domingo, 11 de outubro de 2009

Mais um passo para a esperança...

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Barack Obama - Presidente dos Estados Unidos
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(Prémio Nobel da Paz - 2009)
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"(...) Argumentou-se que está há poucos meses na Presidência dos Estados Unidos e que ainda não teve tempo de ter feito nada de concreto.
Nem nos Estados Unidos, nem no Iraque, nem no Afeganistão, nem em Guantánamo.
Não fez nada?
É extraordinário!
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Só fez isto: está a mudar radicalmente a América e o mundo.
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A América de Bush estava desacreditada, tendo infringido gravemente os Direitos Humanos, a principal bandeira do chamado Mundo Livre, durante a "guerra fria", mentido sem pudor acerca da existência de armas de destruição maciça, no Iraque.
Marginalizou as Nações Unidas, provocou duas guerras cruentas: no Afeganistão e no Iraque, envolvendo a NATO na primeira, o que constituiu um erro fatal, para além de um crime.
Fortaleceu o capitalismo especulativo de inspiração neoliberal, dito de casino, o que provocou a maior crise global financeira e económica de sempre.
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Barack Obama acabou com o unilateralismo arrogante e agressivo dos Estados Unidos - que, dado o seu poderio militar, tinham acreditado ser os "donos do mundo" - e aceitou o multilateralismo, promovendo o diálogo com todos os países emergentes,
- estendeu a mão aos árabes (discurso do Cairo), acabando com as humilhações a que estavam sujeitos,
- criou uma nova relação com os países emergentes, respeitando-os como iguais,
- prometeu a retirada dos mísseis instalados na Europa de Leste, obviamente dirigidos contra a Rússia,
- desenvolveu o diálogo com a China,
- está a promover um novo relacionamento, entre iguais, com a América Latina (aceitou negociar com Cuba, sem condições prévias e dar passos concretos para vir a pôr fim ao bloqueio),
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- condenou o golpe de Estado nas Honduras, um sinal importantíssimo de mudança,
- estendeu a mão a África, invocando a sua qualidade de afro-americano,
- advogou nas Nações Unidas a importância do diálogo, da paz e do respeito pela dignidade dos Povos, propondo um plano de desnuclearização progressiva,
- vai, na próxima reunião de Copenhaga, na Dinamarca, subscrever e relançar os mecanismos de Quioto - como já anunciou - para reduzir drasticamente as emissões de CO2 e iniciar uma política concertada de defesa do planeta das ameaças de tanta gravidade para a sobrevivência das espécies e da espécie humana em particular, que sobre ele pesam.
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Todos estes exemplos, entre tantos outros, são só palavras (promessas) e não valem nada?
Quem o diz é porque não tem a noção exacta da importância das ideias e da defesa das boas causas para a mudança do mundo.
Sempre assim foi." (*)
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(*) - Mário Soares, antigo Presidente da República (Diário de Notícias - Lisboa - Portugal).
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