quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Também Já Fui Brasileiro (Carlos Drummond de Andrade)

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Eu também já fui brasileiro
moreno como vocês.
Ponteei viola,
guiei forde
e aprendi na mesa dos bares
que o nacionalismo é uma virtude.
Mas há uma hora
em que os bares se fecham
e todas as virtudes se negam.
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Eu também já fui poeta.
Bastava olhar para mulher,
pensava logo nas estrelas
e outros substantivos celestes.
Mas eram tantas,
o céu tamanho,
minha poesia perturbou-se.
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Eu também já tive meu ritmo.
Fazia isso,
dizia aquilo.
E meus amigos me queriam,
meus inimigos me odiavam.
Eu irônico deslizava
satisfeito de ter meu ritmo.
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Mas acabei confundindo tudo.
Hoje não deslizo mais não,
não sou irônico mais não,
não tenho ritmo mais não.
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Carlos Drummond de Andrade - Brasil - (1902-1987)
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