quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Soneto (Luís de Camões)

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A formosura desta fresca serra,
e a sombra dos verdes castanheiros,
o manso caminhar destes ribeiros,
donde toda a tristeza se desterra;
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o rouco som do mar, a estranha terra,
o esconder do sol e dos outeiros,
o recolher dos gados derradeiros,
das nuvens pelo ar a branda guerra;
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enfim, tudo o que a rara natureza
com tanta variedade nos oferece,
me está (se não te vejo) magoando.
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Sem ti, tudo m'enoja e m'aborrece;
sem ti, perpetuamente estou passando
nas maiores alegrias, maior tristeza.
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Luís Vaz de Camões (Portugal) - 1524(?) - 1580)
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1 comentário:

Juliana disse...

Grande Camões! Por isso tenho orgulho da nossa Língua Portuguesa.