terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Velha Poesia Árabe na Península Ibérica (V) - (Ibn Hazm de Córdoba) - O Amor

Consagro-te um amor puro e sem mácula:
no meu íntimo está profundamente gravado e escrito o teu afecto.
Se no meu espírito houvesse mais alguma coisa além de ti,
arrancá-la-ia com as minhas próprias mãos.
Não quero de ti outra coisa senão o amor;
para além disso não peço nada.
Se o tiver,
a Terra inteira e a Humanidade
Serão para mim como montes de pó,
e os habitantes do país, insectos.
.
O meu amor por ti,
que é eterno por sua própria essência,
chegou ao apogeu,
e não pode nem minguar nem crescer.
Não tem mais causa nem motivo
do que a vontade de amar.
Quando uma coisa tem a sua causa em si mesma,
ela goza de uma existência
que não se extingue jamais.
.
Quando me vou do teu lado
sou como um prisioneiro a quem levam ao suplício.
Ao voltar para ti, corro como a Lua Cheia
quando atravessa os confins do céu.
Ao partir de ti,
faço-o com a morosidade
com que se movem as estrelas distantes.
.
(Ibn Hazm, de seu nome completo Abu Muhammad Ali Ibn Hazm. Nasceu em Córdoba, no ano de 994, e faleceu em Montíjar, em 1064. Foi autor do famoso "El Collar de la Paloma", de onde se extraem os versos acima).

Sem comentários: