domingo, 8 de junho de 2008

(Carlos Drummond de Andrade) (Brasil) - Ao Amor Antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede.
Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
.
Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.
.
Mais triste? Não.
Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.
.
(Carlos Drummond de Andrade)

1 comentário:

VALÉRIA disse...

Gosto muito de Drummond e de boas imagens, encontrei os dois no seu blog, abraços!