quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Neste mesmo instante...

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Neste mesmo instante
há um homem que sofre,
um homem torturado
tão somente
por amar a liberdade.
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Ignoro onde vive,
que língua fala,
de que cor é a sua pele,
como se chama,
mas neste mesmo instante,
quando os teus olhos lêem
o meu pequeno poema,
esse homem existe,
grita,
pode-se ouvir o seu pranto
de animal acossado,
enquanto morde os lábios
para não denunciar os amigos.
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Ouves?
Um homem, só, grita
amarrado,
existe em algum lugar.
Eu disse só?
Não sentes, como eu,
a dor do seu corpo
repetida no teu?
Não te brota o sangue
sob os golpes cegos?
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Ninguém está só.
Agora,
neste mesmo instante,
também a ti e a mim
nos mantêm amarrados.
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José Agustín Goytisolo
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Barcelona - Espanha (1928-1999)
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