sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

"1812" (Abertura Solene) - Tchaikovski (Rússia)

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Napoleão Bonaparte
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Em Junho de 1812, Napoleão invadiu a Rússia com o seu Grande Exército (mais de meio milhão de soldados).
Seria uma campanha trágica para ele, e ficaria assinalando o início da curva descendente de uma invulgar carreira política e militar.
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Napoleão em Borodino, Rússia
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Após sucessivas retiradas do exército russo, acompanhadas de uma prática de terra queimada diante do avanço dos franceses, os dois exércitos encontraram-se em Borodino, uma pequena aldeia a pouco mais de 100 quilómetros de Moscovo.
As tropas do czar da Rússia, Alexandre I, eram comandadas pelo astuto general Kutuzov.
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O general russo, Kutuzov, em Borodino
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A batalha ocorreu no dia 7 de Setembro de 1812.
O número de baixas, ainda hoje muito discutido, foi, em qualquer hipótese, elevadíssimo.
Uma estimativa relativamente credível aponta para cerca de 30.000 mortos franceses (em 120.000 homens empenhados nos combates), contra 60.000 baixas russas (em 150.000 combatentes).
.Batalha de Borodino
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O triunfo na batalha tem sido atribuído aos franceses. Mas tratou-se de uma vitória de Pirro, pois as forças de Kutuzov conseguiram retirar-se em boa ordem e o (relativo) êxito de pouco aproveitou aos invasores.
Napoleão entrava pouco depois em Moscovo, encontrando a cidade devorada por incêndios e evacuada de população e de governantes.
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Em vão esperou o imperador francês pela rendição do czar da Rússia.
Pelo contrário, o inverno russo forçá-lo-ia a uma retirada dramática, em que o gelo, o frio, a fome e as constantes flagelações do exército russo lhe dizimaram praticamente o que restava do Grande Exército.
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Napoleão - Retirada da Rússia
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Em Dezembro de 1812, a Rússia estava livre do invasor.
Foi esse triunfo histórico que Tchaikovsky (1840-1893) quis celebrar com o seu "1812".
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Esta famosa Abertura Solene pode ser encarada como uma representação musical da campanha napoleónica na Rússia.
O hino religioso inicial evoca as orações do povo russo nas igrejas, implorando a intervenção divina contra o invasor.
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As notas seguintes expressam a iminência dos combates e a preparação para a batalha, numa combinação de desespero e de grande entusiasmo, sublinhada pelos acordes distantes da Marselhesa (que lembram o avanço francês - ouvir, abaixo, aos 4' 26'' da 1.ª parte; ou no início da 2.ª parte).
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Em Borodino, a Marselhesa impõe-se, ao passo que, logo adiante, a música tradicional russa se torna preponderante.
No momento da tomada de Moscovo, quando tudo parece perdido, o hino religioso é outra vez escutado, significando a intervenção divina (que traz um Inverno rigoroso para o qual os franceses não se achavam preparados).
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No final, apoteótico, disparam-se canhões em sinal de triunfo, enquanto repicam os sinos das igrejas de uma Rússia enfim libertada.
Chamo a vossa atenção para a força vibrante e telúrica desses derradeiros acordes (a partir de 4' 10'' da 2.ª parte).
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Escolhemos, para este magnífico "1812", uma interpretação da Orquestra Filarmónica de Berlim, com o grande Herbert von Karajan.
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