sábado, 13 de fevereiro de 2010

D. Teresa, mãe do 1.º rei de Portugal (c. 1080-1130)

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Retrato imaginário de D. Teresa
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Filha natural de D. Afonso VI, rei de Leão e Castela, e de D. Ximena Muniones, ou Nunes.
Ignora-se a data do seu nascimento, calculando-se que este tenha ocorrido cerca do ano de 1080. Faleceu em 1130, por volta dos cinquenta anos.
Casou com D. Henrique de Borgonha, chegado à Península Ibérica para auxiliar o rei de Leão nas lutas da reconquista contra os Mouros. Por tal facto, foi concedido a Henrique o Condado Portucalense, que se tornou no território original de Portugal.
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D. Teresa foi mãe do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, que nasceu em Guimarães, cerca de 1109 (?), tendo falecido em 1185.
Não é fácil determinar com precisão os contornos do Condado Portucalense.
Do lado ocidental, sabe-se que ia desde o rio Minho até ao rio Tejo.
Quanto à fronteira oriental, e ao norte do Douro, estendia-se entre a Terra de Panóias e a de Bragança; ao sul do Douro, ia de Lamego ao Côa, devendo seguir uma linha próxima do que é hoje a fronteira portuguesa.
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Retrato imaginário do conde D. Henrique, marido de D. Teresa
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Quando o conde D. Henrique morreu, em Astorga (1112), tomou D. Teresa a regência do condado sem grande dificuldade, o que prova o carácter hereditário do mesmo. Embora se não conheça qualquer documento probatório, aceita-se que D. Henrique a escolheu para governar na menoridade do filho D. Afonso Henriques.
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A confiança ilimitada em Fernão Peres de Trava, representante da fidalguia galega, afastou de D. Teresa os poderosos barões portucalenses, que se associaram em torno do jovem D. Afonso Henriques no sentido da independência do território (em relação a Leão e Castela).
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D. Afonso Henriques armou-se a si próprio cavaleiro, em Zamora (1125). O seu primeiro acto militar rumo à independência aconteceu em 1128, junto a Guimarães, quando venceu a batalha de S. Mamede contra as forças de sua mãe, D. Teresa, coligada com os fidalgos galegos (chefiados por Fernão Peres de Trava). Nas forças de Afonso Henriques prevaleciam os minhotos e os beirões.
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D. Teresa (a quem aliás a independência de Portugal muito deve) refugiou-se depois da batalha de S. Mamede em terras da Galiza, provavelmente na companhia de Fernão Peres de Trava.
Tendo falecido em 1130, o seu corpo seria trasladado para Portugal.
Repousa na Sé da cidade de Braga, na Capela dos Reis, ao lado do túmulo de seu marido, o conde D. Henrique.
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O castelo de Guimarães (Portugal)
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Um texto de Alexandre Herculano sobre D. Teresa
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“Os escritores modernos, empenhados em salvar a reputação moral de D. Teresa como mulher, esqueceram-se de lhe fazer justiça como rainha ou regente de Portugal.
Tem-se dissertado largamente sobre o seu consórcio com o conde Fernão Peres de Trava, que nada nos autoriza a admitir, enquanto o valor histórico do seu governo é perfeitamente desprezado.
Todavia, durante catorze anos, os actos da viúva do conde D. Henrique mostram bem a perseverança e a destreza com que buscou desenvolver e realizar o pensamento de independência que ele lhe legara.
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D. Teresa e D. Henrique, titulares do condado Portucalense
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Cedendo à força das circunstâncias, não duvidava de reconhecer a supremacia da corte de Leão para obter a paz quando dela carecia, salvo o recusar a obediência quando cria possível resistir.
Associando-se habilmente aos bandos civis que despedaçavam a monarquia leonesa, ia criando no meio dela, para si e para os seus, uma pátria.
Apesar das invasões de cristãos e sarracenos e das devastações e males causados por uns ou por outros nos territórios dos seus estados, estes cresceram em população, em riquezas e em forças militares.
Pelas armas e pela política aumentou a extensão dos próprios domínios ao oriente e ao norte, conservando ao sul a linha das fronteiras que seu marido já lhe deixara encurtadas.
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D. Afonso Henriques, 1.º rei de Portugal
(Filho de D. Teresa e de D. Henrique)
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O castigo de um erro, que, medido pelos costumes do tempo, estava longe de ser imperdoável, parece-nos demasiado severo, e o procedimento dos barões portugueses para com ela merecerá dos prevenidos a imputação de ingrato.
D. Teresa foi vítima de um sentimento nobre em si, mas às vezes excessivo e cego, que ela tinha feito crescer, radicar-se, definir-se, e que serviu de pretexto de rebeldia à ambição de Afonso Henriques, ou antes: à daqueles que por meio do inexperiente príncipe esperavam melhor satisfazê-la.
Este sentimento era o da nacionalidade.”
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(Alexandre Herculano – História de Portugal – Tomo II – 9.ª edição – pág. 130-132).
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Bandeira do conde D. Henrique e 1.ª bandeira do reino de Portugal
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NOTA ADICIONAL - Datas relevantes da independência de Portugal
(que não se reconduz a um acto único):
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a) 24 de Junho de 1128 – Portugal liberta-se face à Galiza – Batalha de S. Mamede, Guimarães.
b) 4 e 5 de Outubro de 1143 – Conferência de Zamora (Leão) - É reconhecido a Afonso Henriques, por Afonso VII de Leão e Castela, o título de Rei (ele já o usava, “internamente", havia cerca de três anos). Isto não significava, automaticamente, o reconhecimento da independência.
c) 13 de Dezembro de 1143 – Afonso Henriques escreve ao Papa e reconhece-se vassalo da Santa Sé (há nisto uma afirmação de libertação em relação a Leão). (Carta Clavis regni).
d) Reconhecimentos de Portugal pela Santa Sé – 1 de Maio de 1144 (carta Devotionem tuam) e 23 de Maio de 1179 (bula Manifestis probatum). Esta segunda é apenas a confirmação do reconhecimento anterior.
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