sábado, 8 de agosto de 2009

A Grande Música Portuguesa - Suite Alentejana n.º 1 (Luís de Freitas Branco)

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Podem ouvir aqui:
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Luís de Freitas Branco nasceu em Lisboa, em 12 de Outubro de 1890, e faleceu na mesma cidade em 27 de Novembro de 1955.
Compositor musical, domina o século XX português com a estatura de um colosso, de importância comparável, no domínio da música, a um Fernando Pessoa.
Poderosa e multiforme, a sua criação colocou Portugal em sintonia com a Europa, em certos casos antecipando-se a ela.
Veio estabelecer um novo patamar de excelência, tornando-se pedra de toque do reportório português em praticamente todos os domínios.
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Educado no meio familiar, cedo tomou contacto com a música, aprendendo violino e piano.
Aos 14 anos compõe canções que atingem grande popularidade.
Aos 17 inicia a crítica musical no Diário Ilustrado.
Estuda também órgão.
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Em 1910
viaja até Berlim para estudar composição, música antiga e metodologia da história da música.
Em Maio de 1911 vai até Paris, onde conhece Claude Debussy e a estética do Impressionismo.
Em 1915 participa nas Conferências da Liga Naval sobre a Questão Ibérica promovidas pelo Integralismo Lusitano.
Em 1916 é nomeado professor no Conservatório de Lisboa, sendo seu subdirector entre 1919 e 1924. Desenvolveu actividade em diversos domínios da vida cultural.
Manteve estreitas relações com diversas figuras, como Alberto Monsaraz, António Sardinha, Hipólito Raposo, Bento de Jesus Caraça e António Sérgio.
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A partir de 1940 a sua figura era acusada de irreverente por se comportar de maneira imprópria nas aulas, sendo constituído arguido num processo do qual resultaria a suspensão como docente no Conservatório.
(Extracto do seu Diário, em 27 de Outubro de 1931:
A cena que se passou no Conservatório é grave e sintomática: dois agentes da polícia quiseram levar preso o candidato a concurso para a cadeira de Piano Fernando Lopes Graça.
A prisão era motivada por inscrições nas paredes da cidade de Tomar de que Fernando Lopes Graça teria sido autor e instigador, e que significavam pouco amor à Ditadura.
O júri protestou, impôs-se à polícia, o candidato prestou as suas provas, seguiu preso para Santarém e ficou classificado em primeiro lugar com 18 valores.
E em 1 de Novembro:
O meu discípulo Fernando Graça continua preso e está à mercê de gente que tem do valor dele a mesma noção que a minha égua Picarça pode ter do valor de Shakespeare.)
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Realiza então palestras na Emissora Nacional e mantém tertúlias com um grupo de discípulos.
Era irmão do maestro português Pedro de Freitas Branco.
Está sepultado no cemitério dos Prazeres, em Lisboa.
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Joly Braga Santos, seu discípulo, escreveu sobre ele:
Ao significado da sua obra notabilíssima, da sua personalidade fecunda e dominadora, há a juntar a verdadeira paixão que possuía pela Juventude, o entusiasmo com que via os novos triunfar, a sua luta diária, durante cinquenta anos, pelo renovamento, pela europeização da cultura portuguesa, e ainda a generosidade do seu grande coração, sempre disposto a ajudar os que começavam e vivendo com o mesmo entusiasmo as obras dos próprios discípulos, que pretendia sempre colocar à frente das suas.
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Obras principais:
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Sinfonia n.º 1 (1924)
Sinfonia n.º 2 (1926)
Sinfonia n.º 3 (1944)
Sinfonia n.º 4 (1952)
Scherzo Fantastique (1907)
Antero de Quental - poema sinfónico (1908)
Paraísos Artificiais - poema sinfónico (1910)
Tentações de S. Frei Gil (1911)
Vathek (1913)
Violin Concerto (1916)
Suite Alentejana n.º 1 (1919)
Suite Alentejana n.º 2 (1927)
Solemnia Verba - poema sinfónico (1951)
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(Adaptado de Wikipédia) (Foto alentejana: João Matos)
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