sexta-feira, 30 de março de 2012

Infância

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Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho, menino entre mangueiras
lia história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
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No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da sanzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café,
café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
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Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... não acorde o menino,
para o berço onde pousou um mosquito
e dava um suspiro... que fundo!
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Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
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(Carlos Drummond de Andrade)
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