terça-feira, 11 de setembro de 2007

"Enterrem o Meu Coração na Curva do Rio" - A Palavra dos Índios (3)

















































(Continuação de 2 de Setembro - 1.ª parte - e 6 de Setembro de 2007 - 2.ª parte)(Clicar nas figuras para aumentar)
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"O Pai Grande disse aos comissários que todos os índios tinham direitos nas Black Hills, e que qualquer conclusão a que chegassem seria respeitada…
Sou um índio e sou considerado pelos brancos como um homem louco.
Mas isso deve ser porque sigo os conselhos do homem branco.”
[Shunka Witko (Cachorro Louco), dos Sioux]
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“Tudo o que pedimos é para podermos viver, viver em paz…
Cedemos à vontade do Pai Grande e fomos para sul.
Achámos que um cheyenne não podia viver ali.
Então, voltámos para casa. É melhor morrer a lutar do que de doença, foi o que achámos…
Podem matar-me aqui, mas não me obrigarão a voltar.
Não iremos.
A única maneira de nos levarem para lá é usando clavas para nos baterem na cabeça.
Então podem arrastar-nos e deixarem-nos por lá - mortos.”
[Tahmelapashme (Faca Embotada) dos Cheyennes do Norte]
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“Eu estava a viver pacificamente com a minha família, tinha muita comida, dormia bem, cuidava do meu povo e estava contente. Ali estávamos bem, eu e o meu povo.
Comportava-me bem. Não matara nenhum cavalo, nenhum homem, americano ou índio.
Não sei qual era o problema com a gente que se encarregara de nós. Sabiam que tudo era assim, mas disseram que eu era um homem mau, o pior homem dali.
Mas o que é que eu tinha feito? Estava a viver pacificamente com a minha família à sombra das árvores, fazia exactamente o que o general Crook me dissera para fazer, procurava seguir o seu conselho.
Agora quero saber quem ordenou que eu fosse preso.
Rezei à luz e à treva, a Deus e ao Sol, para que me deixassem viver tranquilamente com a minha família. Não sei qual é a razão que leva as pessoas a falarem mal de mim. Frequentemente há histórias nos jornais a dizerem que serei enforcado.
Não quero mais isso.
Quando um homem tenta proceder bem, tais histórias não devem ser colocadas nos jornais. Só restaram poucos dos meus homens. Fizeram algumas coisas más, porém agora estão todos mortos e não falemos mais deles.
Sobraram pouquíssimos de nós.”
(Jerónimo, dos Apaches Chiricahuas)
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“Meus amigos, estamos neste território há muitos anos.
Nunca fomos ao território do Pai Grande incomodá-lo.
Foi o seu povo que veio ao nosso território incomodar-nos, fazer muitas coisas más e ensinar o nosso povo a ser mau…
Antes de o vosso povo atravessar o oceano para vir até aqui, e desde essa época até agora, nunca propuseram comprar um lugar semelhante a este.
Meus amigos, este território que vieram comprar é o melhor que temos…
Este território é meu, cresci aqui.
Os meus antepassados viveram e morreram nele - e quero permanecer nele.”
[Kangi Wiyaka (Pena de Corvo), dos Sioux]
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"As pessoas não vendem a terra em que vivem.”
(Cavalo Louco, dos Sioux)
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"Todos os índios devem dançar, por toda a parte.
Dentro em breve, na próxima Primavera, o Grande Espírito virá.
Trará de volta caça de todas as espécies. Haverá muita caça por todo o lado. Todos os índios mortos voltarão e viverão de novo. Serão fortes como jovens, serão jovens outra vez.
O velho índio cego verá novamente e será jovem, terá uma vida boa.
Quando o Grande Espírito vier desta forma, todos os índios irão para as montanhas, bem mais alto do que os brancos.
Os brancos não poderão ferir os índios, então.
Enquanto os índios estiverem no alto, virá uma grande enchente, uma água, e todos os brancos morrerão, afogando-se.
Depois disso, a água retirar-se-á e só haverá índios em toda a parte e caça de toda a espécie.
Então, o feiticeiro dirá aos índios para espalharem por toda a parte que todos devem ficar dançando, e o bom tempo virá.
Os índios que não dançarem, que não acreditarem nesta palavra, crescerão pouco, só uns trinta centímetros de altura, e ficarão assim.
Alguns deles transformar-se-ão em madeira e serão queimados no fogo.”

(Wovoka, o Messias dos Paiutes, fundador da religião da Dança dos Fantasmas)
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“Os brancos só contaram um lado. Contaram o que lhes agradava. Contaram muita coisa que não era verdade. O homem branco só contou as suas melhores acções, só as piores dos índios.”
(Lobo Amarelo, dos Nez Percés)
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(Fim)

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