domingo, 24 de outubro de 2010

Elegiazinha

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Gatos não morrem de verdade:
eles apenas se reintegram
no ronronar da eternidade.
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Gatos jamais morrem de fato:
suas almas saem de fininho
atrás de alguma alma de rato.
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Gatos não morrem: sua fictícia
morte não passa de uma forma
mais refinada de preguiça.
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Gatos não morrem: rumo a um nível mais alto
é que eles, galho a galho,
sobem numa árvore invisível.
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Gatos não morrem: mais preciso
- se somem - é dizer que foram
rasgar sofás no paraíso
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e dormirão lá, depois do ônus
de sete bem vividas vidas,
seus sete merecidos sonos.
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Nelson Ascher - São Paulo - Brasil
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