quinta-feira, 13 de setembro de 2007

(Miguel Torga) - Guevara
















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Não choro, que não quero
Manchar de pranto
Um sudário de força combativa.
Reteso a dor, e canto
A tua morte viva.
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A tua morte morta
Pelo próprio terror em que ficaram
À sua frente
Aqueles que te mataram
Sem poderem matar o combatente.
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O combatente eterno que ficaste
Ressuscitado
Na voluntária crucificação.
Herói a conquistar o inconquistado,
Já sem armas na mão.
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Quem te abateu perdeu a guerra santa
Da liberdade.
Fez brilhar na manhã do mundo inteiro
Um sol de redentora claridade:
O teu rosto de Cristo guerrilheiro.
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(Miguel Torga - Coimbra, 11 de Outubro de 1967 - in Poesia Completa - Vol. II - Publicações Dom Quixote - Lisboa - 2007)

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