sábado, 22 de janeiro de 2011

A uma fábrica fechada (Domingos Carvalho da Silva)

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Atrás da pele de tuas paredes
os êmbolos dormem
e há nas sirenes um silêncio
de horizonte.
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Os dínamos guardam o repouso
dos minerais ocultos,
as alavancas dobram os joelhos na laje.
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Nas veias de cobre
o sangue é
apenas
um caminho de luz
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Quieta,
és como um esqueleto montado,
vazio de vozes humanas,
planeta morto.
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Quieta,
és uma pedra apenas,
e em tua superfície
morre de inanição
a última raiz do musgo.
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Domingos Carvalho da Silva (1915-2004)
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Domingos Carvalho da Silva nasceu em Portugal (Pedroso, Vila Nova de Gaia), mas, chegando criança ao Brasil, com seus pais, adquiriria em 1937 a cidadania brasileira por naturalização.
Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo.
Foi advogado, funcionário federal e jornalista.
E também poeta, contista e ensaísta.
Leccionou Teoria da Literatura na Universidade de Brasília.
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