domingo, 20 de dezembro de 2009

Martín, o Jovem - Um drama da Coroa de Aragão na origem da união ibérica (séc. XV)

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Mausoléu de Martín, o Jovem (Catedral de Cagliari, Sardenha)
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Martín, o Jovem, foi filho de Martín, o Humano, rei de Aragão.
Faleceu em 25 de Julho de 1409 na Sardenha, com pouco mais de 30 anos de idade, depois de ter vencido os rebeldes sardos na batalha de San Luri (31 de Maio de 1409).
Tinha sido acometido dias antes por febres fortes, originadas, ao que se pensa, pela malária.
Foi sepultado na catedral de Cagliari, a sul da mesma ilha da Sardenha, ao centro do Mediterrâneo ocidental.
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Mapa da expansão da Coroa de Aragão (áreas arroxeadas).
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Nesse tempo, a Coroa de Aragão constituía uma poderosa entidade política, económica e militar.
Compunha-se, na Península Ibérica, do reino de Aragão (propriamente dito) e do reino de Valência, aos quais se somava ainda o principado da Catalunha.
As principais cidades eram Barcelona, Valência e Zaragoza.
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Desta união resultou um vasto espaço triangular, independente, cravado no flanco oriental de Castela (ver, acima, a zona arroxeada no lado esquerdo do mapa).
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Cada uma das três partes do conjunto dispunha de leis e de cortes próprias, coexistindo numa espécie de confederação encabeçada pela figura do rei.
O rei era, pois, a garantia da unidade desta complexa Coroa.
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Interior da Catedral de Cagliari (Sardenha)
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A Coroa de Aragão colocou em prática uma formidável política de expansão mediterrânica (rever áreas arroxeadas no mapa acima).
Essa política levou os seus exércitos e os seus navios de comércio, nos séculos XIII e XIV, às ilhas Baleares, à Sardenha (Cerdeña), à Sicília e à Grécia (neste último caso com os famosos Almogávares, guerreiros ferozes, cuja aventura militar no Império Bizantino, em princípios do século XIV, levaria à constituição dos ducados de Atenas e de Neopatria, que não tardaram a figurar entre os títulos dos reis de Aragão).
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(Nota: mais tarde, em 1443, a Coroa estenderia o seu domínio a cerca de metade da Itália, apossando-se do então chamado Reino de Nápoles - cf. mapa).
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Fachada da catedral
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A morte de Martín, o Jovem (que era rei da Sicília) constituiu uma tragédia para a Coroa de Aragão.
Isto porque ele era o único filho sobrevivo de Martín, o Humano. Como tal, era também o único herdeiro directo da Coroa de Aragão.
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Quando Martín, o Humano, morreu (31 de Maio de 1410), colocou-se, naturalmente, um gravíssimo problema de sucessão.
Surgiram vários candidatos, todos eles aparentados com os antigos reis de Aragão (como o duque de Gandía, o conde de Urgel, o duque de Calabria e, até, um neto bastardo do Humano - o pequeno Frederico, que Martín, o Jovem, tivera de uma jovem siciliana).
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Nenhum deles chegaria ao trono aragonês.
Com efeito, após dois anos de interregno, seria escolhido um castelhano para rei (através do chamado Compromisso de Caspe - 28 de Junho de 1412).
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Armas de Martín, o Jovem, rei da Sicília
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Esse castelhano, feito rei de Aragão, chamava-se Fernando e era irmão do rei Enrique III de Castela.
Era ainda sobrinho do falecido Martín, o Humano, e neto de Pedro, o Cerimonioso (pai de Martín).
Reinou em Aragão de 1412 a 1416, tendo-lhe sucedido o filho, também nascido em Castela (Alfonso V de Aragão).
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Esta entrada em Aragão de uma dinastia castelhana (os Trastâmaras) facilitaria, a prazo, a perda da independência aragonesa (que durava há séculos).
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Com efeito, um neto de Fernando (igualmente chamado Fernando) casaria um dia com a rainha castelhana Isabel, a Católica, ficando criadas as condições para que mais tarde se produzisse a união das duas Coroas.
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Com a conquista de Granada aos Muçulmanos (1492) e, alguns anos depois, a anexação de Navarra, ficou constituído o espaço que conhecemos hoje com o nome de Espanha.
Portugal ficou de fora desta união de países da Península Ibérica.
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