sábado, 6 de setembro de 2008

Don Juan Carlos, Rei de Espanha, e a Invasão de Portugal

Como diz José Freire Antunes (JFA), no excelente "Os Espanhóis e Portugal" (*), o rei Juan Carlos, de Espanha, nascido a 5 de Janeiro de 1938, é "o mais lusófilo dos espanhóis".
Enquanto Rei, a partir de 1975, foi um valor acrescentado para a relação peninsular. Pela sua mediação, às vezes secreta, passaram diferendos melindrosos entre Madrid e Lisboa.
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As raízes são, de facto, fundas.
Para além das afinidades de língua, história e cultura, elas mergulham nos seus tempos de infância, que em parte viveu no Estoril, onde também passou férias durante a adolescência construindo amizades sólidas e duradouras.
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JFA relata, na obra citada, um episódio curioso - e elucidativo.
Nos dias de brasa de 1975, os americanos da CIA, apreensivos com os avanços dos comunistas no Portugal revolucionário de então, congeminaram a invasão do território lusitano a partir de Espanha, para o que contariam com o apoio do governo deste país e com a intervenção de muitos portugueses ali refugiados ao tempo.
Juan Carlos, posto ao corrente dos planos, opôs-se tenazmente à invasão.
E terá dito, então, ao presidente dos Estados Unidos (Gerald Ford):
"Tenha em conta, senhor Presidente, que eu, depois de espanhol, sou português".
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(*) - Oficina do Livro, Lisboa, 2003.

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