domingo, 3 de maio de 2009

Os Novos Pobres...

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Prémios
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"A alta-roda da finança anda num virote.
Tudo começou quando os responsáveis da AIG se decidiram presentear com um bónus de 165 milhões de dólares, seguramente pela excelência da sua prestação.
Para quem não saiba, a AIG é a maior seguradora mundial e teve que ser salva com 85 mil milhões de dólares dos contribuintes, que detêm actualmente 85 por cento da firma.
Numa palavra, a AIG foi nacionalizada.
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E Barack Obama foi aos arames com a insensatez do bónus.
Daqui nasceu a ideia de sobretaxar a 90 por cento a parte variável dos vencimentos dos executivos de firmas intervencionadas.
O que é óbvio para o cidadão comum, desencadeou a ira dos banqueiros.
Sentem-se injustiçados, coitados.
Eis o seu argumentário em seis pontos:
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1. A nova taxa seria «uma condenação sem processo» com «efeitos retroactivos».
Aqueles senhores, que não se fizeram rogados quando precisaram do Estado, acham, de facto, que nada mudou.
Em consequência, socorrem-se da Constituição dos EUA para declararem a nulidade da medida.
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2. O legislador «pune indiferentemente» beneficiários de ajudas públicas: os que se portam bem e os que «merecem a cólera do Governo».
Reparem: o ‘sindicato’ dos executivos acha que o condicionamento dos vencimentos é uma ‘punição’.
Olha se os trabalhadores normais se põem a pensar da mesma forma...
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3. O esquema seria ainda «contraproducente» porque leva «os administradores a quererem reembolsar o Estado quanto antes», quando deviam procurar a consolidação das firmas.
Este argumento é muito curioso porque nos mostra como funciona a natureza humana lá em cima.
Só pensa nela própria...
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4. O legislador «sapa os esforços do Estado e do Tesouro» porque torna mais difícil ainda «o recrutamento de talentos».
Ou seja, se não se pode enriquecer sem limites, então de que vale o esforço?
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5. Por outro lado, a medida «semeia dúvidas no mundo dos negócios quanto à honestidade do Estado».
Esta é muito boa e merece desenvolvimento:
como «são os contribuintes que financiam» os programas de saneamento, é legítima a suspeita de que só o fazem «para submeter tais programas a uma vigilância acrescida».
De facto, assim é. Quem adquire títulos, sente-se accionista e pede contas. Mas os administradores, tão humanos como nós, não gostam de ser vigiados.
Já tínhamos percebido...
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6. Finalmente, a medida seria «contrária aos interesses americanos» porque não toca nos banqueiros estrangeiros ou no estrangeiro.
Assim, a concorrência pode «contratar os melhores elementos da profissão com aliciantes remunerações» e, em consequência, «os bancos americanos ficarão ainda mais mal armados para reembolsarem o Estado».
O texto da agência económica e financeira que estou a citar, qual ‘sindicato de patrões’, conclui com uma ameaça velada: «A cruzada contra os prémios pode custar cara aos contribuintes».
São tão finos, não são?" (*)
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(*) - Miguel Portas ("Sol de Esquerda")
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(Negritos e grafismo da responsabilidade da Torre)
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2 comentários:

Eduardo Marculino disse...

Parabens....
suas postagens são de grande importancia...estarei sempre vindo aqui.
um abraço

Eduardo Marculino disse...

Parabens....
suas postagens são de grande importancia...estarei sempre vindo aqui.
um abraço