos Animais"
"Saiu o leão a fazer sua pesquisa estatística, para verificar se ainda era o Rei das Selvas.
Os tempos tinham mudado muito, as condições do
progresso alterado a psicologia e os métodos de combate das feras, as relações
de respeito entre os animais já não eram as mesmas, de modo que seria bom
indagar.
Não que restasse ao Leão qualquer dúvida quanto à sua realeza. Mas
assegurar-se é uma das constantes do espírito humano, e, por extensão, do espírito
animal. Ouvir da boca dos outros a consagração do nosso valor, saber o sabido,
quando ele nos é favorável, eis um prazer dos deuses.
Assim, o Leão encontrou o
Macaco e perguntou: Hei, você aí, macaco - quem é o rei dos
animais?
O Macaco, surpreendido pelo rugir indagatório, deu um salto de
pavor e, quando respondeu, já estava no mais alto galho da mais alta árvore da
floresta: Claro que é você, Leão, claro que é você!
Satisfeito, o Leão continuou pela floresta e perguntou
ao papagaio: Currupaco, papagaio. Quem é, segundo seu conceito, o Senhor
da Floresta, não é o Leão?
E como aos papagaios não é dado o dom de
improvisar, mas apenas o de repetir, lá repetiu o papagaio: Currupaco… Não é o Leão? Não é o Leão? Currupaco, não é o Leão?.
Cheio de si, prosseguiu o Leão pela floresta em busca
de novas afirmações de sua personalidade. Encontrou a coruja e perguntou:
"Coruja, não sou eu o maioral da mata?
Sim, és tu, disse
a coruja.
Mas disse de sábia, não de crente.
E lá se foi o Leão, mais firme no
passo, mais alto de cabeça.
Encontrou o tigre.
Tigre - disse em voz de
estentor -, eu sou o rei da floresta. Certo?
O tigre rugiu, hesitou, tentou
não responder, mas sentiu o barulho do olhar do Leão fixo em si, e disse,
rugindo contrafeito: Sim.
E rugiu ainda mais mal-humorado e já
arrependido, quando o leão se afastou.
Três quilômetros adiante, numa grande clareira, o Leão
encontrou o elefante.
Perguntou: Elefante, quem manda na floresta, quem é
Rei, Imperador, Presidente da República, dono e senhor de árvores e de seres,
dentro da mata?
O elefante pegou-o com a tromba, deu três voltas com ele
pelo ar, atirou-o contra o tronco de uma árvore e desapareceu floresta adentro.
O Leão caiu no chão, tonto e ensanguentado, levantou-se lambendo uma das patas,
e murmurou: Que diabo, só porque não sabia a resposta não era preciso
ficar tão zangado.
Moral:
Cada um tira dos acontecimentos a conclusão que bem entende. (*)
Moral:
Cada um tira dos acontecimentos a conclusão que bem entende. (*)
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| Millôr Fernandes |
(*) Texto da autoria de Millôr Fernandes (Brasil, 1923-2012). Consta do seu livro "Fábulas Fabulosas".
Fonte: PROJETO RELEITURAS, de Arnaldo Nogueira Jr.
segunda-feira, 15 de abril de 2019
Händel - Suite para cravo n.º 4 ("Sarabande")
Georg Friedrich Händel, compositor alemão. Nasceu em Halle an der Saale (Brandemburgo - Prússia) no dia 23 de Fevereiro de 1685 e faleceu em Londres a 14 de Abril de 1759.
Naturalizou-se cidadão britânico em 1726.
Exímio instrumentista e com grande facilidade em compor, produziu mais de 600 obras - entre óperas, oratórios e música instrumental. É considerado um dos grandes mestres do Barroco musical europeu.
Oiça abaixo a sua Suite para cravo n.º 4 ("Sarabande"):
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sexta-feira, 12 de abril de 2019
O Túmulo de Tutankhamon
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Máscara funerária do faraó Tutankhamon, que reinou por volta de 1350 a. C. (há cerca de 3370 anos).
Feita de ouro polido, incrustado com vidro multicolor, lazulite, feldspato verde, cornalina, alabastro e obsidiana.
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O Vale dos Reis situa-se na margem ocidental do Nilo, em frente de Karnac e de Luxor, e faz parte dos vastos terrenos onde outrora existia a necrópole de Tebas.
Foi ali que se construíram, sob o Novo Império, os túmulos dos mortos ilustres e os templos dos faraós.
O projecto daquela necrópole, a maior do mundo, deveu-se à iniciativa de Tutmés I (1545 a. C. a 1515 a. C.).
Foi Tutmés que decidiu separar o sepulcro do templo. Pensava obter desse modo a segurança que não tinham conseguido os seus predecessores, como demonstrava a sistemática violação de túmulos pelos ladrões.
Em 1922, o Vale dos Reis foi teatro de uma descoberta arqueológica que causou sensação: o túmulo do faraó Tutankhamon. Tal achado deveu-se à feliz conjugação de esforços de duas figuras: Howard Carter, o sábio especialista, “homem do terreno”, que dirigiu os trabalhos de escavação; e Lord Carnarvon, financiador do projecto, um amador de arte, desportista e globe-trotter.
Os trabalhos principiaram em 1916, numa altura em que especialistas garantiam que, no Vale, mexido e remexido por inúmeras escavações, fora já descoberto tudo quanto havia para descobrir. Todos os grãos de areia tinham sido literalmente virados, revirados e peneirados, pelo que se compreende que tenham dito a Lord Carnarvon, quando ele conseguiu a concessão, que esta era inútil, pois o Vale não poderia oferecer mais nada.
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| Howard Carter (1874-1939, Londres) |
.Howard Carter era um daqueles seres possuidores de inesgotável confiança em si próprio. Ele acreditava que em determinado local do Vale dos Reis acabaria por encontrar um túmulo importante.
Porquê? Porque em tempos ali se haviam realizado alguns achados que ele acreditava tratarem-se de pistas inequívocas: uma taça de faiança, alguns vasos de barro, meia dúzia de selos e, pormenor dos pormenores, um nome – Tutankhamon – gravado nalgumas peças.
A probabilidade de êxito de Carter era, à partida, mínima: tinham passado mais de três milénios sobre o eventual sepultamento de um faraó na zona. Acrescia a acção dos salteadores de túmulos, as inúmeras transferências “defensivas” levadas a cabo pelos sacerdotes ou a imperícia de muitos arqueólogos que o haviam antecedido - e que poderiam ter destruído vestígios importantes.
No primeiro Inverno, Carter desentulhou as imediações do túmulo de Ramsés IV (anteriormente descoberto). Interrompidos os trabalhos devido às visitas turísticas, as escavações concentraram-se perto da entrada daquele túmulo em 1919-1920.
Perante os fracos resultados (apenas os restos soterrados de antiquíssimas cabanas de operários), as escavações foram então concentradas em redor do túmulo de Tutmés III, situado num pequeno vale adjacente, onde também não se achou “nada que valesse a pena”.
Regressou-se portanto às proximidades do túmulo de Ramsés IV, onde antes se tinham negligenciado as cabanas dos trabalhadores (datadas, provavelmente, da XX.ª dinastia egípcia).
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Em 3 de Novembro de 1922 (com Lord Carnarvon em Inglaterra), Howard Carter começou a demolir as cabanas, fazendo enfim o que já poderia ter feito seis anos antes.
Na manhã seguinte achou debaixo da primeira cabana um degrau de pedra. Na tarde de 5 de Novembro já não restava a Carter a mínima dúvida de que havia realmente encontrado a entrada de um túmulo.
Mas principiaram então os receios.
Seria algum túmulo por acabar, que não tivesse sido sequer utilizado? Tratar-se-ia de um túmulo profanado e saqueado, como sucedera a tantos outros no Vale? Ou seria apenas o túmulo de algum cortesão ou de um sacerdote?
Os trabalhos continuavam, a ansiedade de Carter aumentava. Os degraus surgiam do entulho, uns após outros. E sob os últimos raios de sol apareceu o décimo segundo degrau e distinguimos a parte superior de uma porta selada, coberta de argamassa.
Carter examinou os selos. Eram os da necrópole real. Por detrás da porta devia portanto repousar uma personagem ilustre. E quando ele, numa agitação febril, abriu na porta um buraco do tamanho indispensável para nele introduzir uma lâmpada eléctrica, avistou um corredor atulhado de pedras – mais uma prova da protecção segura que fora dada ao túmulo.
Oiçamo-lo: Atrás daquele corredor entulhado podia encontrar-se tudo, absolutamente tudo, e precisei de toda a minha abnegação para não arrombar a porta.
Mas o sábio, prestes a alcançar o objectivo perseguido durante seis anos infrutíferos, tomou a resolução de fechar novamente a entrada do túmulo para aguardar a chegada de Lord Carnarvon, seu Mecenas e amigo.
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Na manhã de 6 de Novembro, Carter expediu o seguinte telegrama para o seu associado: Magnífica descoberta no Vale; túmulo grandioso com selos intactos; tudo fechado novamente até à sua chegada. Parabéns!
Recebeu a resposta no dia 8: Vou o mais depressa possível. Espero chegar 20 a Alexandria.
A 23, Lord Carnarvon chegava com a filha (Evelyn, ao lado do pai na imagem acima).
Na tarde de 24, os operários desobstruíram completamente a escada. Carter desceu os dezasseis degraus que iam dar à porta selada. Viu nos selos o nome de Tutankhamon:
Quando a luz do dia iluminou a porta, verificámos uma coisa que até então nos escapara: por duas vezes a porta fora aberta e tornada a fechar. O túmulo não estava intacto, como supuséramos. Os ladrões tinham lá entrado. Mas, a julgar pelas cabanas construídas por cima, a pilhagem não podia datar de época posterior ao reinado de Ramsés IV, e o facto de o túmulo ter sido outra vez selado era indício de que não estava vazio”.
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Ao fim de alguns dias toparam com outra porta, a cerca de dez metros da entrada do corredor.
Essa porta ostentava também os selos de Tutankhamon e da necrópole real. A comoção de Carnarvon e de Carter crescia à medida que iam retirando o entulho da frente da segunda porta.
Escreve Carter: Tinha chegado o momento decisivo. Com mãos trémulas fizemos uma pequena abertura no canto de cima à esquerda…
Carter pegou então numa barra de ferro e enfiou-a pela abertura; não encontrando a menor resistência, introduziu por várias vezes uma chama, e como nenhum gás manifestasse a sua presença, alargou o buraco. Nesse momento toda a assistência se aproximou – Lord Carnarvon, sua filha Evelyn e o egiptólogo Callender, que se oferecera para colaborar logo que tivera notícia da descoberta.
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Com um movimento nervoso, Carter riscou um fósforo, acendeu uma vela e chegou-a ao buraco. A mão tremia-lhe. Quando aproximou a cabeça da abertura, para fazer finalmente ideia do que havia do outro lado, o ar quente que vinha do interior fez vacilar a chama.
No primeiro instante Carter não pôde distinguir nada, mas quando os seus olhos se habituaram à luz indecisa, não soltou qualquer exclamação de entusiasmo: ficou mudo!
Incapaz de suportar mais a incerteza, Carnarvon acabou por perguntar: Vê alguma coisa?.
Howard virou-se devagar e respondeu com voz profundamente comovida: Sim, coisas admiráveis.
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Aquela resposta foi confirmada quando abriram a segunda porta e a luz mais forte de outra lâmpada eléctrica fez cintilar os esquifes de ouro e o trono de ouro, tirando reflexos mates das duas grandes estátuas negras, dos vasos de alabastro, das urnas estranhas.
Nunca, em toda a história das escavações, se tinham realmente visto coisas tão maravilhosas como as que então nos desvendou essa lâmpada eléctrica!
Cabeças de animais exóticos projectavam nas paredes sombras disformes. De uma das urnas saía uma serpente de ouro com a língua de fora. Como sentinelas, as duas estátuas postadas frente a frente, com avental e sandálias de ouro, seguravam o bastão e a clava, brilhando-lhes na fronte a serpente sagrada.
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Passado longo tempo de contemplação daquela pompa fúnebre, Carnarvon e Carter repararam, consternados, que entre tantos tesouros não havia sarcófago nem múmia.
Descobriram então que entre as duas sentinelas reais existia uma terceira porta selada. Que poderia esconder aquela segunda câmara ou segundo corredor?
Pouco depois, fizeram outro achado importante. Um deles, espreitando por baixo de um dos três grandes esquifes, notou um pequeno buraco. Com o auxílio da lâmpada viram então uma pequena câmara lateral, mais pequena do que a antecâmara, mas cheia, atravancada mesmo, de utensílios e preciosidades de toda a espécie.
Depois de se aperceberem do recheio desta câmara e na expectativa do que poderia ainda ocultar a terceira porta selada, compreenderam quanto trabalho lhes seria necessário para levarem até ao fim a tarefa que se lhes apresentava.
Decidiram então fechar de novo o túmulo para voltarem mais tarde.
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Em 16 de Dezembro, o túmulo foi reaberto. E, em meados de Fevereiro, a antecâmara estava desimpedida. Só aqui referenciaram-se seiscentas e setenta peças.
No dia 17, às duas da tarde, Carter removeu com infinitas precauções a primeira camada de pedras da porta selada que haviam descoberto entre as duas sentinelas reais.
Ao fim de uns minutos pediu a lâmpada eléctrica e passou-a pela abertura.
Houve um murmúrio na assistência - cerca de vinte pessoas, entre cientistas e entidades oficiais.
O que Carter viu excedeu todas as expectativas. Tinha diante dos olhos aquilo que lhe pareceu um enorme muro reluzente, sem dúvida feito de ouro maciço. Em breve se compreenderia que se tratava da face anterior da urna funerária de Tutankhamon, sem dúvida a mais preciosa do mundo.
Essa urna enorme, como mais tarde verificariam, ocultava os diferentes ataúdes e o sarcófago da múmia.
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Carter pegou na lâmpada e deixou-se cair dentro do compartimento. A urna mortuária era de tais dimensões que ocupava o espaço quase todo. Já na presença de várias testemunhas, entre as quais Lord Carnarvon, verificou-se que as medidas exactas da urna eram as seguintes: 5,20x3,35x2,75 m.
Era toda recoberta de ouro. Painéis de faiança azul brilhante, embutidos nos lados, ostentavam os signos mágicos destinados a proteger o defunto. Sobre o sarcófago havia um selo intacto, sinal de que eram eles os primeiros a chegar.
Os despojos de Tutankhamon, que reinara por volta de 1350 a. C. (havia portanto cerca de 3300 anos), estavam diante deles. Um faraó falecido muito jovem, por volta dos 18 anos…
No minuto seguinte, nova surpresa. Na outra extremidade da câmara divisaram uma porta baixa que dava para outra câmara pequena. E, depois das maravilhas que tinham contemplado até então, esta frase de Carter é suficientemente expressiva: Uma olhadela bastou-nos para compreender que se encontravam ali os maiores tesouros do túmulo!
Carter e Carnarvon retiraram-se lentamente, passaram diante da urna e voltaram para a antecâmara. Três horas depois, às cinco da tarde, deixaram o túmulo. Quando saíram afigurou-se-lhes que o vale havia mudado e estava inundado de uma luz estranha.
No meio de tanto esplendor, o que é que mais impressionou Carter?
Ele informa-nos: … foi a coroazinha de flores, último adeus da jovem viúva ao esposo querido. Toda a pompa, toda a magnificência reais, todo o brilho deslumbrante do ouro empalideceram ao pé das pobres flores secas cujas cores não tinham desaparecido completamente. Eram elas que evocavam de maneira mais tocante a rápida passagem dos milénios.
Quando, no Inverno de 1925-26, desceu outra vez ao túmulo para abrir o caixão, Carter observou:
Tornou a impressionar-nos o mistério do túmulo, o temor e o respeito pelo que passou há muito e, não obstante, se conserva poderoso. Mesmo no trabalho puramente mecânico, o arqueólogo nunca perde completamente esse sentimento.
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Adaptado de Deuses Túmulos e Sábios, de C. W. Ceram.
Publicado em Portugal por Editora Livros do Brasil (Lisboa).
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quinta-feira, 11 de abril de 2019
terça-feira, 9 de abril de 2019
JACQUES OFFENBACH - Barcarolle (Da ópera: "Os Contos de Hoffmann")
Jacques Offenbach nasceu em Colónia (Prússia) em 1819.
Faleceu em Paris, no ano de 1880.
(Vídeo de Attika plucked string orchestra)
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sábado, 6 de abril de 2019
"Enterrem meu Coração na Curva do Rio" - A Palavra dos Índios
Em 1970, Dee Alexander Brown publicou
nos Estados Unidos um livro que logo se transformou num best-seller
(57 semanas de permanência na lista).
A obra tinha por título Bury my Heart at
Wounded Knee (An Indian History of the American West) e evocava, sob o ponto de vista dos Índios, uma parte da história do território entre
1865 e 1890.
O livro foi posteriormente editado no Brasil (co-edição do Centro do Livro
Brasileiro e das Edições Melhoramentos, 1973), com o título Enterrem meu
Coração na Curva do Rio - Uma História Índia do Oeste Americano, sendo extraordinariamente bem recebido pelo público e pela crítica.
Dois apontamentos
da imprensa do tempo:
Luís Carlos Lisboa (Jornal da Tarde) - Um depoimento comovente sobre a decadência e o
fim de um povo cheio de dignidade, de amor pela natureza e de boa fé.
Élio Gaspari (Veja) - Além de oferecer ao leitor minuciosas descrições
de tratados hipócritas e massacres desnecessários, inclui a sensação de que,
durante muito tempo, muita gente foi enganada de uma maneira tola nos livros e
nos cinemas onde Gary Cooper, fulgurante e indómito, salvava a mocinha das mãos
de selvagens comanches, sioux, cheyennes ou santees.
Os depoimentos abaixo transcritos pertencem, todos, a esses primeiros americanos, apanhados desprevenidos pela invasão irreprimível. Alguns chegaram a crer na palavra dos tratados que lhes propuseram, como sucedeu, por exemplo, em 1868: Nenhuma pessoa ou pessoas brancas poderão colonizar ou ocupar qualquer porção do território, ou, sem consentimento dos índios, passar pelo mesmo.
Mas eram frases ocas, cheias de perfídia - e eles logo se desiludiram. E assim viram desmoronar-se, com aterradora celeridade, e não obstante a bravura da última resistência, o mundo em que haviam nascido e em
que tinham criado uma cultura própria e elaborada.
Amavam a sua terra e por isso a defenderam sempre que lhes foi possível. Quando
não foi, submeteram-se. E viram-se condenados, na maior parte dos casos, a destinos miseráveis e sem esperança.
Ficam as suas palavras.
“Fizeram-nos
muitas promessas, mais do que me posso lembrar.
Mas eles nunca as cumpriram, excepto uma: prometeram tomar a nossa terra e tomaram-na.”
Mas eles nunca as cumpriram, excepto uma: prometeram tomar a nossa terra e tomaram-na.”
(Nuvem
Vermelha, dos Sioux Oglala)
“Soube que pretendem colocar-nos numa reserva perto das montanhas.
“Soube que pretendem colocar-nos numa reserva perto das montanhas.
Não quero ficar nela.
Gosto de vaguear pelas pradarias. Nelas sinto-me livre e feliz.
Quando nos fixamos, ficamos pálidos e morremos. Pus de lado a minha lança, o arco e o escudo, mas sinto-me seguro junto deles.
Disse-lhes a verdade. Não tenho pequenas mentiras ocultas em mim, mas não sei como são os comissários. São tão francos como eu?
Há muito tempo, esta terra pertencia aos nossos antepassados. Mas, quando subo o rio, vejo acampamentos de soldados nas suas margens.
Esses soldados cortam a minha madeira, matam o meu búfalo e, quando vejo isso, o meu coração parece partir-se. Fico triste…
Será que o homem branco se tornou uma criança, que mata sem se importar, e não
come o que matou? Quando os homens vermelhos matam a caça, é para que possam
viver, e não morrer de fome.”Gosto de vaguear pelas pradarias. Nelas sinto-me livre e feliz.
Quando nos fixamos, ficamos pálidos e morremos. Pus de lado a minha lança, o arco e o escudo, mas sinto-me seguro junto deles.
Disse-lhes a verdade. Não tenho pequenas mentiras ocultas em mim, mas não sei como são os comissários. São tão francos como eu?
Há muito tempo, esta terra pertencia aos nossos antepassados. Mas, quando subo o rio, vejo acampamentos de soldados nas suas margens.
Esses soldados cortam a minha madeira, matam o meu búfalo e, quando vejo isso, o meu coração parece partir-se. Fico triste…
(Satanta, dos Kiowas)
“Quando a pradaria pega fogo, vêem-se os animais cercados pelo incêndio.
Vê-se que eles correm e que tentam esconder-se para não se queimarem.
Vê-se que eles correm e que tentam esconder-se para não se queimarem.
É dessa maneira que estamos aqui.”
(Najinyanupi,
dos Sioux)
“Se não fosse o massacre, haveria muito mais gente aqui neste momento. Mas, depois deste massacre, quem poderia ficar?
“Se não fosse o massacre, haveria muito mais gente aqui neste momento. Mas, depois deste massacre, quem poderia ficar?
Quando fiz a paz com o tenente Whitman, o meu coração estava muito grande e
feliz.
A gente de Tucson e de San Xavier deve ser louca. Agiram como se não tivessem cabeças nem corações. Devem ter sede do nosso sangue.
Essa gente de Tucson escreveu para os jornais e contou a sua história.
A gente de Tucson e de San Xavier deve ser louca. Agiram como se não tivessem cabeças nem corações. Devem ter sede do nosso sangue.
Essa gente de Tucson escreveu para os jornais e contou a sua história.
Os apaches não têm ninguém para contar a sua história.”
(Eskiminzin, dos Apaches Aravaipa)
(Eskiminzin, dos Apaches Aravaipa)
“Esta guerra não nasceu aqui, na nossa
terra. Esta guerra foi trazida até nós pelos filhos do Pai Grande, que vieram
tomar a nossa terra sem perguntarem o preço, e que, aqui, fizeram muitas coisas
más. O Pai Grande e os seus filhos culpam-nos por estes problemas…
A nossa vontade era viver aqui, na nossa terra, pacificamente, e fazer o possível pelo bem-estar e prosperidade do nosso povo. Mas o Pai Grande encheu-a de soldados que só pensavam na nossa morte.
Alguns do nosso povo que saíram daqui de maneira a poder mudar alguma coisa, e outros que foram para o norte caçar, foram atacados pelos soldados desta direcção e, quando chegaram ao norte, foram atacados pelos soldados do outro lado. E agora, que desejam voltar, os soldados interpõem-se para os impedir de regressar ao lar.
A nossa vontade era viver aqui, na nossa terra, pacificamente, e fazer o possível pelo bem-estar e prosperidade do nosso povo. Mas o Pai Grande encheu-a de soldados que só pensavam na nossa morte.
Alguns do nosso povo que saíram daqui de maneira a poder mudar alguma coisa, e outros que foram para o norte caçar, foram atacados pelos soldados desta direcção e, quando chegaram ao norte, foram atacados pelos soldados do outro lado. E agora, que desejam voltar, os soldados interpõem-se para os impedir de regressar ao lar.
Parece-me que há um caminho melhor do que este. Quando os povos entram em
choque, o melhor para ambos os lados é reunirem-se sem armas e conversar sobre
isso, e encontrar algum modo pacífico de resolver.”
(Cauda Pintada, dos Sioux Brulés)
“Não queremos homens brancos aqui.
As Black Hills pertencem-nos.
Se os brancos tentarem tomá-las, lutaremos.”
[Tatanka
Yotanka (Touro Sentado), dos Sioux]
“Onde estão hoje os pequot? Onde estão os narragansett, os moicanos, os
pokanoket e muitas outras tribos outrora poderosas do nosso povo?
Desapareceram diante da avareza e da opressão do homem branco, como a neve
diante de um sol de Verão.
Vamos deixar que nos destruam, por nossa vez, sem luta, renunciar às nossas casas, à nossa terra dada pelo Grande Espírito, aos túmulos dos nossos mortos e a tudo o que nos é caro e sagrado?
Sei que vão gritar comigo: Nunca! Nunca!”
Vamos deixar que nos destruam, por nossa vez, sem luta, renunciar às nossas casas, à nossa terra dada pelo Grande Espírito, aos túmulos dos nossos mortos e a tudo o que nos é caro e sagrado?
Sei que vão gritar comigo: Nunca! Nunca!”
(Tecumseh, dos Shawnees)
"O Pai Grande disse aos comissários que todos os índios tinham direitos nas Black Hills, e que qualquer conclusão a que chegassem seria respeitada…
"O Pai Grande disse aos comissários que todos os índios tinham direitos nas Black Hills, e que qualquer conclusão a que chegassem seria respeitada…
Sou um índio e sou considerado pelos brancos como um homem louco.
Mas isso deve ser porque sigo os conselhos do homem branco.”
Mas isso deve ser porque sigo os conselhos do homem branco.”
[Shunka Witko (Cachorro Louco), dos Sioux]
“Tudo o que pedimos é para podermos
viver, viver em paz…
Cedemos à vontade do Pai Grande e fomos para sul.
Achámos que um cheyenne não podia viver ali.
Então, voltámos para casa. É melhor morrer a lutar do que de doença, foi o que achámos…
Podem matar-me aqui, mas não me obrigarão a voltar.
Não iremos.
A única maneira de nos levarem para lá é usando clavas para nos baterem na cabeça.
Então podem arrastar-nos e deixarem-nos por lá - mortos.”
Cedemos à vontade do Pai Grande e fomos para sul.
Achámos que um cheyenne não podia viver ali.
Então, voltámos para casa. É melhor morrer a lutar do que de doença, foi o que achámos…
Podem matar-me aqui, mas não me obrigarão a voltar.
Não iremos.
A única maneira de nos levarem para lá é usando clavas para nos baterem na cabeça.
Então podem arrastar-nos e deixarem-nos por lá - mortos.”
[Tahmelapashme (Faca Embotada) dos Cheyennes
do Norte]
“Eu estava a viver pacificamente com a
minha família, tinha muita comida, dormia bem, cuidava do meu povo e estava
contente. Ali estávamos bem, eu e o meu povo.
Comportava-me bem. Não matara nenhum cavalo, nenhum homem, americano ou índio.
Não sei qual era o problema com a gente que se encarregara de nós. Sabiam que tudo era assim, mas disseram que eu era um homem mau, o pior homem dali.
Comportava-me bem. Não matara nenhum cavalo, nenhum homem, americano ou índio.
Não sei qual era o problema com a gente que se encarregara de nós. Sabiam que tudo era assim, mas disseram que eu era um homem mau, o pior homem dali.
Mas o que é que eu tinha feito? Estava a viver pacificamente com a minha
família à sombra das árvores, fazia exactamente o que o general Crook me
dissera para fazer, procurava seguir o seu conselho.
Agora quero saber quem ordenou que eu fosse preso.
Rezei à luz e à treva, a Deus e ao Sol, para que me deixassem viver
tranquilamente com a minha família. Não sei qual é a razão que leva as pessoas
a falarem mal de mim. Frequentemente há histórias nos jornais a dizerem que
serei enforcado.Não quero mais isso.
Quando um homem tenta proceder bem, tais histórias não devem ser colocadas nos jornais. Só restaram poucos dos meus homens. Fizeram algumas coisas más, porém agora estão todos mortos e não falemos mais deles.
Sobraram pouquíssimos de nós.”
(Gerónimo, dos Apaches Chiricahuas)
“Meus amigos, estamos neste território
há muitos anos.
Nunca fomos ao território do Pai Grande incomodá-lo.
Foi o seu povo que veio ao nosso território incomodar-nos, fazer muitas coisas más e ensinar o nosso povo a ser mau…
Antes de o vosso povo atravessar o oceano para vir até aqui, e desde essa época até agora, nunca propuseram comprar um lugar semelhante a este.
Meus amigos, este território que vieram comprar é o melhor que temos…
Este território é meu, cresci aqui.
Os meus antepassados viveram e morreram nele - e quero permanecer nele.”
Nunca fomos ao território do Pai Grande incomodá-lo.
Foi o seu povo que veio ao nosso território incomodar-nos, fazer muitas coisas más e ensinar o nosso povo a ser mau…
Antes de o vosso povo atravessar o oceano para vir até aqui, e desde essa época até agora, nunca propuseram comprar um lugar semelhante a este.
Meus amigos, este território que vieram comprar é o melhor que temos…
Este território é meu, cresci aqui.
Os meus antepassados viveram e morreram nele - e quero permanecer nele.”
[Kangi Wiyaka (Pena de Corvo), dos Sioux]
"As pessoas não vendem a terra em que vivem.”
"As pessoas não vendem a terra em que vivem.”
(Cavalo Louco, dos Sioux)
“Mas há coisas que vocês me disseram e de que eu não gosto. Não são doces como
açúcar, mas amargas como cabaças.
“O meu povo nunca usou um arco ou
disparou uma arma de fogo contra os brancos. Houve problemas na fronteira entre
nós, e os meus jovens dançaram a dança da guerra.
Mas não fomos nós que começámos.
Foram vocês que enviaram o primeiro soldado, e nós mandámos o segundo.
Há dois anos atrás vim para esta estrada, seguindo o búfalo, para que as minhas mulheres e os meus filhos pudessem ficar com as faces cheias e os corpos aquecidos.
Mas os soldados dispararam contra nós e, desde então, houve um barulho como o de uma tempestade e ficámos sem saber que caminho tomar.
Também não podemos ficar a chorar sozinhos, sempre.
Os soldados de azul e os utes vieram de noite, quando estava escuro e sossegado, e queimaram as nossas tendas como fogueiras. Em vez de perseguirem a caça, mataram os meus bravos e os guerreiros da tribo cortaram os cabelos pelos mortos.
Foi assim no Texas.
Fizeram a tristeza chegar aos nossos acampamentos e nós investimos como os búfalos quando as suas fêmeas são atacadas.
Quando os encontrámos, matámo-los e os seus escalpes pendem das nossas tendas. Os comanches não são fracos e cegos, como os cachorrinhos de sete sonos de idade. São fortes e perspicazes, como cavalos adultos.
Os brancos choraram e as nossas mulheres riram.”
Mas não fomos nós que começámos.
Foram vocês que enviaram o primeiro soldado, e nós mandámos o segundo.
Há dois anos atrás vim para esta estrada, seguindo o búfalo, para que as minhas mulheres e os meus filhos pudessem ficar com as faces cheias e os corpos aquecidos.
Mas os soldados dispararam contra nós e, desde então, houve um barulho como o de uma tempestade e ficámos sem saber que caminho tomar.
Também não podemos ficar a chorar sozinhos, sempre.
Os soldados de azul e os utes vieram de noite, quando estava escuro e sossegado, e queimaram as nossas tendas como fogueiras. Em vez de perseguirem a caça, mataram os meus bravos e os guerreiros da tribo cortaram os cabelos pelos mortos.
Foi assim no Texas.
Fizeram a tristeza chegar aos nossos acampamentos e nós investimos como os búfalos quando as suas fêmeas são atacadas.
Quando os encontrámos, matámo-los e os seus escalpes pendem das nossas tendas. Os comanches não são fracos e cegos, como os cachorrinhos de sete sonos de idade. São fortes e perspicazes, como cavalos adultos.
Os brancos choraram e as nossas mulheres riram.”
[Parra-Wa-Samen (Dez Ursos), dos Comanches]
“Embora me tenham feito mal, ainda tenho
esperanças. Não fiquei com dois corações… Agora encontramo-nos outra vez para fazer a paz. A minha vergonha é tão grande
como a terra, embora eu vá fazer o que os meus amigos aconselham. Antes, eu pensava que era o único homem que insistia em ser amigo dos brancos. Mas, desde que eles vieram e acabaram com as nossas tendas, cavalos e tudo o
mais, é difícil para mim acreditar ainda neles.”
[Motavato (Chaleira
Preta), dos Cheyennes do Sul]
“Não quero deixar nunca este território.
Todos os meus parentes jazem neste solo e, quando eu me desfizer, quero desfazer-me aqui.”
Todos os meus parentes jazem neste solo e, quando eu me desfizer, quero desfazer-me aqui.”
[Shunkaha Napin (Colar de
Lobo), dos Sioux]
“Não quero correr mais pelas montanhas.
Quero fazer um grande tratado.
Manterei a minha palavra até que as pedras derretam…
Deus fez o homem branco e Deus fez o apache, e o apache tem tanto direito ao território como o homem branco.
Quero fazer um tratado que dure, para que ambos possam viajar pelo território e não haja transtornos.”
Quero fazer um grande tratado.
Manterei a minha palavra até que as pedras derretam…
Deus fez o homem branco e Deus fez o apache, e o apache tem tanto direito ao território como o homem branco.
Quero fazer um tratado que dure, para que ambos possam viajar pelo território e não haja transtornos.”
(Delshay, dos Apaches
Tonto)
“De quem foi a voz que primeiro soou nesta terra?
Foi a voz do povo vermelho, que só tinha arcos e flechas…
Eu não quis, nem pedi, o que fizeram à minha terra, os brancos a percorrerem a minha terra.
Sempre que o homem branco vem ao meu território, deixa um trilho de sangue atrás dele…
Tenho duas montanhas neste território - as Black Hills e a Big Horn.
Quero que o Pai Grande não faça estradas através delas.
Disse estas coisas três vezes.
Agora venho dizê-las pela quarta vez.”
Foi a voz do povo vermelho, que só tinha arcos e flechas…
Eu não quis, nem pedi, o que fizeram à minha terra, os brancos a percorrerem a minha terra.
Sempre que o homem branco vem ao meu território, deixa um trilho de sangue atrás dele…
Tenho duas montanhas neste território - as Black Hills e a Big Horn.
Quero que o Pai Grande não faça estradas através delas.
Disse estas coisas três vezes.
Agora venho dizê-las pela quarta vez.”
(Nuvem Vermelha, dos Sioux
Oglala)
Disseram que desejavam colocar-nos numa reserva, construir-nos casas e
fazer-nos tendas para curar.
Não quero nada disso.
Nasci na pradaria, onde o vento sopra livre e não existe nada que interrompa a luz do sol.
Nasci onde não havia cercas, onde tudo respirava livremente.
Quero morrer ali, não dentro de paredes.
Conheço cada corrente e cada bosque entre o Rio Grande e o Arkansas. Cacei e vivi nesse território. Vivi como os meus pais, antes de mim, e, como eles, vivi feliz.
Quando estive em Washington, o Grande Pai Branco disse-me que toda a terra comanche era nossa e que ninguém deveria impedir-nos de morar ali.
Então, porque é que nos pedem para deixar os rios, o sol e o vento, para irmos morar em casas?
Não nos peçam para trocarmos o búfalo pelos carneiros. Os jovens ouviram falar disso e ficaram tristes e furiosos. Não falem mais disso…
Se os texanos se mantivessem fora do meu território, haveria paz. Mas o lugar em que vocês dizem que devemos viver é pequeno de mais.
Os texanos tomaram os lugares onde a erva cresce mais e a madeira é melhor.
Se nós os conservássemos, poderíamos fazer as coisas que nos pedem.
Mas é tarde de mais, os brancos têm o território que amávamos e já só queremos vaguear pela pradaria até morrermos.”
Não quero nada disso.
Nasci na pradaria, onde o vento sopra livre e não existe nada que interrompa a luz do sol.
Nasci onde não havia cercas, onde tudo respirava livremente.
Quero morrer ali, não dentro de paredes.
Conheço cada corrente e cada bosque entre o Rio Grande e o Arkansas. Cacei e vivi nesse território. Vivi como os meus pais, antes de mim, e, como eles, vivi feliz.
Quando estive em Washington, o Grande Pai Branco disse-me que toda a terra comanche era nossa e que ninguém deveria impedir-nos de morar ali.
Então, porque é que nos pedem para deixar os rios, o sol e o vento, para irmos morar em casas?
Não nos peçam para trocarmos o búfalo pelos carneiros. Os jovens ouviram falar disso e ficaram tristes e furiosos. Não falem mais disso…
Se os texanos se mantivessem fora do meu território, haveria paz. Mas o lugar em que vocês dizem que devemos viver é pequeno de mais.
Os texanos tomaram os lugares onde a erva cresce mais e a madeira é melhor.
Se nós os conservássemos, poderíamos fazer as coisas que nos pedem.
Mas é tarde de mais, os brancos têm o território que amávamos e já só queremos vaguear pela pradaria até morrermos.”
[Parra-Wa-Samen (Dez
Ursos), dos Comanches]
"Todos os índios devem dançar, por
toda a parte.
Dentro em breve, na próxima Primavera, o Grande Espírito virá.
Trará de volta caça de todas as espécies. Haverá muita caça por todo o lado. Todos os índios mortos voltarão e viverão de novo. Serão fortes como jovens, serão jovens outra vez.
O velho índio cego verá novamente e será jovem, terá uma vida boa.
Quando o Grande Espírito vier desta forma, todos os índios irão para as montanhas, bem mais alto do que os brancos.
Os brancos não poderão ferir os índios, então.
Enquanto os índios estiverem no alto, virá uma grande enchente, uma água, e todos os brancos morrerão, afogando-se.
Depois disso, a água retirar-se-á e só haverá índios em toda a parte e caça de toda a espécie.
Então, o feiticeiro dirá aos índios para espalharem por toda a parte que todos devem ficar dançando, e o bom tempo virá.
Os índios que não dançarem, que não acreditarem nesta palavra, crescerão pouco, só uns trinta centímetros de altura, e ficarão assim.
Alguns deles transformar-se-ão em madeira e serão queimados no fogo.”
(Wovoka, o Messias dos Paiutes, fundador da religião da Dança dos Fantasmas)
Dentro em breve, na próxima Primavera, o Grande Espírito virá.
Trará de volta caça de todas as espécies. Haverá muita caça por todo o lado. Todos os índios mortos voltarão e viverão de novo. Serão fortes como jovens, serão jovens outra vez.
O velho índio cego verá novamente e será jovem, terá uma vida boa.
Quando o Grande Espírito vier desta forma, todos os índios irão para as montanhas, bem mais alto do que os brancos.
Os brancos não poderão ferir os índios, então.
Enquanto os índios estiverem no alto, virá uma grande enchente, uma água, e todos os brancos morrerão, afogando-se.
Depois disso, a água retirar-se-á e só haverá índios em toda a parte e caça de toda a espécie.
Então, o feiticeiro dirá aos índios para espalharem por toda a parte que todos devem ficar dançando, e o bom tempo virá.
Os índios que não dançarem, que não acreditarem nesta palavra, crescerão pouco, só uns trinta centímetros de altura, e ficarão assim.
Alguns deles transformar-se-ão em madeira e serão queimados no fogo.”
(Wovoka, o Messias dos Paiutes, fundador da religião da Dança dos Fantasmas)
“Os brancos só contaram um lado.
Contaram o que lhes agradava. Contaram muita coisa que não era verdade. O homem
branco só contou as suas melhores acções, só as piores dos índios.”
(Lobo Amarelo, dos Nez Percés)
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