sábado, 12 de abril de 2008

(Manuel Alegre) - Trinta Dinheiros

No bengaleiro do mercado público
penduraram o coração.
Vestem o fato dos domingos fáceis.
Não têm rosto
têm sorrisos
muitos sorrisos
aprendidos no espelho da própria podridão.
Têm palavras como sanguessugas.
Curvam-se muito.
As mãos parecem prostitutas.
Alma não têm.
Penduraram a alma.
Por fora parecem homens.
Custam apenas trinta dinheiros.
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(Foto: Gutemberg Silva Ferreira Júnior)

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