sábado, 20 de novembro de 2010

Napoleão Bonaparte, imperador dos Franceses, foi envenenado?

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Depois dos tempos de glória, os últimos anos de Napoleão Bonaparte foram vividos em exílio, na ilha de Santa Helena, em pleno Atlântico Sul, sob apertada vigilância inglesa (1815-1821).
Foi o segundo e último exílio do imperador francês.
O primeiro ocorrera na ilha de Elba (1814), de onde ele conseguira evadir-se para uma efémera retomada do poder, até à derrota definitiva de Waterloo, diante dos exércitos Britânico e Prussiano (1815).
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Seguira-se a etapa final: a residência de Longwood House, na ilha de Santa Helena.
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Durante muito tempo, a morte de Napoleão Bonaparte foi atribuída à acção de um cancro no estômago. Até que, mais recentemente, o canadiano Ben Weider e o toxicólogo sueco Sten Forshufvud efectuaram uma descoberta sensacional.
Examinando cinco fios de cabelo do imperador, eles acharam uma concentração anormalmente elevada de arsénico.
As concentrações de veneno tinham variado consideravelmente de dia para dia (de 5 a 38 vezes do padrão normal).
A precisão desta análise seria corroborada em 1995 pelo Departamento de Venenos do FBI.
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As suspeitas foram convincentemente confirmadas pela análise dos depoimentos das pessoas que tinham acompanhado Napoleão no exílio, destacando-se o diário de Louis Marchand, o seu criado de confiança.
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Confrontando-se este diário com outros registos, tornou-se possível detectar mais de 20 sintomas característicos do envenenamento por arsénico. Com um pormenor sinistro: comparados os registos escritos com as análises do cabelo, pôde concluir-se que os períodos de maiores queixas de Napoleão coincidiram com aqueles em que lhe terá sido ministrado o arsénico.
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Tudo indica que o arsénico foi dado a Napoleão durante um período de tempo muito longo (de 1816 a 1821). O intuito terá sido o de fazer parecer que a morte do imperador se devera a causas naturais.
Na fase final, a partir de Março de 1821, a acção do veneno foi complementada (por acaso ou não) pela administração de tártaro emético, uma substância receitada ao doente pelo seu médico, doutor Antommarchi, para o obrigar a vomitar.
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Sabe-se que o emético, ingerido durante um período prolongado, destrói o revestimento do estômago até que desaparece o reflexo do vómito.
Deste modo, o veneno entra no organismo sem que o estômago tenha possibilidade de expeli-lo.
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Nos últimos dias, fizeram com que Napoleão bebesse orchata (uma mistura de água de flor de laranjeira e amêndoas amargas), para combater a terrível sede que o afligia (um sintoma da presença de arsénico).
E, a 3 de Maio, ministraram-lhe também calomelano, para lhe aliviar a prisão de ventre (outro sintoma).
Acontece que os dois preparados (orchata e calomelano) reagiram conjuntamente no estômago do paciente, transformando-se num veneno letal – o cianeto de mercúrio.
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Acabou por sobrevir a crise final.
Após uma agonia extremamente dolorosa, Napoleão Bonaparte, imperador dos Franceses, expirou um pouco antes das seis da tarde do dia 5 de Maio de 1821. Tinha 51 anos de idade.
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Quando o doutor Antommarchi realizou a autópsia, verificou a corrosão do estômago do imperador e a existência de um tumor na sua base.
O veredicto foi “morte por cancro”.
Mas o doutor notou uma coisa surpreendente: Napoleão estava praticamente sem pêlos no corpo. Antommarchi não o sabia, mas a perda de pêlos do corpo é outro dos sintomas característicos do envenenamento por arsénico.
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Túmulo de Napoleão, nos Inválidos, Paris, França
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Hoje, é geralmente aceite que a morte de Napoleão não ficou a dever-se a causas naturais.
Mas, se ele foi assassinado, quem terá sido o culpado?
As análises a respeito são fortemente especulativas, sendo impossível chegar a uma certeza.
A lista de suspeitos aparece encabeçada por duas personagens.
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A primeira é o conde de Montholon, um dos cortesãos que fizeram companhia a Napoleão na residência de Longwood House.
O conde parece ter acumulado razões de ressentimento contra o imperador.
Por outro lado, se o veneno foi ministrado nas garrafas de Vin de Constance (um vinho que só Napoleão bebia), salienta-se o facto de que Montholon era o responsável pela garrafeira do ilustre prisioneiro.
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O outro suspeito é Sir Hudson Lowe, o governador britânico da ilha.
Admite-se que os Ingleses tivessem interesse em fazer desaparecer de vez o seu temível inimigo, entretanto transformado num incómodo símbolo vivo.
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Conta-se que Napoleão Bonaparte dissera um dia ao governador inglês: Acredito que haveis recebido ordem para me matardes – sim, para me matardes!
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Montholon?
Hudson Lowe?
Outro ainda?
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Eis um mistério da História que ficará talvez irresolúvel para sempre…

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