terça-feira, 10 de julho de 2007

Velha Poesia Árabe na Península Ibérica (I)


Caras e caros:

Os muçulmanos que ocuparam a Península Ibérica a partir da invasão do ano de 711 (até cair Granada, em 1492) deixaram-nos, para além de outras lembranças de uma civilização requintada - e, em muitos aspectos, de surpreendente tolerância - alguns tesouros de poesia extraordinariamente sensitiva e elaborada.
Envio-vos um exemplo:

O Repuxo (de Ibne Arraia)

Que belo o repuxo! Apedreja o céu com estrelas cadentes
que saltam como ágeis acrobatas!

Serpentes de água caem em borbotões
que correm até à taça como víboras amedrontadas.

E habituada a escorrer furtivamente sob a terra,
não corre a água lesta ao ver um espaço aberto?

Ao repousar depois satisfeita com a nova casa
sorri orgulhosa mostrando os dentes de bolhas.

E então, quando o sorriso descobre a deliciosa dentadura
inclinam-se a beijá-la os enamorados ramos.

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