sábado, 7 de agosto de 2010

"A Arte da Guerra" - Sun Tzu - China (544 a.C - 496 a.C.)

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O general chinês Sun Tzu (544 a. C. - 496 a. C.), considerado um dos maiores estrategas militares de todos os os tempos, é autor de um famoso livro sobre o assunto (A Arte da Guerra).
Sun Tzu, que nasceu no estado de Wu, escreveu-a no Período dos Reinos Combatentes.

Ele explica, em treze capítulos, todos os aspectos que, em sua opinião, deverão ser considerados antes, durante e depois de enfrentar o inimigo.
Utiliza para esse fim uma linguagem plena de comparações e metáforas, embora, simultaneamente, clara e incisiva, o que converte a obra num dos primeiros tratados do mundo sobre estratégia militar.

Não há uma biografia linear de Sun Tzu, com início, meio e fim. O que existe são concisas narrações de alguns factos da sua vida.
Apesar das especulações sobre a vida do autor, A Arte da Guerra é considerada da maior importância no conjunto de escritos militares produzidos ao longo da história da Humanidade.

Segundo os especialistas, apenas Carl von Clausewitz se lhe pode comparar, embora Sun Tzu seja mais acessível à leitura.
Mais do que um livro militar, A Arte da Guerra é considerado um livro filosófico.
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"Sun Tzu disse:
A arte da guerra é de importância vital para o Estado.
É a matéria da vida e da morte, o caminho que leva à salvação ou à ruína do Império: é forçoso saber manejá-la bem. Não reflectir seriamente sobre o que ela significa é dar prova de culpável indiferença no que diz respeito à conservação ou perda do que nos é mais querido, e isto não deve ocorrer entre nós.

Cinco coisas principais devem ser objecto da nossa constante meditação e do nosso cuidado, como fazem os grandes artistas, que, ao empreenderem qualquer grande obra, têm presente no espírito aquilo que propõem , e aproveitando tudo o que vêem e tudo o que entendem, não negligenciam adquirir novos conhecimentos e todos os recursos que possam conduzi-los ao êxito.

A primeira destas coisas é o Tao, a segunda o Tempo, a terceira o Terreno, a quarta o Comando e a quinta a Disciplina.

O Tao é aquilo que faz o povo em harmonia com o governante, de modo que o siga até onde for sem temer por suas vidas nem correr qualquer perigo.

O Tempo significa o Ying e o Yang, a noite e o dia, o frio e o calor, dias ensolarados ou chuvosos e a mudança das estações.

O Terreno considera as distâncias e faz referência aos locais onde é fácil ou difícil deslocar-se, se em campo aberto ou em lugares estreitos. Isto influencia as possibilidades de sobrevivência.

O Comando deve ter as seguintes qualidades: Sabedoria, Sinceridade, Benevolência, Coragem e Disciplina.

Por último, a Disciplina deve ser compreendida como a organização do exército, as graduações e classes entre os oficiais, o regulamento das rotas de mantimentos e a provisão do exército quanto a material militar.


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Estas cinco coisas devem ser conhecidas pelo general.
Quem as domina, vence, quem não as domina, será derrotado.

Por isto, ao fazer planos, deve-se comparar os seguintes fatores valorizando cada um com extremo cuidado:

- Que dirigente é mais sábio e capaz?
- Que comandante possui maior talento?
- Que exército obtém vantagens da natureza e do terreno?
- Quais são as tropas mais fortes?
- Que exércitos observam melhor os regulamentos e instruções?
- Que exército tem oficiais e tropas melhor treinadas?
- Que exército administra recompensas e castigos de forma mais justa?

Ao estudar este sete factores será possível prever que lado sairá vitorioso e que lado sairá derrotado.
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O general que seguir o meu conselho certamente vencerá.
Este general deverá ser mantido no comando.
Aquele que ignora o meu conselho certamente será derrotado.
Este deve ser substituído.

Mais do que prestar atenção aos meus conselhos e planos, o general deve criar situações que contribuam para o seu cumprimento.
A situação deve resultar da análise da situação real, devendo actuar-se de acordo com o que é mais vantajoso.

A Arte da Guerra baseia-se no Engano.
Por isso, quando tens capacidade de atacar finge incapacidade, quando as tropas se movem finge inactividade.

Se estás perto do inimigo deves fazê-lo crer que estás longe, se estás longe aparenta estar perto.
Coloca iscas para atrair ao inimigo.

Golpear o inimigo quando está desordenado.
Preparar-se contra ele quando se está em absoluta segurança.
Evitá-lo no período em que ele está mais forte.
Se o teu oponente tem temperamento colérico, procura irritá-lo.
Se é arrogante, trata de fomentar seu egoísmo.

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Se as tropas inimigas se acham bem preparadas após uma reorganização, intenta desordená-las.
Se estão unidas, semeia a discórdia entre as suas fileiras.
Ataca o inimigo quando não está preparado, e aparece quando não te espera.
Estas são as chaves da vitória para o estrategista.

Agora, se as estimativas realizadas antes da batalha indicam vitória, é porque os cálculos, que devem ser cuidadosamente efectuados, mostram que as tuas condições são mais favoráveis que as condições do inimigo.

Se indicam derrota, é porque mostram que as condições para a batalha não são propícias.
Com uma avaliação cuidadosa pode-se vencer: sem ela, não é possível.
Muito menos oportunidade de vitória terá aquele que não realiza cálculo nenhum.

Graças a este método pode-se examinar qualquer situação e definir o resultado claramente."

1 comentário:

Observador Atento disse...

Sábio Sun Tzu! E actual... Tudo o que ele diz é ainda aplicável hoje em dia, e não só nas actividades bélicas propriamente ditas (querelas partidárias, cenas empresariais, invejas e confrontos profissionais, lutas sindicais, até desavenças conjugais...). Imortal Sun Tzu!