terça-feira, 10 de julho de 2007

Velha Poesia Árabe na Península Ibérica (II)



Caras e caros, das arcas profundas da Torre recolho mais um poema do antigo Al-Andaluz, este de Ibne Sare (que, nascido em Santarém, faleceu em 1123, quando Portugal independente ainda não havia surgido):



Laranjeira

São as laranjas brasas que mostram sobre os ramos
as suas cores vivas,
ou rostos que assomam
entre as verdes cortinas dos palanquins?

São os ramos que se balouçam, ou formas delicadas
por cujo amor sofro o que sofro?

Vejo a laranjeira que nos mostra os seus frutos:
parecem lágrimas coloridas de vermelho
pelos tormentos do amor.

Estão congeladas, mas, se fundissem, seriam vinho.
Mãos mágicas moldaram a terra para as formar.
São como bolas de cornalina em ramos de topázio,
e na mão do zéfiro há martelos para as golpear.

Umas vezes beijamos os frutos
outras cheiramos o seu olor,
e assim são alternadamente
rosto de donzelas ou pomos de perfume.

(António Borges Coelho - "Portugal na Espanha Árabe" - Vol. 1, pág. 242 - Edit. Caminho)

1 comentário:

Anónimo disse...

A poesia medieval dos cristãos, quando comparada com a dos invasores muçulmanos (ou seus descendentes)possuía uma sonoridade bárbara. Foi talvez por isso que estes acabaram vencidos por aqueles.